segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Ficções

The Fish of Lijiang: Chen Qiufan foi o vencedor dos prémios nébula chineses com o romance distópico The Waste Tide que, pelo resumo, parece ser uma crítica velada ao capitalismo desenfreado sob bandeiras vermelhas. Sim, há prémios nébula chineses, e sim, há FC em chinês, e sim, é pujante, alimenta publicações regulares e começa a chegar lentamente aos olhos do mundo através de traduções. Se o romance for uma versão expandida deste conto traduzido por Ken Liu e publicado na Clarkesworld, pergunto-me se estas ficções especulativas não atraem atenções excessivas por parte de vigilantes burocratas do partido em busca de desvios à pureza ideológica. Porque o conto é implacável. Começa por nos levar a uma visão plastificada para consumo turístico da tradicionalidade chinesa. Só isso já nos mete a pensar sobre os contrastes de um país de tradições milenares e hipermodernidade galopante cuja imagem tecnológica está ligada à imitação barata em plástico pouco duradouro. Qiufan vai mais longe quando nos mostra que essa visão é um destino de férias obrigatório - se bem que não há obrigação explícita, os veraneantes é que se sentem compelidos a ir, frequentado por trabalhadores fisicamente esgotados pela aplicação de tecnologias de alteração da percepção do tempo por gestores sedentos de aumentos de produtividade. O protagonista do conto abomina a artificialidade patente, sente a injustiça do uso de tecnologias prejudiciais à saúde nos contextos laborais, expressa revolta no seu interior mas continua resignado a manter os padrões de comportamento esperados. Será um retrato da vida no país dos laogais, mão de obra de baixíssimo custo e empresas estilo foxconn que tratam os empregados como servos?

Contos de Bruce Holland Rogers: A Bang! dá-nos duas vinhetas de Bruce Holland Rogers. São um pequeno mergulho numa prosa contida de pureza quase zen que nos remete para visões oníricas e transreais num misto de fábula com narrativa surreal.

Wavehitcher: Paul di Filippo a divertir-se. O conto não leva a lado nenhum, é um mero veículo para especulação tecnológica futurista com robots autónomos submersíveis, sociedade em rede e tecnologias que permitem que apenas com um fato hipermoderno um viajante dos mares se mantenha vivo, hidratado, alimentado e ligado à rede capturando os nutrientes necessários a partir das águas do mar. Podemos dizer que foi um shot de especulação para tomar com o café da manhã.

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