domingo, 6 de outubro de 2013

Disgusting Stories?

"TR, or Time Romance, was a type of fiction that appealed to a type of mind. It had readers among schoolboys, collegiates, mechanics, inventors, scribes, merchantmen, members of Convocation and even, it was whispered, those in holy orders. Though it was formally illegal, the authorities were wise enough to know that to suppress it altogether a disproportionate effort would be necessary, and contented themselves with occasional raids and confiscations. Its name was the subject of unending debate among its followers, many of whom would point to the number of stories and novels offered and accepted as TR in which time as such played no significant part. The most commonly suggested alternative, Invention Fiction, made a beguiling acronym, but was in turn vulnerable to the charge that invention was no necessary ingredient of TR. (Science was a word and idea considered only in private: who would publish a bawdy pamphlet under the heading of Disgusting Stories?) CW, or Counterfeit World, a class of tale set more or less at the present date, but portraying the results of some momentous change in historical fact, was classified as a form of TR by plenty of others besides Decuman, if on no firmer grounds than that writers of the one sometimes ventured into the other."

Fora de contexto estas até nem seriam nada más nomenclaturas e definições de vertentes da ficção científica. Gosto particularmente do delicioso "Invention Fiction, made a beguiling acronym". Dentro de contexto é ainda mais audaz e intrigante. Kingsley Amis fez este infodump no meio de uma discussão nocturna onde um grupo jovens de aprendizes de arte coral aproveitam o afrouxar da vigilância para se reunir em torno de um livro proibido, The Man In The High Castle por P.K. Dick, um escritor da Nova Inglaterra. Estes aprendizes buscam o proibido nos claustros da academia de Santa Cecília, onde os coros reais da coroa vão buscar as vozes que deliciam o rei católico inglês e deslumbram o papado com a elegância cultural do império britânico, que se estende da europa às américas (excepto na Nova Inglaterra independente), protege as índias, a China e o Brazil, e não tem rival nem na extensa Muscóvia ou na intrépida Germânia. Todos acatam o poder espiritual de Roma num mundo onde a electricidade é vista como algo cujos perigos ultrapassam os benefícios, a iluminação a gás clareia as noites onde expressos se deslocam movidos por engenhos diesel que colocam em movimento motores de engrenagens e a antiga ordem mundial medieval se fossilizou. Bem vindos a 1976, depois da morte do santíssimo jesus cristo.

Estou nas primeiras e intrigantes páginas de The Alteration de Kingsley Amis, publicado em 1976, onde este autor consagrado da literatura inglesa deu asas ao seu gosto pela Ficção Científica com assinalável respeito pelas fórmulas do género e muita elegância de ideias. Fico paralisado nas primeiras páginas pela reinterpretação da FC à luz de totalitarismos obscurantistas que no fundo sublinha o melhor do carácter do género, o não ter medo de reinterpretar as visões do mundo. A recursividade de mencionar talvez a maior das obras de história alternativa como elemento de um livro de história alternativa é brilhante.

Kingsley Amis (1988). The Alteration. Nova Iorque: Carroll & Graf.

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