terça-feira, 24 de setembro de 2013

Leituras

Why Today's Inventors Need to Read More Science Fiction: Curiosamente, no dia em que saiu este artigo estava num encontro/congresso de professores onde ouvi alguém dizer que temos muita dificuldade em imaginar e conceber o futuro. Leiam ficção científica, apeteceu-me dizer, mas já sei que neste tipo de círculos a simples referência ao género desperta olhares de condescendência hostil. Já no MIT ler FC é muito recomendado. Não para prever futuros ou brincar aos cowboys no espaço com rayguns a brilhar mas para estimular a criatividade na engenharia fugindo à armadilha do espelho retrovisor. A defesa deste curso começa com o habitual argumento do carácter preditivo do género, a mais banalizada das formas de vender FC aos desconhecedores. Mas melhora. Quando os investigadores falam da influência das suas leituras favoritas no trabalho que desenvolviam sublinham algo de muito importante. As ideias futuristas por si são, no seu melhor, experiências mentais que extrapolam futuros baseados nos presentes contemporâneos dos autores. No seu pior ou mais escapista ou meramente divertido são apropriações da iconografia por outros géneros, trocando-se a capa e espada pela raygun ou sabre de luz, a caravela pela nave espacial ou o oeste dos pioneiros pela vastidão galáctica. A FC é relevante pelas questões que levanta sobre a nossa relação simbiótica com a tecnologia e pelas hibridizações que inspira. Isso é particularmente patente nas palavras de um dos investigadores ao descrever o momento em que se apercebeu que o seu trabalho no domínio da realidade virtual tinha uma ligação directa com Bradbury e Stephenson, apesar de não estar a tentar replicar com tecnologia os sonhos imersivos de The Veldt ou Snowcrash. Imaginando possibilidades, a FC ajuda os criadores a desenvolver novas possibilidades. Entretanto o currículo do curso está online e as leituras onde se baseia fazem-no parece o clube literário de sonho dos mais eruditos fãs de FC.

Mind Technology: Steve Wheeler a roçar o transhumanismo enquanto explora a difusa mas decisiva influência que as tecnologias digitais estão a ter nos nossos processos de pensamento. Misto de argumento McLuanista com as ideias de Howard Rheingold, reforça o papel do digital enquanto tecnologias cognitivas, que não só nos permitem aceder a vastas quantidades de informação mas que ao fazê-lo modificam formas de pensar.

The Internet Of Things Might Try To Kill You: Se pode ser concebido, desenhado e construído pode ser hackado e utilizado para fins muito díspares dos originais. É esta a reflexão em forma de aviso deste artigo, bom contraponto aos deslumbramentos com os milagres das novidades tecnológicas. Se alguém concebe um novo serviço ou tecnologia outros depressa encontram forma de a tornear para os seus objectivos. Sejam estes cibercriminosos, terroristas ou operativos de estados-nação. A NSA é talvez o melhor exemplo contemporâneo de deturpação tecnológica em nome de interesses obscuros. Enquanto confiamos cada vez mais do nosso dia a dia à automação e sistemas digitais, convém reflectir sobre o que pode correr mal.

Sexting, Shame and Suicide: Artigo arrepiante que traz à mente as palavras de Virilio sobre cada nova tecnologia trazer consigo uma nova catástrofe potencial. Neste caso, observam-se casos limites de comportamentos de risco nos adolescentes agravados pela facilidade de exposição trazida por tecnologias de difusão de informação. Utilizadas sem consciência das consequências dos actos por adolescentes emocionalmente incapazes de gerir a potência das bombas atómicas digitais que têm em mãos.

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