sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Comics


Baltimore: The Infernal Train #01: Pode não ter o carisma e a popularidade de Hellboy mas este Lord Baltimore revela um esforço contínuo de Mike Mignola. A cada nova aventura o personagem vai-se aprofundando e ganha cada vez mais solidez este mundo ficcional onde no pós-guerra dos anos 20 do século XX uma praga de vampirismo alastra pela Europa. Hellboy está arquivado e B.P.R.D. vai mantendo em lume morno o ambiente ficcional do maior sucesso de Mignola enquanto este vai aprofundando este novo personagem. Talvez não chege a ter a projecção mediática do diabo humanista, mas Baltimore tem condições para ser um sucesso crítico.


God Is Dead #01: Estamos a viver o momento Jonathan Hickman? Com duas séries brilhantes na Image (East of West e Manhattan Projects para os mais distraidos) e ainda encarregue do fio condutor de Infinity, o mais recente crossover da Marvel, este argumentista ainda arranjou tempo para publicar este God Is Dead na Avatar Press. Que, sendo a editora que é, possibilita pisar alguns riscos que as editoras mais estabelecidas não se atrevem a pisar. Como editar um comic sobre deuses míticos, perfeitos filhos da mãe, que regressam à Terra para escravizar a humanidade, o grupo de cientistas que poderão ser os únicos capazes de travar os desmandos deístas, e o machismo do arsenal de mísseis nucleares norte-americano. Sendo Hickman, só se pode esperar que os deuses serão mortos com extremo prejuízo.

Deuses míticos, claro, é uma redundância...


The Star Wars #01: Como a saga Guerra das Estrelas não está suficientemente bem explorada, com os seus seis filmes, inúmeras novelizações, comics e séries de animação que expandem o seu universo ficcional e criam novas vertentes de abordagem, eis algo novo. A adaptação do guião original do filme, antes de ter levado as voltas que levou para se tornar no clássico Star Wars. Ler isto torna-se num exercício de descoberta de diferenças, e elas são enormes. O herói é Annakin Starkiller (felizmente isto melhorou, starkiller é tão à anos 70), e esta até nem é a menor das diferenças. Alguém disse Coruscant? Não, a sede do império galáctico no original era uma cidade flutuante em Alderaan. Nada de caças TIE. Os destroyers espaciais não eram os gigantes do espaço, ficam-se por caças tripulados por dois pilotos. E a inspiração visual glosa abertamente o classicismo da golde age. Há uma linha directa para o Flash Gordon de Alex Raymond. O imperador até é uma espécie de Ming Minorca. O que se mantém são os sabres laser. Isso, a ideia dos cavaleiros Jedi e a rebelião contra o império.


Satellite Sam #03: O crime misterioso sexualizado de Matt Fraction não está a ser muito interessante, e é pena, porque os ingredientes prometiam: anos 50, mulheres fatais, a incipiente televisão, relações perigosas entre emissores e fabricantes de televisores, e uma série de ficção científica. Ao fim de três edições a história continua fragmentada e sem se perceber para onde caminha. Mas pelo menos temos Howard Chaykin a fazer o que faz bem. Como esta vinheta, num perfeito motivo clássico deste ilustrador. Cá por mim prefiro a versão da Ella Fizgerald desta canção incontornável do great american songbook.


Trillium #02: Jeff Lemire continua a intrigar. Impressiona a forma como consegue contar uma história de incapacidade de compreensão entre uma rapariga do futuro e um homem do passado que termina numa só palavra que encaixa na perfeição no puzzle da narrativa principal. Suspeito que este é o mais promissor dos títulos Vertigo DEFY. 100 Bullets e Sandman revisitam sucessos garantidos, Federal Bureau of Physics surpreende, mas este intriga profundamente.

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