segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Barbarella


Jean-Claude Forest (1968). Barbarella. Nova Iorque: Grove Press.

O que nos anos 60 parecia irreverente e audacioso, quase a roçar o pornográfico, é aos nossos olhos contemporâneos endurecidos pela explosão da cultura mediática algo que parece quase inocente. As aventuras da ingénua Barbarella que acaba sempre despida e nos braços de algum alienígena mais másculo e atrevido passam-se num espaço onírico que vai buscar inspiração à iconografia da ficção científica para a sua estética mas que em bom rigor anda muito longe da necessária precisão do género. As aventuras picarescas da loira curvilínea que ficará para sempre associada a Brigite Bardot passam-se num mundo ficcional que apesar de ter alienígenas e foguetões está mais próximo das paisagens surreais de Yves Tanguy e das viagens de fantasia da tradição literária europeia.

Barbarella é incontornável como objecto de época e creio que é assim que deve ser lido. A evolução qualitativa das estruturas narrativas da cultura pop que Steven Johnson analisa em Everything Bad is Good for You significa que aos nossos olhos habituados a histórias de entretenimento complexas este livro nos pareça pueril. O traço pouco preciso mas sensual de Forest alia-se ao onirismo narrativo para criar uma obra que apesar de datada não deixa de ser uma referência na banda desenhada influenciada pela ficção científica.

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