segunda-feira, 20 de maio de 2013

Archeologists of Shadows




Lara Fuentes, Patricio Clarey (2011). Archeologists of Shadows Vol. 1: The Resistance. Toronto: Septagon Studios.

Lara Fuentes, Patricio clarey (2012). Archeologists of Shadows Vol. 2: Once a Nightmare. Toronto: Septagon Studios.


A premissa do argumento é intrigante, mas desenvolve-se de forma muito previsível. O mundo ficcional de Archeologists of Shadows envolve duas realidades paralelas. Numa, a mecanização da natureza é progressiva e obedece a uma ordem divina policiada pelas autoridades. Os seres vivos tornam-se progressivamente biomecânicos, substituindo o biológico por próteses mecânicas. Apenas alguns resistentes contestam a ordem global, mas são-no por capacidade de resistência biológica aos implantes mecânicos e não por ideologias. Noutra realidade parecem residir os deuses misteriosos que impõe a mecanização do mundo. Espaço onírico onde sonhos e pesadelos se manifestam como realidade, é o território para onde dois incautos resistentes são enviados para descobrir o segredo dos deuses e das suas imposições. A passagem entre mundos é assegurada por um portal defendido pela organização secreta dos arqueólogos da luz e da sombra, sempre perseguidos pelas autoridades mecanicistas.



Boas premissas, mas que se vão arrastando numa narrativa previsível. O que distingue esta banda desenhada é a espectacularidade do seu grafismo. Mistura multimédia, incorpora desenho, fotografia, assemblage, modelação 3D e um fortíssimo trabalho de manipulação e edição digital de imagem. O resultado é visualmente esplendoroso, com um barroco visual fortemente surreal de cariz steampunk onde abundam mecanismos e arquitectura a esboroar-se na paisagem. É um estilo reminiscente das frottages de Max Ernst, com paisagens decaídas e mecanicistas habitadas por criaturas hieráticas a recordar Druillet. Apesar de belas, as vinhetas são demasiado trabalhadas e rebuscadas. A colagem visual na prancha não se traduz em sequências de leituras, antes olhamos para aglomerados de imagens estáticas que não conferem fluidez narrativa. É como olhar para uma galeria de pinturas em que por acaso todas as imagens expostas formam uma sequência narrativa.


Nem só de brilhantismo gráfico vive a banda desenhada, e Archeologists of Shadows mostra-o. Visualmente espantosa, esta banda desenhada perde-se numa narrativa rígida e no deslumbre pelo seu estilismo.

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