sexta-feira, 5 de abril de 2013

Comics


2000AD #1826: Com Edgington a escrever e D'Israeli a ilustrar, Stickleback promete. É muito curiosa e levemente desconcertante a escolha estética de imagens em negativo, talvez indicativa de uma inversão de valores morais. Não sendo das minhas séries favoritas na 2000 AD, o traço do ilustrador deslumbra e convida à leitura. Outro momento brilhante nesta edição é a conclusão da infelizmente curta série Survival Geeks, um hino bem humorado aos fãs da cultura de ficção científica e fantástica onde um grupo de fãs e a namorada acidental de um deles se vêem transportados entre mundos ficcionais numa casa que tem a capacidade de viajar entre dimensões.


Great Pacific #06: Uma série que partiu com excelentes premissas mas depois se perdeu num acumular de peripécias. Um herdeiro milionário pega em tecnologia de ponta e decide colonizar o resultado de décadas de desperdício industrial, a grande mancha de plástico que flutua no oceano Pacífico e que com tanta acumulação se tornou um verdadeiro território. Aparentemente desértica, a colónia do jovem rebelde é frequentada por piratas em busca de satélites nucleares soviéticos, tribos de indígenas do Pacífico Sul, e unidades de operações especiais à caça de artefactos de alta tecnologia. E um kraken, polvo gigante que sofreu mutações causadas pela poluição. Mesmo com todas estas ideias intrigantes, a série não passa de um registo lento e morno.


Locke & Key Omega #04: Joe Hill está a levar a série para uma inexorável conclusão e está a fazê-lo em grande estilo. Esta edição caminha a passo seguro para a promessa de um final apocalíptico. Dizem as regras do género que nestas coisas tudo acaba sempre bem, mas Hill está em modo catastrófico. A ilustração de Gabriel Rodriguez acompanha o tom na perfeição, algo que tem sido constante na série.


Polarity #01: Passei boa parte das páginas a ler o que me pareceu ser uma história simples sobre pretensões artísticas, comunidades hip e um personagem principal que faz da sua doença bipolar o motor do seu trabalho artístico. E, no final, todos os pressupostos são revertidos e o comic dispara numa direcção totalmente inesperada e surpreendente. Destaque para o traço delicioso do ilustrador português Jorge Coelho, que confere uma tonalidade enganadoramente leve a uma história que vai levar os leitores a níveis de paranóia ao estilo de P. K. Dick.


Stormwatch #14: Edição WTF de um comic que estava a ser uma leitura agradável. Pete Milligan saiu do argumento e este foi entregue ao lendário Jim Starlin, o que leva a pensar em histórias cósmicas de inspiração na space opera. Mas Starlin fez o impensável: livrou-se de parte dos personagens do Stormwatch original e repescou uma série de personagens perdidos nas prateleiras empoeiradas da propriedade intelectual da DC. O interessante Jack Hawksmoor (o homem que falava com cidades) criado por Warren Ellis desaparece, bem como a genial Jenny Quantum, que é substituída por uma versão new age, Jenny Soul. Do antigo alinhamento são mantidos a andróide Engineer e as paródias subtis à tensão sexual inerente na relação Batman/Superman que são o omnipotente Apollo e o violento Midnighter, colegas de equipa e de cama. Diga-se de passagem que na encarnação DC nada de interessante se passava em Stormwatch, com Milligan centrado em intrigas palacianas que não puxavam pelos personagens. Agora com esta modificação às mãos de Starlin, a ver vamos. Mas parece-me que vai ser mais um título da DC 52 a pôr de lado.


Thanos Rising #01: Thanos, o arqui-vilão do universo Marvel, destruidor de universos, assassino de metade da vida, companheiro fiel da morte encarnada, como jovem inocente, ingénuo, simpático e incapaz de tirar uma vida? Isso é a nova origem do monstruoso Thanos na óptica da Marvel Now, a convergência entre as décadas de comics e a simplicidade da cinematografia de grande sucesso que tenta replicar nas revistas o universo modificado para o grande ecrã. Vale essencialmente pelo traço de Simone Biachi.

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