sexta-feira, 8 de março de 2013

Comics


Hellboy in Hell #04: Mike Mignola em grande forma. A discreta e soturna ressurreição do personagem mais icónico por ele criado traz-nos o seu traço pessoal, sempre um prazer de ver, e uma narrativa intrigante em que Hellboy desce aos infernos e se cruza com Edward Grey, Witchfinder, outro personagem oculto de Mignola que está condenado às profundezas. Há um segredo que se começa a revelar, que sugere um regresso de Hellboy às páginas de banda desenhada, mas o deslumbramento está todo no traço de Mignola.


Human Bomb #04: Uma surpresa inesperada. Human Bomb é uma mini-série previsível que redefine um personagem esquecido para o integrar na continuidade da DC. Envolve homens-bomba e alienígenas, é confuso e banal. Mas esta vinheta de Jerry Ordway compensa. Se bem que nem na ilustração este comic é bem sucedido... este é mesmo o rasgo de brilhantismo, a recordar os psicadelismos de Kirby, Ditko ou Steranko.


Lot 13 #05: Apesar de mais visceral do que o habitual na DC, a estreia de Steve Niles na editora pauta-se por um horror leve e previsível. Mais entranhas sangrentas do que enredos psicológicos tortuosos. Termina bem, com um final que recorre ao clássico plot twist do género. E o registo visual de Glenn Fabry é deslumbrante. Nunca tripas evisceradas e assombrações sensuais de cérebro exposto foram tão atraentes.


Lost Vegas #01: A ficção científica nos comics está bem e recomenda-se, graças à insistência da Image em editar mini-séries que revisitam o género. Temos um pouco de tudo, das distopias de Blackacre ou Great Pacific à bizarria de Manhattan Projects. Lost Vegas promete, cruzando a sedução dos ambientes de casino sempre tão conducentes a histórias noir com um toque de space opera. Vamos ver no que dá.


Before Watchmen Rorschach #04: Brian Azzarello fugiu ao recontar do Watchmen original (Straczsinsky faz isso em Dr. Manhattan) ou à criação de narrativas antecedentes complementates como em Nite Owl ou Minutemen. Este Rorschach é um policial negro, num registo decadente e implacável. Não há redenções, há apenas a banalidade do crime e a omnipresente noite. O registo gráfico de Lee Bermejo assenta como uma luva no arguento de Azzarello, sublinhando o carácter gritty da história. O resultado é uma série que respeitando as origens se desenvolve em direcções inesperadas, e fá-lo muito bem. Desta prequela de Watchmen Alan Moore não se pode queixar...

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