terça-feira, 12 de março de 2013

Comics


Morgan Spurlock, et al (2012). Supersized : strange tales from a fast-food culture. Milwaukie: Dark Horse Comics.

Um livro curioso, muito indicado a adolescentes pelo seu conteúdo chocante. São pequenas histórias de terror muito real da indústria de fast food, conjugadas com detalhes da odisseia de Spurlock em documentar os resultados de uma dieta baseada apenas em hamburguers conjugado com uma análise dos métodos massificados de produção de comida à escala industrial. Supersized funciona como livro panfletário, destinado a chocar e com isso fazer reflectir sobre os hábitos alimentares. A tentativa é boa, e a coragem de elogiar. Afinal, a indústria do fast food é um peso pesado dos combates mediáticos, numa estratégia onde tudo, da cor ao sabor da comida, é pensado ao milímetro para seduzir o consumidor. E fá-lo com grande sucesso, como se observa pelas epidemias de obesidade que assolam os países desenvolvidos.


Becky Cloonan (2012). The Mire.

Não sendo fã do género de fantasia medievalista, não posso confessar uma atracção especial por este The Mire. Intermezzo numa narrativa maior, mostra-nos um jovem mensageiro que na véspera de uma batalha decisiva é obrigado a penetrar numa soturna floresta para entregar uma mensagem. Despeitado por não poder participar nas refregas, mergulha na floresta e acaba por descobrir o segredo sobre quem realmente é. Narrativa típica do género, com um estilo gráfico em preto e branco classicista muito interessante.


Steve Niles, et al. (2004). Horrorcide. San Diego: IDW.

Uma colecção muito díspare de histórias de terror de Steve Niles. Se este autor surpreende com Criminal Macabre ou 30 Days Of Night, este Horrorcide é claramente feito de obras menores. Divertido, mas não ao grande nível deste autor. A ilustração não ajuda. A maior parte das histórias é desenhada no estilo convencional dos comics, tornando-as ainda mais banais. Só o estilo preto e branco revelando influências do comic clássico de horror de Josh Medors e o expressionismo de Ben Templesmith conseguem que Horrorcide não se torne num livro em que o melhor mesmo é a sua capa.


Brandon Barrows (2013). Voyaga. Barnet: AAM-Markosia.

Mais uma versão das infindáveis variações do tema homem do passado perdido no futuro profundo. O arranque é prometedor, com a história do astronauta que quer rumar às estrelas mas acaba esquecido em sono criogénico num foguetão que nunca chega a descolar por causa de uma guerra nuclear. Centenas de anos depois acorda e descobre um planeta radicalmente diferente da sua Terra, onde tribos semi-selvagens lutam nas paisagens arruinadas. Se o começo promete, quer em termos narrativos quer de ilustração, depressa descarrila para registos simplistas em que nem a ilustração se safa.

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