quinta-feira, 31 de Janeiro de 2013

Sketchpad


Olho para esta imagem de Ivan Sutherland a desenhar no computador há 60 anos atrás e vejo-me a mim, perdido nas minhas brincadeiras em 3D, ou os meus alunos de segundo e terceiro ciclo a aprender a beneficiar do digital como forma de criar. A minha dívida para com o Sketchpad é enorme.


Desenhar no Sketchpad

O Sketchpad, resultado da dissertação de um Ivan Sutherland que posteriormente se envolveria no desenvolvimento de realidade virtual com o sistema Damocles, foi o primeiro programa a utilizar o computador como ferramenta de desenho. Não será certamente exagero considerá-lo a semente de uma árvore que hoje inclui CAD, 3D, edição de imagem, desenho vectorial, simulação de pintura e todas as outras variantes da imagem digital.


Snail, Kerry Strand, programado em FORTRAN.

Há experiências de utilização do computador como ferramenta de desenho antecedem que o Sketchpad, normalmente criadas por artistas dos primórdios da ciber-arte e baseadas em código gerador de linhas no ecrã e posteriormente impressas em impressoras de agulhas. O site CompArt reúne uma vasta base de dados de artistas e objectos gráficos criados nesta vertente.



revista The Atlantic publicou recentemente uma história sobre um técnico de radares entediado que utilizou o ecrã de um sistema SAGE para recriar um pinup de proporções jeitosas. Mas foi o Sketchpad o primeiro programa concebido a pensar no grafismo criado no computador. À época, com o rato ainda a ser desenvolvido, Sutherland utilizou uma caneta de luz para desenhar directamente no ecrã. É a génese de muita coisa: desenho digital, interfaces gráficos com apontadores e menus, até da realidade virtual. E é a primeira faísca da espantosa explosão criativa propiciada pelos meios digitais. A descrição original pode ser lida no Monoskop.

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