terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A Mina do Deus Morto



João Barreiros (2012). A Mina do Deus Morto. Lisboa: Diário de Notícias/Escrit'orio

Deus está morto, atomizado em partículas cognitivamente influentes que se espalharam pelo vasto universo. Precioso recurso natural, estas partículas são desbravadas por mineiros deficientes mentais, os únicos capazes de sobreviver à expansão mental provocada pela exposição às partículas deístas. Este conto de João Barreiros insere-se no mundo ficcional retro criado para a antologia Lisboa no Ano 2000, uma realidade alternativa influenciada pela estética steampunk e onde, na visão única do autor, pedacinhos microscópicos conscientes de um deus atomizado são os responsáveis pelas capacidades das inteligências mecânicas... e um perigo lucrativo para a ordem estabelecida.

É de notar que Barreiros consegue em contos curtos criar vastos mundos ficcionais coerentes, e este A Mina do Deus Morto é um dos melhores exemplos. Conciso, maquiavélico, cru e violento nas palavras, abre panoramas ficcionais que vão muito além das curtas páginas do conto.

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