terça-feira, 23 de outubro de 2012

Morangos Selvagens

À beira de um lago, rodeado de colinas impossivelmente verdejantes e um impossível céu azul. Numa das margens erguem-se as pedras enegrecidas de um castelo. No fundo das águas cristalinas, por entre as rochas e as algas, encontrava-se um recipiente com enormes e carnudos morangos de vermelho vivo. Matilhas de crianças e pais babados nadavam alegremente por entre as ramas dos morangos gargantuescos. O vermelho rechonchudo começa a revelar dentes brancos. Cada morango abre-se e começa a devorar os banhistas que nadavam no lago. Alguns morangos pegam nos humanos pelas pernas e arrancam-lhes a cabeça à dentada, numa inversão do gesto de pegar na rama e morder o morango.

Escapámos à vingança dos morangos que devoravam os infelizes veraneantes. Fugindo para as muralhas do castelo, demos de caras com uma bela e elegante mulher de tez branca emoldurada pelo cabelo e roupa preta. O seu olhar malévolo, visível através do rimmel negro que lhe contorna os olhos, não é aliviado pelos labios vermelhos e o queixo que se vai tornando cada vez mais ponteagudo. O vestido distende-se e da cada lado começam a surgir peludas patas aracnídeas, enquanto os braços se transformam em pinças de crustáceo. Corremos, fugindo do castelo pelas colinas verdejantes. Sob o intenso céu azul, a mulher com pernas de aranha e braços de lagosta abre os lábios num sorriso maléfico e começa a correr, cada passo mais rápido que o outro. Olhamos os seus olhos psicóticos a traçar-nos o destino.

(E depois tocou o despertador. Bolas, é que este estava a ter piada.)

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