quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Night In the Lonesome October


Roger Zelazny (1993). A Night In the Lonesome October. Nova Iorque: AvoNova.

Uma delícia para a terrorífica véspera do dia de finados. Num registo de linguagem livre, sem preocupações literárias de enquadramento nas literaturas de género, Zelazny entretece uma homenagem bem humorada aos ícones do terror. Pegando nas figuras mais icónicas do género o autor coloca-nos no centro de uma conspiração cíclica sobre monstros do além espaço. Num local intemporal que talvez seja a Londres da viragem de século um grupo misterioso de personagens cruza-se num jogo perigoso. Caricaturas mal disfarçadas de Jack o Estripador, das bruxas de Shakespeare, do Dr. Frankenstein acompanhado do fiel Igor e da sua criatura, de Drácula, do monge Rasputin, do lobisomem Larry Talbot e de Sherlock Holmes, entre outros, posicionam-se como peças de xadrez. O objectivo do jogo? Assistir à abertura de um portal interdimensional que poderá trazer os grandes anciães do além espaço para retomar o seu reino de horrores na terra... auxiliando ou travando a sua abertura numa luta de final incerto. Tudo contado pelo ponto de vista dos animais de companhia dos participantes no jogo, os verdadeiros peões de ataque na disputa entre as trevas primordiais e o mundo habitual.

Esta é uma homenagem carinhosa ao género. Para além da citação e reencarnação das personagens e da vénia ao terror lovecraftiano, Zelazny acena à tradição dos icónicos filmes a preto e branco da Universal, ainda hoje marcos na forma como a cultura popular conceptualiza o monstro de Frankenstein, o Lobisomem (neste, Zelazny não foi nada subtil - é o único que está identificado pelo nome tradicional, e ainda mistura elementos de outro filme lendário, Werefolf of London com a mágica planta mariphasa) e Drácula. Uma das vertentes deste género de cinema era o monster mash, filmes que misturavam os diversos monstros numa narrativa comum. Zelazny homenageia a literatura de horror clássica e os tempos do evocativo cinema a preto e branco nesta noite num Outubro solitário.

Parece que há uma tradição de ir lendo um capítulo por dia deste delicioso livro ao longo do mês de Outubro. Parte do gozo é tentar perceber quem é quem nas caricaturas de Zelazny.

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