segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Welcome to Uncanny Valley


Bem vindos ao uncanny valley, reparei hoje nas aulas. Entre muitas coisas que fui mostrado aos alunos, entre a design fiction sobre realidade aumentada e novos interfaces ubíquos, visões da sociedade panopticon ou experiências com kinects, este pequeno vídeo de um robot que simula os movimentos de um bebé despertou reacções fortes. E intrigantes, muito intrigantes. Ao ver os movimentos desajeitados do robot humanóide, com os servo-motores, sensores e cablagens à vista, os alunos ficavam sensibilizados com o seu aspecto e comentavam com palavras carinhosas. Sorriam, apontavam com carinho as acções do mecanismo.


Coberto com pele, a reacção foi oposta. Acabou-se o carinho. As reacções foram de choque e revulsão. É curioso como a tentativa de tornar o robot mais real reforça a sua artificialidade. Os alunos sublinharam muito o vazio dos olhos do robot, que nas imagens da máquina nua não tinha causado qualquer estranheza. Bem vindos ao uncanny valley, aquele momento em que o realismo do simulacro incomoda e inquieta.

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