quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Hífen geracional

É um daqueles momentos em que a normalidade insuspeita leva um forte par de estalos de futurismo enquistado do dia a dia corrente. Hoje comemoram-se os trinta anos da proposta original do emoticon para o sorriso. O mais conhecido e utilizado dos muitos símbolos que transmitem através do texto e do ecrã uma pálida imagem da emoção na interacção humana. As palavras no ecrã são notoriamente frias e desprovidas de bagagem expressiva. Quantos de nós nunca utilizaram um emoticon para suavizar palavras que podem parecer duras, e quantos de nós nunca se meteram em sarilhos online porque quem nos leu interpretou as palavras de forma totalmente oposta à intencionada? Estes pequenos símbolos tentam transmitir o poder da comunicação não verbal ao texto digital.

No artigo da The Atlantic que assinala a efeméride esta frase atinge como um murro: "Emoticons with noses are historically older. Since it is words that unite and distinguish clusters, this means that people who use old-fashion noses also use a different vocabulary". Ou seja, utilizar um hífen para simbolizar o nariz é sinal de senilidade geracional. O traço que assinala o fosso entre gerações. Há uma curta linha que separa aqueles que sorriem assim :-) daqueles que sorriem assim :) e essa linha é aparentemente um símbolo menor das diferenças culturais entre gerações. Um no qual pouco se repara.

(E, claro, estou apaixonado pela imagem que ilustra o artigo e que roubei descaradamente. Não é pelo smiley, é mesmo pela visualização do glorioso RGB nos pixels do lcd. Pura nova estética.)

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