domingo, 1 de julho de 2012

Heresia

Os primeiros resultados das prequelas da DC ao marcante Watchmen já estão aí. E... por herético que isto seja, são boas leituras. Podemos refilar com o tratamento fílmico que as obras de Moore têm levado, que deixam na consciência popular imagens vastamente diferentes e diluídas dos livros originais. Podemos resmungar sobre o conservadorismo editorial que foge do novo e inovador e nos dá ciclicamente as mesmas personagens com diferentes empacotamentos. Mas há que reconhecer que os criadores escolhidos para este projecto estão a ser cuidadosos. As suas visões dos personagens de estão muito próximas da original de Alan Moore. Um pouco menos acutilantes e mais diluídas, mas muito distantes das bastardizações cinematográficas.


Minutemen, escrito e ilustrado por Darwin Cooke, traz um lustro golden age às histórias de fina perversidade daqueles que vestem uma máscara para poderem combater crimes e dar asas aos seus desejos íntimos.


Cooke também assina Silk Spectre, onde o respeito pela obra original se nota até nos traços da ilustradora Amanda Conner e na composição das vinhetas que segue muito próxima da rigorosa composição de painéis do original. Replica até vinhetas originais com enquadramentos um pouco diferentes, como se fossem o minuto seguinte do retratado em Watchmen.


Brian Azzarello assina Comedian de forma intrigante, puxando o lado conspiratório dos poderes políticos para a história do anti-herói violento cujas convicções de direita mal disfarçam o seu lado assumidamente perverso.


Em Nite Owl J. Michael Straczinsky deixa afloradas algumas questões psico-sexuais utilizando Rorschach como uma espécie de id que verbaliza aquilo que Nite Owl não assume. O traço classicista de Andy e Joe Kubert remetem para a silver age. Quase me atrevo a rever Neal Adams e o seu luxuriantemente desenhado Batman.

Estão a ver o que quero dizer por verbalizar o não assumido? Restam ainda Ozymandias e Dr. Manhattan, mas estas primeiras edições estão bem acima do que se esperava. Se ignorarmos a vertente de mexida na iconografia de um clássico temos comics sólidos com pernas para andar.

Pernas. Pois, distraí-me a olhar para a imagem.

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