segunda-feira, 2 de julho de 2012

Amped


Daniel Wilson (2012). Amped. Nova Iorque: Knopf.

Começa a perceber-se que Daniel Wilson é um escritor de FC de cariz popular que mistura enredos cinemáticos e questões contemporâneas das consequências do desenvolvimento tecnológico em histórias simples onde amplia um aspecto catastrófico e o torna leit-motiv de um romance. A fórmula funcionou com Robopocalypse, e é mantida com este Amped. A premissa é intrigante: num futuro próximo a disponibilidade de tecnologias que aumentam as capacidades humanas gera uma clivagem entre humanos normais e humanos cujas capacidades são ampliadas por implantes cerebrais e físicos.

Esta é uma questão que hoje já se coloca com a progressiva utilização de smart drugs e próteses cibernéticas. Mas não esperemos uma reflexão aturada sobre o assunto. Wilson não pretende divulgar estudos científicos ou prever tendências futuras, apenas contar histórias que ficam muito próximas do cinema. A questão é levada ao absurdo como uma colisão social despoletada por um político sedento de poder que se aproveita dos medos da população para espicaçar uma convulsão social. A história sobe um pouco no nível de complexidade com as acções de um ex-militar detentor de tecnologias de aumento avançadas que se alia ao político para tentar despoletar uma guerra civil. Isto é-nos contado do ponto de vista de um humilde professor que pensa que o seu implante o livrou de uma vida de ataques epilépticos, mas que na verdade é um protótipo de tecnologias capazes de tornar um humano normal numa espécie de super-homem fisicamente imbatível. Facilita o argumento e sempre dá aquele lado de personagem humilde cujas acções salvam a humanidade que é tão popular. Quanto ao resto, temos os medos sociais, discriminações legais e arrebanhar de aumentados em campos de concentração. Quem leu o comic X-Men nos anos noventa com Chris Claremont a escrever encontra em Amped um decalque das temáticas e narrativas. Só faltam os sentinelas...

Amped parte de uma ideia interessante mas desenrola-se como um filme perfeitamente normal. Poderá ser intrigante para o público em geral mas é prejudicado pela superficialidade com que olha para uma questão que começa já hoje a ter importância.

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