terça-feira, 8 de maio de 2012

Automatic Kafka

Joe Casey, Ashley Wood (2002). Automatic Kafka. La Jolla: DC Wildstorm.

E quem é o Kafka Automático? Um andróide ex-super-herói viciado em drogas nanotecnológicas que se vê obrigado a ser uma figura pública popular para fugir a agências secretas que o querem colocar a seu serviço. Esta premissa curiosa é uma boa desculpa para um comic meta-crítico, que se desenrola como uma reflexão alucinada sobre o género com requintes pós-modernistas. O argumentista Joe Casey mergulha-nos numa caricatura exagerada das temáticas que caracterizam os comics e a cultura popular. Teorias da conspiração, agências ultra-secretas, operações militares de limpeza no terceiro mundo, reality shows homicidas, heroínas hiper-sexualizadas, argutos bonecreiros exímios em fazer girar o mundo através das suas manipulações e ícones ultra-violentos. Para terminar, ainda nos dão uma reflexão baudrillardiana sobre simulacros e simulações onde o herói da BD dialoga sobre a sua existência com os seus autores.

Firmemente inserido no estilo de comics que se assume como reflexão crítica sobre o género através de boas e alucinantes narrativas, Automatic Kafka ainda beneficia de uma ilustração brilhante. O trabalho do desenhador Ashley Wood oscila entre um expressionismo abstracto e um estilismo muito devedor a Dave McKean. Esta é uma boa surpresa para os olhos e para os neurónios.

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