sexta-feira, 6 de abril de 2012

Finais Explosivos

O prometido é devido e os novos títulos da DC 52 que não despertaram o interesse dos leitores estão a chegar ao fim anunciado. Não é grande perda. Na sua maioria eram comics banais que não trouxeram nada de novo a um género já de si fortemente estereotipado. Mas há dois que se destacam, um pelo seu potencial de culto e outro pelo seu genial final.


O.M.A.C. foi uma tentativa de revitalizar um personagem clássico de Jack Kirby, retirando-lhe o futurismo e colocando-o na linha de continuidade da DC. Falhou. Nunca assumiu aquilo que lhe dava graça, o ser uma explosão de acção em que uma criatura cibernética monstruosa lutava com prejuízo máximo em todas as edições com ameaças monstruosas ou outros heróis da linha de continuidade. Perdeu-se com revisitações a outros títulos falhados da DC (lembram-se do Checkmate?) e no desenvolvimento de uma linha narrativa às voltas com a vida pessoal do involuntário anfitrião da criatura. Limitou-se a retirar os elementos iconográficos do comic de culto em que se baseou - a criatura e o satélite inteligente Brother Eye e deixou de lado aquilo que transformou o O.M.A.C. original num clássico. Teve como pormenor interessante a homenagem explícita a Kirby pela adaptação do estilo do autor. Numa era de comics cheios de personagens elegantes e esguios o estilo quadradão marcou a diferença. É pena que chegue ao fim, mas ainda bem que acontece. Por vezes é bom um título terminar do que arrastar-se até à indefinição. Saindo do alinhamento, O.M.A.C. pode tornar-se um comic de culto. Tal como o Sandman de Neil Gaiman, que percebeu que para manter vivo o seu personagem tinha de o matar. E ao contrário de Swamp Thing, que após o período áureo de Alan Moore e Rick Veitch caiu na decadência da eterna repetição de temas às mãos de argumentistas menos talentosos.


Nunca se percebeu bem o que era Men of War. Prometia ser uma revitalização do clássico Sgt. Rock, mas seria necessária uma conjugação de talentos similar à de Kanigher e Kubert para o conseguir. Não parecia haver arco narrativo, perdido entre aventuras de um novo Sgt. Rock e histórias a puxar à lágrima patriótica baseadas nas missões de soldados americanos. Destaca-se pelo final. A última edição ficou a cargo de Jeff Lemire e este recriou GI Robot, outro personagem esquecido nos arquivos da DC, numa história despretensiosa, divertida e arrojada onde envolve Frankenstein, a S.H.A.D.E. e aventuras na segunda guerra. É um exemplo do interessante trabalho que tem desenvolvido no título Frankenstein: Agent of S.H.A.D.E., talvez o melhor da DC 52. O comic vai cair no esquecimento, mas o último número tornar-se-á uma lenda do género.

Os buracos no alinhamento da DC vão ser substituídos por novos títulos. Confesso que aguardo com expectativa o Dial H For Hero. Escrito por China Mièville... só se pode esperar boas coisas.

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