quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Holy Terror


Frank Miller (2011). Holy Terror. Burbank: Legendary Comics

Este livro deixou-me indeciso. Será imensamente medíocre, uma mera estilização gráfica baseada num argumento inconclusivo, ou outro toque de brilhantismo de Frank Miller? O que faz a balança pender para o segundo ponto de vista é o grafismo muito pessoal do autor, aqui menos limpo que em Sin City embora mais expressivo e visceral. Por outro lado, esta história não convence. Esta anda voltas com um romance violento entre uma vilã e um herói (semelhanças com Batman e Catwoman serão coincidências, claro) numa noite em que a cidade explode debaixo de um ataque concentrado de terroristas islâmicos - e aqui podem inserir todos os estereótipos mediáticos sobre cabeças de turbante, bombistas suicidas, líderes religiosos e traficantes de armas, porque a superficialidade foi o caminho que Miller escolheu. Se o grafismo explode, a colagem desconjuntada de elementos claramente cooptados de outros comics e géneros faz o argumento ficar-se por uma narrativa superficial, chocante precisamente por este carácter. Violência gráfica, clichés, estilismo: eis este terror sagrado.

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