Vou regressar à história dos comentários do Papa. A coisa suscitou fortes comentários, até mesmo neste recanto mais calmo. Mas sobre isto, sobre a mitificação de certas figuras públicas que desejamos que afirmem o que nós pensamos, deixo o link para o Bereshit. E encerro. Ponto final num assunto que é decididamente menor.
Por outro lado, não deixa de ser curioso que um post sobre onze mil milhões de euros de dinheiro dos impostos que vão parar ao bolso do homem mais rico do mundo não suscite nenhum resmungo mas um comentário sobre comentários do papa levante tempestades. Talvez as prioridades do consciente colectivo, essa massa de opiniões e comentários que faz o nosso dia a dia, estejam invertidas.
16 comentários:
Lamento, mas não conheço o teu blog todo, como tal não posso comentar sobre coisas que não li!
Quanto ao link que forneceste no blog, este vai dar a um post "cretino", como tal não o vou comentar (seria mais um comentário acerca do Papa, e nós não podemos questionar Sua Santidade...)
shalom. obrigado por mais um link; assim, sempre há pelo menos mais uma criatura (além das duas do costume) que se podem "cretinizar" lendo alguma coisa de original. nihil novi: quando não há argumentos nem subtileza e apenas a tal rasura intelectual, parte-se para o insulto gratuito e balofo. é assim que "crescem" na bloga essas criaturas rasteiras, que não têm vida própria e se alimentam de vacuidades e lugares comuns. de qualquer forma, como o tal post "cretino" (não percebi as aspas) é uma citação, a adjectivação deve ser para o Francisco J. Viegas. coitado deve estar devastado!
e pronto também encerro aqui e definitivamente este assunto, ainda que haja por aí estranhas criaturas a "re-comentar". não valem um caracol. beati pauperes spiritu.
nota: ler este comentário sempre na perspectiva da correcção fraterna. vale!
Ui. temos guerra. e parece que estou mesmo na terra de ninguém. Well, whatever. Meninos, portem-se bem enquanto vou mergulhar mais um pouco nas profundezas fétidas da cinematografia zombie.
ps: caro bongop, o comentário sobre comentários não era pessoal. e parabéns pelo seu blog, passou a ser um dos feeds do meu leitor de rss.
Não, não me parece que as prioridades estejam invertidas. Num caso faz-se a promoção da morte de milhões; no outro trata-se simplesmente da cleptocracia habitual. Ninguém morre por causa dos acordos com a Microsoft. Por não usar preservativo morrem milhões. Devagarinho. Num sofrimento atroz.
E sim, eu conheço o argumento teológico, chamemos-lhe assim por bondade, que está na base desta boutade do homenzinho que veste saias brancas. Está, aliás, exemplarmente satirizado na canção "Every Sperm is Sacred" dos Monty Python, que o betaério inculto e burro nunca viu com toda a certeza. São 3 minutos que destroem essa idiotice com mais eficácia do que qualquer coisa que se possa dizer em blogues ou comentários, jornais ou sisudíssimos debates televisivos.
Felizmente que uma fracção considerável dos católicos tem mais do que um neurónio na cabeça e sabe rejeitar liminarmente os mais monstruosos dogmas da ICAR, borrifando-se saudavelmente para proibições sobre o uso do preservativo, da pílula, da IVG, etc., e mais etc., embora apareçam sempre os idiotas do costume a defender com zelo xiita quaisquer aberrações que o tipinho das saias ache por bem dizer. É a vida. Cada religião tem os defensores e os líderes que merece, sem que os seguidores normais tenham culpa. Afinal, não são eles que os escolhem. Os primeiros são auto-nomeados; os segundos são escolhidos por frustrados sexuais tão loucos como eles.
imagine a quantidade de preservativos que se pode comprar com 11.000 milhões de euros. as palavras trocam-se, apregoam-se, e nesta era do mediático imediato depressa são esquecidas. o dinheiro é essencial. a questão da "cleptocracia habitual" (boa expressão) ramifica na questão da propriedade intelectual. e um dos aspectos da propriedade intelectual envolve as farmacêuticas, que não produzem medicamentos essenciais para países africanos porque não são rentáveis, ou colocam preços incomportáveis nos medicamentos para a sida, que sobrecarregam os sistemas de saúde africanos. tudo porque detêm a patente. Claro que esta questão não é assim tão simplista, a dicotomia abusos gananciosos/protecção legítima do ganha pão de autores, criadores e investigadores no cerne da propriedade intelectual dá pano para longas discussões.
"Ui. temos guerra..."
Não temos não, como eu poderia entrar em guerras se eu sou possuidor de uma excelente "...rasura intelectual..." , além disso podia partir para "...o insulto gratuito e balofo..." .
De qualquer maneira erraste redondamente na minha altura!
" assim que "crescem" na bloga essas criaturas rasteiras...", tenho 1,80m de altura!
"...que não têm vida própria e se alimentam de vacuidades e lugares comuns"
Gostava de ter esta fluidez de vocabulário! Mas posso dizer-te que tenho vida própria, e sim é minha e não te vou contar.
Mas vou desvendar o mistério das "aspas"... cretino estava entre aspas porque me queria referir ao post e não à pessoa que lá o meteu, eu tenho direito às cretinices assim como qualquer pessoa, desde que isso não se torne normal e sim excepção. Sim porque quando toca à religião as coisas começam a ser mais complicadas no que toca a argumentos...
Em relação a eu não valer um caracol... ó meu amigo... é muita presunção tua fazer um uma apreciação destas à vida de outra pessoa sem a conhecer!
Eu não o fiz, apenas disse que era um post "cretino" e não uma pessoa cretina... aliás, continuo a achar que é um post "cretino", e quero lá saber se o outro ficou devastado ou não... eu é que fico devastado quando vejo disto!
E prontes... não há guerra! Para haver guerra iria para o blog em causa, e não o faria neste.
(Já agora o que quer dizer "nihil novi"?)
(Já agora o que quer dizer "beati pauperes spiritu"?)
Estão a falar em código ou quê?
acho que é latim. mas não ponho as mãos no fogo.
Claro que é latim...
Nihil novi - penso que quer dizer "nada de novo"
beati pauperes spiritu - é uma expressão que quer dizer "abençoados os pobres de espírito"
Fui insultado em Latim, uma língua morta... se me querem insultar que seja numa língua viva que toda a gente perceba! Olha... a Língua portuguesa!
Posso fazer-me de palerma, mas não quer dizer que o seja... ou será que sou e não sei :|
Depois disto nunca mais serei o mesmo :(
se a coisa resvala para insultos, ao menos que sejam insultos eruditos.Sejam cavalheiros.
Peace :)
O problema de imaginar a quantidade de preservativos que se podem comprar com onze mil milhões de euros é estar-se com isso a bugalhar os alhos. Uma coisa nada tem a ver com a outra. Não seria o dinheiro gasto com contratos com a Microsoft que iria comprar os preservativos para África. Nem sequer para Portugal. Poderia, quanto muito, ser gasto no serviço nacional de saúde, em anti-retrovirais subsidiados, em análises, em operações, numa quantidade de outros tratamentos, mas a verdade é que onze mil milhões de euros gastos aí, e assim, são pouco mais do que uma bagatela, especialmente se os católicos derem ouvidos ao homenzinho das saias brancas e deixarem de usar preservativo, deixando-se infectar em massa. E além do mais não curam ninguém, limitando-se a oferecer aos infectados mais alguns anos de vida e mais alguma qualidade de vida durante esses anos, adiando a sentença de morte que a SIDA continua a ser. Mas como, felizmente, a maioria dos católicos manda o papa à fava quando lhes convém, isso não vai acontecer, e os onze mil milhões, se não fossem gastos aí, seriam gastos noutra coisa qualquer. Não na SIDA.
(já agora, eu até entendo a lógica que está por trás da negociata com a Microsoft. Tenho a certeza quase absoluta de que não resultará, porque a Miscrosoft é a Microsoft, mas entendo que se procure criar pólos de investigação e desenvolvimento em tecnologia de ponta. A ideia, em princípio, faz sentido; a sua execução é que foi, a meu ver, desastrada)
E quero vincar bem isto, para que não haja ilusões: a ÚNICA forma eficaz de lutar contra a epidemia de SIDA (e de hepatite B, já agora) é o preservativo. Por isso, desaconselhá-lo é um crime, e mais crime ainda se torna quando o desaconselhamento é insistente, quando se faz a enormidade de sugerir que o preservativo promove a disseminação da doença, e quando, qual cereja no topo do bolo, se faz tudo isso no continente que é, de longe, o mais atingido pelo HIV, por uma série de motivos, quer económicos, quer culturais.
E não, as palavras não são nada irrelevantes. Todas as decisões humanas que transcendem o âmbito estritamente individual começam pelas palavras. Muitas das individuais também começam ou passam por elas. Às vezes dá a sensação de que se pode dizer qualquer coisa e de qualquer forma, porque nada do que se diz tem realmente importância, mas isso é um erro com consequências que podem ser sérias.
Quanto ao resto, sim, muito disso das farmacéuticas e da propriedade intelectual é verdade, mas são mais bugalhos que nada têm a ver com os alhos. São outras conversas. Não são esta.
Olá, temos idealista pronto a marchar contra os canhões... que sentimentos tão românticos, tão século XIX...
E isso quer dizer exactamente o quê?
"as palavras não são nada irrelevantes". fé inabalável nas ideias?
Não é questão de fé: é questão de análise do modo como se processam as decisões que tomamos. Todas, ou quase todas, começam ou passam pelas palavras. Até quando analisamos interiormente os prós e os contras de um determinado rumo, entramos em diálogo interior e geralmente verbal. E é pela palavra que transmitimos ideias uns aos outros. Nada tem a ver com fé: é simplesmente assim que o bicho social que somos funciona.
Enviar um comentário