quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Fantastic Butterflies



James Kochalka (2002). Fantastic Butterflies. Gainesville: Alternative Comics, Brooklyn: Highwater Comics.

Habitualmente ligamos os comics a uma visão comercial. Os comics mais conhecidos são intensamente explorados por conglomerados mediáticos em várias plataformas de comunicação. O comic, em si, é considerado um género comercial, espartilhado por regras muito específicas que permitem voos estilísticos ao sabor dos gostos dos públicos mas pouco mais para além disso. Fora do circuito comercial existe uma fervilhante comunidade alternativa e independente, que utiliza o comic como meio de expressão e não se detém perante limites, tornando difusas as fronteiras entre géneros.

É difícil abordar este Fantastic Butterflies. Fiquemo-nos por uma história surreal, que mistura elementos oníricos com cultura suburbana e angst juvenil. Alicerça-se num traço sintético, vincando contrastes e esparso em detalhes que nos transporta a ritmo lento ao longo das páginas. Envolvendo robots cancerosos, cães falantes deprimidos, festas e personagens que fluem entre o humano e o antropomorfismo, é uma leitura que nos deixa mais intrigados do que satisfeitos. É na sua inconclusão que reside o seu maior interesse.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Age of Reptiles


Ricardo Delgado (1997). Age of Reptiles: Tribal Warfare. Milwaukie: DC Comics

Os dinossauros e toda a era jurássica capturaram a imaginação popular. Toda a visão, dada pelos paleentólogos, de um mundo fervilhante misteriosamente desaparecido, povoado por criaturas gigânticas, misto entre monstro mitológico e animal selvagem, enraizou-se definitivamente na cultura popular. Os traços deste fascínio passam pelo King Kong vintage, cuja cena mais memorável, criada por Willis O'Brian, é um admirável stop-motion que retrata a refrega entre o gorila gigante e um tiranossauro que inspirou Ray Harryhausen a tornar-se um mestre dos efeitos especiais. Nos anos 90, este fascínio atingiu o apogeu com a indelével adaptação de Spielberg do romance Parque Jurássico, que surpreendem pelo realismo da animatrónica dos efeitos especiais. O dinossauro é um ícone da nossa cultura pop global, talvez por nos recordar dos limites da nossa própria superioridade enquanto espécie.

Age of Reptiles: Tribal Warfare explora com mestria o gosto pelos saúrios que povoaram eras geológicas agora reduzidas a pó. Destaca-se por um intenso realismo, apenas quebrado por alguma antropomorfização emocional das personagens. A história é simples: as criaturas vivas têm de se alimentar, e no desolado mundo jurássico a vida fervilha, implacável.

O grafismo é admirável. Socorre-se de linha simples, sem grandes efeitos plásticos, mas muito eficaz na sua leitura. O cuidado colocado na representação das criaturas jurássicas é extremo, bem como na caracterização dos ambientes dos primórdios da terra. Toda a história se desenrola sem qualquer texto, narração ou diálogo, sendo eficazmente contada através do grafismo.

Age of Reptiles: Tribal Warfare é um daqueles comics que, dentro dos espartilhos do lado comercial do género, atinge novos limites e derruba as fronteiras do esperado.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Leituras

Der Spiegel | Bones in the Backyard Nos tempos de antanho a justiça não era tão clemente como nos dias de hoje. Prova disso são os macabros achados arqueológicos nos quintais das vivendas alemãs. As novas àreas urbanizadas sobrepõe-se aos antigos arrabaldes medievais. E nos tranquilos jardins das vivendas começam a surgir vestígios dos locais de execução da justiça medieva. Ossadas estilhaçadas pelos suplícios da roda. Caveiras judiciosamente separadas das vértebras do pescoço, algumas ainda com vestígios dos espigões utilizados para mostrar às populações o destino dos violadores da lei. Vestígios de forcas, onde os condenados eram literalmente deixados pendurados a apodrecer, como forma de avisar os mais incautos. Uma recordação de eras mais negras da civilização europeia.

Dark Roasted Blend | Grand Old Times... In The Future O DRB recolhe fenomenais exemplos de capas e ilustrações de revistas pulp de ficção científica. Visões de um futuro que nunca aconteceu.

Exame | Correio electrónico dos funcionários das finanças analisados Está barata a privacidade no portugal de hoje. Já não bastava o projecto de colocar chips identificadores em todos os veículos, com todo o seu potencial de invasão da privacidade dos cidadãos. Agora surge esta notícia, recebida com uma estranha passividade. As mensagens dos funcionários das finanças foram lidas pelo DIAP, sem conhecimento ou consentimento dos mesmos. O objectivo era o de detectar fugas de informação à segurança social. Em nome da lei, invade-se a privacidade dos cidadãos e cria-se clima de auto-censura. E oculta-se informação debaixo de uma mordaça de ameaças. Estaremos a regressar aos bons velhos tempos do antigo regime?

No céu



Criado nos anos 60 pelo desenhador Maki Sasaki, Tengoku De Miru Yume, ou um sonho para ter no céu é um mangá levado aos seus limites. Uma estória perfeitamente não linear, surreal, que desafia o leitor a encontrar sentidos debaixo de uma fortíssima barragem icónica que desaba na página. Via Pink Tentacle, o blog sobre todas as coisas japonesas.

domingo, 26 de outubro de 2008

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SI.

Suspense!

Um vício: ouvir antigas peças radiofónicas dos géneros de terror e ficção científica. Grande parte destas peças são adaptações teatralizadas de contos de autores especializados nestes géneros. Outras são leituras de contos clássicos. Em comum têm o lado radiofónico. Foram gravadas e emitidas, décadas atrás, e cativaram audiências. As gravações oscilam entre as quase inaudíveis por falta de qualidade sonora e as verdadeiramente fascinantes, onde a sonoplastia, as vozes dos actores e a narração se conjugam em verdadeiros ambientes aurais. São surpreedentemente cativantes, mesmo para audiências habituadas à espectacularidade dos efeitos especiais audiovisuais.

Pela vasta internet encontramos inúmeros repositórios deste género de programas. Destacam-se os sites Radio Tales of the Strange and Fantastic, pela sua selecção coerente de programação com actualização semanal, e Escape and Suspense, dedicado a um programa de rádio dos anos 50.

Basta fazer o download dos ficheiros audio, e ouvir no suporte mais conveniente, mergulhando com nostalgia numa era em que o som e a imaginação se conjugavam na audição de palavras trazidas pelas ondas radiofónicas.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

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Nebulosidade. Névoa da manhã antes de partir para o trabalho, névoa mental do fim do dia. Queimei um fusível ou dois... mas e daí, onde é que está a novidade?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Erased DeKooning



Nos anos 60, Robert Rauschenberg adquiriu um desenho original de Willem DeKooning e apagou-o, apresentando o desenho apagado como um trabalho seu - o mítico Erased DeKooning. Foi uma partida conceptual, pregada por dois mestres da New York School.

No século XXI, apagar uma obra de DeKooning é mais simples. Basta um clique do rato. Uma brilhante private joke às voltas com a história de arte.

Prometeu



Um futuro possível: as tecnologias e os acessos já nos permitem ser mais do que meros espectadores e consumidores. Mais do que espectadores atentos de media estáticos, viveremos mergulhados em fluxos constantes de informação. De leitores-consumidores a prosumers: produtores-consumidores de informação. Este é o futuro, hoje.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

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Agora, à chuva.

Black Gas



Warren Ellis, Max Fiumara (2006). Black Gas. Rentouil: Avatar Press

A abordagem aos zombies é bastante repetitiva. Grupos perdidos em espaços urbanos ou rurais, massiças aparições assustadoras de corpos semi-decompostos, e muito, muito gore. Variam os espaços, variam as épocas, mas as histórias são geralmente as mesmas: um grupo de sobreviventes que vai vagueando por entre cenas dantescas, acabando por ser devorado um por um com requintes de talhante ensandecido. Black Gas não é excepção, e o que o torna interessante é a virulência do argumento de Warren Ellis.

Desta vez, o apocalipse zombie acontece numa plácida ilha na zona verdejante de Seattle. Uma erupção vulcânica liberta um gás negro que transforma todos os seus habitantes em zombies, excepto aqueles que estão contra o vento. Que de qualquer forma acabam dizimados nas mandibulas dos monstros. O vento leva o gás até à cidade de Seattle, que depressa se torna numa zona apocalíptica. O governo resolve o problema da pior maneira possível: bombardeia a cidade armas atómicas, que... causa fissuras na superfície e libertam uma imensa nuvem de gás negro que alastra a todo o planeta. The end.

São estes pormenores apocalípticos, típicos de um dos mais viscerais argumentistas de comics, que transforma Black Gas numa obra à parte. Ellis não acredita em salvações e redenções, deixando que nos identifiquemos com os personagens apenas para nos chocar com o seu inevitável destino.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

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Pedregulhos. Ideia já estafada, mas não resisti a experimentar.

A S. Bento

Gato Fedorento a S. Bento?

Pode parecer uma proposta tão ridícula como os sketchs da quadrilha de comediantes que conquistou o país, mas no quadro político em que vivemos, neste marasmo cor de rosa onde só a voz do santo caudilho parece ter valor, a verdade é que os Gato Fedorento são a única verdadeira oposição, acutilante e imperdoável.

Apesar das queixas e resmungos, de todos sentirmos que as mudanças que estão a ser impostas a este pais são injustas e saem de posições de total prepotência, sabemos que em altura de eleições o espectro da maioria volta a pairar. Talvez porque nos discursos políticos não haja sinal de real alternativa. O maior bloco político remete-se a um silêncio incompreensível, talvez porque boa parte das medidas que são aprovadas pelo governo, teoricamente num espectro político oposto, são aquelas que defendem e preconizam. Nos partidos mais pequenos, nota-se uma esquerda mergulhada nos seus dogmas, incapaz de reagir perante as realidades contemporâneas, e uma direita populista, de beijinho ao bébé na feira, táctica tão estafada que já não convence ninguém.

Como voz contrária, que chega a milhões de portugueses, que critica abertamente, sem pejos, toda a hipocrisia, ineficácia e nepotismo do governo, temos... quatro comediantes.

E que tal se eles se constituissem em partido político e concorressem às próximas eleições? Se calhar, roubavam a maioria às rosas...

domingo, 19 de outubro de 2008

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Azul sinuoso.

Internet



Uma animação produzida pela presidência europeia eslovena que mostra o que realmente é a internet e para onde evolui. Fico particularmente fascinado por estas videoapresentações. Os conceitos explicam-se com imagens e palavras-chave poderosas. Sinais de uma cultura pós-literária?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Provocação

Manuel Castells, em A Sociedade em Rede, refere que "escolas e universidades, paradoxalmente, são as instituições menos afectadas pela lógica virtual embutida na tecnologia de informação, apesar do uso previsível e quase universal de computadores nas salas de aula dos países desenvolvidos".

É o paradoxo que todos sentimos. Prega-se a inovação e reforçam-se as metodologias tradicionais, com uns toques de tecnologia para dar uma camada de modernidade. A destruição criativa da escola pode ser apontada como lenta, apesar da crescente multiplicidade de experiências que tentam mudar o estado das coisas. A escola, enquanto sistema, ainda insiste em ensinar a geração google com os métodos aplicados à geração iluminação a gás.

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Hell week day 3. Já ando a ficar farto.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

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Hell week day 2.

Pop

Pop Art
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O retrato na pop art. Uma ajuda pedagógica para alunos assustados com os dramas de um realismo inatingível.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

ILoveSketch


ILoveSketch from Seok-Hyung Bae on Vimeo.

Quero uma coisinha destas. Já. Fiquei fascinado com esta demo o ILoveSketch, um sistema de desenho intuitivo em 3D que simula a facilidade do rabisco manual, mas cujo resultado é um modelo em 3D. Ver a forma como se desenha neste sistema foi ver um sonho a tornar-se real.

Do site dos autores: "A 3D curve sketching system that captures some of the affordances of pen and paper for professional designers, allowing them to iterate directly on concept 3D curve models. The system coherently integrates existing techniques of sketch-based interaction with a number of novel and enhanced features. Novel contributions of the system include automatic view rotation to improve curve sketchability, an axis widget for sketch surface selection, and implicitly inferred changes between sketching techniques. We also improve on a number of existing ideas such as a virtual sketchbook, simplified 2D and 3D view navigation, multi-stroke NURBS curve creation, and a cohesive gesture vocabulary."

Leituras

Der Spiegel | Capitalism in crisis A crise em que vivemos mergulhados tem causas bem identificadas: as depredações gananciosas de banqueiros e investidores, que exigiram a desregulação dos mercados em nome de jogos finaceiros cada vez mais esotéricos. O resultado dos excessos está à vista. Os que defendiam o estado mínimo e a não intervenção pedem agora a salvação dos dinheiros públicos. Esta crise financeira está a abalar a confiança no capitalismo puro enquanto sistema económico viável. Se é inegável que trouxe prosperidade, os excessos colocam ciclicamente o mundo à beira de precipícios económicos.

Globe and Mail | The class of 2012: Mr. Google's children Pela primeira vez na história cresce uma geração apelidada de nativa digital. Nasceu já no mundo digital, cresceu a usar computadores, consolas e telemóveis. Mistura o mundo real com o virtual, socializando on e offline. São apelidados de hedonistas, habituados a ver os seus desejos satisfeitos numa sociedade de consumo ubíqua. Quais serão as suas competências, as suas formas de estar e de ver o mundo? Um dos participantes neste estudo afirma que no fundo, não precisa da escola. Basta-lhe ir ao google para ficar a saber o que precisa quando precisa. São palavras que chocam as gerações anteriores, habituadas à fiabilidade e infalibilidade das instituições.

International Herald Tribune | Nokia embraces the touchscreen Finalmente. Após o iPhone, os HTCs windows mobile e android, os samsungs e até os blackberrys, a Nokia investe nos telemóveis com ecrã sensível ao toque. Espera-se o lançamento do Nokia 5800 no final do ano. A curiosidade aguça-se: como será o Symbian S60 num interface táctil?

Finantial Times | Market crash shakes world Oh Fuck era um spoof da capa do The Economist, que capta na perfeição o que se passa nas finanças do planeta. O ciclo atingiu com toda a força, e o sistema financeiro mundial ameaça desabar. Sucedem-se as histórias de horror dos mercados, com as empresas a perder valor e o dinheiro a ser literalmente sugado. Vivemos tempos interessantes. No entanto, talvez este colapso seja o melhor que nos possa acontecer. A sociedade ultracapitalista de consumo desenfreado que se estava a criar é insustentável. Ignorámos os avisos ecológicos, de longo prazo, mas os avisos financeiros são ensurdecedores a curto prazo. De certa forma, este colapso revela a lógica de mercado no seu melhor, a corrigir os desiquilíbrios do sistema.

domingo, 12 de outubro de 2008

Truques

Proporções do Rosto
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Há muitos métodos para desenhar rostos em proporção. Este é um deles, um truque para desenhar retratos onde tudo fica no lugar certo. Infelizmente, quem trabalha à pressa sofre coisas destas. O modelo do rosto poderia ter ficado melhor.

A Marca Amarela



Edgar P. Jacobs (2002). A Marca Amarela. Lisboa: Meribérica/Liber

Na Londres dos anos 50, o Capitão Blake e o Professor Mortimer investigam uma série de assaltos e raptos que têm em comum uma única pista: um M amarelo marcado no local do crime. Mergulhando nos mistérios do crime, os dois heróis deparam-se com um assaltante sobre-humano, uma perigosa descoberta científica e uma vingança implacável.

Da obra de E.P. Jacobs envolvendo os personagens Blake e Mortimer, A Marca Amarela é talvez o livro mais marcante. É um album com um ritmo marcante, misturando com mestria a excitação da aventura e do mistério. O traço de Jacobs, paradigmático da escola belga da ligne claire, está aqui no seu melhor. Cada vinheta está cuidadosamente concebida para imprimir mais dinâmica à história, com uma montagem de planos muito rítmica. Particularmente curioso é o pormenor de cada última vinheta da prancha, que serve de transição para a prancha seguinte, conter geralmente uma imagem com um equilíbrio visual precário, um elemento gráfico desconcertante que sublinha o dinamismo dos acontecimentos e obriga o leitor a virar a página.

A Marca Amarela, originalmente publicada em 1987, é uma das obras-primas essenciais da B.D. franco-belga, um clássico a não ser esquecido.

sábado, 11 de outubro de 2008

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Com as cores repuxadas com retoques nas curvas.

Bolas...



Uma imagem que nada teria de especial, não fosse esta tabuleta estar colocada na Praça da República, aqui na Ericeira. A Praça da República, antiga Praça Rainha Dona Amélia, é popularmente conhecida como Jogo da Bola. Aliás, quando se fala no centro da Ericeira fala-se no Jogo da Bola. Mas não se pode lá jogar à bola, leio com um sorriso. Paradoxos dos tempos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

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Algumas fotos, texturas e capturas do Dr. Caligari, trabalhadas no Gimp,

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Magalhães (III)

Está disponível uma página dedicada ao Classmate/Magalhães, com todas as informações de que disponho relativas à máquina, à aquisição desta e às suas utilizações pedagógicas, em Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro - Magalhães.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

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White line.

Yupi!

Os Traços de Cor e mais umas coisinhas valeram-me um 18 a Concepção de Materiais Multimédia. Tempo de celebrar, sem hubris. Não é por isto que deixo ainda de ter muito para aprender. Avizinha-se a parte mais difícil. Dois cadeirões e proposta de tese... ainda há muita estrada para andar.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

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Parece que começou a chuva...

Agente de Bizâncio



Harry Turtledove (1988). Agente de Bizâncio

Wikipedia | Agent of Byzantium

A história, vista dos tempos presentes, parece um processo evolutivo directo. Os acontecimentos sucedem-se, numa ordem que nos parece lógica. No entanto, quando mergulhamos nas histórias dos acontecimentos, não deixamos de nos perguntar o que teria acontecido se. O que teria acontecido se... a Grécia antiga não tivesse resistido ao império persa. Se Roma não tivesse passado de uma pacata aldeia à beira do Tibre. Se. A história reserva-nos muitos ses.

A história alternativa é um dos sub-géneros da ficção científica, especializada em Pegar nestes acontecimentos e tentar imaginar os mundos que existiriam se os acontecimentos da história tivessem acontecido de forma diferente. Dos autores de FC ligados a este sub-género, Harry Turtledove é um dos mais consistentes. Historiador de formação, dedicou a sua carreira literária a imaginar que mundos existiriam se as voltas da história tivessem sido outras.

Agente de Bizâncio reúne alguns dos contos de Basil Argyros, um funcionário do império bizantino. Na cronologia de Turtledove, Maomé emergiu do deserto para se tornar um cristão ardente. O mundo islâmico nunca chegou a existir, e o domínio do império romano do oriente nunca chegou a ser posto em causa. Basil percorre o império, envolvido em aventuras que o colocam em contacto com ideias e tecnologias que na história real só viriam a ser desenvolvidas mais recentemente. Neste volume, Basil infiltra-se entre uma tribo bárbara, onde rouba um misterioso objecto, apelidade de olho de Argos, que permite ver objectos ao longe tal como se estivessem muito próximos do espectador. Em Constantinopla, Basil vê a sua família ser exterminada por uma epidemia de varicela, mas descobre que aqueles que bebem leite de vacas contaminadas com varicela são imunes à epidemia. Finalmente, Basil vê a superioridade militar do império ser ameaçada por um estranho pó, mais poderoso do que o potente fogo grego, um dos segredos mais bem guardados do império bizantino.

Como voo de imaginação, Agente de Bizâncio mergulha-nos numa realidade plausível, que nunca existiu. O cuidado posto por Turtledove na caracterização das épocas históricas sublinha o sentido de realismo. E, na nossa mente, os e se ganham um novo fascínio.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

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Linha branca sobre amarelo-açafrão. No Gradil.

O Enigma da Atlântida



Edgar P. Jacobs (2002). O Enigma da Atlântida. Lisboa: Meribérica/Liber

Pura aventura é o que nos espera quando abrimos as primeiras páginas deste livro. De férias na ilha de S. Miguel, o Professor Mortimer faz uma estranha descoberta: um metal misterioso, radioactivo, que se assemelha ao lendário ouricalco dos mitos atlantes. Contacta o seu amigo Capitão Blake, e juntos mergulham nas profundezas da terra. Após uma traição do inefável Olrik, arqui-inimigo da dupla, Blake e Mortimer vêem-se obrigados a explorar uma imensa caverna sem saída, onde acabam por descobrir a nova Atlântida, uma avancadíssima civilização subterrânea construída pelos sobreviventes do cataclismo milenar relatado por Platão. Aqui, mergulham em cheio nas querelas políticas, envolvendo-se na luta contra a traição de um nobre atlante, que deseja conquistar o poder com auxílio dos povos bárbaros que vivem nos subterrâneos para lá da Atlântida. Nas lutas que se seguem, as comportas que impedem o oceano de entrar nas vastas cavernas são destruídas, forçando os atlantes a um novo exílio, desta vez numa outra galáxia.

A premissa deste O Enigma da Atlântida é interessante, e a história criada por Jacobs fascina. No entanto, a leitura do album fica aquém das expectativas. O grafismo está longe do minucioso trabalho gráfico de A Marca Amarela e a história conta-se mais através dos cartuchos, contendo extensos textos, do que através do desenho. A maior parte das vinhetas limita-se a ser ilustrativa, não contribuindo visualmente para o desenrolar da história. Não sendo um dos trabahos de maior nível de Jacobs, O Enigma da Atlântida vale essencialmente por aquilo que sugere, pelo mundo fantástico que Jacobs constroi, mas não explora, à volta dos mitos atlantes.

domingo, 5 de outubro de 2008

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Esta manhã.

Leituras

BBC | Ig Nobel prize is "knot funny" Foram já anunciados os prémios IgNobel, que premiam as pesquisas científicas mais estranhas, bizarras, estapafúrdias e obscuras. Entre os laureados deste ano encontramos estudos sobre a capacidade intelectual dos bolores, uma distinção entre os saltos de pulgas dos cães e dos gatos e, recebendo ex-aequo o IgNobel da Química, duas investigações sobre o efeito espermicida da Coca Cola, um apontando a eficácia da Coca Cola como espermicida e outro apontando a sua ineficácia. Podemos sorrir, mas é ciência válida. E bem humorada.

BBC | Google "goliath" Microsoft says Podemos sempre esperar do novo líder todo-poderoso da Microsoft a capacidade de dizer o óbvio: que, no mundo da internet, a Google lidera de forma absoluta. E com a internet claramente a definir-se como o futuro da informática, o peso da Google assume toda a sua plenitude. Se as tendências actuais se mantiverem, será a rede o computador, acessível através de máquinas que pouco mais serão que terminais. Os ficheiros estarão online, as aplicações também, e até os próprios sistemas operativos poderão vir a estar online. Neste futuro ambiente, o paradigma microsoft - software local no hardware local para gerir e manipular dados que residem no hardware local, simplesmente não se aplica. E a Google investe fortemente na web, em aplicações online e, agora, até nos browsers. Parece-me que os Googloids irão substituir os Microserfs. Agora, a pretensão de steve Ballmer que a microsoft será o David que derrubará Golias será, talvez, pensamento esperançoso no seu mais elevado grau...

Der Spiegel | Crimean Power Struggle A Crimeia foi entregue, por decreto assinado por Nikita Krutschev, à Ucrânia nos tempos àureos da União Soviética. Agora, décadas após a sua implosão e com a nova Rússia a reconquistar a sua posição de superpotência, os destinos da Crimeia parecem representar mais um ponto de discórdia, capaz de levar a intervenções militares similares às operações russas na Geórgia, ostensivamente para proteger repúblicas autónomas russófilas.

sábado, 4 de outubro de 2008

Os Blogs



Martin Widberg, Nemo 7 (2008). Le Blog. Onapratut

O cartoon, com um toque de humor em poucas vinhetas, é uma das facetas mais populares e exploradas da banda desenhada. É uma faceta exigente: o cartoon obriga a um enorme poder de síntese visual e literária. Das formas de BD, o cartoon é uma forma aparente simples, mas da mais complexas.

Este livrinho chegou-me às mãos graças às boas graças do meu amigo e companheiro de blogs Bereshit, uma lembrança dos tempos que passou dans la plus belle ville du monde. É um livro apropriado às nossas agruras. Passado à frende do computador, narra as poucas aventuras e muitas desventuras de um blogger empenhado em transmitir a sua mensagem ao mundo... que muitas vezes se resume a um apontamento sobre morangos.

O próprio livro teve origem na blogosesfera francesa, sendo uma colectânea de cartoons com argumento de Martin Widberg e ilustrações de Nemo7 originalmente publicados num blog. Um blog com cartoons sobre os blogs. Não foi o primeiro blog a transformar-se num livro, nem será o último.

Le Blog faz-nos sorrir com as esperanças, os falhanços, os pequenos sucessos e as brancas que todos aqueles que escrevem blogs vivem no seu dia a dia. Qual de nós nunca sonhou com aquele post que nos coloca sob os olhos do mundo, com a projecção das nossas opiniões pelos oceanos da cultura, apenas para as ver chocar com os escolhos da enorme quantidade de informação disponível online. O nosso blog é único, e apenas um entre milhões. As tiras curtas de Le Blog capturam estas ideias na perfeição. Então, allons! On va manger des fraises?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Vícios



Devia estar a estudar, a iniciar-me na didáctica das TIC. Ou a ler, quer o novo volume de traduções de contos de H.P. Lovecraft editado pela SdE quer a interessante obra sobre investigação qualitativa (escrevo interessante sem qualquer ironia). E, já que penso nisso, que tal actualizar os mails do moodle 1C? E aquele manual do moodle básico que prometi aos meus colegas? Por falar em manuais, que tal um tutorial de OpenOffice? Sem esquecer as regras do giga. Ah, e havia de mergulhar nas intricacias do Windows Server 2003. E quase me esqueço dos famosos magalhães. Ou pensar em editar os blogs. Mas não consigo parar de jogar Sauerbraten: um FPS com cenários magníficos e jogabilidade ultradinâmica. Viciante. Ainda por cima, totalmente opensource, ou seja, a custo zero com ética.

Por falar em blogs, lancei mais um, o GigaBlog, destinado a ser a página inicial dos pcs da sala GigaEstudo e centrado num público jovem.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

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Azul.

Harlequin Valentine



Neil Gaiman, John Bolton (1999). Harlequin Valentine. Milwaukie: Dark Horse

Neil Gaiman | Harlequin Valentine

As histórias dos amores de Arlequim e Columbina são uma das mais clássicas heranças da cultura elegante europeia. Com origem no género italiano de teatro clássico conhecido como Commedia dell'Arte, são histórias onde a improvisação, o espírito amoroso e a malandrice inocente do gosto pelas partidas imperam. Arlequim e Columbina brincam com o amor, com os seus amores, provocando a inocência com elegância. Não são personagens maldosas, são bons diabretes, criados para trazer sorrisos aos lábios dos espectadores.

A revisitação destas personagens por Neil Gaiman segue o esperado deste autor: um sentido do maravilhoso, um gosto pelas pequenas diabruras e um sentido de humor cheio de esperança. Com caminhos que se cruzam e descruzam, estes modernos Arlequim e Columbina comportam-se como espirais de adn, cruzando-se e afastando-se numa dança eterna. É uma história de amor, mas o amor aqui é mais o amor à maravilha, às dimensões de imaginação, do que o amor romantico tão banalizado pela cultura popular.

A poesia do argumento de Gaiman é valorizada pelas ilustrações realistas de John Bolton, que sublinham o carácter ao mesmo tempo melancólico, maravilhado e apaixonado deste comic.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

No Simple Victory



Norman Davies (2006).No Simple Victory. Londres: Penguin

Guardian |Europe at War

A II Guerra Mundial é um dos períodos mais fascinantes na história contemporânea. Durante seis anos, o mundo foi consumido por uma guerra que se travou com maior intensidade na Europa e na Àsia, mas que de facto alastrou a quase todo o globo, graças à extensa rede de relações coloniais e às tecnologias de combate aéreo e naval, capazes de desafiar os limites territoriais.

À partida, tudo está dito e analisado sobre a II Guerra. Tratou-se de uma guerra justa, que opôs as democracias ocidentais ao totalitarismo fascista. Foi uma guerra boa, uma luta contra o mal absoluto representado pelo regime nazi. Foi uma guerra que reestruturou o continente europeu, abrindo o caminho para a moderna Europa, unida por ideais pan-europeistas e não unificada debaixo das bandeiras e botas cardadas de alguma raça superior. Foi uma guerra heróica, com combatentes fardados e resistentes a conseguir impossíveis, com sacrifícios incomensuráveis feitos em nome da liberdade.

É esta a imagem da II Guerra, uma guerra justa, uma luta da virtude contra o mal, imortalizada na cultura popular através de uma literatura e de uma cinematografia que sublinham o heroísmo dos combatentes e a grandiosidade das batalhas, em particular das que envolveram as forças das democracias ocidentais. Mas não é esta a imagem que Norman Davies pinta dos anos de conflito que envolveram a europa em chamas.

Crítico, Davies reavalia os papeis dos grandes intervenientes na guerra. Não nega os crimes hediondos e a agressão sem sentido do regime nazi, mas não esquece o destino trágico dos alemães, esmagados pelo exército vermelho, expulsos das suas terras após o virar da maré. Assume uma visão crítica do papel do Reino Unido e dos E.U.A., sublinhando que a sua valorosa contribuição não foi o factor decisivo na derrota do Reich. E olha para a União Soviética de Estaline com o mesmo olhar com que encara o Reich: um regime agressivo, totalitário, responsável por crimes hediondos contra a humanidade, tão mau como o regime que ajudou a derrotar.

No Simple Victory é mais do que uma história de decisões políticas e campos de batalha. É essencialmente uma tentativa - e escrevo uma tentativa porque a abrangência do assunto é enorme, de catalogar a II Guerra, analisando os destinos e as acções que decidiram os anos da guerra. Davies olha para a história política, revendo as políticas de contenção anteriores à II guerra, traçando o retrado das decisões de conquista do regime nazi, subjacentes à mais básica ganância territorial e a uma sobejamente conhecida ideologia rácica, revendo o papel dos E.U.A. como potência, sublinhando o papel das colónias britânicas como pilar sustentador da força e resistência do Reino Unido. E não poupa o regime soviético, apontando com veemência todas as suas injustiças, desvarios e crimes.

A história militar incide, por necessidade, essencialmente na frente leste. O leste europeu, da Alemanha aos Urais, foi a zona mais sacrificada da Europa, onde os constantes avanços das forças no terreno, o caos generalizado dos vácuos políticos, e as políticas que visavam esmagar os movimentos indepedentistas locais implantadas quer pelo regime Nazi quer pelos sucessores soviéticos. Davies enaltece, críticamente, o papel do exército vermelho, que apesar de enfraquecido pelas purgas estalinistas e tecnologicamente inferior à Wermacht, foi capaz de a deter, graças a sucessivas vagas de milhões de homens atirados para o combate nas mais atrozes situações imagináveis, e ainda virar a maré, acabando por ser a força decisiva que esmagou a Alemanha Nazi. Apesar disto, Davies olha para a guerra aérea sobre a Alemanha, não hesitando em classificar de criminosa a campanha de bombardeamentos anglo-americanos, para os difíceis combates em Itália, e com menor intensidade para as investidas aliadas no norte de àfrica e no Dia D, um dia sem dúvida decisivo mas que não se classifica como uma das maiores batalhas da II Guerra, que foram essencialmente travadas na frente leste.

É sobre os civis e sobre as histórias individuais que Davies mais se demora nesta obra, salientando o horror e as atrocidades generalizadas trazidas pela guerra. Apesar de ser vista como um momento de honra e glória, a guerra é antes de tudo uma era de sofrimento, e a II guerra trouxe consigo brutalidades inimagináveis cometidas sobre os civis. As histórias sucedem-se. O povo polaco, subjugado pelos nazis e pelos soviéticos. Os povos do leste europeu, trucidados à vez pela Wermacht e pelo Exército Vermelho. As sucessivas ocupações, que traziam consigo o habitual ror de injustiças, prisões indiscriminadas, roubos e execuções assassinas. A verdadeira história da II Guerra é uma história de sangue, uma mancha indelével sobre as terras destruídas pela guerra. O Holocausto, esse momento tenebroso na história europeia, é apenas uma das atrocidades cometidas por todos os lados desta guerra. E Davies fala realmente em todos os lados, mostrando que as atrocidades não se resumiram ao nazismo. A União Soviética deixou a marca das purgas, dos gulags e das deslocações forçadas de populações. Os aliados ocidentais marcaram pelo atroz assassíno de civis nas chamas das cidades alemães sucessivamente esmagadas pelas bombas.

O historiador é particularmente sensível ao destino da Polónia, nominalmente o casus belli da II Guerra mas que perdeu o seu território e a sua independência. Davies fala explícitamente em traição aos polacos por parte dos aliados, em particular quando nos fala sobre o exército territorial polaco, que nos finais da II guerra foi trucidado pelos alemães enquanto o exército vermelho se detinha na sua perseguição aos alemães, cumprindo os objectivos estalinistas de aniquilação de todos os vestígios de visões contrárias à imposição soviética naquilo que seria a futura europa de leste.

Norman Davies traça aqui um retrato devastador da guerra que mudou o sentido da europa, desmistificando os seus mitos e apontando como principal vencedor do combate contra um regime totalitário e criminoso um outro regime, não menos totalitário e não menos criminoso, ao invés da visão convencional que aponta para a democracia ocidental como a grande vitoriosa da guerra. Um livro controverso e intrigante, No Simple Victory é uma leitura essencial para compreender as raízes da europa moderna.

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Azul, verde e açafrão.