sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Emergência

O conceito de Sociedade de Informação ultrapassa largamente o horizonte um pouco restrito da sala de aula, e está alicerçado sobre as tecnologias de informação e comunicação. A SI está apoiada na tecnoesfera que nos rodeia, esse mundo tecnológico e mediático, talvez de simulação, como diria Baudrillard, substanciado num número cada vez maior de artefactos que nos possibilitam um acesso cada vez mais instantâneo a quantidades cada vez maiores de informação, em qualquer local. Com a SI, as barreiras dissolvem-se, num momento pensamos localmente, noutro globalmente, num processo de fluxo constante.

As consequências do emergir da SI ainda estão a ser definidas, e se alguns, como Kerckhove, são quase gurus envangelistas de uma nova revolução cultural, outros, como Virilio, avisam-nos para os riscos da sociedade da informação se tornar numa bomba da informação.

Entretanto, nas nossas salas de aulas... os meios tecnológicos não são abundantes (faziam jeito uns OLPCs mas os nossos governantes preferem parcerias com a microsoft), as formas mais eficazes de os utilizar ainda estão por definir, os currículos ainda estão alicerçados na já defunta sociedade industrial, falta alguma criatividade para desenvolver estratégias de utilização eficaz das TICs. Sucedem-se acções de formação de eficácia duvidosa, com muita construção de material pedagógico multimédia que depois fica apenas arquivado.

A questão será esta: a SI é uma verdadeira revolução económica, social e cultural. Estará a escola a preparar cidadãos capazes de agir no seio de uma economia baseada na informação, ou estará a tornar-se um anacronismo?