sábado, 9 de dezembro de 2006

Leituras

BBC | Plastics poisoning world's seas Chamam-lhe as lágrimas de sereia e é uma mescla do resultado dos desperdícios da matéria prima da indústria plástica com a degradação dos lixos plásticos. São partículas minúsculas de plástico, que não se degrada com o passar do tempo, e que se encontram em todos os oceanos. As partículas surgem já na cadeia alimentar dos peixes e representam mais um perigo para o meio ambiente.

Guardian | An 80-hour week for 5p an hour: the real price of high-street fashion O escândalo instalou-se no Reino Unido: as roupas à moda, vendidas a preços acessíveis nas redes de supermercados e grandes cadeias de lojas de roupa, são produzidas em condições aberrantes em países do terceiro mundo. Os operários que manufacturam as roupas recebem quantias miseráveis para trabalharem longas horas em locais onde a ideia de direitos laborais oscila entre uma miragem ou uma ideia suicida. As grandes cadeias, para benefício da sua imagem, mostram acordos com os fabricantes que estipulam salários mínimos e condições mínimas, mas esses acordos são invalidados pela práctica de sub-contratar a manufactura a outras empresas. Todos lucram - os sub-contratados, os contratados, as grandes cadeias, e até os consumidores, que adquirem peças de roupa a preços mais baixos. Quanto aos trabalhadores, desconfio que nem lhes seja atribuído o estatuto de humanos. Este é mais um belíssimo exemplo da economia de mercado no seu melhor.

TSF | Ministério ordena fim de pagamento aos orientadores de estágios Até agora, os professores que nas escolas orientavam os estágios pedagógicos de alunos de cursos de professores recebiam um suplemento remuneratório pelo seu trabalho como orientadores. Um direito essencial, dirão uns, ou mais um tacho, dirão outros. A partir de agora isso acabou - os orientadores de estágios deixarão de receber por desempenhar essa tarefa. Quais são as óbvias repercussões disto? Suspeito que o número de professores que se disponibilizem para serem orientadores de estagiários caia a pique. Suspeito que dentro de alguns meses, quando as escolas superiores de educação e universidades desesperarem por não conseguirem os estágios obrigatórios, o ministério virá a público lamentar-se com a cupidez dos malvados docentes que se recusam a fazer o trabalho de orientadores de forma voluntária. O verdadeiro problema fica por resolver - a discrepância entre a formação de professores e as reais necessidades do mercado de trabalho. Quanto aos professores, ficam mais uma vez mal vistos, pois neste momento somos acusados por ter cão e por não ter.

Quem ler isto poderá pensar que coloco a questão a necessidade de um uso racional dos fundos públicos - não coloco, pois creio que o dinheiro dos nossos impostos, que é de todos, deverá ser criteriosa e eficientemente gerido. Só não compreendo porque é que se tenta inviabilizar o conceito de serviço público em nome da eficiência financeira.