segunda-feira, 20 de abril de 2015
Comics
The Fade Out #05: Vícios e escândalos na depravada Hollywood dos anos cinquenta, cheia de produtores lúbricos, actores decadentes e lindas raparigas dispostas a tudo para ter um lugar sob as luzes da ribalta. Ou melhor, sob o olhar da lente da câmara. Excelente, se crime noir for o tipo de coisas que vos aquece o sangue. Não sendo algo que me desperta por aí além a curiosidade, noto que é Ed Brubaker a fazer o que faz bem. Policial noir é com ele. E Sean Philips lega-nos estes momentos directamente saídos da nostalgia cinematográfica. Quase se ouve o ruído da película a passar no projector e se sente a escuridão da sala de cinema enquanto se imagina esta vinheta projectada num ecrã de cinemascope.
Chilling Adventures of Sabrina #02: Não surpreende que recentemente a Kotaku tenha apelidado a venerável Archie Comics de ser a editora mais corajosa do mercado, actualmente. Mantém o estilo adolescente pop de pastilha elástica levemente inalterado desde os anos cinquenta, mas não tem medo de experimentar e meter as suas personagens estereotípicas em cenários inesperados. As inocentes aventuras dos adolescentes de Riverdale, cidadezinha de nostalgia all american, já se meteram com assassinatos políticos motivados pelo controle do porte de armas e casamento gay, o que provocou síncopes nos meios mais conservadores, traídos por estes surtos de contemporaniedade a infectar os seus sonhos cor-de-rosa de uma américa iconográfica. A editora também aposta no absurdo, com os eternos adolescentes a meterem-se com Sharknado ou Predator, e ainda prepara surpresas que incluem um redesenho dos seus personagens por Mark Waid e Fiona Staples. Essa mesmo, a ilustradora de Saga.
E ainda há isto, esta coisa extraordinária que é o Archie Horror. Primeiro com a demolição do adolescentismo de Archie no meio de uma infestação sobrenatural de zombies que terminou com requintes lovecraftianos, conduzida por Francesco Francavilla a arrepiar com a ilustração. Segue-se a inocente bruxinha Sabrina, revista dentro de um horror visceral e escatológico que desequilibra a vida adolescente com tias necrófogas, actos de reprodução sexual dinásticos e uma suicida de coração estilhaçado que regressa dos infernos para se vingar sob a descendente do homem que amou e a rejeitou. Robert Hack ilustra, a canalizar no grafismo riscado Alfredo Alcala, um dos mestres clássicos do comic de horror. Roberto Aguirre-Sacasa continua como o grande culpado desta intromissão de um horror violento que não se intimida com a luxúria do medo na estética rosada da editora.
The Tithe #01: Matt Hawkins deu descanso ao seu génio da ciência secreta de Think Tank e atirou-se à religião neste comic policial sobre ladrões que assaltam seitas milionárias que enriquecem à custa da crendice dos seus seguidores. Nos posfácios da série, que no caso deste autor vale sempre a pena ler (os de Think Tank eram uma lição sobre tecnologia, política e geoestratégia contemporânea), assume-se como um ateu a atacar o pior da religião.
domingo, 19 de abril de 2015
sábado, 18 de abril de 2015
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Behold the Man
Michael Moorcock (1969). Behold the Man. Londres: Gollancz.
Uma das delícias das histórias de viagens no tempo é a forma como espancam a lógica linear em deliciosos paradoxos. Se a história é resistente a mudanças ou não é algo que teremos que descobrir, embora as prometidas infestações de viajantes temporais não tenham, ao que parece, sido bem sucedidas em assassinar Hitler, talvez o mais batido dos paradoxos temporais. Há outros, desde a memória temporal que se modifica por acções do futuro sobre o passado, os universos que divergem ou o pisar de uma borboleta que milénios mais à frente se vai repercutir numa mudança subtil mas fatal para quem guarda memória de um futuro que se desvaneceu. Behold the Man segue um outro caminho. Poderá um visitante do futuro a um momento histórico chave tornar-se esse momento histórico?
Será esse o destino do algo patético Karl Glogauer, livreiro judeu com pendor para a psicologia e discussões metafísicas pós-coitais que se enfia numa máquina do tempo para saber se, realmente, o filho de deus existiu e foi crucificado na Judeia romana. Algo corre mal na viagem e em vez de se apresentar como viajante sírio em busca da personagem lendária é confundido pelos Essénios como um mago egípcio. Contaminado pelo misticismo, deambula pelos vilarejos da judeia curando, graças aos seus conhecimentos de psicologia, as maleitas psicossomáticas de muitos habitantes enquanto procura pela origem dos mitos. Na cidade de Nazaré encontra, finalmente, um carpinteiro José e a sua volumosa esposa Maria, rodeada de filharada e frustrada pela maleita que acomete o primeiro filho, um paralítico com atraso mental que apenas consegue balbuciar a palavra Jesus. Em plena crise mística, Glogauer refugia-se numa sinagoga cujos rabis o irão considerar um profeta místico graças ao estranho conhecimento que traz. Resignado, decide-se a tornar-se a lenda, e assume o papel bíblico de Jesus, acabando crucificado no monte Gólgota.
Um divertido e se, que para os crentes no cristianismo roça, ou melhor, atira-se de cabeça a todo o vapor no campo da blasfémia. Quando Moorcock fala na obesidade mariana cujo olhar trai um resquício de sensualidade sente-se legiões de combatentes pela fé cristã a afiar os montantes. Jesus como vegetal humano balbuciante é algo que provoca crises cardíacas sacerdotais. Aliás, tivesse o autor escrito isto a partir dos mitos sobre Maomé e de certeza que algum comando jihadista já lhe teria empalado a cabeça degolada para edificação dos crentes. Colisão de paradoxo temporal com revisão de mito histórico, este é um conto que se torna interessante pelo desvio às normas que contém.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
aCalopsia: A Metrópole Feérica
Este mês no Olhar Atrás recordo um livro algo esquecido de um dos maiores autores de BD portuguesa. Sem estar ao nível de A Pior Banda do Mundo, a obra A Metrópole Feérica cativa por funcionar como uma exposição de pintura que se desenrola página a página. Visitem o aCalopsia e descubram este livro premiado no Amadora BD de 2009: A Primazia da Imagem de A Metrópole Feérica.
(Agora volto a olhar para as estantes, indeciso. Qual será o próximo? Junji Ito? Jason Lutes? Atrever-me-ei a Pratt?)
The Long Tomorrow
Leigh Brackett (1962). The Long Tomorrow. Nova Iorque: ACE Books.
Um livro clássico, que aborda um temor muito em voga na FC golden age, especulando sobre um mundo pós-guerra nuclear. Brackett não segue o caminho dos monstros mutantes que se acotovelam nas ruínas radioactivas e dá-nos um futuro pós-apocalíptico quase idílico, de regresso à natureza num mundo que regrediu ao nível tecnológico do século XIX rural. Duas gerações após a guerra entre o ocidente e o leste, não parecem restar traços das ruínas e da radioactividade. A ruralidade deste mundo explica-se pela prevalência das seitas religioas na américa. Após as detonações, as hordes de refugiados sobreviventes tiveram de aprender a viver com tecnologias primitivas, e quem melhor para os acolher do que os fundamentalistas cristãos que durante o século XX rejeitaram a tecnologia industrial e mantiveram vivas as manualidades? É esse o espírito conservador, de apego à terra e a rígidos valores morais, que vai caracterizar a américa deste futuro distópico, que rejeita o mundo, abomina a tecnologia, mantém limites legais ao crescimento das localidades para que não regressem as odiadas cidades, e restringe o acesso ao conhecimento sob a égide do temer a deus.
Fazemos o périplo pelas paisagens idílicas habitadas por fervorosos zelotas através da história de dois primos, Len e Esau, cuja curiosidade pelo que seria um mundo com tecnologia e vontade de descobrir a verdade que intuem por detrás das explicações oficiais piedosas os levam a abandonar a comunidade em busca daquela que imaginam ser a última cidade moderna. Fazem-no a partir de lendas que se ouvem de homens que rejeitam a vida rural piedosa e fazem a apologia dos antigos modos de vida. E, de forma sacrílega, usam tecnologias. Esses homens existem e vivem ocultos como comerciantes, assegurando um fluxo de matérias primas para uma localidade que de facto existe, resquício de uma das muitas instalações secretas subterrâneas onde um grupo de cientistas mantém viva a chama da proscrita energia nuclear para alimentar um computador.
Vários aspectos sobressaem desta leitura. Brackett avisa-nos que o trauma da loucura militarista poderá ser o rejeitar da tecnologia e o regressar a um primitivismo alicerçado na tacanhez teísta. Mas é igualmente impiedosa com o dogmatismo científico. Os seus personagens terão de escolher entre o futuro bucólico mas retrógrado e o futuro tecnicista ameaçado, e qualquer das escolhas será amarga. A opressão é a constante, sinalizando a bonomia das tiranias utópicas. Não há monstros mutantes nem paisagens devastadas pela radioactividade nesta clara distopia pós-apocalíptica. O horror aqui é o da regressão, o desconstruir das conquistas da ciência e do humanismo pela necessidade de sobrevivência catalisada através de dogmas religiosos mas também a incompreensão trazida por visões elitistas de progresso.
Um pormenor intrigou-me. Não a cidade utópica que se resume a uma base subterrânea já não muito secreta que abriga uma poderosa mainframe e o seu reactor nuclear, que deixa um dos personagens em conflito mental pela sensação diabólica de estar perante uma máquina que pensa, apesar de todas as explicações em contrário. Brackett aqui seguiu o caminho mais rigoroso de entender o computador como máquina computacional e não cérebero artificial. Intrigou foi um pequeno detalhe. A limitação constitucional que impede que as localidades cresçam a partir de um certo limite, que de forma elegante Brackett mostra como uma norma de planeamento urbano de defesa atómica (evitar concentrações populacionais e incentivar a dispersão como forma de diluir possíveis alvos de mísseis) se transforma em dogma político-religioso, com direito a linchamento às mãos de piedosas hordes para aqueles que se atrevem a afirmar que, quase um século passado após a vitória na guerra atómica, está novamente na hora de abrir as portas ao progresso. Fascinante, este toque de urbanismo, detalhe elementar do mundo ficcional desta distopia da bonomia.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
A Arte de Voar
Antonio Altarriba, Kim (2015). A Arte de Voar. Oeiras: Levoir.
É impossível dissociar este livro de Maus de Art Spiegelman. Ambos são respostas de filhos perante a pesada herança traumática de pais cujas vidas foram profundamente transformadas pela guerra. Spiegelman exorcizou brilhantemente as memórias do Holocausto. Altarriba vira-se para o prelúdio da II Guerra que foi a sangrenta guerra civil espanhola através da história do seu pai. Tal como em Maus, é o suicídio que irá despertar a jornada pelas cicatrizes da história na alma humana.
A Arte de Voar centra-se no pai de Altarriba, cujo suicídio leva o filho numa viagem pela sua história pessoal. Veterano do lado derrotado na guerra civil espanhola, a sua vida é uma sucessão de falhanços. Primeiro pelas injustiças económicas, depois pelas manobras políticas e derrota republicana. Seguem-se os anos de amargo exílio em França, com passagens por campos de concentração, Resistência e submundo criminal marselhês, e o regresso humilde à Espanha franquista, este sim um outro exílio para um rebelde libertário forçado a viver sob uma ditadura fascista. A vida pessoal tem o seu quê de sucessão de desaires, e tudo culmina num suicídio que é o acto final de libertação de um indivíduo esmagado pela história e pela incapacidade de se adaptar à bonomia dos sistemas.
Onde Spiegelman é brilhante, e Altarriba falha, é no interligar da história de vida com as histórias da história. Se o relato de experiências na guerra civil e exílio francês é interessante, o resto do livro fica-se pela banal autobiografia com o seu quê de sentimentalista. Pretende ser uma análise do impacto da guerra civil na vida de um espanhol, mas acaba por ser uma sucessão de peripécias deprimentes que incluem uma passagem pela guerra civil.
terça-feira, 14 de abril de 2015
Lisboa no Ano 3000
A colecção Génesis do Projecto Adamastor acabou de disponibilizar mais uma digitalização de uma obra clássica da ficção científica portuguesa. Desta vez é o bem conhecido Lisboa no Ano 3000 de Cândido de Figueiredo, agora disponibilizado em epub e mobi.
The Last Passenger
Manel Loureiro (2015). The Last Passenger. Amazon
Nos dias que antecedem o rebentar da II guerra, os tripulantes de um navio de transporte de carvão fazem uma descoberta arrepiante. Encontram à deriva um navio de cruzeiro nazi, completamente abandonado apesar de haver comida quente nas mesas. Por entre o vazio e uma sensação de horror iminente, os marinheiros encontram um bebé abandonado. Décadas depois, uma jornalista de luto pelo recente falecimento do marido investiga a curiosa história da obsessão de um milionário que fez a sua fortuna na corda bamba entre o lício e o ilícito.
Acossado pelas autoridades, ao milionário apenas interessa a aquisição de um navio abandonado num depósito de ferro-velho militar. Restaurando-o à navegabilidade, embarca com a jornalista, um grupo de cientistas e os seguranças pessoais no navio que fora encontrado misteriosamente à deriva à cinquenta anos atrás. O objectivo é de recriar a viagem e descobrir a causa dos eventos misteriosos. De um lado, um dos cientistas que integra a expedição quer investigar a sua hipótese da causa dos misteriosos desaparecimentos em alto mar serem causados por singularidades espácio-temporais. Do outro, temos um milionário que não olha a meios para perceber as suas raízes, uma vez que é ele o bebé descoberto no misterioso cruzeiro. Levados pelo olhar inquisitivo da jornalista, mergulhamos no mistério de um velho navio amaldiçoada, onde debaixo de um estranho nevoeiro as barreiras do tempo se dissolvem e as pessoas do presente se descobrem a reviver os dramas do passado.
Descobriremos que a causa da maldição foi uma atrocidade cometida por um oficial nazi demasiado zeloso, que abateu a tiro refugiados judeus escondidos no porão. Um deles lança sobre o navio uma maldição cabalística com o último fôlego, condenando os passageiros a um ciclo eterno onde uma força malévola os obrigará a reviver os últimos momentos. Só a coragem da jornalista, auxiliada pelo fantasma do marido, quebrará no futuro o ciclo, desencadeando o acontecimento que levará o bebé a ser descoberto no passado.
Surpreendente, este romance do galego Manel Loureiro que oscila entre o thriller de mistério, a ficção cientifica e o horror. A premissa mexe com o lado fascinante dos mistérios nazis, ficando no ar quase até ao final se se tratará de algo tecnológico ou sobrenatural. A justaposição de passados e futuros que colapsará nos capítulos finais, bem como a paraciência dos mistérios de alto mar tocam na FC, enquanto que o ambiente a bordo do navio e a força misteriosa que causa todo o mistério mergulham no terror profundo.
A destoar fica a intervenção deus ex machina de um personagem fantasmagórico que irá auxiliar a heroína nos momentos mais cruciais e a forma como Loureiro resolve o fim do horror cíclico, quebrando a sequência de eventos de uma forma que causa um óbvio paradoxo temporal. Tudo está dependente da descoberta do bebé no navio, e quebrar o ciclo apenas fará com que ele se mantenha.
Sendo um livro de narrativa linear, em que depressa nos aperecebemos que caminhos seguirá a história, resta-nos esperar que o autor desvele as causas dos mistérios, algo que num crescente suspense só se tornará aparente no final. Durante a leitura fiquei impressionado com o ritmo e dinamismo, e especialmente com o carácter visual. A aventura desenrola-se como num filme, e quase diria que este livro daria sem precisar de grandes adaptações um divertido filme. Um surpreendente e leve thriller que mostra a vitalidade do género fantástico no nosso país vizinho.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
aCalopsia: A Lei de Canon
Mark Millar, Kek-W, Chris Weston (2014). A Lei de Canon. S. Paulo: Mythos.
Canon Law mostra-nos um defensor hiperviolento de leis inflexíveis, crente numa ideia de justiça inabalável, a espalhar balas equitativas em mundos decaídos e paisagens apocalípticas. Um personagem que se situa entre o institucionalismo de Judge Dredd, o moralismo de Marshal Law ou o absurdismo de Lord Horror, com uma forte dose de ironia subversiva. Hiperviolento e muito bem ilustrado, as suas aventuras asseguram uma boa dose de diversão escatológica. Como diria aos seus droogs Alex, esse outro personagem escatológico saído do futurismo distópico de Anthony Burgess, não há nada como uma dose da boa e velha ultraviolência. A crítica completa está no aCalopsia: A Lei de Canon.
Comics
Deep State #05: Disfarçado debaixo do clássico enredo jovem agente intuitiva e veterano endurecido conhecedor dos segredos mais secretos cruzam-se para combater ameaças tão gravosas e desconhecidas que nem os mais secretivos agentes podem ficar a conhecer está um comic intrigante. A continuidade da série é assegurada pela intriga de uma jovem agente que está a inflitrar a organização que opera nas sombras e um agente tão amnésico que nem se lembra que perdeu a memória de quem é, Pelo meio tivemos invasões de vírus conscientes alienígenas e agora espingardas de física exótica cujas balas atravessam o espaço-tempo. É interessante ver este nível desenfreado de especulação, que rareia mesmo na FC mais vanguardista.
Lady Mechanika #04: Tenho uma relação amor-ódio com este comic. O traço é deslumbrante, o toque prateado do latão steampunk é fabuloso, mas os argumentos são tão elementares e tediosos que os neurónios arrepiam-se de horror. É algo demasiado comum na maior parte do steampunk enquanto género literário e gráfico. Deslumbres visuais, foco na estética, e repetitividade inana de argumentos de aventura bocejantes. Este não é excepção, mas de facto o traço do ilustrador e argumentista Joe Benitez destila bem o deslumbre iconográfico do género.
The Nameless #03: Que hipóteses tem a humanidade contra semideuses alienígenas vingativos? Talvez nenhumas, quando se percebe que os salvadores da espécie humana estão eles próprios contaminados pelos alienígenas e a réstea de esperança reside numa espécie de Aleister Crowley cínico e propenso a alucinações delirantes. É Grant Morrison, é preciso dizer mais?
domingo, 12 de abril de 2015
Anicomics 2015
Carlos Pedro a autografar o meu exemplar de Solomon, enquanto lá fora os cosplayers de deliciavam com a primeira eliminatória do concurso de cosplay. Ao lado, as fantásticas ilustrações de Inês Ferreira.
Garanti a mim próprio no ano passado que não regressaria ao Anicomics. É um tipo de evento que tem o seu espaço natural mas que não se enquadra na minha tipologia de público-alvo. No ano passado fiquei desiludido com o foco excessivo no cosplay, falta de oferta bibliófila para lá das ofertas manga da loja da Kingpin, e tendência para o espaço exíguo da biblioteca Orlando Ribeiro se tornar sufocante com tanta gente em tão pouco espaço. Isso, e o preço nada simbólico cobrado à entrada do evento, que certamente cobrirá todos os custos da organização e mais qualquer coisinha. Mas, desafiado pelo editor do I Dream in Infrared, lá fui. A impressão com que saí de lá no ano passado confirmou-se, apesar de este ano se notar uma maior abertura a criadores.
Criadores e fãs numa das muitas bancas de arts & crafts anime/manga
É isto, do meu ponto de vista, o melhor do festival. Espaços onde criadores individuais e pequenas lojas estão em contacto com os fãs do género. Pensem feira de artesanato para fãs de manga/anime e ficam com uma pequena ideia da vibração desta vertente do Anicomics, que se espalha por todo o espaço da biblioteca. O festival como ponto de encontro de fãs nota-se perfeitamente quando estamos dentro do auditório com Mário Freitas, editor da Kingpin, argumentistas e ilustradores a falar de lançamentos e a divulgar a sua linha editorial para o próximo ano para uma audiência de cosplayers transfixados pelos seus jogos no telemóvel ou tablet, claramente dispostos a aturar a estopada dos cotas a falar de livros que não lhes interessam para poder guardar um lugar sentado para os espectáculos de dança J-Pop e concursos de cosplay.
Ajuntamentos de cosplayers entre o interior e exterior da BMOR
O cosplay é mesmo o ponto forte e chamariz do Anicomics. É uma das raras oportunidades para os fãs de comics, manga/anime e gaming desempoeirarem a criatividade e vestirem a pele dos seus personagens favoritos. Diria até que sem a componente cosplay o Anicomics já há muito teria desaparecido como evento da banda desenhada em Portugal. O nível dos cosplayers é elevado, e para cada patético bebé peludo (ou enfermeira zombie de generosas formas a rasgar o frágil tecido da minúscula farpela) havia dezenas de fatos primorosos. Esta foto, tirada da varanda do passadiço da biblioteca, mostra um pouco da diversidade de fatos. Uma foto infeliz, tive o azar de centrar no mais espantosamente mau dos cosplayers, mas se se abstraírem das fraldas topem as lolita genéricas adereçadas à perfeição, a princesa disney, o aventureiro steampunk ou os guerreiros mutantes. Uma pequena amostra dos deliciosos cosplays que se espalhavam pelo evento.
Alex, without her droogs.
Dos quais, confesso, o meu olhar foi atraído por este. Não pela lolita genérica em apertamento de corpete, mas em quem a está a apertar. No meio de tanta personagem de manga estaria longe de imaginar que depararia com um (tecnicamente uma) Alex da Laranja Mecânica, canalizando na perfeição a imortal iconografia que Stanley Kubrick deu ao livro de Anthony Burgess. Não era de longe o mais perfeito cosplay na zona limítrofe, mas foi sem dúvida o mais erudito.
Saio de lá com a minha opinião reforçada. O Anicomics é, em essência, um evento à medida de Mário Freitas e da Kingpin Books, que teve a sorte ou a inteligência de apostar nos fãs do cosplay. Há muito pouco, quase nada, para além disto. Sublinha-se uma maior abertura a criadores individuais e lojas dedicadas aos fascinantes adereços anime/manga. A oferta comercial fica-se pelo merchandising, algum manga e edições da Kingpin (vim de lá com algumas coisas, claro). Recordo vagamente ter lido por aí que este ano o Anicomics teria maior presença de outras lojas de banda desenhada, mas não dei com elas. Só se se estiverem a referir à Casa da BD, que estava a vender adereços inspirados no manga.
O festival assume-se como uma iniciativa totalmente privada num espaço público e certamente terá os seus custos, mas confesso que gostaria de ser mosquinha digital e penetrar nas folhas de cálculo dos balancetesda Kingpin para perceber se oito euros e meio por dia por bilhete (mais barato para quem compra antecipadamente) mal chega para cobrir custos ou dará prejuízo. Perante as enchentes no espaço exíguo da BMOR que se espraiam pelas redondezas a sensação com que se fica é a oposta, claro. Não que venha daí mal ao mundo. Afinal, o evento é privado, e aposto que a tentação de fazer trocos fáceis é elevada. Só lá vai quem quer. Chama-se a isto bom marketing e sólido conhecimento do mercado. Devo dizer que o ser assumidamente comercial é bom. Outros eventos do género tentam disfarçar o lado comercial com pretenciosismo cultural. A Kingpin é um negócio e diga-se que os livros não se editam sozinhos ou chegam aos leitores sem a vertente económica da cultura.
O evento decorre entre 12 e 13 de abril em Telheiras. Hoje deve ter sido interessante o painel onde esteve a Liga Steampunk de Lisboa e Províncias Ultramarinas. O Bruno Campus, repórter X de tudo o que é evento de BD por Portugal, está a cobrir detalhadamente o Anicomics 2015 no aCalopsia.
Este evento continuará, espero, como momento privilegiado de encontro dos cosplayers portugueses, com mostras do alto nível deste hobby. Continuará como evento assumidamente comercial. E continuará a não ser para o tipo de público em que me insiro, mas mantendo-se como evento interessante para fãs de manga/anime e cosplay.
sábado, 11 de abril de 2015
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Ficções
O Beijo: Um conto intrigante de Alexandra Rolo, que deixa em aberto mais questões do que as que responde. O conceito de uma Lisboa subterrânea, misteriosa, no limiar das nossas percepções onde uma personagem feminina com toques fetichistas se vê envolvida é muito interessante. Mas a história em si é difusa e os seus porquês não são imediatamente aparentes. Aqui haveria necessidade de levar o conto mais longe. Na prosa da autora houve algo que me desagradou: a quantidade de vezes que repetiu a expressão "à medida que" num conto corto. Haverá certamente maneira mais elegante de dizer o mesmo. Apesar disto não deixa de ser uma obra intrigante que pede para ser mais desenvolvido. E kudos para o sentido de elegância de vestuário expresso no conto!
O País das Quimeras: Conto de Machado de Assis, precursor do fantástico brasileiro. Um poeta esfomeado, belo de rosto mas desfigurado de porte, vê-se obrigado a entrar num negócio com um homem rico que lhe paga pelos poemas com a condição destes serem apresentados como da sua criação. Desconsolado, encontrará novo ânimo nos braços de uma sílfide que o levará a um país mágico, habitado pelos seres que geram a inspiração de todos os homens e mulheres que ousam sonhar. Conto que começa com descrição seca e termina em delírio orientalista, com uma viagem a um país de cocanha onde as ideias e a inspiração ganham vida.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Insonho, Durma Bem
Valentina Ferreira et al (2015). Insonho, Durma Bem. São José dos Pinhais: Estronho.
Discutir se é possível um fantástico de raiz na tradição portuguesa é discussão discreta que de tempos a tempos vem ao de cima. Nisto os mais veteranos andam fartos das referências ao Amadis de Gaula e às sílfides do Tejo e os mais novos, inspirados pela sua dieta de fantasias épicas e urbanas, encolhem os ombros. Mas que é possível olhar para as nossas lendas e tradições e com isso criar histórias cativantes, prova-o esta surpreendente antologia brasileira que desafiou autores portugueses a levar os mitos portugueses aos brasis.
Nos contos, Carlos Silva, Vítor Frazão, Ana Luiz e Miguel Raimundo mostram muito bem que é possível olhar sem condescedência ou nostalgia para o espaço mental do nosso interior. Com especiais distinções aos contos de Silva pela riqueza etnográfica da linguagem e de Raimundo pela historiografia que o alicerça. Os restantes não ficam muito atrás, mas não se centram tanto nos elementos tradicionais, utilizando-os como recurso para outro tipo de narrativas. Algo que funciona, mas me parece afastar-se um pouco do espírito da obra.
As recolhas etnográficas andam cheias de curtas lendas de maldições e princesas, de criaturas que assombraram os ermos. Suspeito que boa parte dos praticantes portugueses do fantástico andem fartos de etnografias, mercê dos estudos superiores literários, e que por isso lhes dediquem tão pouca atenção. Ou posso estar engando. Uma nota para a estética cuidada da obra, que sublinha o seu ambiente de fantástico tenebroso.
Ao Meio-Dia: Carlos Siva mergulha-nos directamente nos mitos da ruralidade isolada das serranias numa história trágica. Um monstro, que não é realmente um monstro, está condenado por uma maldição de ciúmes a sugar a vitalidade dos campos cultivados para manter viva a mulher que ama, vítima do mau olhado das meninas casadoiras de uma aldeia serrana.
Duelo de Lendas: Valentina Ferreira traz-nos um pouco das lendas das criaturas que assombram a noite madeirense, com um sonho negro que se transforma numa realidade catastrófica.
Na Escuridão: Vítor Frazão leva-nos às lagoas perdidas nas altas serranias da Serra da Estrela, numa história que recorda um enredo clássico de filmes de série B. Um jovem incauto não acredita na sorte que tem ao partilhar uma aventura com uma bela e desinibida rapariga que o leva a mergulhar à luz da lua, mas sob as águas geladas esconde-se um segredo milenar que as lendas locais interpretam como uma maldição mourisca.
A Voz de Lisboa: André Pereira liberta numa Lisboa abalada por um terremoto um adamastor próximo dos grandes anciães lovecraftianos. Criatura que se ergue das lamas do rio Tejo para purificar a cidade com a força das águas.
A Noite em que o Bicho-Papão encontrou Kafka no cimo de um telhado: Francisco Fernandes mistura o horror erudito da Metamorfose de Kafka com os terrores infantis do bicho-papão que espreita na noite para devorar os meninos mal comportados.
Sant'Iroto: Ana Luiz revive memórias de uma infância de férias passadas no campo, das maravilhas do contacto com a natureza vista pelos olhos de uma jovem rapariga irrequieta, que não compreende as rezas que saem da boca dos mais velhos até se cruzar com uma criatura capaz de percorrer seca e meca num sopro de corrida. Criatura essa que a menina apenas consegue esconjurar com uma reza intemporal.
Por Sete Encruzilhadas, Por Sete Vilas Acasteladas: Miguel Raimundo leva-nos ao passado intemporal ribatejano e às lendas e tradições sobre criaturas amaldiçoadas que se transformam em lobos nas noites de lua cheia. É um conto que foge ao óbvio horror com uma forte dose de piedade pelas criaturas, vítimas de maldição, e que encontrarão a redenção no amor encontrado por entre as densas florestas do interior profundo das serranias portuguesas.
Ao Sexto Dia: As maldições que recaem sobre as mulheres perdidas, aquelas que ao ouvirem o seu coração caem nas más graças da sociedade, são o tema do conto de Inês Montenegro. Uma série de mortes misteriosas abala uma aldeia nortenha. A assassina é uma mulher bígama, amaldiçoada por um dos maridos, e a maldição irá transmtir-se à sua irmã, que vive amancebada com o pároco da aldeia.
Sangue, Suor e ... Unhas: crimes misteriosos, castelos assombrados, vilórias históricas que encerram mistérios medievos, túneis secretos e um padre intrépido que com ajuda de um corajoso inspector descobrem que a lenda local assenta na história esquecida de um alquimista que, em tempos longamente idos, descobriu o segredo da imortalidade. João Rogaciano encerra de forma muito divertida esta notável antologia.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
What We Do In The Shadows
What We Do In The Shadows: Como revitalizar um género tão batido como os filmes de vampiros? Já cansa o horror puro, os efeminados que brilham ao sol são patéticos, e as fantasias épicas com dentuças, intrigas amorosas e portentosas batalhas vão demasiado além do patético na busca por espectadores acéfalos e rendimento de pipocas. Resta talvez a comédia, e este curioso filme neo-zelandês consegue fazê-lo de forma refrescante e sem cair no ridículo. O filme segue a premissa do documentário que acompanha a rotina diária do objecto de documento - neste caso três vampiros (e um quarto que como tem oito mil anos raramente se dá ao trabalho de sair da cave). Tenebrosas criaturas da noite que dividem uma casa nos arredores de Wellington, cidade que aparentemente tem uma vibrante comunidade de sobrenatural, cujas actividades culminam no baile anual que reúne a sociedade vampírica, o clã de bruxas e o grupo de apoio aos zombies na mais celebrada festa da saison. De fora ficam os pobres licantropos, que não se livram da fama de cheirar os rabos uns dos outros. Um núcleo de três vampiros, que se tornará um quarteto graças a uma conversão acidental que lhes trará um amigo humano. Não estão muito interessados em dominar o mundo. Preferem preocupar-se com o dar a volta aos temíveis porteiros dos bares, perceber a quem é que calha lavar os pratos ou tentar degustar o sangue das vítimas sem deixar restos de sangue por todo o lado. E, mostrando que burro velho até aprende línguas, ficam deslumbrados com as maravilhas da internet. Quem diria que poderiam finalmente assistir a um nascer do sol... graças aos vídeos no Youtube?
terça-feira, 7 de abril de 2015
Swan Song
Robert McCammon (1987). Swan Song. Nova Iorque: Pocket Books.
Isto é horror clássico dos anos 80 em registo grand guignol. Os horrores do sobrenatural e dos jogos geo-estratégicos colidem de forma explosiva neste livro apocalíptico que deliciou João Barreiros, cuja dica de leitura apontei numa edição recente do Sustos às Sextas.
Para mim, este livro encerra mais um elemento de fascínio. Sou filho dos anos 80 e sempre senti crescer sob a sombra dos guarda-chuvas nucleares. É inevitável o fascínio pela loucura atómica da destruição mutuamente assegurada, doutrina militar que quem para ela olha com atenção só pensa "em que raios é que estes loucos estavam a pensar", a proliferação de sistemas capazes de destruir a Terra múltiplas vezes em menos de uma hora (cinco a quinze minutos, no caso dos mísseis lançados de submarinos), a possibilidade muito real de desentendimentos políticos levarem a uma guerra impensável. Mesmo hoje, quando essas ideias parecem memórias de militarismos desvanecidos tão patéticos hoje como os canhões gigantes do final da idade média ou os dreadnoughts navais que encheriam de terror os mares do final do século XIX. Com a diferença da questão dos arsenais nucleares ser, ainda hoje, bem real.
Os primeiros capítulos desse livro são, por isso, um festim sumarento. McCammon despacha depressa o pior dos horrores, porque ainda tem uma longa história para contar. Para os fãs de história alternativa ou exploração de possibilidades de como poderia acontecer as primeiras páginas são uma delícia, com um confronto militar entre os Estados Unidos e a União Soviética a escalar muito depressa para duelo atómico que em poucas horas e em três vagas arrasa as cidades, bases militares e alvos secundários americanos e russos. O próprio presidente americano não ficará a salvo no Air Force One, abatido por um autocarro atirado para os ares por um tornado de fogo nuclear.
McCammon não nos poupa ao tentar descrever o indescrítivel. Depressa passamos da esterilidade tecnológica cirúrgica das antecâmaras de decisão militares para a devastação global numa tempestade de fogo atómico que nada poupa. Fascinante. Mas este romance não é uma distopia de história alternativa ou uma ficção científica pós-apocalíptica. É um livro de terror, que se centrará no sobrenatural desperto pela catástrofe nuclear.
As fornalhas atómicas despertam uma criatura malévola que pode, finalmente, fazer do planeta em cinzas o seu recreio. Criatura diabólica que sempre deambulou pelo mundo, quer agora refazê-lo à sua imagem de demiurgo maléfico. Os poucos sobreviventes por entre as ruínas e a escuridão do inverno radioactivo serão brinquedos para torturas requintadas.
O mundo dos sobreviventes parece conducente ao desespero. Sob as trevas e o gelo, sujeitos à radioactividade numa terra em ruínas onde nada cresce, aqueles que escaparam à morte imediata não se sentem com muita sorte ao vagueram pelas paisagens devastadas. Bandos sem escrúpulos agem como predadores, e uma estranha doença cobre de pústulas o rosto de alguns dos sobreviventes. O pior da humanidade vem ao de cima nos bandos andrajosos que inevitavelmente se organizam em exércitos que sobrevivem a saquear as poucas cidades onde outros sobreviventes tentam resistir. No centro desses exércitos irão estar dois dos persongens do livro, um ex-coronel enfraquecido que sobreviveu ao colapso do abrigo nuclear privado que tutelava, e o seu braço direito, um miúdo psicopata que se delicia na sua visão do mundo como um jogo de cavalaria medieval.
Mas há esperança. Uma lampeja nas ruínas de Nova Iorque, onde uma sem-abrigo demente se transforma ao descobrir por entre os destroços um artefacto que lhe confere visões, quer assustadoras quer de um futuro melhor. Outra resiste numa jovem rapariga que tem o dom de fazer a natureza crescer. O périplo pela devastação é inevitável, com inúmeras e terríveis peripécias, até à catastrófica colisão final. E como poderá o autor encerrar uma história de destruição total onde sociopatas controlados por demónios se querem apropriar do lampejo de vida trazido pela jovem e pelo artefacto, capaz até de libertar os contaminados das pústulas que lhes escondem as faces reais? Com um círculo quase completo, com nova viagem a uma instalação militar secreta onde o sobrevivente presidente americano quer soltar as armas atómicas que lhe restam no espaço e mergulhar a terra num verdadeiro juízo final.
Swan Song é ficção de terror pop dos anos 80 no seu melhor. Operático e exagerado, conta-se saltitando entre pontos de vista na primeira pessoa de personagens-chave da narrativa. Todo o périplo pela devastação pós-apocalíptica parece arrastar-se, mas funciona em crescendo até ao desenlace final. E o princípio do livro é um delírio apocalíptico.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Comics
The Dying And The Dead #02: Hickman está claramente a posicionar-se para uma longa história nesta nova série sobre artefactos misteriosos, raças superiores subterrâneas e os humanos duros encarregues dos trabalhos sujos à superfície. Tem o seu quê de último fôlego de homens de acção no ocaso da vida.
The Names #08: Intrigante. Milligan dá-nos linguagens algorítmicas que interferem com as estruturas cerebrais profundas. Boa forma para interferir com padrões de pensamento. E excelente forma para entidades de inteligência artificial poderem tomar conta de autistas, já de si predispostos a lógicas puras.
War Stories #07: Garth Ennis regressa a terrenos que conhece bem nesta série. Voltamos aos campos de batalha da II Guerra, desta vez focando em grupos de refugiados alemães em fuga do cilindro compressor soviético A acção passa-se nos dias finais do Reich, no momento do primeiro embate entre os vingativos russos e o berço alemão na Prússia. Não se espera uma história fácil de heroísmos militaristas, mas sim de sobrevivência em condições desesperantes.
domingo, 5 de abril de 2015
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