quarta-feira, 11 de abril de 2012
Petrograd
Philip Gelatt, Tyler Crook (20119. Petrograd. Portland: Oni Press
Um inquieto agente secreto britânico na S. Petersburgo de 1915 é apanhado num curioso jogo de poderes entre a polícia secreta do czar, um superior hierárquico sem escrúpulos, uma amante revolucionária e um grupo de decadentes príncipes russos a quem o agente tem de convencer a eliminar um homem tido como uma ameaça ao curso esperado da primeira guerra mundial: nada menos que o lendário Rasputin. O caminho é inseguro e o protagonista depressa se vê abandonado por todos, numa cidade à beira da explosão revolucionária.
Curioso retrato dos últimos dias do czarismo, Petrograd beneficia de uma ilustração expressiva em tons quentes que sublinha a violência da época.
Criatividade da multidão
Sim, mas o que é que significa? Olhar para as visualizações interactivas de sistemas complexos são uma forma nova de compreender o mundo. Mas o que toca são os projectos seguintes: mergulhando nas multidões, incentivando indivíduos a fazer uma pequena contribuição que multiplicada se transforma em algo abrangente. A sabedoria das multidões enquanto forma de arte, ou a humanidade como pincel. Mas qual o significado disto...? Explosão de criatividade? Poder do indivíduo coordenado na multidão?
Kit do Mar
Ao estilo de pequeno documentário.
As alunas cuja voz ficou gravada nas narrações do vídeo ficaram surpreendidas. É normal. Habituados ao que imaginamos ser o som da nossa voz, ficamos sempre a estranhar quando a ouvimos numa gravação. Gravação em Audacity, que no meu caso tem algumas preciosidades. Como o tenho modificado para o databending tenho de utilizar formatos de audio alternativos.
Ufa. Vídeo montado, narrações gravadas (em formato ogg vorbis, e viva o open source), música escolhida (uma das variações Vathek de Luís Freitas Branco) e versões HD e normal renderizadas. Agora a lenta fase dos uploads.
terça-feira, 10 de abril de 2012
In The Dust Of This Planet
Eugene Thacker (2011). In The Dust Of This Planet: Horror Of Philosophy Vol. 1. Zero Books
Disfarçado sob a premissa de abordar o horror enquanto género e a filosofia, este livro é uma amálgama díspare de reflexões sobre ocultismo, demonologia, pós-estruturalismo, cinema e literatura de terror. Traça curiosos paralelos entre temas do género literário e vertentes ocultistas ou estados psicológicos. Livro que tem alguns pontos de interesse, perde-se na dispersão e falta de focalização sobre o tema que pretende abordar.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Mimi no Kaidan
Junji Ito, Mimi no Kaidan
Ito traça num estilismo mais leve simples histórias de assombrações. Longe dos seus terrores surreais, são contos de estrutura clássica onde uma bonita protagonista e os seus amigos colidem com situações sobrenaturais. Longe do brilhantismo decadente de Tomie ou Uzumaki, este é um manga criado com mestria mas de pequenos arrepios.
sábado, 7 de abril de 2012
The Unfunnies
Mark Millar, Anthony Williams (2007). The Unfunnies. Rantoul: Avatar Press.
Quem na sua infância não leu uma das infindáveis versões de banda desenhada onde cartoons antropomórficos viviam peripécias engraçadas? Simples e infantis, são a porta de entrada para a nona arte. Encantaram gerações e tornaram-se ícones da cultura pop. Patos Donald, ratos Mickey... criaturas simples em histórias simples. A tradição de parodiar este género já é longa e tem raízes nos comics underground. Mark Millar continua essa tradição com um comic totalmente demente, onde as simpáticas criaturinhas desenhadas a quatro cores apresentam comportamentos positivamente horripilantes. Digamos que os engraçados animais antropomórficos abusam de drogas, cometem injustiças, descobrem as alegrias da prostituição ou tornam-se fãs de pedofilia. Entre outras aventuras nada recomendáveis. The Unfunnies é totalmente hilariante e nada politicamente correcto... mas muito inteligente ao apontar a dissonância entre o mundo inocente dos cartoons e as muito reais injustiças da realidade.
Silent World
Um momento de zen urbano. Misturando fotografa time lapse e tecnologia da nasa para remover os borrões, este vídeo mostra-nos as cidades como espaços hieráticos de silêncio e desolação. Espaços urbanos onde os humanos foram excluídos.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Revolver
Matt Kindt (2010). Revolver. Nova Iorque: DC Comics.
Dois mundos em colisão. Duas realidades paralelas, uma banal e outra onde a normalidade foi interrompida por uma catástrofe de contornos obscuros. Dois personagens que descobrem que conseguem saltar através das realidades sempre que numa adormecem. As experiências e conhecimentos que adquirem numa das realidades podem alterar a outra. O tema é antigo - o mundo e o seu espelho, e personagens que atravessam o espelho com conhecimento dos dois mundos. Matt Kindt dá um outro fôlego a este tema reflectindo a problemática contemporânea do medo, medo de ataques terroristas, desagregação social, colapso institucional. Medos do mundo pós-11 de Setembro, onde as antigas ameaças convencionais foram substituídas por entidades insidiosas e nebulosas. Neste livro, saltitamos entre a normalidade e o colapso, entre o dia a dia e a desagregação de uma sociedade atacada pelo que mais teme. Uma graphic novel brilhante, que deixa ideias na mente do leitor.
Finais Explosivos
O prometido é devido e os novos títulos da DC 52 que não despertaram o interesse dos leitores estão a chegar ao fim anunciado. Não é grande perda. Na sua maioria eram comics banais que não trouxeram nada de novo a um género já de si fortemente estereotipado. Mas há dois que se destacam, um pelo seu potencial de culto e outro pelo seu genial final.
O.M.A.C. foi uma tentativa de revitalizar um personagem clássico de Jack Kirby, retirando-lhe o futurismo e colocando-o na linha de continuidade da DC. Falhou. Nunca assumiu aquilo que lhe dava graça, o ser uma explosão de acção em que uma criatura cibernética monstruosa lutava com prejuízo máximo em todas as edições com ameaças monstruosas ou outros heróis da linha de continuidade. Perdeu-se com revisitações a outros títulos falhados da DC (lembram-se do Checkmate?) e no desenvolvimento de uma linha narrativa às voltas com a vida pessoal do involuntário anfitrião da criatura. Limitou-se a retirar os elementos iconográficos do comic de culto em que se baseou - a criatura e o satélite inteligente Brother Eye e deixou de lado aquilo que transformou o O.M.A.C. original num clássico. Teve como pormenor interessante a homenagem explícita a Kirby pela adaptação do estilo do autor. Numa era de comics cheios de personagens elegantes e esguios o estilo quadradão marcou a diferença. É pena que chegue ao fim, mas ainda bem que acontece. Por vezes é bom um título terminar do que arrastar-se até à indefinição. Saindo do alinhamento, O.M.A.C. pode tornar-se um comic de culto. Tal como o Sandman de Neil Gaiman, que percebeu que para manter vivo o seu personagem tinha de o matar. E ao contrário de Swamp Thing, que após o período áureo de Alan Moore e Rick Veitch caiu na decadência da eterna repetição de temas às mãos de argumentistas menos talentosos.
Nunca se percebeu bem o que era Men of War. Prometia ser uma revitalização do clássico Sgt. Rock, mas seria necessária uma conjugação de talentos similar à de Kanigher e Kubert para o conseguir. Não parecia haver arco narrativo, perdido entre aventuras de um novo Sgt. Rock e histórias a puxar à lágrima patriótica baseadas nas missões de soldados americanos. Destaca-se pelo final. A última edição ficou a cargo de Jeff Lemire e este recriou GI Robot, outro personagem esquecido nos arquivos da DC, numa história despretensiosa, divertida e arrojada onde envolve Frankenstein, a S.H.A.D.E. e aventuras na segunda guerra. É um exemplo do interessante trabalho que tem desenvolvido no título Frankenstein: Agent of S.H.A.D.E., talvez o melhor da DC 52. O comic vai cair no esquecimento, mas o último número tornar-se-á uma lenda do género.
Os buracos no alinhamento da DC vão ser substituídos por novos títulos. Confesso que aguardo com expectativa o Dial H For Hero. Escrito por China Mièville... só se pode esperar boas coisas.
O.M.A.C. foi uma tentativa de revitalizar um personagem clássico de Jack Kirby, retirando-lhe o futurismo e colocando-o na linha de continuidade da DC. Falhou. Nunca assumiu aquilo que lhe dava graça, o ser uma explosão de acção em que uma criatura cibernética monstruosa lutava com prejuízo máximo em todas as edições com ameaças monstruosas ou outros heróis da linha de continuidade. Perdeu-se com revisitações a outros títulos falhados da DC (lembram-se do Checkmate?) e no desenvolvimento de uma linha narrativa às voltas com a vida pessoal do involuntário anfitrião da criatura. Limitou-se a retirar os elementos iconográficos do comic de culto em que se baseou - a criatura e o satélite inteligente Brother Eye e deixou de lado aquilo que transformou o O.M.A.C. original num clássico. Teve como pormenor interessante a homenagem explícita a Kirby pela adaptação do estilo do autor. Numa era de comics cheios de personagens elegantes e esguios o estilo quadradão marcou a diferença. É pena que chegue ao fim, mas ainda bem que acontece. Por vezes é bom um título terminar do que arrastar-se até à indefinição. Saindo do alinhamento, O.M.A.C. pode tornar-se um comic de culto. Tal como o Sandman de Neil Gaiman, que percebeu que para manter vivo o seu personagem tinha de o matar. E ao contrário de Swamp Thing, que após o período áureo de Alan Moore e Rick Veitch caiu na decadência da eterna repetição de temas às mãos de argumentistas menos talentosos.
Nunca se percebeu bem o que era Men of War. Prometia ser uma revitalização do clássico Sgt. Rock, mas seria necessária uma conjugação de talentos similar à de Kanigher e Kubert para o conseguir. Não parecia haver arco narrativo, perdido entre aventuras de um novo Sgt. Rock e histórias a puxar à lágrima patriótica baseadas nas missões de soldados americanos. Destaca-se pelo final. A última edição ficou a cargo de Jeff Lemire e este recriou GI Robot, outro personagem esquecido nos arquivos da DC, numa história despretensiosa, divertida e arrojada onde envolve Frankenstein, a S.H.A.D.E. e aventuras na segunda guerra. É um exemplo do interessante trabalho que tem desenvolvido no título Frankenstein: Agent of S.H.A.D.E., talvez o melhor da DC 52. O comic vai cair no esquecimento, mas o último número tornar-se-á uma lenda do género.
Os buracos no alinhamento da DC vão ser substituídos por novos títulos. Confesso que aguardo com expectativa o Dial H For Hero. Escrito por China Mièville... só se pode esperar boas coisas.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Sebastian O
Grant Morrison, Steve Yeowell (2004). Sebastian O. Nova Iorque: DC Comics.
Uma estranha mistura. Parte ficção vitoriana inspirada nas aventuras anti-moralistas de Oscar Wilde parte puro steampunk parte lição literária sobre simbolismo, Grant Morrison mostra-nos um final do século XIX alternativo, onde computadores vastamente mais poderosos do que os engenhos diferenciais de Babbage prometem a emergência de uma realidade virtual que se irá sobrepor ao real concreto. Para colocar um ponto final aos planos nefários do impulsionador desta hiperrealidade vitoriana, resta Sebastian O, dandy em busca de vingança mas que insiste em estar sempre bem vestido para a ocasião. A ilustração, com vislumbres surreais e steampunk de uma Londres utópica, faz jus às ideias em colisão de Morrison.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
120 Days of Simon
Simon Gärdenfors (2010). The 120 days of Simon : a graphic odyssey through Sweden. Marietta: Top Shelf.
Uma banda desenhada autobiográfica que recolhe as impressões de uma experiência intrigante: abandonar a casa durante cento e vinte dias, dormindo em casa de pessoas que se ofereceram para albergar o autor. Podia ser um interessante estudo, álbum de roadtrip onde a vastidão da individualidade humana ficasse patente nos retratos feitos pelo autor, mas não. Ficamo-nos por experiências to tipo fumei uns charros, comi umas garinas, bebi umas cervejas. O grafismo é interessante, fortemente estilizado e a remeter para o estilismo hip-hop com figuras simplificadas a preto e branco de contornos grossos. Se os cento e vinte dias do título remetem para a obra de De Sade, a sodoma deste autor é muito levezinha.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Fiapos de fumo
Sonhei com uma casa mágica multicolorida. O seu interior estava cheio de divisões indefenidas, espaços que se mesclavam, salas que se abriam para outras salas. A decoração era feérica, cheia de móveis vitorianos e coloridos objectos decorativos. Ao centro, uma enorme biblioteca cheia de livros com capas de cor viva cujas prateleiras forravam paredes que não pareceiam ter fim. A única constante eram finas colunas de ferro forjado ornamentadas. A casa era animada por uma estranha força, que ou partia do próprio edifício ou era um dos persoangens do sonho. A força parecia temível, mas esforçava-se por ser encantadora. Subitamente, algo se transformava num enorme carrocel de comboios ou barcos, cada um com as mais estranhas formas. Havia personagens, algumas faladoras outras silenciosas, e as maiores eram as mais caladas. Havia mistérios, que no meu sonho iam sendo desvendados. Alguns eram aparentes prisioneiros da casa, outros, cujas intenções eram maléficas, tinhma lá ido chegar mas o sonho não me deixou saber porquê. eu era observador intrigado, que assistia com deleite às transformações dos espaços que se mesclavam do edifício. Uma conspiração começava a tomar corpo, mas nunca cheguei a saber qual era. A banalidade do real interrompeu o delírio com um toque de mensagem no telemóvel. Custou saber que o sonho foi interrompido para jamais voltar, e a mente ficou, desesperada, a tentar fixar as imagens oníricas, mas foi um sonho. Memorizar um sonho nos seus ricos detalhes é como tentar agarrar fiapos de fumo.
Diz-se que Coleridge acordou de um sonho opiácio e daí começou a escrever o poema Xanadou. Teve melhor sorte em agarrar as imagens que o cérebro produz e desvanece do que eu.
Diz-se que Coleridge acordou de um sonho opiácio e daí começou a escrever o poema Xanadou. Teve melhor sorte em agarrar as imagens que o cérebro produz e desvanece do que eu.
The Great Return
Arthur Machen, The Great Return
Arthur Machen utiliza o artifício do jornalista que investiga estranhas ocorrências para reviver aspectos das lendas arturianas neste conto que nos leva a visitar uma plácida vila galesa à beira mar onde, no meio das trevas da I guerra, ocorre um curioso surto de bonomia. O interessante nesta obra é a forma como o autor só nos revela o cerne lendário quase no final. Leva o leitor a imaginar o que se terá passado para só nas últimas páginas do livro desvendar que o que causou as estranhas mas positivas ocorrências tem a ver com a aparição de guardiães do santo graal - aparição fugaz, que depressa se desvanece. Conto sólido saído da pena clássica do grande mitificador que foi este influente escritor inglês do fantástico. Disponível online aqui: The Great Return.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Scooped.
Pronto, aderi ao Scoop.it. Tinha uma certa desconfiança deste tipo de serviços web que alinham links colectados de forma bonitinha, mas percebi finalmente que este é uma boa alternativa ao defunto, saudoso e utilíssimo Del.icio.us. Já me fazia falta um serviço para arquivar os links relevantes que apanho nas redes da internet, e a partilha de links via facebook é altamente redutora - só chega a quem faz parte da lista de amigos, e é de gestão inexistente. Quantas vezes não andei pela minha timeline em busca daquela informação que seria tão útil...
Decidi organizar o meu scoop.it em quatro tópicos: F_C recolhendo ligações sobre ficção científica, Research_topic com ligações relevantes para os meus domínios de investigação (educação, tecnologia e vrml/x3d), Utilidades, com coisas úteis mas por vezes um pouquinho g33ky, e Outbreaks of Futurity com ideias, artigos, coisas intrigantes que surgem e nos fazem pensar no futuro, quer social, tecnológico ou histórico... do retro-futuro à bleeding edge cientifico-tecnológica.
E quanto ao Pinterest... andei por lá umas horas. Depois de uns minutos embasbacado com tanto eye candy, depressa cansei da repetição. Não encontro por lá nada que não haja mais interessante no Deviant Art ou em boa parte dos tumblrs que se vão acumulando nos feeds do meu google reader. Talvez daqui a uns tempos tenha alguma ideia para uso ao Pinterest. Ou então fica como mais um exemplo de transiência acelerada na impermanência da era digital.
Parece-me assim que se completam as vertentes da minha persona digital. Facebook para narrowcasting (o que eu gosto dos comentários offline de não percebo nada do que tu partilhas no face), blogs para coisas alongadas, este e o 3DAlpha, DeviantArt para imagens pessoais e Picasa para image dumps de coisas minhas e dos alunos, YouTube para vídeo, Babel X3D para as coisas do 3D e VRML, Scoop.it para ligações. Deixei alguma coisa de fora?
Decidi organizar o meu scoop.it em quatro tópicos: F_C recolhendo ligações sobre ficção científica, Research_topic com ligações relevantes para os meus domínios de investigação (educação, tecnologia e vrml/x3d), Utilidades, com coisas úteis mas por vezes um pouquinho g33ky, e Outbreaks of Futurity com ideias, artigos, coisas intrigantes que surgem e nos fazem pensar no futuro, quer social, tecnológico ou histórico... do retro-futuro à bleeding edge cientifico-tecnológica.
E quanto ao Pinterest... andei por lá umas horas. Depois de uns minutos embasbacado com tanto eye candy, depressa cansei da repetição. Não encontro por lá nada que não haja mais interessante no Deviant Art ou em boa parte dos tumblrs que se vão acumulando nos feeds do meu google reader. Talvez daqui a uns tempos tenha alguma ideia para uso ao Pinterest. Ou então fica como mais um exemplo de transiência acelerada na impermanência da era digital.
Parece-me assim que se completam as vertentes da minha persona digital. Facebook para narrowcasting (o que eu gosto dos comentários offline de não percebo nada do que tu partilhas no face), blogs para coisas alongadas, este e o 3DAlpha, DeviantArt para imagens pessoais e Picasa para image dumps de coisas minhas e dos alunos, YouTube para vídeo, Babel X3D para as coisas do 3D e VRML, Scoop.it para ligações. Deixei alguma coisa de fora?
domingo, 1 de abril de 2012
Bang #12
Quase a terminar a leitura do décimo segundo número da Bang!. Escrevo quase porque ainda não me dediquei à leitura dos contos. Não por desconfiança - a edição da revista tem um esforço notável na escolha da ficção, equilibrando clássicos com autores consagrados e novos escritores, sempre com boas surpresas literárias. Mas mais interessante para mim são os artigos de não-ficção, em que pessoas ligadas à ficção científica e fantástico partilham conhecimentos e pontos de vista sobre os elementos do género. E nisto a última edição da revista está bem recheada: António de Macedo a falar sobre o realismo de livros inexistentes, João Lameiras a mostrar como Ray Bradbury foi ilustrado em banda desenhada, David Soares a partilhar elementos obscuros ou Luís Filipe Silva num texto muito intimista entre a narrativa e o fluxo de ideias sobre os livros da sua vida, entre outros artigos notáveis. Mata a sede de conhecer mais sobre estes géneros culturais que se dedicam ao imaginário e à possibilidade do impossível.
Também interessante é a capa e o portfolio do ilustrador José Silva, a mostrar um domínio bleeding edge das ferramentas de criação em 3D mais avançadas. Quem sabe um pouquinho disto percebe a mestria do autor, embora pessoalmente não deixe de reparar que apesar do brilhantismo está firmemente ancorado na tendência hiperreal das artes digitais. O computador permite uma enorme multiplicidade de criações, e é duro chegar ao hiper-realismo com mestria. Por outro lado deixa de lado uma estética própria do digital, mas não faz parte do âmbito do tipo de ilustração e da revista andar por esses campos. Está bonito, e muito bem feito.
Agora resta dedicar algum tempo à ficção até que chegue a próxima. A Bang! está disponível gratuitamente nas lojas Fnac.
El otro Necronomicon
Antonio Segura; Jaime Brocal Remohí (1992) El otro Necronomicon. Barcelona: Toutain.
O interessante nesta colectânea de contos ilustrados livremente baseados na obra de H.P. Lovecraft é o seu grafismo, característico de um estilo e época. Criado por autores argentinos para uma iteração espanhola da lendária revista Creepy, destaca-se pela voluptuosidade do estilo gráfico recheado de iconografia tenebrosa desenhada a preto e branco. Monstros de além espaço, criaturas misteriosas, tumbas em ruínas, esqueletos horripilantes e sedutoras tentações: é o que este livro nos promete e nos dá. Basta ver pela tão clássica capa, ao sabor da ilustração de terror dos anos 70 e 80.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















































