Outro dos meus heróis que se desvanece. Estou triste.
Algumas imagens aleatórias. Sempre me fascinaram as suas visões arquitectónicas futuristas.
Aparentemente Neil Gaiman queria muito colaborar com Moebius. Não o conseguiu. Que perda.
Via Grantbridge Street, uma pequena amostra da obra deste autor.
sábado, 10 de março de 2012
Abandon the Old in Tokyo
Yoshihiro Tatsumi (2006). Abandon the Old in Tokyo. Montreal: Drawn & Quarterly.
Marcadamente pessoal, o manga de Yoshihiro Tatsumi faz-nos olhar para um Japão longe da iconografia oficial, que não o país de curiosos costumes, cultura fascinante e intricância de alta tecnologia com tradição. Sob o olhar do desenhador, mergulhamos em locais solitários de vidas perdidas, seguimos indivíduos incapazes de enfrentar a dissolução da alma em horizontes estreitos. A simplicidade do traço é enganadora. Estas não são histórias simples para entreter, mas viscerais reflexões sobre a solidão humana.
Eagle_cinemascope
Uma experiência. O Bryce tem diversos formatos de saída de imagem. Nunca tinha experimentado o cinemascope...
sexta-feira, 9 de março de 2012
Para lá da psico-pedagogia pop
Ken Robinson é já bem conhecido daqueles que tentam pensar diferente no monolítico sistema educativo. É interessante, pertinente, mas diz aquilo que gostamos de ouvir com um certo toque de psicopedagogia pop e do que já ouvi e li do seu pensamento oferece muitos exemplos divertidos mas sem grandes preocupações de aplicabilidade.
Este manifesto de Seth Godin atravessou-me o radar recentemente: cento e trinta e um pontos que detalham as problemáticas de um sistema educativo pensado para um modelo de sociedade que hoje se desvanece com ideias de actuação. Pode ser lido em Stop Stealing our Dreams (http://www.squidoo.com/stop-stealing-dreams)*
Já com uns anitos, mas enorme pertinência e peso académico, o artigo "All I Really Need to Know (About Creative Thinking) I Learned (By Studying How Children Learn) in Kindergarten" de Mitch Resnick (http://web.media.mit.edu/~mres/papers/CC2007-handout.pdf) detalha estratégias de actuação nalguns domínios do conhecimento centradas sobre o estimular da criatividade e não na elementar aquisição de conhecimentos. É dele também a frase que se tornou um dos meus mantras pessoais: Children have many opportunities to interact with new technologies – in the
form of video games, electronic storybooks, and “intelligent” stuffed animals. But rarely do children have the opportunity to create with new technologies”. Afirmação que lamentavelmente se aplica além do foco de investigação de Resnick.
* se por acaso descarregarem a versão epub para leitura em tablet/e-reader aconselho a recodificação do fluxo de texto no Calibre, senão vão precisar de óculos para ler as letras miudinhas. O livro estava ilegível no meu cybook e quando recodifiquei percebi porquê: corpo de letra fixado em 1pt.
Este manifesto de Seth Godin atravessou-me o radar recentemente: cento e trinta e um pontos que detalham as problemáticas de um sistema educativo pensado para um modelo de sociedade que hoje se desvanece com ideias de actuação. Pode ser lido em Stop Stealing our Dreams (http://www.squidoo.com/stop-stealing-dreams)*
Já com uns anitos, mas enorme pertinência e peso académico, o artigo "All I Really Need to Know (About Creative Thinking) I Learned (By Studying How Children Learn) in Kindergarten" de Mitch Resnick (http://web.media.mit.edu/~mres/papers/CC2007-handout.pdf) detalha estratégias de actuação nalguns domínios do conhecimento centradas sobre o estimular da criatividade e não na elementar aquisição de conhecimentos. É dele também a frase que se tornou um dos meus mantras pessoais: Children have many opportunities to interact with new technologies – in the
form of video games, electronic storybooks, and “intelligent” stuffed animals. But rarely do children have the opportunity to create with new technologies”. Afirmação que lamentavelmente se aplica além do foco de investigação de Resnick.
* se por acaso descarregarem a versão epub para leitura em tablet/e-reader aconselho a recodificação do fluxo de texto no Calibre, senão vão precisar de óculos para ler as letras miudinhas. O livro estava ilegível no meu cybook e quando recodifiquei percebi porquê: corpo de letra fixado em 1pt.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Influências
Os conhecedores da personagem Monstro do Pântano sabem que o seu período mais marcante foi a era lendária em que Alan Moore reinventou a personagem e, de caminho, deixou uma marca indelével no género dos comics. A acompanhar Moore tínhamos a estética gótico-surreal dos ilustradores Alfredo Alcala e Stephen Bissette, cuja iconografia marcou o personagem. Yanick Paquette e Scott Snyder têm isso claramente em mente na nova série da criatura dos elementos vegetais. E se dúvidas restavam, a capa do Swamp Thing #7 é bem explícita na homenagem aos tempos áureos da personagem.
The Lost Worlds of 2001
Arthur C. Clarke (1979). The Lost Worlds of 2001. Boston: Gregg Press.
Se este livro fosse um disco seria algo como B-sides e out takes de 2001. Arthur C. Clarke é um dos mais marcantes nomes da literatura de ficção científica mas é inquestionável que se tornou conhecido do grande público através da colaboração com o cineasta Stanley Kubrick no mítico filme 2001. A história desta obra-prima cinematográfica é bem conhecida, baseando-se num conto de Clarke que durante longas discussões entre este e Kubrick evoluiu para uma profunda meditação sobre as dimensões do homem no vasto cosmos. O filme foi acompanhado de um romance em que Clarke detalhou aquilo que a visão de Kubrick não projectou na tela.
Estes mundos perdidos de 2001 são o resultado do que nunca foi publicado, que foi cortado, eliminado ou tornado redundante. Mistura anotações das discussões entre o cineasta e o escritor e, mais interessante para um fã de FC, capítulos rejeitados do romance final, que se afastavam da visão marcante do filme, eram cinematograficamente impraticáveis ou simplesmente ultrapassados pela evolução das ideias fílmicas. Entre várias curiosidades, fiquei a saber que o computador HAL chamava-se originalmente Athena e não, o nome HAL não é uma paródia com a IBM. E, fascinante, foi poder ler os quatro finais alternativos que Clarke criou para a obra, cada qual um magistral voo de imaginação, dos quais apenas um nos dá um vislumbre das cenas psicadélicas com que Kubrick encerra um dos melhores filmes de ficção científica de sempre.
quarta-feira, 7 de março de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Vuzz
Philippe Druillet (1985). Vuzz. Paris: Dargaud
Visceral e surreal, esta fantasia violenta de Philippe Druillet está firmemente ancorada na iconografia da banda desenhada dos anos 60 e 70 do século XX. Num traço elegante e psicadélico, o autor mostra-nos o périplo de um anti-herói por entre um desolado mundo fantástico. A ler, para ficar a conhecer uma referência clássica da bande dessinée.
segunda-feira, 5 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
Universidade Católica - Cursos de Formação
A Universidade Católica Portuguesa lançou cursos de formação na área das Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. A lista completa de ofertas pode ser consultada na página da Escola de Pós-Graduação. A meu cargo está o curso de Formação Avançada em Introdução ao 3D Genérico onde serão utilizados alguns programas de modelação e animação 3D e VRML/X3D para criação de mundos virtuais em contexto educativo, mostrando como fazer de forma simples, incentivando a criatividade pessoal. É uma formação introdutória, destinada a todos os que gostariam de ter uma iniciação ao 3D e mundos virtuais. As inscrições podem ser efectuadas online. Para os que pensarem que é muito difícil... vou fazer aquilo que faço com crianças do 1º e 2º ciclos e que podem consultar no 3D Alpha.
Eagle II
A brincar com o modelo em VRML do Eagle que fiz para o mundo virtual Moon Films. A versão VRML é diferente, mantida na paleta de cores e sem texturas gráficas. E o Bryce vai servindo para criar umas imagens bonitinhas, cheias dos brilhos e reflexos que o VRML/X3D não permite.
Versão dois, em resposta a um desafio via facebook: porque não colocar uma imagem de fundo? E porque não construir um fundo, respondi...?
Versão 3. Cuidado, as naves começam a multiplicar-se. Aqui as luzes atmosféricas levariam a renderização para a órbita das doze horas, por isso limitei-me a luzes esféricas.
sábado, 3 de março de 2012
Inexistência do local
Para quem não viaja, a literatura de viagens pode-se tornar uma forma estranha de ficção. Para aqueles que ficam em terra porque o dinheiro não chega para os quilómetros que se deseja fazer, ou falta de inclinação para fazer as malas e ir até aos recantos mais recônditos do globo. Afinal, como saber se o Japão percepcionado por Pico Iyer, o Chile percorrido por Luís Sepulveda, a América de Stephen Fry ou a vastidão da Patagónia descrita por Bruce Chatwin são locais reais, ou fragmentos da imaginação dos escritores? Sem lá ir, sem sentir o vento frio e a arquitectura das regiões distantes, nada nos garante que as palavras dos autores descrevam sítios tão imaginários como as féericas cidades invisíveis de Ítalo Calvino. Certo, estou a exagerar. Mas não resisti a este pensamento tido ao ler as primeiras páginas de Hav por Jan Morris, um guia de viagem a um local inexistente que aquando da sua publicação levou a solicitações sobre agências de viagens por parte de turistas aventurosos que gostariam de conhecer a cidade-estado presa à costa turca por um istmo montanhoso...
Não consigo deixar de pensar que todas as viagens literárias são no fundo périplos à volta do nosso quarto, como observaria De Maistre. O mundo é um local real, e podemos sempre pontapear pedras como o bispo de Berkeley para o demonstrar, mas a percepção que temos do mundo reside apenas dentro do nosso espaço mental. Uma duplicidade tão humana que pode tornar inexistente um local real.
Não consigo deixar de pensar que todas as viagens literárias são no fundo périplos à volta do nosso quarto, como observaria De Maistre. O mundo é um local real, e podemos sempre pontapear pedras como o bispo de Berkeley para o demonstrar, mas a percepção que temos do mundo reside apenas dentro do nosso espaço mental. Uma duplicidade tão humana que pode tornar inexistente um local real.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Comics
From Hell: Alan Moore canaliza a dèrive de Iain Sinclair num capítulo onde a colisão entre arquitectura e misticismo é revelada pelas divagações de William Gull. O traço expressionista de Eddie Campbell dá alguma crueza ao ar misticista.
Clive Barker's Hellraiser #11: a Boom! Studios repescou o clássico Hellraiser mas inverteu os papéis. Digamos que a Kristin é agora a Pinhead. De caminho, uma reflexão sobre estados de alma. Sempre sem remorsos, mas há dias fáceis e outros nem por isso.
Green Wake #10: lamentavelmemte, apesar das excelentes críticas, este comic termina por falta de vendas. É pena. Green Wake era um comic surral, obscuro, misterioso, com um grafismo de excelência e uma longa meditação sobre o poder dos sonhos. O final parece apressado, com a revelação do mistério por detrás de Green Wake... que afinal se mostra pouco bombástico. Um inferno diferente. Para a memória (e para a estante quando sair o TPB) fica um dos comics mais interessantes do último ano.
Flash Gold
Lindsay Buroker (2011). Flash Gold
Uma leitura rápida e com algum interesse é o que encerram as páginas digitais deste que assinalo como o primeiro livro que leio da nova vaga de escritores que escrevem e editam directamente em suporte electrónico. Flash Gold é uma curta, algures entre a novela e o conto, que mescla o western e o steampunk numa aventura passada nos gelos canadianos. O mote é uma corrida onde um engenho a vapor compete com os tradicionais trenós puxados por cães, mas o enredo desenvolve-se à volta de criminosos que perseguem a detentora de um segredo de engenharia e magia e um estranho que se voluntaria para a ajudar.
O parco desenvolvimento dado às personagens e o sucedâneo da acção em sacões leva-me a pensar que um editor teria feito jeito a esta autora. Apesar destas falhas, é uma leitura divertida.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Shutterbug Follies
Jason Little (2002). Shutterbug Follies. Nova Iorque: Doubleday.
Se o enredo desta obra não é particularmente fascinante, andando às voltas com um certo voyeurismo, crimes e lojas de revelação fotográfica, é na ilustração que Shutterbug Follies encanta. Desenhado num misto de linha clara de Hergé com o urbanismo de Daniel Clowes ou Adrian Tomine, esta obra agarra pela sua qualidade estética. Tem alguns momentos de brilhantismo, ao colocar-nos na posição de espectadores ávidos que contemplam a intimidade humana registada nas banais fotografias pessoais.
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