Frankenstein: Agent of S.H.A.D.E. é o melhor comic da DC. Ponto. Jeff Lemire e Alberto Ponticelli atacam a cada nova edição com humor corrosivo, referências culturais e argumentos assumidamente insanos. Sempre a ultrapassar as expectativas. O número seis glosa Watchmen e Coração das Trevas/Apocalypse Now com o inimitável Frankenstein e o seu grupo de heróis monstruosos a subir o Mekong para eliminar uma relíquia da guerra do Vietnam enquanto na base da semi-oculta agência S.H.A.D.E. a Noiva de Frankenstein se vê a braços com uma rebelião de humanóides tornados semi-conscientes por um vírus informático que libertam monstros verdadeiramente... monstruosos. Já agora, convém referir que a noiva de Frankenstein é... a ex-mulher divorciada do icónico monstro.
Alguém se lembra do Dr. Manhattan e o Comediante em andanças pelo Vietname nas páginas do sublime Watchmen de Allan Moore e Dave Gibbons? Lemire e Ponticelli recordam-se.
Amizade e companheirismo entre camaradas. Adorável cara de asco da Múmia.
Quando o Capitão Willard encontra o ensandecido Capitão Kurtz no templo na floresta profunda. Cena clássica do filme Apocalypse Now, com Marlon Brando e a clássica linha o horror! o horror!. Revista com monstros radioactivos.
Para terminar, um momento de solidariedade libertária feminina com pistolas automáticas.
Sem pretenciosismos, profundamente divertido, este é um título que está cada vez melhor.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Bloody Ukiyo-e In 1866 & 1988 (The New Atrocities In Blood)
Suehiro Maruo, Kazuichi Hanawa (1988). Bloody Ukiyo-e In 1866 & 1988 (The New Atrocities In Blood). Yubari Books.
Deliciosamente sangrento, cheio de ilustrações que fazem o leitor mais incauto sentir-se culpado de sequer ter folheado o livro. Inspirados em lendas tradicionais e atrocidades modernas, Suehiro Maruo e Kazuichi Hanawa glosam as trinta e seis vistas do monte Fuji de Hiroshige com vinte e oito visões violentas de crimes de sangue. Hanawa parte com uma estética tradicional, que nos remete para a arte japonesa clássica. Fiel a si próprio, Maruo usa um traço art-deco decadente na representação fascinante de visões repelentes. Não é um livro para estômagos fracos, onde o sentimento de proibido se mescla com a beleza repugnante das ilustrações.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Isis
Douglas Clegg (2009). Isis. Nova Iorque: Vanguard Press.
A passagem à puberdade, o sentimento de perda por alguém que se ama e antigos mitos e lendas colidem nesta surpreendente e intimista história de assombrações que regressa ao mito egípcio de Isis e Osíris. Numa mansão aristocrática da cornualha, uma rapariga vive no meio de antigas lendas e ao perder tragicamente o irmão favorito encontra uma forma de o trazer de volta do mundo dos mortos. Mas há um preço a pagar, trágico e elevado, que irá para sempre amargurar o seu espírito. Escrito numa prosa contida e sintética, tem um encanto adicional pelas ilustrações que acompanham as palavras.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
100%
Paul Pope (2005). 100%. Nova Iorque: DC Comics.
Um jovem universitário em crise criativa vive de limpar mesas num bar e apaixona-se por uma elusiva dançarina. Um boxeur procura redimir-se de abandonar a mulher que ama para enriquecer com a carreira, dando-lhe o dinheiro para criar o negócio com que ela sonha. Um artista iconoclasta debate-se com a necessidade de reconhecimento académico e o impulso de criar arte independente. Estas três narrativas cruzam-se em 100%, ode futurista de Paul Pope passada num futuro próximo distópico onde a pornografia se deslocou para o interior orgânico do corpo.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Pérolas da MPP.
Confesso. Nas longas viagens pelas auto-estradas do país, tenho um vício para combater o tédio do asfalto e do borrão verde da velocidade na paisagem: ouvir rádios populares, locais, que passam a música popular portuguesa que nós sobranceiramente apelidamos de pimba. Que é sempre igual e levemente ridícula. Mas permite momentos e tem letras que são verdadeiras pérolas.
A voz fanhosa de menino do locutor que não se entendia bem com os botões de volume pergunta ao ouvinte que telefona a quem gostaria de dedicar uma canção. "Ê gostava de dedicar esta música prá minha mãe, minha mulher, filhos e gente da aldeia". E o que é que sai? Quim Barreiros a cantar "bonito bonito é os tomates a bater no pito". A sério. Freudiano com laivos de qualquer outra coisa de inominável. Dedicar isto aos filhos dá um certo ar de incesto pedófilo. E quanto aos vizinhos... bem, cada um sabe das suas vidas e das suas aldeias. Filhinho orgulhoso da mamã, que lhe dedica lindas canções.
Após saltitar entre frequências, regresso à estação da pérola anterior e deparo-me com uma canção de elevadíssimo nível poético.
"Se estiveres a ver o céu azul sem nuvens
e começar a chover
são as minhas lágrimas que molham o teu corpo".
Suave, lamechas e levemente surreal. A estrofe seguinte dá um novo ar à canção:
"Se fores ao cemitério e a minha campa estiver molhada
são as lágrimas que os meus olhos verteram por já não te poder ver".
Ui. Música pimba com um toque gótico em tons de bailinho da paróquia.
Pérolas. Tesouros ocultos nas ondas hertzianas que cobrem as vastidões interiores deste país. Escrevo estas palavras com um sorriso nos lábios. A malandrice intencional soa sempre mal, mas a inocência poética faz ir às lágrimas com riso.
A voz fanhosa de menino do locutor que não se entendia bem com os botões de volume pergunta ao ouvinte que telefona a quem gostaria de dedicar uma canção. "Ê gostava de dedicar esta música prá minha mãe, minha mulher, filhos e gente da aldeia". E o que é que sai? Quim Barreiros a cantar "bonito bonito é os tomates a bater no pito". A sério. Freudiano com laivos de qualquer outra coisa de inominável. Dedicar isto aos filhos dá um certo ar de incesto pedófilo. E quanto aos vizinhos... bem, cada um sabe das suas vidas e das suas aldeias. Filhinho orgulhoso da mamã, que lhe dedica lindas canções.
Após saltitar entre frequências, regresso à estação da pérola anterior e deparo-me com uma canção de elevadíssimo nível poético.
"Se estiveres a ver o céu azul sem nuvens
e começar a chover
são as minhas lágrimas que molham o teu corpo".
Suave, lamechas e levemente surreal. A estrofe seguinte dá um novo ar à canção:
"Se fores ao cemitério e a minha campa estiver molhada
são as lágrimas que os meus olhos verteram por já não te poder ver".
Ui. Música pimba com um toque gótico em tons de bailinho da paróquia.
Pérolas. Tesouros ocultos nas ondas hertzianas que cobrem as vastidões interiores deste país. Escrevo estas palavras com um sorriso nos lábios. A malandrice intencional soa sempre mal, mas a inocência poética faz ir às lágrimas com riso.
Guimarães
O leitmotiv foi a presença no coração amarelo de EVT na praça do Toural, mas de caminho aproveita-se para conhecer a encantadora cidade. O ar gélido que se fazia sentir dava-lhe mais encanto. A programação da capital europeia da cultura despertou o apetite, particularmente nos workshops sobre media artísticos digitais.
Dia da Internet Segura
Para assinalar o dia da Internet Segura a 7 de Fevereiro, foi criada uma no site do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro. Ao longo da semana serão colocados e destacados conteúdos sobre este tema. A página será mantida após o finalizar da iniciativa.
Página Internet Segura
SeguraNet 2012.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
The Art of the Video Game
Josh Jenisch (2008). The Art of the Video Game. Philadelphia: Quirk Books.
Os jogos de vídeo são uma das mais populares e inescapáveis formas de entretenimento
contemporâneo. Têm uma estética própria, misto de hiper-realismo propiciado por cada vez mais potentes processadores e dinâmica temporal acelerada. Mas serão uma forma de arte? Talvez não no sentido académico, de arte enquanto questionar da realidade e do seu próprio sentido, mas são-no certamente enquanto produto estético de massas. São, essencialmente, uma versão digital de constructos como perspectiva e teoria da cor, aplicados com resultados intencionalmente espectaculares. Como arte, são altamente formalistas. A estética dos jogos assenta sempre num realismo que vai da estilização à recriação mais que perfeita de realidades reais ou imaginárias. A perfeição dos ecrãs de jogo remete-nos para formas anteriores de pintura realista, boa parte da qual se encontra a acumular pó nas reservas dos museus mas que na sua época foi laureada com prémios académicos. É um dos paradoxos das artes: os gostos públicos, académicos, de época, podem não sobreviver à passagem do tempo. Mas nem por isso deixam de ser válidas expressões artísticas.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Gangland
Brian Azzarello, et al (2000). Gangland. Nova Iorque: DC Comics
O crime e o castigo, ou a impunidade, vistos pela quadrícula da vinheta. Crimes e prevaricações, histórias tristes de final infeliz, violência gratuita e muita ironia são os condimentos de Gangland. Colectânea de histórias curtas escritas e ilustradas por alguns dos mais representativos criativos ligados à DC Comics - Vertigo, mostra o que se espera. Argumentos sólidos e ilustração que não se fica pelos limites da BD comercial.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Distrust That Particular Flavor
William Gibson (2012). Distrust That Particular Flavor. Nova Iorque: Penguin.
William Gibson é uma curiosa escolha para guru cultural. Influente escritor de Ficção Científica, é conhecido do grande público por ter cunhado o termo ciberespaço no romance Neuromancer, seminal para o género cyberpunk. Sendo um daqueles escritores que tem o dedo no pulso da época contemporânea, evoluiu estilisticamente para reflectir na sua obra os aspectos menos visíveis e potencialmente arrepiantes do admirável mundo novo acelerado pelo digital que tanto nos deslumbra. É esta a faceta que mostra nesta colecção de artigos e ensaios que versam essencialmente sobre o impacto social da hipermodernidade actual, quer seja ao olhar para o ultramodernismo tecnológico nipónico, os vícios e gostos do mundo online ou as culturas agora indistinguíveis do impacto dos novos media. Após ler este livro, quase me sinto tentado a olhar Gibson como um McLuhan dos tempos do agora, utilizando a literatura como forma de despertar para o facto de que os media nos quais estamos mergulhados modificam as formas de pensar, viver e conceber o mundo. Gibson, felizmente, é suficientemente capaz de discernir que as boas reflexões sobre Ficção Científica são na verdade reflexões sobre as épocas contemporâneas e não projecções com pretensões a prever o futuro.
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