terça-feira, 24 de janeiro de 2012

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I am miss Wanita Efua,a young and attractive single girl.I am here to meet new people,seek for friends or maybe more than friends,my life has been boring and i need a change..

A sério? Assim caidinha na minha caixa de email? Atracção fatal à distância de código binário? E acha mesmo que caio nisso...? Report as spam.

Teatro Grottesco


Thomas Ligotti (2008). Teatro Grottesco. Londres: Virgin Books.

Não é uma leitura simples. A prosa densa de Ligotti mergulha-nos em sufocantes mundos oníricos contidos na estrutura rigorosa do conto literário. O autor não descreve acontecimentos, descreve antes as sensações dos narradores das diferentes histórias. A impressão que fica após a leitura é similar à de acordar de sonhos profundos e perturbantes, um conjunto de imagens desconexas cujos significados nos escapam. Este autor é visto como um herdeiro de Lovecraft, mas ao ler a sua obra fica-se com a sensação que a herança se fica pela escrita densa e intricada. A temática é radicalmente oposta, mais próxima das fantasia introvertidas de Borges do que dos mitos do escritor de Providence. É esse onirismo feito de obscuridade, de uma sensação de normalidade suspensa, que dá vida aos contos coligidos em Teatro Grottesco.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Professores, Alunos e Facebook

O jornal inglês Guardian publicou um artigo onde se relata que não é boa ideia que professores aceitem alunos como amigos nas redes sociais, citando casos de conduta inapropriada por parte de alguns professores. Faz algum sentido. E agora faço como nos alcoólicos anónimos. Levanto-me e digo: sou professor e parte dos meus amigos no Facebook são alunos, actuais e antigos.

Quando a rede social mais utilizada rebentou na cultura de massas e começou a ser utilizada abertamente, embora em desrespeito pelas regras do site, por crianças, comecei a receber pedidos de alunos. E fiquei perante um dilema. Não aceitar o pedido seria a versão digital pós-moderna de não cumprimentar um aluno na rua. Aceitar seria abrir a porta para problemas possivelmente graves. Para resolver este dilema escolhi uma solução que me pareceu óbvia - adoptar um código pessoal de conduta no Facebook.

Não recuso pedidos dos alunos. E se em seguida vierem pedidos de encarregados de educação, também não os recuso. São bem vindos, e é sinal que estão atentos à vida digital dos filhos.  Pautuo as minhas interacções digitais por duas regras: não iniciar contactos e se uma criança contactar evitar conversar. O que significa que se estiver online e surgirem mensagens de chat de alunos, a minha resposta é um neutro smiley. Só se me for colocada uma questão específica é que uso mais do que a combinação de dois pontos e ponto e vírgula. Evito igualmente likes no conteúdo publicado por alunos. Resumo a interacção à resposta ao pedido de amizade. E se os alunos questionarem, digo-lhes expressamente que apesar de os ter aceite como amigos não considero apropriado que estejamos a conversar fora da sala de aula. Creepy é a expressão que utilizo.

Outra regra com utilidade para lá desta questão específica, é evitar publicar conteúdos inapropriados. O que significa que aquela imagem com uma rapariga bonita de seios desnudos que seria tão giro partilhar com um comentário para os meus amigos... não é partilhada (e como bónus ainda evito ofender e enfurecer sensibilidades femininas). A mesma regra se aplica a vídeos, ligações páginas ou até mesmo aqueles comentários com palavras escatológicas de cinco letras. Se é potencialmente ofensivo, não é boa ideia partilhar, a menos que se esteja a cultivar uma imagem de troll das pontes binárias.

Estão a ver aquelas fotografias tiradas naquela grande noite de copos de bar em bar em que estamos num estado próximo do lastimoso? Ou fotografias mais inócuas mas similarmente pessoais? Se calhar não é boa ideia colocá-las no Facebook. E mesmo que não tivesse crianças a seguir a linha de tempo seria à mesma má ideia. Se se quiser mesmo partilhar, basta ter algum cuidado e seleccionar quem tem acesso ao conteúdo. Aqui a minha regra é manter tudo público, excepto conteúdos específicos que partilho com um número restrito, muito restrito, de pessoas. Aquilo que colocamos online, por inerência do próprio meio, é visível e acessível por muito que queiramos acreditar no contrário. Uma das grandes questões não respondidas do potencial censório da tecnologia é precisamente o hábito cada vez mais instalado de instituições analisarem perfis pessoais de funcionários e candidatos a empregos, levando muitas vezes a repercussões públicas sobre comentários ou posturas privadas que noutras eras seriam invisíveis a estas entidades.

Nesta era hiper-ligada, em que estamos sempre ou quase sempre online, a vida digital tornou-se uma importante extensão da nossa forma de estar. E tal como fazemos na vida real, se queremos ser eficazes acabamos por adoptar uma persona digital, através da face da nossa individualidade que escolhemos mostrar ao mundo. O conteúdo que colocamos online, associado à nossa pessoa (porque há o enorme oceano de pseudónimos e anonimatos) reflecte aquilo a que queremos ser associados. Pessoalmente, adoptei uma persona semi geek semi artística e literata, que partilha informação que lhe cruza o radar sobre vida digital, tecnologia, ciência, actualidades e arte, bem como algo do que produz. Curiosamente, ouço muitas vezes na vida real comentários do tipo "bem, o professor coloca coisas tão estranhas" ou "não percebi nada do que partilhaste". Ainda bem. Se perceberem é porque já conhecem. Senão, é algo novo a descobrir, que é o grande valor deste admirável mundo novo digital, este vasto oceano de cultura que está acessível através da rede.

The ODD Squad


Todd Livingston, Fraim Brothers (2009). The ODD Squad. Chicago: Devil's Due Publishing.

Parte de uma premissa interessante, mas dissolve-se num humor demasiado elementar e num estilo de ilustração que parece prometedor mas não é levado muito longe. The ODD Squad é mais uma variante da linha narrativa de grupo de pesquisa e investigação de fenómenos ocultos constituído por cientistas desacreditados, pessoas de bizarras capacidades paranormais e cépticos agentes da lei. Soa familiar, não soa? Este comic tenta explorar esta variante com um toque de humor, mas acaba por não se afastar da simplicidade excessiva e de um certo estilo de cartoon que lhe faz perder o interesse. O iZombie, em grande parte graças ao estilo deliciosamente retro/cartoon em que é ilustrado, cumpre precisamente o que este ODD Squad promete.

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Lindsay Lohan capa da Playboy, janeiro de 2012. Totalmente irrelevante. Apenas interessado no lado conceptual de executar um databending à mais recente capa da revista. A sério. Nem os artigos me interessam.

Noutras reflexões, executar bends a imagens com forte componente de vermelhos cria resultados muito saturados. Se o resultado exacto de um processo de bending com o audacity é imprevisível, alguns padrões começam a surgir.

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domingo, 22 de janeiro de 2012

bettie_page_bent_II




Treze processos.

Sex Symbol Fashion Victim



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Old sex symbols never die.

Lisboa sem ferro nem fogo

Hoje, em Lisboa, centenas de pessoas marcharam pacificamente para manifestar a sua indignação com o estado geral das coisas e as políticas governamentais. Poderiam ser mais, deveriam ser mais, e certamente que serão mais há medida que mais portugueses sentirem na pele o resultado de medidas de austeridade que parece desenhadas apenas para esfolar as classes médias e baixas do pouco que ainda têm. Horas depois, ver a cobertura televisiva quase dá vontade de rir. Se a RTP cobre a manifestação de forma isenta, a SIC destaca as pequenas acções violentas mas acaba por dar visibilidade ao lado pacífico da iniciativa. Já a TVI decide-se pelo sensacionalismo e faz parecer que Lisboa ficou a ferro e fogo debaixo de violentíssimos confrontos entre manifestantes.

Bem, eu estive lá. Por puro acaso, estava muito próximo do momento violento e apesar disso mal me apercebi do que aconteceu, tal a brevidade do triste acontecimento. Pouco mais vi do que o fumo de flares e uma rápida intervenção policial. Apercebi-me sim de uma marcha de cidadãos que independentemente das suas crenças políticas prescindiu de uma tarde de tradicional descanso para juntar a sua presença a uma manifestação de descontentamento pelo rumo que o país leva. E ao contrário do que foi veiculado por dois dos canais televisivos generalistas, não foi um momento de violência e confrontos.

Os meus familiares mais próximos telefonaram-me preocupados com o meu bem estar, ao ver as notícias sobre a manifestação. É um pequeno pormenor que sublinha a falta de isenção e baixa qualidade de algum jornalismo sujeito a diktats de linhas editoriais representativas da influência de grupos de interesse. Mas talvez não seja conveniente mostrar ao país que há pessoas que não estão de acordo com o estado das coisas. A falta de comodismo não ajuda às audiências de reality shows cretinos.

sábado, 21 de janeiro de 2012

bettie_page_bent

Bettie Page, databent. Imagem original em escala cinzenta, recodificada em muito baixa resolução. Editada no Audacity como waveform estéreo, canais separados, com filtros echo, decay, phaser, wahwah e delay. Nove resultados recombinados no Gimp com efeitos de camadas.



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

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 Dez databends sobrepostos.



Operation: Broken Wings, 1936


Herik Hanna, Trevor Hairsine, Sébastien Lamirand (2011). Operation: Broken Wings, 1936. Los Angeles: Boom! Studios.

Se a história tem uma premissa prometedora, é no grafismo que esta série se distingue. O argumento leva-nos à Alemanha nazi dos tempos que antecedem a II Guerra Mundial e às aventuras de um eficiente agente secreto da Wermacht cujas acções parecem trair o regime, mas acabam por ser um elaborado roubo das riquezas de um herdeiro da família real germânica. É neste resvalar de conspirações anti-nazis para uma banal história de assaltos que esta obra perde o interesse. O estilo expressivo da combinação de esforços do ilustrador Trevor Hairsine e do colorista Sébastien Lamirand dão ao comic um ar indefinido e expressionista, que se sobrepõe à desilusão da narrativa argumentada por Herik Hanna.

Databending com o Audacity

Tutorial Databending com Audacity

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Com um sorriso nos lábios, diz-se que os rapazes serão rapazes e perpetuam-se no mainstream revistas degradantes para a condição feminina, propagandistas de uma iconografia sexualizante feira de artificialidade, banalidade e redução. Assim sendo... vamos reduzir a pixels os que reduzem pessoas a partes de corpos?