sábado, 6 de junho de 2009

Atelier Animação 3D



Experiências de animação 3D em Bryce criadas por alunos do 5º ao 9º ano no atelier Modelação e Animação 3D no dia do Departamento de Expressões do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro, dinamizado por mim com a colaboração de quatro alunos que me ajudaram a demonstrar algumas técnicas elementares de animação e modelação 3D. O vídeo é uma colagem de animações curtas criadas experimentalmente pelos visitantes ao atelier, à razão de um segundo (quinze frames) por aluno. Daí a simplicidade do elemento animado.

E pronto.



Os cinco gatinhos resgatados da rua já têm todos o seu dono. Espera-os uma vida de bicho mimado. Confesso que o último me custou um bocadinho a dar...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

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Hora de recolher à toca.

Então e onde é que eles estão?

Dia passado nas actividades do dia do meu departamento disciplinar, a animar ateliers - no meu caso, um de modelação e animação 3D. Coadjuvado por alunos de sexto ano. Dia passado com um olho no burro e outro no cigano, dedicado
à educação visual e tecnológica vertente digital mas sempre à espera da entrega dos famigerados quadros interactivos. A entrega, prevista para dia 8 de maio, iria decorrer hoje.

À hora marcada aparecem-me dois técnicos prontos para o trabalho. Perguntei-lhes logo onde é que estavam os quadros. Então mas ainda não os receberam, responderam? Bem, não, supostamente viriam hoje fazer a entrega e montagem. Os técnicos entreolharam-se, ligaram ao supervisor, e resmungaram qualquer coisa sobre a sanidade económica de serem pagos à montagem e de se deslocarem da margem sul para não efectuarem um quarto dos serviços previstos. Mais uma vez a entrega de quadros interactivos decorreu na normalidade: marcaram a entrega, não apareceram e deixaram tudo pendurado. Despedi-me deles e fui possesso para o executivo refilar com a incompetência destas entregas. Felizmente já não é a primeira desfeita, e por isso não reservei as salas de aula necessárias para a montagem. Ou montariam nos tempos disponíveis, ou aguardariam até ao final do dia. Ou então chegariam e... nada. Francamente já o suspeitava. Bendito PTE e benditas empresas de adjudicação directa que tão bem fazem o trabalho para o qual foram pagas com o dinheiro dos nossos impostos.

Agora é hora de fazer precisamente nada. Longo dia a finalizar uma longa semana. Ouvir música, ler comics e habituar o último dos cinco gatinhos à presença humana. Dar um bocadinho de descanso ao processador. E para amanhã ficam os videos feitos pelos alunos no atelier.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

sudo get-sandwich



Os 25 melhores cartoons sobre programação. Hilariante. (nota: sudo é o comando de super-utilizador linux - omnipotente no sistema.

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Oito e meia da manhã. Aula, interrompida para reiniciar o router de acesso e os switchs principais. Enquanto os alunos trabalhavam tentar recuperar uma máquina com erro no sistema operativo e drive de cds frita (arrisquei uma usb mas sem grande sucesso). Dez horas, cigarrinho do intervalo interrompido por auditoria à futura rede. Onze horas, aula, interrompida por urgência na secretaria às voltas com permissões no servidor (que eu pensava que tinha resolvido à três dias) e acessos a servidores de email. Meio dia: montar um dos novos pcs, retirar definições de fábrica e ligar no domínio local. Correu bem, mas quando tentei fazer a coisa no andar de cima não consegui aceder ao domínio. Estranho. Duas da tarde: momento auto-imposto de relax. Duas e meia: começar a montar as coisas para a actividade de amanhã - demonstrações de modelação e animação 3D. Cinco e meia: reunião. Sete horas: sair da escola após certificar-me que as coisas informáticas estão preparadas para amanhã. Vale é que para a semana temos feriados...

terça-feira, 2 de junho de 2009

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Depois de doze horas seguidas na escola, a montar exposições, a dar aulas, a resolver problemas com o sistema informático e uma reunião de três horas, só tenho vontade é de recolher à toca.

Miracleman



Wikipedia | Miracleman

Originalmente um clone inglês de um personagem clássico da Fawcett, Miracleman ganhou notoriedade graças a uma série de dezasseis volumes escrita por Alan Moore e originalmente publicada na revista britânica Warrior.

Pegando no personagem simplista que copiava discretamente o clássico Capitão Marvel dos anos 40 e 50, Moore remisturou brilhantemente os conceitos do comic de heróis com uma certa visão nietzschiana. O autor repesca o personagem anós após a sua última aparição, amnésico, casado e com uma vida banal. Recuperando a sua memória, Mircleman, o homem milagroso, embarca numa viagem de descoberta em que nada é adquirido. Nos primeiros números, a história parece desenrolar-se da forma habitual, com um personagem a descobrir a sua mitologia de poderes concedidos por seres cósmicos. Parece banal, típico de milhentas personagens do género, e Alan Moore depressa nos tira o tapete com um arco mais negro, onde os mitos super-heróicos são revelados como constructos psicológicos gerados por cientistas sem escrúpulos que adaptaram tecnologias alienígenas na criação de mutações de seres humanos, na busca de um homem perfeito. Os ingredientes são interessantes - alienígenas, conspirações governamentais, super-homens nietzschianos com laivos de übermensch nazi, mas Moore não se fica por aqui.

Ressuscita um dos companheiros de Miracleman como o seu oposto - um mal absoluto. Envia Miracleman ao espaço para conhecer duas avançadas civilizações que se debatem com o que fazer com um planeta que contém mais que humanos. Como apoteose, gera uma terrível batalha entre o bem e o mal - entre o super-homem milagroso e o super-homem diabólico que arrasa Londres e se desenrola com um sadismo pouco habitual nos comics (que, à época, gerou controvérsia). Ilustrado por John Totleben (que acompanhará Moore na recriação de Swamp Thing), este número vive de cenas tétricas de violência infernal de fazer inveja às visões do inferno de Hyeronimus Bosch. No clímaxe da história, momento em que Moore abandona a série, Miracleman conduz o planeta para uma utopia social, tornando-se o regente de uma ditadura benevolente que engloba todo o globo, erguendo um novo olimpo onde vivem deuses reais.

Esta evolução, bem como a mestria habitual da arte dos comics saída de Alan Moore, tornaram esta série um marco de culto na história da banda desenhada. Miracleman ainda durou mais uns números, agora sob tutela de Neil Gaiman que optou por histórias pessoais ao invés de grandes arcos mitológicos. São estilos de abordagem que caracterizam os autores: mais tarde, Moore reiventará o clássico Swamp Thing de acordo com linhas ecológicas e mitológicas, e Neil Gaiman entretecerá uma mitologia a partir de retratos de vidas comuns tocadas por magia ao reiventar The Sandman.

Miracleman é um comic difícil de encontrar, mergulhado em litígios legais entre editores e autores sobre quem detém os direitos de autor, o que impossibilita a sua republicação.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

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Calores.

The Bradleys



Peter Bagge, 2004. The Bradleys. Seattle: Fantagraphics Books

The Bradleys

O traço estilizado e o humor negro corrisivo de Peter Bagge são uma das constantes do comic artístico. Ao longo dos anos Bagge zurze nas convenções, impiedosamente, com o seu estilo sintético de imagens repelentes que comunicam de forma eficaz as críticas do autor. Entenda-se repelente como "desafiador de convenções". Bagge não é um daqueles autores apostado em criar visões cor-de-rosa da realidade que observa.

Originalmente publicado nas páginas da revista Hate Comics, The Bradleys é uma visão negra da família nuclear americana dos anos 80, aliás, uma visão negra da família nuclear. Os Bradleys têm mais vícios do que virtudes e Bagge explora-os com um violento e insolente humor.

SOS?

O que é que aconteceu ao sol? Eu a preparar-me para um mergulhinho agora de manhã e só se vê é nevoeiro.

domingo, 31 de maio de 2009

sábado, 30 de maio de 2009

Leituras

Mars Landers May Have Erased Evidence Of Life Ooops... parece que o combustível e os métodos de pesquisa de vida em marte têm o pequeno defeito de eliminar matéria orgânica sem deixar vestígios.

Brazilian Household-Object Drug Concoctions Não tentem isto em casa: o que fazer quando se é un junkie inveterado e já não há dinheiro para comprar produto? Beber um chá de cassetes VHS e pilhas alcalinas, inspirar o gás de buzinas ou cheirar a mistura de éter com acetona são algumas das horríveis receitas utilizadas por toxicodependentes desesperados.

Manga collector faces 15 years in jail because some of his comics included sexual images of children Cuidado com as colecções. Aparentemente, o coleccionador na notícia é coleccionador indiscriminado de mangá e está prestes a servir uma pena de quinze anos de prisão por pedofilia apesar de não ser pedófilo nem ter molestado crianças. O crime? Entre a sua vasta colecção encontram-se mangás nipónicos x-rated.

Google Wave: Google Tries to Reinvent Email A curiosidade aguça-se. Ainda não tive tempo para ver o vídeo que apresenta este novo recurso onlune, mas pelo que li promete ser o futuro da comunicação digital: uma plataforma integrada de comunicação que envolve partilha, mensagens e colaboração em tempo real. Por enquanto só está acessível a programadores.

Pick The Perp Vamos testar estereótipos? Este jogo obriga-nos a escolher, dentro de um alinhamento de cinco potenciais criminosos, qual terá sido o que cometeu o crime sobre o qual foi feita a acusação. O trunfo do jogador? A capacidade de julgar pelas aparências. Os resultados são surpreendentes e revelam muito sobre a forma como concebemos o comportamento dos outros.

Canon Employees Are Forbidden to Sit Down, Walk at Normal Pace A Canon instituiu uma nova política laboral para melhorar a sua eficácia empresarial. Entre as medidas introduzidas inclui-se a obrigatoriedade de trabalhar de pé e a instalação de sensores e alarmes que disparam caso um trabalhador ande a uma velocidade considerada inferior à definida como velocidade mínima.

Sim, leram bem.

SO BAD, IT'S REALLY BAD. Bad Art no seu pior: por detrás de virtuosismo técnico, os retratos de Dick Zimmerman destacam-se pela ausência de sentido cromático e pura foleirice estética. Andei a matar a cabeça à procura de metáforas mais elegantes mas é impossível. Foleiro é mesmo o termo cientificamente correcto para este caso de pintor de retratos de endinheirados em busca de imortalidade pictórica.

Vícios

Rendi-me. Desisti de resistir. Comprei o meu primeiro Moleskine.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Walkin'

Carro na oficina obriga a alguns ajustes. Caso de hoje, em que aproveitei alguma flexibilidade no horário para deixar logo pela manhã o meu fiel 205 XAD na oficina para umas correcções que o obrigam a ficar aprovado na inspecção. E também uma mudança de óleo, porque já nem me recordo vagamente da última vez que o mudei, sinal claro que está na hora de o fazer. Deixei o carro numa oficina da Malveira pelas oito e meia e fiz algo que rareia: fui a pé para a escola. Podia ter apanhado um transporte, mas confesso uma certa fobia a autocarros. A manhã estava fresquinha e agradável, e a distância até à Venda do Pinheiro fez-se ao som de jazz, mas não o Walkin' de Miles Davis. Um início saudável de dia (isto se eu não contar os dois cigarros que fumei enquanto andava).

Um simpático passeio, que me fez reparar naqueles pormenores que nos escapam quando vistos da janela do carro. Primeiro, fiquei fascinado pela quantidade de pessoas que não vemos a andar a pé. O espaço urbano parece desertificado. Outro pormenor são as barreiras arquitectónicas saídas do improviso urbano ou da falta de planeamento que dificultam a vida de formas inesperadas. Exemplo acabado: um dos bairros urbanizados da Venda do Valador é atravessado por duas vias e uma rotunda, sem qualquer passadeira, o que dificulta um acto simples como o de atravessar o bairro. São as delícias da vida nos exúrbios.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Dão-se gatos.



Dão-se três simpáticos gatinhos arraçados de siamês, com cerca de um mês de idade. Quem estiver interessado pode contactar-me através do email coelhoelectrico@gmail.com.

(com alguma urgência. a minha cadela começa a ficar desesperada...)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

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Experiências

Coisas de gente crescida.

Acabei de perceber que hoje já tenho 34 anos. bolas. vou ter de começar a preocupar-me com coisas de adulto, pensar em filhos, comprar um carro decente, cortar o cabelo, considerar usar gravata, deixar de votar bloco de esquerda e ir votando ps/psd conforme der a maré, arvorar-me com um ar dignificante, mudar o tom de voz para um tom mais grave, ler a bola e o correio da manhã, vigiar a alimentação, ir ao ginásio, adquirir um ppr, tornar-me conservador, deixar de ler ficção científica e passar a admirar a prosa de miguel sousa tavares ou de qualquer outro dos intelectuais bacocos da moda, conduzir acima dos 120, galar miudas dez anos mais novas, dedicar-me ao trabalho, preocupar-me com minúcias como se estas fossem o mais importante no mundo, dar-me bem com os meus vizinhos, ir ao café, frequentar centros comerciais com periodicidade semanal, elogiar o sócrates, dizer mal do governo (hmmm isso já faço), planear injecções de botox para daqui a dez anos, beber vinhos caros, gabar-me de ter feito tudo o que não fiz, enfim, adoptar uma postura mais séria perante a vida. Ou então que se lixe. Continuo igual a mim mesmo e o resto que se dane.

E já me esquecia: endividar-me para ir passar três dias a um resort no brasil em cuba ou cancun, trocar o carro utilitário por uma carrinha espaçosa porque o hipotético filho sempre que precisar de se deslocar mais do que cinco metros tem de ir seguro com toda a parafrenália necessária para a mais remota das ocorrências, comprar um plasma para ver os jogos da selecção, pregar o que não pratico, adoptar uma moral mais consentânea com a provecta idade, ir à missa, respeitar as diferenças de opinião apenas na medida em que estas não divergem da norma, seguir religiosamente os concursos da tv, adquirir tv cabo... enfim, coisas de gente crescida.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Leituras

BLDBLG | The immersive future of the architectural monograph O sempre fascinante blog sobre arquitecturas mergulha nas utopias gráficas das monografias que ao representarem elementos arquitectónicos nos remetem para paisagens edificadas virtuais e oníricas.

Gizmodo | June 1st New Yorker Cover Drawn Entirely on the iPhone Primeiro foi David Hockney a render-se aos encantos da pintura a dedo no iPhone. Agora é a New Yorker a tornar-se célebre por produzir uma capa totalmente baseada numa pintura realizada no telemóvel. Significativo, em particular porque a revista é conhecida pelo seu conservadorismo gráfico.

Archie Andrews is getting married E quem é o Archie? É um sobrvivente dos milhentos comics publicados entre os anos 40 a 60 que giravam às voltas com as aventuras cómicas de adolescentes americanos estereotipados. O casamento é curioso: qual é piada de um comic que gira precisamente à volta das rivalidades entre as duas eternas namoradas do eterno all american boy? Talvez o comic esteja a tentar tornar-se mais sério, fazendo evoluir a rivalidade entre namoradas para uma rivalidade entre esposa e amante... actualizando os temas imutáveis desde 1942, data da primeira aparição do personagem.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sorriam! É a lei!



Outra grande capa da 2000AD. O subtexto orwelliano é bastante óbvio, mas nos comics enquanto meio de massas não se pode ser excessivamente subtil.

Leituras

Non Places of Travel in visual Art A teoria dos não-lugares de Marc Augè revela os paradoxos da hipermodernidade: lugares frequentados por pessoas em trânsito, indispensáveis à vida moderna, mas sem carácter individual, meros nós de ligação no ritmo acelarado do dia da dia. Espaços como o aeroporto, a auto-estrada ou o super-mercado são os não-lugares contemporâneos, centrais para a nossa vida mas terrivelmente monótonos no seu carácter standartizado.

ReadWriteWeb | Us Army; on the cutting edge of tech, adopts Vista and Office 2007 O título fala por si do ridículo da notícia. As forças armadas americanas planeiam instalar o vista, sistema operativo em fim de vida acelarado, com um plano rigoroso de ataque. Talvez tenham sorte e aconteça o mesmo que aos aviões de combate franceses ou à marinha britânica. É interessante ver como uma organização global de segurança esquece tão depressa a segurança elementar informática.

BoingBoing | School newspaper archives go online, embarrassing student writing and shenanigans become permanent record O boing boing chama a isto de quebra de privacidade, citando antigos universitários que têm medo que o que escreveram nos jornais universitários à anos atrás lhes traga dissabores nos seus correntes empregos. Mas a falha aqui talvez não seja de privacidade, mas sim de alarmante conservadorismo social que castiga aqueles que desviam o seu pensamento da norma considerada aceitável.

BoingBoing | Kid keeping a lending library of banned books in her locker Mais boing boing, desta vez com a história de uma aluna de liceu norte-americana que criou uma minibiblioteca de leituras proibidas no seu cacifo. Entre os livros considerados danosos para as mentes juvenis pelas autoridades escolares encontram-se obras perigosíssimas como a Divina Comédia, os Contos de Canterbury, The Hitchhikers Guide to the Galaxy, O Triunfo dos Porcos e o Corão.

(eu que nos meus tempos de adolescência lia Henry Miller...)

domingo, 24 de maio de 2009

Proporções

A proporção entre a população animal e população humana chez moi está um pouquinho desiquilibrada. Neste momento, residem no meu apartamento (felizmente, duplex, que é pouco mais do que um eufemismo de estilo para sótão aproveitado): uma cadela, pequeno canídeo mimado que aterroriza toda a vizinhança; dois peixes, um de água fria sobrevivente de experiências científicas na sala de aula do 1º ciclo da minha rapariga e um de água quente, único sobrevivente de um aquário com dez peixes, nove dos quais encontraram o seu destino na boca do sobrevivente; a gata dos meus pais, a passar férias cá pela ericeira enquanto o meu pai recupera de tratamentos de quimioterapia; e as últimas aquisições, que espero serem temporárias: cinco gatinhos com cerca de um mês, resgatados da garagem do prédio, cinco feras minúsculas que ainda não se habituaram à presença de pessoas mas já sabem comer que nem uns desalmados. Estou a dar-lhes uns dias para se habituarem a pessoas e engordarem um pouquinho antes de espalhar anúncios para dar gatos por aí. Dá um certo trabalho tratar desta bicharada.

Duas pessoas, nove animais. Isto não é a animal farm, mas anda perto de ser um animal apartment. Espero que nenhum deles se revele um Napoleão.

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(:-|-:)

sábado, 23 de maio de 2009

Leituras

Cuidado com os logins automáticos, são fortemente desaconselhados para que não aconteca como aos pais de uma menina neozelandesa que comprou uma retro-escavadora na internet enquanto os pais dormiam. Pois é, as passwords não servem só para chatear (e para aqueles pequenos sustos de password esquecida).

Os direitos dos patrões: um jornal norte-americano foi adquirido por uma gestora de fundos de pensões cujo principal accionista é uma associação de polícias. Agora, essa associação está a exigir o despedimento de todos os jornalistas que tenham escrito notícias ou comentários que criticaram a polícia local. Em portugal basta olhar para a madeira para ter exemplos destes.

Quim Barreiros, o decano da música pimba, internacionalizou-se... pelo menos no PCL Link Dump, o que é uma honra dúbia. Sete e meia da manhã e olhar para uma early viynl cover do nosso quimzinho é um momento surreal.

Last but not least, o Golden Age Comic Book Stories republicou os cinquenta cromos originais do lendário Mars Attacks. Imperdível para os fãs de fc e de estilo retro.

As Noites das Mil e Uma Noites



Naguib Mahfouz (1989). As Noites das Mil e Uma Noites. Lisboa: Difel

Wikipedia | Naguib Mahfouz

Ler As Mil e Uma Noites é uma das recordações mágicas da minha infância. Demasiado inocente - ou insuficientemente sabido, para detectar as nuances eróticas na compilação clássica de contos orientais, mergulhei no mundo de fantasia exótica das histórias que Sheherazade contava ao sultão Shariar nas longas noites de Bagdad. Para sempre impressas na minha mente ficarão as visões de cidades opulentas, minaretes na noite, génios caprichosos, aventuras exóticas em terras distantes e maravilhas mágicas.

Demorei alguns anos a perceber o porquê de noites tão longas e histórias tão curtas... esta é mesmo uma das leituras da minha infância.

As Noites das Mil e uma Noites revisita a visão clássica do oriente, uma visão que corresponde mais ao olhar romântico do século XIX sobre o exotismo oriental do que à realidade das ricas tradições àrabes. Naguib Mahfouz, escritor egípcio premiado com o Nobel da Literatura faz-nos redescobrir a magia das tradições orientais numa história complexa e controversa de redenções, que revivem algumas das personagens centrais dos contos históricos. A redenção dos personagens é longa e complexa, controversa por seguir um caminho individual onde a importância é colocada na capacidade do espírito humano de seguir o seu caminho, livre de ditames políticos ou religiosos.

Misto de conto exótico com reflexão sobre os caminhos ínvios que levam um homem a subir alguns degraus na ingreme escada para a inatingível perfeição, As Noites das Mil e Uma Noites captura-nos na teia da mística orientalista (e que Edward Said me perdoe estes fascínios).

sexta-feira, 22 de maio de 2009

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E, no entanto, move-se.

Por hoje já terminou.

Então quanto é que eu lhe devo, foi a pergunta que um encarregado de educação hoje me fez após ter intervido num magalhães. Nada, disse eu. Absolutamente nada. Sou professor, não técnico, e auxilio porque, enfim, é injusto para mim e beneficia uma empresa, mas quando eu estou em apuros gosto que me ajudem. Como o veterinário que este domingo não me cobrou mais do que uma consulta normal quando a minha gata voou do terceiro andar, apesar de ter ido à clínica de propósito. Actos casuais de generosidade.

Manhã com três magalhães, um a repôr o sistema e dois a resolver a cegueira legislativa que retirou os jogos ao caixa mágica. Pronto, sei que não devia intervir neste segundo assunto, mas as linhas de apoio também não parecem saber isso. Sempre que um encarregado de educação liga para eles, não explicam o porquê da não instalação de jogos e remetem para os responsáveis do agrupamento de escolas. Mas foi um momento interessante: após uma demonstração, foram os encarregados de educação que, eles próprios, instalaram o que quiseram no caixa mágica. É uma vitória para o linux, durante tanto tempo desconsiderado pela sua falta de usabilidade, que duas pessoas que não utilizem o computador fiquem à vontade para instalar software no caixa mágica.

Enquanto isso, decorria o momento mais aguardado do ano: a entrega de pcs para a escola. Finalmente vamos passar a contar com um parque informático renovado. A entrega é de vulto - permite colocar um pc por sala de aula, e consigo incluir gabinetes onde funcionam projectos especiais, duplicar o número de pcs da sala de informática, reforçar a àrea administrativa de professores e executivo, e reforçar significativamente a biblioteca. É o PTE em andamento.

Mas como o PTE anda coxeando, ainda não é desta que ficámos equipados. A espinha dorsal da escola, a nova lan de alta capacidade, ainda está longe de ser montada. Ponderei colocar já todos os pcs a funcionar, mas isso implicaria um enorme trabalho de configuração de dezenas de máquinas para a rede agora existente, que teria de ser refeito dentro de dois meses, após a activação da nova rede. E colocá-los onde, uma vez que a maior parte das salas não tem ponto de rede e as principais salas estão danificadas por vandalismo (ou descuido, uma vez que são utilizadas apenas com a presença de professores). Optámos por uma solução salomónica: ficaram apenas montados pcs nas salas de aula, ainda sem ligação à rede (mas a aceder à web através da nossa rede wifi). Os restantes estão bem guardadinhos, a aguardar a finalização da etapa crucial do PTE que ainda não foi iniciada. Em setembro, espero, fica tudo a funcionar. Mesmo assim, montar vinte e nove computadores deixou a escola em rebuliço.

Resta um pequeno pormenor: electricidade. Um ponto de luz a alimentar projector, pc, monitor e portáteis da escola ou de professores. Multiplicado por vinte e cinco salas. Com um quadro pensado para as necessidades dos anos 90. Do século passado. Pois é, não passou pela cabeça das luminárias do ministério que a tecnologia precisa de infraestruturas para funcionar...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

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Por enquanto sem materiais. Não me sinto com paciência para isso.

Leituras

Pplware | Magalhães inspira gigantes mundiais Está aí a propaganda celebratória ao projecto magalhães. E eu que pensava que a Intel tinha plagiado, digo, inspirado, no OLPC cujo design e integração de tecnologias criou de raíz o mercado dos netbook? Devo estar enganado. Os CEOs da Asus, da Quanta e de todas as outras marcas que já lançaram computadores de baixo custo para o mercado também. Até empresas nigerianas os constroem. Só falta dizer que foi sócrates quem divinamente inspirou a intel a construir classmates, reencaixotados em portugal como magalhães. Só para chatear ainda mais aqueles que se recusam a ver o real alcance das coisas, leiam sobre Asus Eee PCs in USA Schools: A First-Hand Report. Até o humilde EEE, muito mais barato em mercado aberto do que o Magalhães.

Correio do Fantástico | Dagon! A nova revista do fantástico Parece assemelhar-se muito à Bang!, única revista portuguesa do género agora disponível apenas em pdf. Talvez por causa do ponto de exclamação. Claro que não é boa ideia julgar antes de a ler, algo que aguardo ansiosamente. Como fã de FC e afins, fico sempre contente sempre que surge uma destas iniciativas.

Pplware | Microsoft MyPhone beta aberto ao público O MyPhone é um serviço de cloud computing desenvolvido em portugal que permite que um utilizador de telemóvel crie um backup total na rede. Funciona apenas para telefones a correr o windows mobile, mas não deixa de ser uma boa ideia mais um passo no caminho da nuvem computacional em que viveremos futuramente.

Gizmodo | Microsoft wins patent for crippling your computer until you pay up É legítimo que o vendendor de um SO pago aja contra os utilizadores de cópias pirata. É surreal que esse mesmo vendedor obtenha uma patente para o seu método de desabilitar sistemas operativos pirateados...

Ars Technica | Next up for France: police keyloggers and Web censorship A França caminha em passos largos para pôr um ponto final na ideia de liberdade na internet. Depois da lei das três hipóteses, que nega o acesso à internet a quem tenha sido indicado como tendo feito três downloads ilegais (a interpretação é mais lata do que parece, daí o enorme perigo destas leis... ao clicar numa imagem saída de uma pesquisa do google pode-se estar a fazer um download ilegal), preparam-se leis ainda mais restritivas, dignas de paises libertários como a China ou a Coreia do Norte: a possibilidade do estado, sob mandato judicial, instalar keyloggers em computadores de terceiros; a obrigatoriedade dos ISPs participarem em esquemas de censura online sob a justificação do combate à pornografia infantil; e para terminar em grande a criação de uma gigantesca base de dados que cruza informação proveniente dos vários serviços governamentais. A justificação - afinar o combate ao crime online, combater a pornografia infantil, é legítima, mas os métodos contéem um enorme potencial de retrocesso de liberdades e direitos individuais para níveis típicos de países totalitários. Isto na pátria da democracia moderna, dos ideais de liberdade porque tantos derramaram o seu sangue.

The Unthinkable



Mark Sable, Julian Tedesco (2008). The Unthinkable. Los Angeles: Boom! Studios.

The Unthinkable

Nos finais dos anos 90 vivia-se uma certa euforia milenarista. Concebíamos um novo século próspero, estimulado pela alta tecnologia, com a promessa de resolução dos problemas que assolam a humanidade ser mais do que um vislumbre e se tornar uma realidade. O 11 de setembro, o impensável, foi uma forte bofetada de realismo. A utopia do ano 2000 converteu-se na visão contemporânea de um mundo violento, em risco de colapso ambiental e económico.

The Unthinkable mexe com estas premissas. O seu argumento socorre-se de ideias como o terrorismo, a perda de liberdades individuais em nome da segurança e as sempre excitantes teorias de conspiração para nos dar uma história que promete ser envolvente. O comic conta-nos as desventuras de Alan Ripley, escritor de thrillers especializado em catástrofes impensáveis. Ripley é contratado por uma agência obscura do governo americano.Em conjunto com uma micro-bióloga especializada em armas biológicas, um geólogo especialista em petróleo, um advogado de topo, um cientista nuclear, um pregador crente no apocalipse e um hacker, Ripley cria cenários de catástrofe impensáveis, onde tudo o que corre mal é o inesperado, o que não entra nos cálculos geoestratégicos dos governos, militares e empresas. O talento de Ripley é pegar nas ideias soltas dos restantes especialistas e criar um cenário coerente, em que terroristas islâmicos destroem campos petrolíferos na arábia com a conivência de empresas petrolíferas, empresas privadas de segurança patrulham as ruas e fazem o trabalho sujo nos territórios onde os exércitos regulares não intervêem, e se sucedem ataques biológicos em clínicas estéticas de botox.

Anós após o encerrar da agência obscura, a premissa impensável de Ripley começa a deseronlar-se. E... quanto ao resto, há que aguardar pelos restantes quatro volumes desta série de 5 comics escrita por Mark Sable e ilustrada num registo gritty por Julian Tedesco, inspirada nos think tanks reais surgidos após o 11 de setembro. O primeiro número é prometedor, e eleva a fasquia para os restantes volumes.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Passou-se, foi?

Jamais Cascio tem credenciais impecáveis no activismo ecológico sustentado pela ciência, a anos luz do activismo ecológico bem intencionado mas sem propostas práticas que ultrapassam a reciclagem, a protecção ambiental ou os discursos anti ciência aplicada. O aquecimento global é um problema global (passe o pleonasmo) e necessita de mais do que declarações de intenções. Só que com este Hacking the Earth Cascio passou-se, fazendo a apologia da geoengenharia... ou talvez não. A geoengenharia começa a ser apontada como uma possível solução para os problemas ambientais, modificando o planeta para combater os efeitos do aquecimento global. É um argumento a puxar para o falacioso: não há remédios rápidos para o mais grave desafio da humanidade. Usar a tecnologia para transformar o planeta não é solução. Esta reside no utilizar a tecnologia para gerar soluções criativas e sustentáveis para os problemas da modernidade. As conversas sobre geoengenharia fazem-me lembrar o Hello America de J.G. Ballard com a sua represa do estreito de Bering. Aliás, o aquecimento global é um belíssimo exemplo de geoengenharia. De qualquer forma, Cascio observa no Open the Future que isto funciona como provocação. Até porque, ainda de acordo com o autor, o futuro está cheio de potencial.

(por outro lado, hackar o planeta é um dos sonhos molhados dos fãs mais hard-core de ficção científica).

Provas de Aferição

Mais um dia. Provas entregues e feitas. Verificar as boas condições de aplicação da prova, resolver pequenas questões que surgem com alunos sem identificação ou material. Preparar o back-end informático de registo de faltas, produção de convencionais, relatórios de ocorrência, envelopes e guias de acordo com a norma ministerial. Receber, registar, anonimizar e empacotar trezentas e qualquer coisa provas provenientes das EB1 e EB2,3. Ir à unidade de aferição de Sobral de Monte Agraço entregar as provas do agrupamento com deslocação paga à razão de uns magnânimos trinta cêntimos por quilómetro. Só resta desanonimizar os alunos para cruzar com o ficheiro de avaliação a entregar na altura em que estejam corrigidas. Mas isso ainda não é para já.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Caixa Mágica Install

Tutorial CM Install Tutorial CM Install Artur Coelho Os computadores Magalhães mais recentes não trazem consigo os jogos lúdicos e educativos que as primeiras versões tinham instaladas. No website da Caixa Mágica existe a possibilidade de os descarregar e instalar, de forma simples e gratuita. Os jogos e aplicações disponibilizadas são opensource, gratuitas e abertas. Pode consultar a lista de jogos e aplicações em http://comunidade.magalhaes.caixamagica.pt/web00.php.

Os computadores Magalhães mais recentes não trazem consigo os jogos lúdicos e educativos que as primeiras versões tinham instaladas, entre os quais o GCompris, o Childsplay e o Super Tux. No website da Caixa Mágica existe a possibilidade de os descarregar e instalar, de forma simples e gratuita. Os jogos e aplicações disponibilizadas são opensource, gratuitas e abertas. Pode consultar a lista de jogos e aplicações em http://comunidade.magalhaes.caixamagica.pt/web00.php. Os jogos foram retirados do sistema operativo por ordem do ministério da educação após o micro-escândalo dos erros ortográficos no GCompris (já resolvidos com actualizações) e as pens distribuídas às escolas não repõem os jogos. Como penso que são os utilizadores e não os ministérios que devem decidir o que utilizam ou não nos seus computadores cá vai este guia para instalar software no magalhães e repor tudo o que as novas versões não trazem. Outros links que podem ter algum interesse: Utilizar o Synaptic para instalar software em Ubuntu e Caixa Mágica Magalhães, Configurar ligações à internet no Magalhães - Caixa Mágica.

(estou muito subversivo hoje. se a ministra descobre ainda apanho um processo...)

Humanismo

Normalmente vejo as notícias sobre problemas entre professores e alunos com um grão de sal. Como estou dentro da profissão, sei que estas questões não são transparentes. As acusações, algumas atrozes, feitas a professores são muitas vezes calúnias levadas a cabo por alunos ou encarregados de educação despeitados. Queixas às DREs são muitas vezes arma de arremesso utilizadas por encarregados de educação apostados em fazer transitar de ano o seu educando a qualquer custo e muitas das queixas sobre atitudes de professores revelam antes problemas disciplinares. É preciso averiguar e manter a cabeça fria.

Foi o que pensei ao ouvir o mais recente escândalo a envolver professores: as conversas de cariz sexual tidas por uma docente de história numa escola do norte. A princípio ainda pensei que se tratasse de mais um caso de alunos dispostos a tudo para chatear a professora (talvez para se vingarem de más notas na proximidade de final de ano lectivo). Ou uma directora de turma desesperada a tentar resolver problemas graves na turma, algo que conheço bem. Há momentos em que as coisas só avançam partindo ovos. Mas a gravação, obtida graças à cada vez maior pervasividade das tecnologias digitais no espaço da sala de aula, espaço fechado forçado a abrir-se graças à tecnologia, esclareceu e chocou.

O que mais me chocou não foram as declarações relativas à sexualidade. Estas não foram as mais felizes. A sexualidade é assunto para ser abordado com tacto, de forma aberta mas respeitadora, e não à bruta como na gravação. O facto de ser apropriado ou não a um professor de história falar do assunto é um argumento inválido: como professores, somos mais do que meros leccionadores de matérias. A nossa postura, envolvimento e exemplo são muitas vezes lições mais eficazes do que o momento nominal de aprendizagem. Um fortíssimo pau de dois bicos, é certo. O exemplo dá para os dois lados. Recordamos os nossos professores mais pelos exemplos que deram do que pelo que leccionaram. Não intervir apenas porque não se é docente de uma àrea específica que por sinal nem funciona nas escolas não me parece correcto. Seria similar a observar miudos à bulha no recreio e nada fazer, porque para isso serve a hora de formação cívica com o director de turma.

O chocante foi a total falta de respeito pelos alunos. O vício, horrível, da sobranceria, o puxar de galões frente a crianças para quem títulos e diplomas nada dizem, o desprezo evidenciado pelo tom de voz e pelo tratamento dado aos alunos. Certamente que o que realmente motivou todo o escândalo está aqui. Uma relação totalmente desestruturada com os alunos, baseada na intimidação e na violência verbal. É algo que não funciona. A minha primeira regra como professor é tratar os alunos com humanismo, respeitando-os, mantendo as devidas distâncias sem criar fossos intransponíveis. Faço-o por consciência da importância da componente relacional e por respeito aos alunos enquanto pessoas. Claro que há sempre aqueles que nos deixam cabelos brancos, que nos fazem perder a paciência. Mas um sorriso não custa nada a dar e faz milagres. O mestrado vai a meio e pós graduações não tenho, mas a sabedoria mais eficaz raramente se aprende nos livros. Uma coisa é certa: nenhum de nós, adulto, que já aprendeu os compromissos necessários da vida, trabalha bem com quem não gosta ou não respeita. Porquê esperar isso de crianças que ainda mal sabem distinguir as nuances das relações humanas?

Estas atitudes envergonham a classe. Os professores sofrem por arrasto nestas situações. Se um de nós errar, criminalmente, depressa somos estigmatizados. E é muito fácil ficar com más famas neste país onde a combinação entre jornalistas em busca de notícias choque e a mentalidade quem não deve não teme, em que o apontar de dedo implica sempre culpa, é letal. Só resta saber se a professora em questão está na devida posse das suas faculdades.

domingo, 17 de maio de 2009

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(...)

Leituras

Revista Bang! #6 A Bang! está de volta, no formato pdf, sob a chancela da Saída de Emergência.

BLDBLG | Simulant Youth Os escuteiros norte-americanos têm mais uma actividade a juntar à extensa lista do escutismo: o treino, de arma em punho, para acções antiterroristas e de combate à imigração ilegal. É um curioso sinal de krach da contemporaneidade que os escuteiros se estejam a tornar numa organização paramilitar em que miúdos de 16 anos ensaiam intervenções armadas em fábricas ilegais de droga.

Grinding | Scientist succeed in cooking up life from scratch Ingredientes simples: moléculas e luz ultravioleta, para simular a sopa primordial dos primeiros tempos da terra. O resultado? Ribonucleótidos - elementos básicos do RNA. O objectivo da experiência foi o de compreender como é que os elementos que deram origem à vida surgiram na Terra primitiva. Só resta saber se os cientisas gritaram it's alive! it's alive! it's alive! enquanto descarregavam electricidade para dar o sopro de vida nas moléculas.

Kaiju Pop Isto é um ver para crer. Nem nos mais intrigantes delírios sairia uma imagem destas...

Primeira evacuação de uma ilha devido ao aquecimento global Sim, ele existe e sim, as consequências serão avassaladoras: as ilhas Carteret, ao largo da Papua Nova Guiné, ficam para a história por estarem a ser evacuadas pela iminência de serem submersas pela subida do nível das àguas do mar.

sábado, 16 de maio de 2009

Alpha



Pois, isto não é o google. Vai ser preciso pensar e perceber como tirar partido.

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Teste: em vez de animar o objecto animei a fonte de luz.

Responsabilidades

Tenho optado por intervir na recuperação de magalhães no âmbito do projecto eEscolinhas. Mas começo a pensar se terá sido boa ideia esta minha opção. Tomei-a porque embora o processo de recuperação de um magalhães não seja complexo (arrancar de uma pen e reinstalar o sistema operativo seguindo os passos) pode sê-lo para quem não estiver dentro do mundo da informática (caso de grande parte dos pais e encarregados de educação da zona onde trabalho), bem como pelo gosto de saber mais sobre o computador (intervir é uma forma de começar a conhecer as manias do magalhães e assim conseguir auxiliar os colegas do 1º ciclo quando e se eventualmente ele for utilizado em sala de aula). Tenho tempo disponível num dia da semana, tempo nominalmente utilizado para tarefas de coordenação mas estas normalmente não se adequam a balizas temporais. Se um pc avariar, se for necessária a instalação ou actualização de uma aplicação, se houver actualizações ao site da escola, se houver problemas informáticos não posso dizer "ok, tudo bem, isto resolve-se em tal dia e em tal hora". Tem que ser no momento, o que me deixa na invejável situação de cumprir o meu horário sem fazer o que preciso de fazer para depois ter de ficar para lá do meu horário a fazer o que é necessário.

A questão é que intervir no magalhães coloca-me questões incómodas. Faz parte das competências que me são atribuídas a manutenção de computadores da escola (na medida do possível, claro). Um magalhães não pertence à escola. Pertence aos pais dos alunos, o que implica que ao intervir estou a fazê-lo num objecto que é propriedade privada. Que eu saiba se levar o meu carro a uma oficina da junta ou de um qualquer serviço público que tenha oficinas eles não o reparam gratuitamente. Aliás, não reparariam de todo. Possivelmente rir-se-iam da minha veleidade em utilizar recursos públicos para benefício privado.

A JPSáCouto e a floresta de empresas sub-contratadas que gira à volta do projecto magalhães tem um negócio perfeito. Constrói sob licença um produto concebido pela Intel mas alardeia ser de concepção portuguesa. É-o, na medida em que a Microsoft portuguesa e a Caixa Mágica interviram, mas é o mesmo que dizer que um automóvel é totalmente português apesar de construído com peças importadas, excepto o cãozinho decorativo do tablier que foi made in portugal. Tem mercado cativo, criado por decreto ministerial. O apoio técnico é inexistente - no hardware as garantias não cobrem praticamente nada e no software o ónus foi colocado nas escolas, que receberam pens de recuperação do sistema e para onde os pais são direccionados sempre que conseguem contactar o apoio técnico do eEscolinhas (processo que é uma odisseia de longas esperas ao telefone, como já comprovei). A consequência disto é óbvia - ao intervir num magalhães, estou na prática a trabalhar de graça para uma empresa privada. A JPSáCouto lucra de duas formas - através da venda da máquina e da enorme poupança em apoio técnico.

Outra questão, que ecoava ontem fortemente na minha mente, é a responsabilidade em caso de problemas na intervenção. Resolvi essa questão com termos de responsabilidade, em que se explica o que é a reposição do SO, e quais as suas consequências. Só intervenho após a assinatura em duplicado desse documento. Sem isso nem toco na máquina. Mas o que acontece se no processo de reparação a máquina frita? Quem é o responsável? A empresa que manufactura e não presta apoio? Eu, que por questão de consciência intervenho sem qualquer compensação mas com possibilidade de potenciais chatices? Ontem um magalhães em que intervi obrigou-me a pensar. Falhou a recuperação ao fim de três horas de um processo que nominalmente leva vinte minutos, e vá lá que ao fim de mais três horas foi bem sucedido. E se não tivesse sido?

Muitos dos meus congéneres recusam liminarmente intervir. Compreendo-os, e compreendo a decisão. Talvez também devesse ser a minha. A posição semi-oficial é que a intervenção - reposição de sistema, deve ser disponibilizada, ou seja, em caso de necessidade de reposição deve-se emprestar a cada vez mais famosa pen ao encarregado de educação, indicar-lhe uma sala e mostrar-lhe as fotocópias das instruções de reposição. O resto ele que faça. É um compromisso salomónico, surgido após inúmeras reclamações por parte daqueles que se recusam legitimamente a intervir. Não estou a ver a sua aplicabilidade com a larga maioria dos encarregados de educação da zona onde trabalho, para os quais o magalhães está a ser o primeiro contacto com a tecnologia digital. Tem sido esses que têm até agora recorrido à minha ajuda (felizmente, pontual, não fazem fila à porta da escola).

Posto isto, porque é que continuo? Porque é que faço um trabalho que favorece uma empresa privada que lucra à minha custa e um partido político que se aproveita descaradamente deste projecto, cujo sucesso depende de quem está no terreno, para ganhar eleições? Talvez deva começar a enviar facturas para a JPSáCouto e para o PS.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Tendências

Fala-se de défices democráticos na sociedade portuguesa contemporânea, mas continuamos a ser uma sociedade onde se fala e escreve livremente. Não há notícias de incinerações públicas de livros no terreiro do paço (local com certa tradição de fogueiras) nem perseguições abertas a dissidências. O que não quer dizer que não se sinta uma forte tendência autoritarista.

São indícios que se sentem: a necessidade, agora tão na moda, de legislar vestuário que começou nas empresas e agora alastrou às escolas e serviços públicos. Define-se o que é apropriado em função do local e as pessoas que se adaptem. Manifestações de individualismo permitidas apenas dentro dos parâmetros aceitáveis. Embora assentem sobre pressupostos de bom-senso, de manutenção de imagens perante clientes no lado das empresas e de evitar potenciais litígios complexos no caso das escolas, não deixa de ser preocupante esta vontade de legislar minudências. Vai não vai um destes dias sai uma lei que proíbe os professores de terem cabelo comprido... o que implicará que eu pegue numa carabina e trate da saúde ao legislador (ooops... eis uma piada de mau gosto que não deveria ter escrito publicamente... ainda acabo em tribunal por incitar à violência).

Outra coisa estranha é a discussão que se faz sentir sobre as eleições que se aproximam. Parecem haver dois pólos a orbitar nas vozes políticas - a ideia de maiorias absolutas, que permitem governar sem impedimentos, e a de blocos centrais, super-coligações que permitiram governar sem impedimentos. Nota-se algum padrão? Talvez no governar sem impedimentos? A justificação prende-se com os tempos de crise e a necessidade de governações decididas. Mas a questão que se coloca é a legitimadade de políticos em democracia pedirem o que na prática equivale à suspensão da governação democrática.

A questão é bem antiga: será que os fins justificam os meios?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

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Well... hardly ever.

Barbarella



IMDB | Barbarella

Apontado como um dos clássicos do cinema de ficção científica, Barbarella é menos do que isso. Baseado nas aventuras de uma personagem de banda desenhada francesa, o filme é uma desculpa para mostrar os dotes de uma jovem Jane Fonda em situações de forte insinuação sexual, passadas em cenários que oscilam entre o onírico e o ridículo, numa ambiência de surrealismo psicadélico reforçada por sonoridades típicas do cinema pornográfico.

Contactada pelo presidente da Terra, Barbarella é uma heroína que parte pelo espaço em busca do vilão Durand, detentor da mais perigosa das armas. No seu périplo, Barbarella depende mais dos seus encantos do que da tecnologia para sair de situações difíceis.

Este é um filme que desilude. Apontado como clássico, surge com um filme que explora uma certa forma de fantasia e se apropria da ficção científica como veículo para um erotismo light indesfarçado e vazio.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

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Superfícies reflexivas, cores simples, randomização. Sons via The Freesound Project.

The Hunt For Gollum



The Hunt For Gollum

Surpreendente. Criado por fãs da saga Senhor dos Aneis, esta curta-metragem mostra o que teria acontecido na linha de tempo da terra média após os acontecimentos de O Hobbitt e imediatamente antes da Irmandade do Anel.

Trabalhando com um orçamento curto e muito voluntariado, a equipe criou uma visão fiel ao espírito da obra de Tolkien e dos filmes de Jackson, replicando o estilo dos filmes. Os actores principais são muito parecidos com os actores da trilogia de Jackson, e nota-se um enorme cuidado colocado nos adereços, caracterização e fotografia. O CGI, apesar de não ter a inventividade e sofisticação da Weta, está muito bem conseguido, com uma integração perfeita entre a imagem de síntese, virtual, e a imagem real. Fiquei curioso com o software e vi, nos créditos, que utilizaram o Vue (para as paisagens) e o Rhino (para o modelo de Gollum).

A imitação é uma forma de lisonja e esta produção é disso exemplo. A questão dos direitos de autor foi cuidadosamente torneada com os detentores dos direitos sobre o Senhor dos Aneis, sendo por isso que o filme apenas será visível online em streaming, no Dailymotion. Vale a pena visitar e visualizar.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Perspectiva



Para manter as coisas em perspectiva.

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Divertimento.

Planetary: The Fourth Man



Planetary

Tenho cada vez menos dúvidas que Warren Ellis é um dos mais importantes autores de comics da actualidade. Sempre surpreendente, Ellis canaliza nas pranchas e quadricromias visões que nos remetem para o revivalismo, distopia, fetishismo e tecnofetishismo, teorias de conspiração e futurismo desbragado.

Planetary é uma das suas mais aclamadas séries: três pessoas com poderes discretos, arqueólogos do mistério, vivendo entre as fronteiras das realidades ficcionadas. Mergulhar neste The Fourth Man e descobrir conspirações ocultas, reimaginar os mais icónicos personagens da DC Comics (é particularmente irónico o tratamento que Ellis dá ao Super-Homem), fascinar-se com as intersecções de mundos ficcionais e redescobrir os admiráveis monstros radioactivos dos filmes de série B dos anos 50.

Escrito com mestria da gramática do comic, Planetary também nos surpreende por curtos intermezzos, comentários inseridos no contexto das histórias que revelam Ellis no seu lado mais inventivo.

domingo, 10 de maio de 2009

Recortes

"Estando as respostas no exterior, chegou a altura de colocar as perguntas e não as respostas dentro da escola. Por outras palavras, é agora possível fazer da escola, não um lugar de informação pré-preparada, mas um local de observação e descoberta. " - Marshall McLuhan, Compreender-me.

If we trust our eyes, and not our preconceived ideas of what things ought to look like according to academic rules, we shall make the most exciting discoveries. - E. H. Gombrich, The Story Of Art

There is no such thing as Art. There are only artists - men and women, that is, who are favoured with the wonderful gift of balancing shapes and colours till they are "right", and, rarer still, who possess the integrity of character wich never rests content with half solutions but is ready to forgo all easy effects, all superficial success for the toil and agony of sincere work. - E. H. Gombrich, The Story Of Art

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Mais experiências. Agora não quero outra coisa.

sábado, 9 de maio de 2009

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Experiências (básicas) de animação em Bryce.

Leituras

The Autobiography of J. G. Ballard. Uma pérola do conto curto: três parágrafos de puro surrealismo ballardiano, um quadro de Chirico em prosa.

Boing Boing | Chinese provincial government orders local officials to smoke moreUma curiosa política de incentivo económico: os funcionários públicos de uma província chinesa estão obrigados a fumar para apoiar as marcas de tabaco locais. Há até inspecções aos locais de trabalho, onde se analisam os cinzeiros em busca de prevaricadores (outras marcas que não as locais). Quem fumar menos do que a sua quota ou fumar outras marcas é penalizado. Ah, a China, o sonho molhado dos capitalistas, onde o músculo do estado totalitário se une à ganância do capital.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Resmungo (II)

Confesso que passei o dia num leve estado de ansiedade. Aguardava a chegada dos novos quadros interactivos. Brinquedo digital novo é sempre aguardado com gosto por tecnofetishistas da minha laia. A entrega estava prevista para a tarde, o que me permitiu passar o dia a desatar algumas outras embrulhadas burocráticas, a marcar uma data agradável para a montagem dos quadros (uma vez que ao contrário do afirmado entrega e montagem são momentos distintos) e, bem, a dar aulas (porque afinal sou professor).

Às quatro da tarde, findo o dia lectivo, comecei a preocupar-me. Ainda nada tinha chegado. Liguei para a empresa das entregas, mas não me atenderam. Ligo depois, pensei, e fui tratar de outras coisas. Por volta das seis liguei mesmo. Atenderam-me, surpreendidos, afirmando que me tinham comunicado via email que a data de entrega havia sido alterada. Bem, tal email nunca me chegou à caixa de correio e de qualquer forma não tenho obrigação de estar constantemente a ler mails - até porque o assunto implica alterações à rotina das aulas e estas não podem ser feitas com base em hipotéticos emails. Fiquei contente. Mais horas para lá do meu horário que perdi à espera de quem não aparece, de uma entidade responsável que nem se dá ao trabalho de telefonar para informar.

Tudo isto começou com um fax em que fomos informados que nesta sexta-feira iriam ser montados quatro quadros interactivos, de um total de oito esperados. Para o fazer, era necessário libertar as salas onde estes iam ser montados, tarefa difícil em plenas actividades lectivas. Resolveu-se a questão logística, implicando alterações ao horário dos alunos, mas com o aproximar da data optei por me certificar que tudo iria de acordo com o planeado. Ainda bem que o fiz. De facto, nada corre dentro dos prazo e conforme o estipulado pelo ministério. A entrega e montagem, nominalmente ao mesmo tempo, são na realidade desfasadas. Os prazos são alterados sem aviso, sem atender ao trabalho que dá criar condições para que o trabalho de terceiros seja feito com disrupções mínimas da rotina escolar - parece coisa menor mas imaginem o que é ter professores e alunos sem salas para trabalhar... e depois os responsáveis por essa disrupção não aparecerem. Sem qualquer aviso. Foi por pouco.

Mesmo assim... para montar os quadros são necessárias paredes livres, o que implica desmontar os quadros de ardósia, coisa que está a ser feita ao longo do fim de semana. Três das salas mantém parte do quadro tradicional, mas as dimensões da parede da quarta sala obrigaram ao retirar de todo o quadro. O que significa que segunda-feira alguém irá ter uma surpresa...

Neste processo do PTE, a minha responsabilidade prende-se com a recepção dos equipamentos e acompanhamento da montagem. Não sou eu que tenho de desembrulhar as datas de entrega, que se resolveriam com um simples telefonema atempado por parte das empresas responsáveis pelas entregas. Mas se eu não o fizer, a coisa descamba. No entanto, a imagem que passa para o exterior é que o PTE e as suas iniciativas mais conhecidas, em particular o projecto Magalhães, correm oleados com enorme empenho ministerial e competência por parte das empresas envolvidas. Na prática... as entregas do magalhães são a conta-gotas e as avarias sucedem-se (com o apoio técnico a descartar o software para as escolas e a recusar-se a intervir no hardware). No eEscolas, duas das três operadoras retiraram-se discretamente do programa (apesar de alardearem o oposto nos seus sites). As escolas foram equipadas com projectores de topo de gama (média, mas mesmo assim topo), cablados com calha rigorosissima que termina em... cabos vga e de alimentação pendurados em ganchos na parede (porque optámos por pregar ganchos nas paredes, porque no final da instalação ficaram pendurados nos rebordos dos quadros, nas cadeiras ou sobre as tomadas). Nos quadros é esta história das montagens, por enquanto. Com os computadores e a rede LAN/WLAN o que será que me espera? Mais horas perdidas, certamente...

Kaboom



Num confronto entre a Enterprise (Star Trek) e a Estrela da Morte (Star Wars) quem venceria?

Resposta fácil.

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Take off.

Resmungo

O que me irrita nos utilizadores de computadores é o agir como se tivessem palas à frente dos olhos que os obrigam a olhar numa só direcção. Queixas típicas do Ubuntu: onde está o menu inciar? isto não tem word? o meu documento no word novo (geralmente dito como word vista) ficou desformatado? onde está a internet? e outras que tais. Nem com explicações pacientes a coisa lá vai nalguns casos, o que me deixa a duvidar da capacidade mental de algumas pessoas.

A conclusão que estou a tirar é a de que pouco interessa que a infraestrutura esteja em condições. Os pormenores, os bonequinhos é que têm de estar no sítio esperado. Interessa que seja bonito, não que funcione. E experimentar coisas novas é treta. As pessoas não querem mudar. Quanto mais conservador melhor, e não se importam de pagar mais por isso.

Quando lhes digo o real custo do word e companhia para um parque informático com dimensões razoáveis piscam o olho e perguntam-me se não posso instalar a coisa crackada. Aí fico pelo ar: os senhores professores que se escandalizam se um aluno tira o lápis ao colega não se importam que o software seja pirateado - sabendo que a pirataria informática equivale a roubo.

Para mim, a questão do software livre assume três dimensões. Uma pessoal, de descoberta e investigação, e duas bem prementes: a questão financeira de gestão de recursos públicos e a dimensão ética.

Mas salvem-se as novas gerações: os mais novos aderem ao ubuntu (e ao caixa mágica) sem qualquer problema. Ainda não estão formatados.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

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Porque enquanto se desembrulham as confusões do PTE o tempo passa e sempre se renderiza um framezito ou dois.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

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Stop.

Rigor

Prepara-se a entrega de quadros interactivos na escola no âmbito do PTE. Há uns dias chegou-nos um fax a marcar o dia oito de maio para instalação dos quadros. O problema é que é dia de aulas, obrigando a alterar salas de aula, com algumas turmas a ficar impedidas de ter aula na sala normal, e ruído anómalo durante o dia. Uma dor de cabeça logística a resolver. Com a aproximação da data o meu sexto sentido entrou em acção. Seria boa ideia, pensei, confirmar e ver se estava tudo a correr como previsto. Não teria grande piada ter tudo pronto para a intervenção, com disrupção das actividades lectivas, e depois os responsáveis pela montagem dos quadros não aparecerem. Com o fax perdido entre as montanhas de papel, enviei um email à empresa a que foi adjudicada a empreitada dos quadros interactivos. Esta manhã, sem resposta ao email, aproveitei uma pausa na actividade para ligar para a delegação de Lisboa da dita empresa. Fui bem recebido, e informado que já tinham conhecimento do meu email, tendo-o encaminhado para a logística no Porto. Este iriam entrar brevemente em contacto comigo, asseguraram-me.

Algumas horas depois desta resposta mas ainda sem qualquer contacto, decidi tomar a coisa nas minhas mãos. Só precisava de confirmar a data e horas, bem como saber que dimensões teriam os quadros, uma vez que a sua colocação obrigará a retirar quadros de ardósia já existentes. Liguei para a delegação do Porto da empresa. Aí começaram as surpresas: fui simpaticamente informado que esta empresa, apesar de ser responsável no âmbito dos quadros interactivos, não efectuava a montagem, que tinha sido sub-contratada a outra empresa.

Novo telefonema, para esta nova empresa. Será que vão montar os quadros na próxima sexta? De facto, havia qualquer coisa agendada. Mas quem estava do lado de lá da linha estava habituado ao rigor das empreitadas públicas portuguesas. Perguntou-me se já tinham entregue os quadros. Entregue? Mas então quem monta não é quem entrega? Na verdade, não. E como os prazos não estavam a ser cumpridos, o conselho que me deu foi verificar com a empresa que entregará os quadros a data de entrega e depois marcar a data para instalação.

Novo telefonema, para a empresa que irá entregar os quadros interactivos. Confirma-se realmente a entrega para dia 8... até ao final do dia. A montagem tem data agendada, mas como gato escaldado de água fria tem medo, vou optar por confirmar pessoalmente com a empresa de montagem. Após finalizar este telefonema ligam-me da empresa de entrega dos quadros, para me esclarecer as dúvidas apresentadas no email... fiquei com a sensação que a comunicação entre secretárias lado a lado é difícil.

Resultado: preparámos a escola para uma forte disrupção no dia 8. E se eu não tivesse ligado à procura de confirmações, teria sido tudo em vão.

O que me irrita nesta situação é que perdi grande parte do dia a desembrulhar uma embrulhada que não é da minha responsabilidade. Se agisse apenas com base na informação de que dispunha teria arranjado um lindo sarilho. No papel, a entrega dos quadros vem com montagem incluída e a empresa que vende os quadros (mas afinal não os monta nem distribui) até publicou um belo vídeo a documentar como corre bem o processo numa escola da área da DREN. No papel, este é um processo rigoroso de prazos bem estabelecidos e formalidades a cumprir à risca. Na prática a coisa não é bem assim. E quanto ao prometido rácio de um quadro por cada três salas, ainda estou para perceber que algoritmo é que atribuiu quatro quadros a vinte e cinco salas. Será meio quadro por cada três salas, terei lido mal?

Como sinto a responsabilidade de zelar pelo bom cumprimento de tudo o que assino (é, afinal, o meu nome em questão) sou quem na prática se trama. As empresas lucram com estes contratos a prazo curto do ministério (a ordem é para ter o PTE pronto o mais rápido possível). Em época pré-eleitoral, o partido no governo alardeia o PTE como uma grande iniciativa (que é, realmente, uma iniciativa de mérito) com óbvios aproveitamentos eleitoralistas que até já incluem videos de actividades nas escolas aproveitados para tempo de antena partidário. Quem tem trabalho, mas não lucra, é quem tem a ingrata tarefa de coordenar esta floresta de sub-contratações, que tenta cumprir as directivas do ministério, que perde horas para lá do seu horário a acompanhar a montagem de equipamentos ou a desembrulhar logísticas e até a suprir as falhas de quem foi pago para prestar um serviço mas não o prestou na totalidade (no meu caso, ter de assegurar formação aos professores sobre o uso de projectores, uma vez que os responsáveis pela formação não compareceram na data marcada - até porque eram electricistas e não técnicos de projectores). Claro que a imagem que passa é a de profissionalismo das empresas e empenho do ministério. Se alguma coisa correr mal a culpa será, necessariamente, dos professores.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

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Totalmente em modelação boolena. As asas, a fuselagem, as hélices e as rodas começaram por ser esferas positivas que depois de judiciosamente esticadas e intersectadas por cubos e cilindros negativos deram nisto. Não está muito mal, se me for permitida a vaidade.

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Mais experiências com o Bryce. Isto não passam de meros rabiscos, coisas elementares, rascunhos que só permitem aprender a manobrar o potencial da aplicação. Afinal, animar em Bryce é um processo muito similar ao stop-motion.

Ir à Feira

É possível ir à feira do livro e voltar de mãos vazias? Bem, no meu caso quase que sim. Não porque não goste de livros. Muito pelo contrário, sou um verdadeiro bookaholic. Mas as três pilhas que se encavalitam na mesa de cabeceira mais os gigabytes de ebooks mais o corrente estado desastroso da minha conta bancária não me deixam fazer muito.

Na verdade não sou grande fã da feira do livro. Acho-a uma excelente inicativa, e uma tradição que se espera duradoura, mas pessoalmente nunca me atraiu muito. Talvez pela disposição dos livros em bancas, talvez pelos magotes de gente que se acotovela de volta dos livros (o que é um excelente sinal, diga-se). As minhas desculpas. Sou alérgico a agrupamentos de pessoas. Também não sou fã do conceito de feira em geral.

Mesmo assim não vim de lá de mãos a abanar. Fiz um desgostinho à carteira e aumentei o acervo de comics nas prateleiras cá de casa. É irresistível...

domingo, 3 de maio de 2009

Nariz empinado



Brilhante, para comemorar o dia da terra. Já que falamos nisso, ontem foi o dia do espaço. Via Bizarro Blog.

Animações



Não são resultados extraordinários mas é um primeiro passo. Afinal, comecei a descobrir os segredos da animação em Bryce, graças a um vídeo que demonstra as acções elementares do processo. Pura serendipidade, ao estilo web 2.0: descobri o vídeo nos vídeos relacionados do YouTube quando deixei lá ontem as brincadeiras com o CamStudio. Quanto à animação em si pode-se dizer que o truque é simples e esteve literalmente sempre debaixo do meu nariz. Agora precisa-se é de ideias.

sábado, 2 de maio de 2009

Legiões de heróis

Parece ser um novo fenómeno/lenda urbana: homens e mulheres que se vestem com fatos garridos e saem às ruas mascarados, apostados em combater o crime. São normalissimos, excepto pelo pormenor de gostarem de se sentir super-heróis na vida real. Escolhem cognomes apropriados à dupla identidade, organizam-se em grupos e têm presença online. É um curioso caso bleeding edge de disfunção provocada por exposição excessiva à cultura pop.

Será que a moda pega por cá? Será que a Ericeira precisa de um cavaleiro do pôr-do-sol ou um vingador da beira-mar?

Curiosamente, uma das minhas memórias de criança é a de um homem de meia idade que gostava de se passear pela Avenida de Roma (e que outras redondezas não sei, que isto de infâncias urbanas têm sempre rédea curta) vestido de uma forma única: calções e camisola justos, cinto com bolsas e uma ominosa bengala. Nos finais dos anos 80, quando eu estava a descobrir os comics com as reedições brasileiras da Abril dos super-heróis da Marvel, esta visão pelas avenidas de Lisboa era difícil de não relacionar com o mundo dos vigilantes da ficção em quadricromia. O que corria na avenida era que este homem era de boas famílias mas com um fusível estoirado na caixa craniana. Recordo-me vivamente das poucas vezes que vi o herói da avenida quando vinha da catequese na igreja de s. joão de deus para a casa da minha madrinha, que vivia mesmo ao lado das piscinas do areeiro. Mas este até não era o mais estranho dos passeantes regulares da Avenida de Roma. Essa honra vai para a mulher que durante anos todos os dias subiu e desceu a avenida vestida de noiva. Mais uma vez o que corria era que a infeliz tinha enlouquecido depois de ser abandonada no altar. Se sim ou senão, é algo que nunca descortinarei.

Modelação Booleana



Art Of Illusion | Boolean Modeling
Brycetech | Boolean Operations
Tutoriais Bryce

A modelação booleana é lógica aplicada ao desenho. Se se atribuir a uma forma propriedades positivas e a outra forma propriedades negativas, ao agruparem-se a forma negativa cria um buraco na forma positiva. Com alguma imaginação e paciência podemos ir mais longe: imagine-se um cubo positivo e um cubo negativo, concêntrico mas mais pequeno: agrupa-se e ficamos com um cubo oco. Agora adicionemos a esse cubo alguns paralelepípedos que intersectem o cubo. Agrupemos e temos um cubo oco com janelas. Este é o truque de modelação com primitivos (formas tridimensionais como o cubo, a esfera, o cone, a pirâmide e o toro) que com criatividade permite umas aventuras divertidas no Bryce.

Não é a melhor forma de modelar, nem a mais perfeita, mas é aquela que por enquanto domino. É que nisto do 3D ser autodidacta é muito difícil. Nem me falem em animar. Um destes dias descubro o truque.

(O vídeo foi uma forma de testar as capacidades do CamStudio, um opensource para captura de ecrã em video.)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

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Para contrapor ao sol que se faz mostrar.

Compreender-me



Marshall McLuhan (2009). Compreender-me: Conferências e Entrevistas. Lisboa: Relógio D'Água.

Marshall McLuhan

McLuhan não passaria de um intelectual esquecido com umas ideias esquisitas sobre os meios de comunicação senão por um importante pormenor: a explosão do mundo digital que a internet trouxe. Professor de literatura inquisitivo sobre os efeitos dos meios de comunicação sobre as formas de pensar, McLuhan teve a presciência de antever o mundo digital em que agora estamos mergulhados. Numa era em que o conceito de computador mal passava do monolítico mainframe e o media electrónico dominante era a televisão, dificilmente um paradigma de interactividade libertadora da criatividade humana, o autor conseguiu prever a fragmentação, as mudanças cognitivas, o encolher do planeta enquanto espaço conceptual e o desintegrar da sociedade industrial estruturada na sociedade complexa e pluridimensional tornada possível pelo mundo digital.

Falecido numa época em que o digital começava a despontar nas linhas por si previstas, McLuhan deixou-nos clássicos do pensamento sobre os media como Compreender os Media, The Media is the Massage ou War and Peace in the Global Village. Lê-los é um vislumbre dos insights de uma mente de génio, que soubre construir uma imagem coerente a partir de fragmentos díspares da história, da literatura e dos media, uma imagem das transformações conceptuais da mente humana que nos mostra até que ponto somos criaturas do nosso próprio tempo.

Compreender-me: Conferências e Entrevistas reúne textos de conferências e transcrições de entrevistas que sublinham de forma condensada as ideias de McLuhan sobre a sociedade influenciada pelos media, dois conceitos que o autor mostra serem indissociáveis. O livro funciona como uma espécie de mcluhanismo redux, sendo uma boa porta de acesso à obra deste autor tão influente no nosso corrente conceito de sociedade. Para os que já conhecem a obra de McLuhan, esta é uma oportunidade de aprofundar as suas ideias, sempre frescas e surpreendentes.

Leituras

Queridas Bibliotecas | Sacco e Vanzetti José Fanha recorda-nos o que é que realmente celebramos no 1º de Maio: a morte de dois operários americanos, executados pelo crime de exigir direitos laborais.

Gizmodo | GoDaddy Tells Us Not to Buy .TV Domains Because Tuvalu Is Sinking? Se estiver a pensar adquirir um domínio .tv se calhar é melhor mudar de ideias... com o aquecimento global, as ilhas de Tuvalu estão a afundar-se.

Fortean Times | Lost in Space Uma história a precisar de confirmação: um grupo de radioamadores italianos conseguiu durante décadas ouvir as comunicações rádio dos programas espaciais soviético e americano. Entre outras coisas, ouviram o canto de cisne de um astronauta cuja cápsula se encontrará à deriva no sistema solar.

Walrus Magazine | Chop Chop Square O turismo na arábia saudita pode ter destes percalços: ao tomar café numa esplanada de uma das praças principais de Riade podemos ter direito à visão de decapitações de condenados pelo sistema judicial saudita.