"Estando as respostas no exterior, chegou a altura de colocar as perguntas e não as respostas dentro da escola. Por outras palavras, é agora possível fazer da escola, não um lugar de informação pré-preparada, mas um local de observação e descoberta. " - Marshall McLuhan, Compreender-me.
If we trust our eyes, and not our preconceived ideas of what things ought to look like according to academic rules, we shall make the most exciting discoveries. - E. H. Gombrich, The Story Of Art
There is no such thing as Art. There are only artists - men and women, that is, who are favoured with the wonderful gift of balancing shapes and colours till they are "right", and, rarer still, who possess the integrity of character wich never rests content with half solutions but is ready to forgo all easy effects, all superficial success for the toil and agony of sincere work. - E. H. Gombrich, The Story Of Art
domingo, 10 de maio de 2009
sábado, 9 de maio de 2009
Leituras
The Autobiography of J. G. Ballard. Uma pérola do conto curto: três parágrafos de puro surrealismo ballardiano, um quadro de Chirico em prosa.
Boing Boing | Chinese provincial government orders local officials to smoke moreUma curiosa política de incentivo económico: os funcionários públicos de uma província chinesa estão obrigados a fumar para apoiar as marcas de tabaco locais. Há até inspecções aos locais de trabalho, onde se analisam os cinzeiros em busca de prevaricadores (outras marcas que não as locais). Quem fumar menos do que a sua quota ou fumar outras marcas é penalizado. Ah, a China, o sonho molhado dos capitalistas, onde o músculo do estado totalitário se une à ganância do capital.
Boing Boing | Chinese provincial government orders local officials to smoke moreUma curiosa política de incentivo económico: os funcionários públicos de uma província chinesa estão obrigados a fumar para apoiar as marcas de tabaco locais. Há até inspecções aos locais de trabalho, onde se analisam os cinzeiros em busca de prevaricadores (outras marcas que não as locais). Quem fumar menos do que a sua quota ou fumar outras marcas é penalizado. Ah, a China, o sonho molhado dos capitalistas, onde o músculo do estado totalitário se une à ganância do capital.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Resmungo (II)
Confesso que passei o dia num leve estado de ansiedade. Aguardava a chegada dos novos quadros interactivos. Brinquedo digital novo é sempre aguardado com gosto por tecnofetishistas da minha laia. A entrega estava prevista para a tarde, o que me permitiu passar o dia a desatar algumas outras embrulhadas burocráticas, a marcar uma data agradável para a montagem dos quadros (uma vez que ao contrário do afirmado entrega e montagem são momentos distintos) e, bem, a dar aulas (porque afinal sou professor).
Às quatro da tarde, findo o dia lectivo, comecei a preocupar-me. Ainda nada tinha chegado. Liguei para a empresa das entregas, mas não me atenderam. Ligo depois, pensei, e fui tratar de outras coisas. Por volta das seis liguei mesmo. Atenderam-me, surpreendidos, afirmando que me tinham comunicado via email que a data de entrega havia sido alterada. Bem, tal email nunca me chegou à caixa de correio e de qualquer forma não tenho obrigação de estar constantemente a ler mails - até porque o assunto implica alterações à rotina das aulas e estas não podem ser feitas com base em hipotéticos emails. Fiquei contente. Mais horas para lá do meu horário que perdi à espera de quem não aparece, de uma entidade responsável que nem se dá ao trabalho de telefonar para informar.
Tudo isto começou com um fax em que fomos informados que nesta sexta-feira iriam ser montados quatro quadros interactivos, de um total de oito esperados. Para o fazer, era necessário libertar as salas onde estes iam ser montados, tarefa difícil em plenas actividades lectivas. Resolveu-se a questão logística, implicando alterações ao horário dos alunos, mas com o aproximar da data optei por me certificar que tudo iria de acordo com o planeado. Ainda bem que o fiz. De facto, nada corre dentro dos prazo e conforme o estipulado pelo ministério. A entrega e montagem, nominalmente ao mesmo tempo, são na realidade desfasadas. Os prazos são alterados sem aviso, sem atender ao trabalho que dá criar condições para que o trabalho de terceiros seja feito com disrupções mínimas da rotina escolar - parece coisa menor mas imaginem o que é ter professores e alunos sem salas para trabalhar... e depois os responsáveis por essa disrupção não aparecerem. Sem qualquer aviso. Foi por pouco.
Mesmo assim... para montar os quadros são necessárias paredes livres, o que implica desmontar os quadros de ardósia, coisa que está a ser feita ao longo do fim de semana. Três das salas mantém parte do quadro tradicional, mas as dimensões da parede da quarta sala obrigaram ao retirar de todo o quadro. O que significa que segunda-feira alguém irá ter uma surpresa...
Neste processo do PTE, a minha responsabilidade prende-se com a recepção dos equipamentos e acompanhamento da montagem. Não sou eu que tenho de desembrulhar as datas de entrega, que se resolveriam com um simples telefonema atempado por parte das empresas responsáveis pelas entregas. Mas se eu não o fizer, a coisa descamba. No entanto, a imagem que passa para o exterior é que o PTE e as suas iniciativas mais conhecidas, em particular o projecto Magalhães, correm oleados com enorme empenho ministerial e competência por parte das empresas envolvidas. Na prática... as entregas do magalhães são a conta-gotas e as avarias sucedem-se (com o apoio técnico a descartar o software para as escolas e a recusar-se a intervir no hardware). No eEscolas, duas das três operadoras retiraram-se discretamente do programa (apesar de alardearem o oposto nos seus sites). As escolas foram equipadas com projectores de topo de gama (média, mas mesmo assim topo), cablados com calha rigorosissima que termina em... cabos vga e de alimentação pendurados em ganchos na parede (porque optámos por pregar ganchos nas paredes, porque no final da instalação ficaram pendurados nos rebordos dos quadros, nas cadeiras ou sobre as tomadas). Nos quadros é esta história das montagens, por enquanto. Com os computadores e a rede LAN/WLAN o que será que me espera? Mais horas perdidas, certamente...
Às quatro da tarde, findo o dia lectivo, comecei a preocupar-me. Ainda nada tinha chegado. Liguei para a empresa das entregas, mas não me atenderam. Ligo depois, pensei, e fui tratar de outras coisas. Por volta das seis liguei mesmo. Atenderam-me, surpreendidos, afirmando que me tinham comunicado via email que a data de entrega havia sido alterada. Bem, tal email nunca me chegou à caixa de correio e de qualquer forma não tenho obrigação de estar constantemente a ler mails - até porque o assunto implica alterações à rotina das aulas e estas não podem ser feitas com base em hipotéticos emails. Fiquei contente. Mais horas para lá do meu horário que perdi à espera de quem não aparece, de uma entidade responsável que nem se dá ao trabalho de telefonar para informar.
Tudo isto começou com um fax em que fomos informados que nesta sexta-feira iriam ser montados quatro quadros interactivos, de um total de oito esperados. Para o fazer, era necessário libertar as salas onde estes iam ser montados, tarefa difícil em plenas actividades lectivas. Resolveu-se a questão logística, implicando alterações ao horário dos alunos, mas com o aproximar da data optei por me certificar que tudo iria de acordo com o planeado. Ainda bem que o fiz. De facto, nada corre dentro dos prazo e conforme o estipulado pelo ministério. A entrega e montagem, nominalmente ao mesmo tempo, são na realidade desfasadas. Os prazos são alterados sem aviso, sem atender ao trabalho que dá criar condições para que o trabalho de terceiros seja feito com disrupções mínimas da rotina escolar - parece coisa menor mas imaginem o que é ter professores e alunos sem salas para trabalhar... e depois os responsáveis por essa disrupção não aparecerem. Sem qualquer aviso. Foi por pouco.
Mesmo assim... para montar os quadros são necessárias paredes livres, o que implica desmontar os quadros de ardósia, coisa que está a ser feita ao longo do fim de semana. Três das salas mantém parte do quadro tradicional, mas as dimensões da parede da quarta sala obrigaram ao retirar de todo o quadro. O que significa que segunda-feira alguém irá ter uma surpresa...
Neste processo do PTE, a minha responsabilidade prende-se com a recepção dos equipamentos e acompanhamento da montagem. Não sou eu que tenho de desembrulhar as datas de entrega, que se resolveriam com um simples telefonema atempado por parte das empresas responsáveis pelas entregas. Mas se eu não o fizer, a coisa descamba. No entanto, a imagem que passa para o exterior é que o PTE e as suas iniciativas mais conhecidas, em particular o projecto Magalhães, correm oleados com enorme empenho ministerial e competência por parte das empresas envolvidas. Na prática... as entregas do magalhães são a conta-gotas e as avarias sucedem-se (com o apoio técnico a descartar o software para as escolas e a recusar-se a intervir no hardware). No eEscolas, duas das três operadoras retiraram-se discretamente do programa (apesar de alardearem o oposto nos seus sites). As escolas foram equipadas com projectores de topo de gama (média, mas mesmo assim topo), cablados com calha rigorosissima que termina em... cabos vga e de alimentação pendurados em ganchos na parede (porque optámos por pregar ganchos nas paredes, porque no final da instalação ficaram pendurados nos rebordos dos quadros, nas cadeiras ou sobre as tomadas). Nos quadros é esta história das montagens, por enquanto. Com os computadores e a rede LAN/WLAN o que será que me espera? Mais horas perdidas, certamente...
Kaboom
Num confronto entre a Enterprise (Star Trek) e a Estrela da Morte (Star Wars) quem venceria?
Resposta fácil.
Resmungo
O que me irrita nos utilizadores de computadores é o agir como se tivessem palas à frente dos olhos que os obrigam a olhar numa só direcção. Queixas típicas do Ubuntu: onde está o menu inciar? isto não tem word? o meu documento no word novo (geralmente dito como word vista) ficou desformatado? onde está a internet? e outras que tais. Nem com explicações pacientes a coisa lá vai nalguns casos, o que me deixa a duvidar da capacidade mental de algumas pessoas.
A conclusão que estou a tirar é a de que pouco interessa que a infraestrutura esteja em condições. Os pormenores, os bonequinhos é que têm de estar no sítio esperado. Interessa que seja bonito, não que funcione. E experimentar coisas novas é treta. As pessoas não querem mudar. Quanto mais conservador melhor, e não se importam de pagar mais por isso.
Quando lhes digo o real custo do word e companhia para um parque informático com dimensões razoáveis piscam o olho e perguntam-me se não posso instalar a coisa crackada. Aí fico pelo ar: os senhores professores que se escandalizam se um aluno tira o lápis ao colega não se importam que o software seja pirateado - sabendo que a pirataria informática equivale a roubo.
Para mim, a questão do software livre assume três dimensões. Uma pessoal, de descoberta e investigação, e duas bem prementes: a questão financeira de gestão de recursos públicos e a dimensão ética.
Mas salvem-se as novas gerações: os mais novos aderem ao ubuntu (e ao caixa mágica) sem qualquer problema. Ainda não estão formatados.
A conclusão que estou a tirar é a de que pouco interessa que a infraestrutura esteja em condições. Os pormenores, os bonequinhos é que têm de estar no sítio esperado. Interessa que seja bonito, não que funcione. E experimentar coisas novas é treta. As pessoas não querem mudar. Quanto mais conservador melhor, e não se importam de pagar mais por isso.
Quando lhes digo o real custo do word e companhia para um parque informático com dimensões razoáveis piscam o olho e perguntam-me se não posso instalar a coisa crackada. Aí fico pelo ar: os senhores professores que se escandalizam se um aluno tira o lápis ao colega não se importam que o software seja pirateado - sabendo que a pirataria informática equivale a roubo.
Para mim, a questão do software livre assume três dimensões. Uma pessoal, de descoberta e investigação, e duas bem prementes: a questão financeira de gestão de recursos públicos e a dimensão ética.
Mas salvem-se as novas gerações: os mais novos aderem ao ubuntu (e ao caixa mágica) sem qualquer problema. Ainda não estão formatados.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
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Porque enquanto se desembrulham as confusões do PTE o tempo passa e sempre se renderiza um framezito ou dois.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Rigor
Prepara-se a entrega de quadros interactivos na escola no âmbito do PTE. Há uns dias chegou-nos um fax a marcar o dia oito de maio para instalação dos quadros. O problema é que é dia de aulas, obrigando a alterar salas de aula, com algumas turmas a ficar impedidas de ter aula na sala normal, e ruído anómalo durante o dia. Uma dor de cabeça logística a resolver. Com a aproximação da data o meu sexto sentido entrou em acção. Seria boa ideia, pensei, confirmar e ver se estava tudo a correr como previsto. Não teria grande piada ter tudo pronto para a intervenção, com disrupção das actividades lectivas, e depois os responsáveis pela montagem dos quadros não aparecerem. Com o fax perdido entre as montanhas de papel, enviei um email à empresa a que foi adjudicada a empreitada dos quadros interactivos. Esta manhã, sem resposta ao email, aproveitei uma pausa na actividade para ligar para a delegação de Lisboa da dita empresa. Fui bem recebido, e informado que já tinham conhecimento do meu email, tendo-o encaminhado para a logística no Porto. Este iriam entrar brevemente em contacto comigo, asseguraram-me.
Algumas horas depois desta resposta mas ainda sem qualquer contacto, decidi tomar a coisa nas minhas mãos. Só precisava de confirmar a data e horas, bem como saber que dimensões teriam os quadros, uma vez que a sua colocação obrigará a retirar quadros de ardósia já existentes. Liguei para a delegação do Porto da empresa. Aí começaram as surpresas: fui simpaticamente informado que esta empresa, apesar de ser responsável no âmbito dos quadros interactivos, não efectuava a montagem, que tinha sido sub-contratada a outra empresa.
Novo telefonema, para esta nova empresa. Será que vão montar os quadros na próxima sexta? De facto, havia qualquer coisa agendada. Mas quem estava do lado de lá da linha estava habituado ao rigor das empreitadas públicas portuguesas. Perguntou-me se já tinham entregue os quadros. Entregue? Mas então quem monta não é quem entrega? Na verdade, não. E como os prazos não estavam a ser cumpridos, o conselho que me deu foi verificar com a empresa que entregará os quadros a data de entrega e depois marcar a data para instalação.
Novo telefonema, para a empresa que irá entregar os quadros interactivos. Confirma-se realmente a entrega para dia 8... até ao final do dia. A montagem tem data agendada, mas como gato escaldado de água fria tem medo, vou optar por confirmar pessoalmente com a empresa de montagem. Após finalizar este telefonema ligam-me da empresa de entrega dos quadros, para me esclarecer as dúvidas apresentadas no email... fiquei com a sensação que a comunicação entre secretárias lado a lado é difícil.
Resultado: preparámos a escola para uma forte disrupção no dia 8. E se eu não tivesse ligado à procura de confirmações, teria sido tudo em vão.
O que me irrita nesta situação é que perdi grande parte do dia a desembrulhar uma embrulhada que não é da minha responsabilidade. Se agisse apenas com base na informação de que dispunha teria arranjado um lindo sarilho. No papel, a entrega dos quadros vem com montagem incluída e a empresa que vende os quadros (mas afinal não os monta nem distribui) até publicou um belo vídeo a documentar como corre bem o processo numa escola da área da DREN. No papel, este é um processo rigoroso de prazos bem estabelecidos e formalidades a cumprir à risca. Na prática a coisa não é bem assim. E quanto ao prometido rácio de um quadro por cada três salas, ainda estou para perceber que algoritmo é que atribuiu quatro quadros a vinte e cinco salas. Será meio quadro por cada três salas, terei lido mal?
Como sinto a responsabilidade de zelar pelo bom cumprimento de tudo o que assino (é, afinal, o meu nome em questão) sou quem na prática se trama. As empresas lucram com estes contratos a prazo curto do ministério (a ordem é para ter o PTE pronto o mais rápido possível). Em época pré-eleitoral, o partido no governo alardeia o PTE como uma grande iniciativa (que é, realmente, uma iniciativa de mérito) com óbvios aproveitamentos eleitoralistas que até já incluem videos de actividades nas escolas aproveitados para tempo de antena partidário. Quem tem trabalho, mas não lucra, é quem tem a ingrata tarefa de coordenar esta floresta de sub-contratações, que tenta cumprir as directivas do ministério, que perde horas para lá do seu horário a acompanhar a montagem de equipamentos ou a desembrulhar logísticas e até a suprir as falhas de quem foi pago para prestar um serviço mas não o prestou na totalidade (no meu caso, ter de assegurar formação aos professores sobre o uso de projectores, uma vez que os responsáveis pela formação não compareceram na data marcada - até porque eram electricistas e não técnicos de projectores). Claro que a imagem que passa é a de profissionalismo das empresas e empenho do ministério. Se alguma coisa correr mal a culpa será, necessariamente, dos professores.
Algumas horas depois desta resposta mas ainda sem qualquer contacto, decidi tomar a coisa nas minhas mãos. Só precisava de confirmar a data e horas, bem como saber que dimensões teriam os quadros, uma vez que a sua colocação obrigará a retirar quadros de ardósia já existentes. Liguei para a delegação do Porto da empresa. Aí começaram as surpresas: fui simpaticamente informado que esta empresa, apesar de ser responsável no âmbito dos quadros interactivos, não efectuava a montagem, que tinha sido sub-contratada a outra empresa.
Novo telefonema, para esta nova empresa. Será que vão montar os quadros na próxima sexta? De facto, havia qualquer coisa agendada. Mas quem estava do lado de lá da linha estava habituado ao rigor das empreitadas públicas portuguesas. Perguntou-me se já tinham entregue os quadros. Entregue? Mas então quem monta não é quem entrega? Na verdade, não. E como os prazos não estavam a ser cumpridos, o conselho que me deu foi verificar com a empresa que entregará os quadros a data de entrega e depois marcar a data para instalação.
Novo telefonema, para a empresa que irá entregar os quadros interactivos. Confirma-se realmente a entrega para dia 8... até ao final do dia. A montagem tem data agendada, mas como gato escaldado de água fria tem medo, vou optar por confirmar pessoalmente com a empresa de montagem. Após finalizar este telefonema ligam-me da empresa de entrega dos quadros, para me esclarecer as dúvidas apresentadas no email... fiquei com a sensação que a comunicação entre secretárias lado a lado é difícil.
Resultado: preparámos a escola para uma forte disrupção no dia 8. E se eu não tivesse ligado à procura de confirmações, teria sido tudo em vão.
O que me irrita nesta situação é que perdi grande parte do dia a desembrulhar uma embrulhada que não é da minha responsabilidade. Se agisse apenas com base na informação de que dispunha teria arranjado um lindo sarilho. No papel, a entrega dos quadros vem com montagem incluída e a empresa que vende os quadros (mas afinal não os monta nem distribui) até publicou um belo vídeo a documentar como corre bem o processo numa escola da área da DREN. No papel, este é um processo rigoroso de prazos bem estabelecidos e formalidades a cumprir à risca. Na prática a coisa não é bem assim. E quanto ao prometido rácio de um quadro por cada três salas, ainda estou para perceber que algoritmo é que atribuiu quatro quadros a vinte e cinco salas. Será meio quadro por cada três salas, terei lido mal?
Como sinto a responsabilidade de zelar pelo bom cumprimento de tudo o que assino (é, afinal, o meu nome em questão) sou quem na prática se trama. As empresas lucram com estes contratos a prazo curto do ministério (a ordem é para ter o PTE pronto o mais rápido possível). Em época pré-eleitoral, o partido no governo alardeia o PTE como uma grande iniciativa (que é, realmente, uma iniciativa de mérito) com óbvios aproveitamentos eleitoralistas que até já incluem videos de actividades nas escolas aproveitados para tempo de antena partidário. Quem tem trabalho, mas não lucra, é quem tem a ingrata tarefa de coordenar esta floresta de sub-contratações, que tenta cumprir as directivas do ministério, que perde horas para lá do seu horário a acompanhar a montagem de equipamentos ou a desembrulhar logísticas e até a suprir as falhas de quem foi pago para prestar um serviço mas não o prestou na totalidade (no meu caso, ter de assegurar formação aos professores sobre o uso de projectores, uma vez que os responsáveis pela formação não compareceram na data marcada - até porque eram electricistas e não técnicos de projectores). Claro que a imagem que passa é a de profissionalismo das empresas e empenho do ministério. Se alguma coisa correr mal a culpa será, necessariamente, dos professores.
terça-feira, 5 de maio de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
...
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Mais experiências com o Bryce. Isto não passam de meros rabiscos, coisas elementares, rascunhos que só permitem aprender a manobrar o potencial da aplicação. Afinal, animar em Bryce é um processo muito similar ao stop-motion.
Ir à Feira
É possível ir à feira do livro e voltar de mãos vazias? Bem, no meu caso quase que sim. Não porque não goste de livros. Muito pelo contrário, sou um verdadeiro bookaholic. Mas as três pilhas que se encavalitam na mesa de cabeceira mais os gigabytes de ebooks mais o corrente estado desastroso da minha conta bancária não me deixam fazer muito.
Na verdade não sou grande fã da feira do livro. Acho-a uma excelente inicativa, e uma tradição que se espera duradoura, mas pessoalmente nunca me atraiu muito. Talvez pela disposição dos livros em bancas, talvez pelos magotes de gente que se acotovela de volta dos livros (o que é um excelente sinal, diga-se). As minhas desculpas. Sou alérgico a agrupamentos de pessoas. Também não sou fã do conceito de feira em geral.
Mesmo assim não vim de lá de mãos a abanar. Fiz um desgostinho à carteira e aumentei o acervo de comics nas prateleiras cá de casa. É irresistível...
Na verdade não sou grande fã da feira do livro. Acho-a uma excelente inicativa, e uma tradição que se espera duradoura, mas pessoalmente nunca me atraiu muito. Talvez pela disposição dos livros em bancas, talvez pelos magotes de gente que se acotovela de volta dos livros (o que é um excelente sinal, diga-se). As minhas desculpas. Sou alérgico a agrupamentos de pessoas. Também não sou fã do conceito de feira em geral.
Mesmo assim não vim de lá de mãos a abanar. Fiz um desgostinho à carteira e aumentei o acervo de comics nas prateleiras cá de casa. É irresistível...
domingo, 3 de maio de 2009
Nariz empinado

Brilhante, para comemorar o dia da terra. Já que falamos nisso, ontem foi o dia do espaço. Via Bizarro Blog.
Animações
Não são resultados extraordinários mas é um primeiro passo. Afinal, comecei a descobrir os segredos da animação em Bryce, graças a um vídeo que demonstra as acções elementares do processo. Pura serendipidade, ao estilo web 2.0: descobri o vídeo nos vídeos relacionados do YouTube quando deixei lá ontem as brincadeiras com o CamStudio. Quanto à animação em si pode-se dizer que o truque é simples e esteve literalmente sempre debaixo do meu nariz. Agora precisa-se é de ideias.
sábado, 2 de maio de 2009
Legiões de heróis
Parece ser um novo fenómeno/lenda urbana: homens e mulheres que se vestem com fatos garridos e saem às ruas mascarados, apostados em combater o crime. São normalissimos, excepto pelo pormenor de gostarem de se sentir super-heróis na vida real. Escolhem cognomes apropriados à dupla identidade, organizam-se em grupos e têm presença online. É um curioso caso bleeding edge de disfunção provocada por exposição excessiva à cultura pop.
Será que a moda pega por cá? Será que a Ericeira precisa de um cavaleiro do pôr-do-sol ou um vingador da beira-mar?
Curiosamente, uma das minhas memórias de criança é a de um homem de meia idade que gostava de se passear pela Avenida de Roma (e que outras redondezas não sei, que isto de infâncias urbanas têm sempre rédea curta) vestido de uma forma única: calções e camisola justos, cinto com bolsas e uma ominosa bengala. Nos finais dos anos 80, quando eu estava a descobrir os comics com as reedições brasileiras da Abril dos super-heróis da Marvel, esta visão pelas avenidas de Lisboa era difícil de não relacionar com o mundo dos vigilantes da ficção em quadricromia. O que corria na avenida era que este homem era de boas famílias mas com um fusível estoirado na caixa craniana. Recordo-me vivamente das poucas vezes que vi o herói da avenida quando vinha da catequese na igreja de s. joão de deus para a casa da minha madrinha, que vivia mesmo ao lado das piscinas do areeiro. Mas este até não era o mais estranho dos passeantes regulares da Avenida de Roma. Essa honra vai para a mulher que durante anos todos os dias subiu e desceu a avenida vestida de noiva. Mais uma vez o que corria era que a infeliz tinha enlouquecido depois de ser abandonada no altar. Se sim ou senão, é algo que nunca descortinarei.
Será que a moda pega por cá? Será que a Ericeira precisa de um cavaleiro do pôr-do-sol ou um vingador da beira-mar?
Curiosamente, uma das minhas memórias de criança é a de um homem de meia idade que gostava de se passear pela Avenida de Roma (e que outras redondezas não sei, que isto de infâncias urbanas têm sempre rédea curta) vestido de uma forma única: calções e camisola justos, cinto com bolsas e uma ominosa bengala. Nos finais dos anos 80, quando eu estava a descobrir os comics com as reedições brasileiras da Abril dos super-heróis da Marvel, esta visão pelas avenidas de Lisboa era difícil de não relacionar com o mundo dos vigilantes da ficção em quadricromia. O que corria na avenida era que este homem era de boas famílias mas com um fusível estoirado na caixa craniana. Recordo-me vivamente das poucas vezes que vi o herói da avenida quando vinha da catequese na igreja de s. joão de deus para a casa da minha madrinha, que vivia mesmo ao lado das piscinas do areeiro. Mas este até não era o mais estranho dos passeantes regulares da Avenida de Roma. Essa honra vai para a mulher que durante anos todos os dias subiu e desceu a avenida vestida de noiva. Mais uma vez o que corria era que a infeliz tinha enlouquecido depois de ser abandonada no altar. Se sim ou senão, é algo que nunca descortinarei.
Modelação Booleana
Art Of Illusion | Boolean Modeling
Brycetech | Boolean Operations
Tutoriais Bryce
A modelação booleana é lógica aplicada ao desenho. Se se atribuir a uma forma propriedades positivas e a outra forma propriedades negativas, ao agruparem-se a forma negativa cria um buraco na forma positiva. Com alguma imaginação e paciência podemos ir mais longe: imagine-se um cubo positivo e um cubo negativo, concêntrico mas mais pequeno: agrupa-se e ficamos com um cubo oco. Agora adicionemos a esse cubo alguns paralelepípedos que intersectem o cubo. Agrupemos e temos um cubo oco com janelas. Este é o truque de modelação com primitivos (formas tridimensionais como o cubo, a esfera, o cone, a pirâmide e o toro) que com criatividade permite umas aventuras divertidas no Bryce.
Não é a melhor forma de modelar, nem a mais perfeita, mas é aquela que por enquanto domino. É que nisto do 3D ser autodidacta é muito difícil. Nem me falem em animar. Um destes dias descubro o truque.
(O vídeo foi uma forma de testar as capacidades do CamStudio, um opensource para captura de ecrã em video.)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Compreender-me

Marshall McLuhan (2009). Compreender-me: Conferências e Entrevistas. Lisboa: Relógio D'Água.
Marshall McLuhan
McLuhan não passaria de um intelectual esquecido com umas ideias esquisitas sobre os meios de comunicação senão por um importante pormenor: a explosão do mundo digital que a internet trouxe. Professor de literatura inquisitivo sobre os efeitos dos meios de comunicação sobre as formas de pensar, McLuhan teve a presciência de antever o mundo digital em que agora estamos mergulhados. Numa era em que o conceito de computador mal passava do monolítico mainframe e o media electrónico dominante era a televisão, dificilmente um paradigma de interactividade libertadora da criatividade humana, o autor conseguiu prever a fragmentação, as mudanças cognitivas, o encolher do planeta enquanto espaço conceptual e o desintegrar da sociedade industrial estruturada na sociedade complexa e pluridimensional tornada possível pelo mundo digital.
Falecido numa época em que o digital começava a despontar nas linhas por si previstas, McLuhan deixou-nos clássicos do pensamento sobre os media como Compreender os Media, The Media is the Massage ou War and Peace in the Global Village. Lê-los é um vislumbre dos insights de uma mente de génio, que soubre construir uma imagem coerente a partir de fragmentos díspares da história, da literatura e dos media, uma imagem das transformações conceptuais da mente humana que nos mostra até que ponto somos criaturas do nosso próprio tempo.
Compreender-me: Conferências e Entrevistas reúne textos de conferências e transcrições de entrevistas que sublinham de forma condensada as ideias de McLuhan sobre a sociedade influenciada pelos media, dois conceitos que o autor mostra serem indissociáveis. O livro funciona como uma espécie de mcluhanismo redux, sendo uma boa porta de acesso à obra deste autor tão influente no nosso corrente conceito de sociedade. Para os que já conhecem a obra de McLuhan, esta é uma oportunidade de aprofundar as suas ideias, sempre frescas e surpreendentes.
Leituras
Queridas Bibliotecas | Sacco e Vanzetti José Fanha recorda-nos o que é que realmente celebramos no 1º de Maio: a morte de dois operários americanos, executados pelo crime de exigir direitos laborais.
Gizmodo | GoDaddy Tells Us Not to Buy .TV Domains Because Tuvalu Is Sinking? Se estiver a pensar adquirir um domínio .tv se calhar é melhor mudar de ideias... com o aquecimento global, as ilhas de Tuvalu estão a afundar-se.
Fortean Times | Lost in Space Uma história a precisar de confirmação: um grupo de radioamadores italianos conseguiu durante décadas ouvir as comunicações rádio dos programas espaciais soviético e americano. Entre outras coisas, ouviram o canto de cisne de um astronauta cuja cápsula se encontrará à deriva no sistema solar.
Walrus Magazine | Chop Chop Square O turismo na arábia saudita pode ter destes percalços: ao tomar café numa esplanada de uma das praças principais de Riade podemos ter direito à visão de decapitações de condenados pelo sistema judicial saudita.
Gizmodo | GoDaddy Tells Us Not to Buy .TV Domains Because Tuvalu Is Sinking? Se estiver a pensar adquirir um domínio .tv se calhar é melhor mudar de ideias... com o aquecimento global, as ilhas de Tuvalu estão a afundar-se.
Fortean Times | Lost in Space Uma história a precisar de confirmação: um grupo de radioamadores italianos conseguiu durante décadas ouvir as comunicações rádio dos programas espaciais soviético e americano. Entre outras coisas, ouviram o canto de cisne de um astronauta cuja cápsula se encontrará à deriva no sistema solar.
Walrus Magazine | Chop Chop Square O turismo na arábia saudita pode ter destes percalços: ao tomar café numa esplanada de uma das praças principais de Riade podemos ter direito à visão de decapitações de condenados pelo sistema judicial saudita.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
OLPC XO Sugar
Sempre que falo no Magalhães recordo que este projecto é antes de mais uma oportunidade perdida - a de utilizar um aparelho concebido de raiz centrado no interesse educativo e lúdico da criança, seguindo o trabalho dos pedagogos construtivistas como Seymour Papert e teóricos como Marvin Minsky (esse mesmo), coordenado por Negroponte, o Sr. MIT. Normalmente mostro umas imagens do OLPC e falo da importância do projecto - primeiro portátil a preço baixo (é o famoso projecto de portátil dos 100 dólares), projecto de desenvolvimento, filosofia de colaboração, software livre e aberto. Finalmente, graças à maravilha da virtualização, consegui experimentar o Sugar, o sistema operativo no centro do projecto OLPC. E finalmente percebi o conceito: o OLPC não está concebido à volta do que o computador pode fazer, mas sim do que a criança pode fazer com o computador. Fica aqui o vídeo de uma sessão no OLPC virtual.
As decisões já foram tomadas e os magalhães já estão nas mãos de milhares de crianças (num processo deveras atribulado). Pela brilhante e importante decisão do governo, estimulamos as crianças não a desenvolverem o seu potencial mas a aprenderem o credo da confiança cega na inevitabilidade de ser cliente da microsoft.
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Brincadeiras nocturnas com modelação booleana (lógica de exclusão).
Manhã. Duas aulas, perdidamente analógicas de modelação tridimensional em pasta de modelar. Não é das minhas actividades favoritas, graças ao potencial de sujidade, mas os alunos adoram. Clube digital: não posso exigir muito de alunos que frequentam um clube à hora de almoço. Na prática é um atl glorificado. Tutoria: o meu tutorando, que gosta mesmo é do windows, mostrou-se capaz de instalar programas através do synaptic. No caso, o wine para poder correr um jogo para windows. Sucesso com o wine, sucesso com a emulação do jogo. Infelizmente, os ubuntus estão a correr em velhas máquinas com 256 de RAM (a sério, e funcionam). Aguenta o so, aguenta o firefox, algumas pens e openoffice. Jogos intensivos nem por isso. Após as aulas, detectei ao fazer uma verificação aos ubuntus da escola que a nova versão do sistema está disponível através das actualizações. Nem pensei duas vezes: toca de actualizar do 8.10 para o 9.04 via net. Útil, mas a escolha do momento foi pouco inteligente: uma hora e meia para descarregar todos os ficheiros, mais uma hora para instalar. Teria sido mais rápido com um live cd. Resultado: mais um dia em que a única hora prevista foi a de chegada à escola... às 8:30 em ponto, nem deu para ir buscar um café à máquina antes de entrar na sala.
Zombie Lake

IMDB | Zombie Lake
No escalão dos piores filmes de zombies a concorrência pelos últimos lugares é grande. Este sub-género do cinema de terror raramente se destaca pelo brilhantismo dos seus filmes, salvaguardando as devidas excepções. A larga maioria dos filmes é classificável algures entre o mediocre, o péssimo e o sofrível. Mesmo assim, há filmes que ainda conseguem baixar a fasquia.
É o caso deste Zombie Lake, filme inclassificavelmente mau que por isso se torna divertido de ver. A premissa até promete: um pelotão de soldados alemães assombra um lago perto de uma pequena vila francesa. Há até um flashback ao passado, na forma de uma história de amor entre um dos soldados e uma jovem francesa salva de um bombardeamento. O filme podia ser interessante.
No que realmente interessa o filme falha redondamente. Os temíveis zombies não passam de tipos molhados vestidos com uniformes da wermacht e maquilhagem verde que se dissolve na àgua. Não deixa de ser divertido ver os "zombies" agarrar as suas vítimas debaixo de àgua sem esquecer de vir à tona para respirar. Grande parte das vítimas são jovens raparigas que gostam de aproveitar o lago para uns mergulhos que deixam de lado os fatos de banho, em cenas que compõem uma parte substancial do filme. Os efeitos especiais são risíveis - a maquilhagem verde que se dissolve na àgua, as explosões em que os actores saltam primeiro, rebolam e depois é que se vê uma misera núvem de fumo.
A minha atracção pelo sub-género zombie envolve uma mistura entre as profundas questões levantadas por filmes como os de Romero, o gozo adolescente por efeitos especiais gore e uma certa atracção por ideias apocalípticas. Zombie Lake é um filme que escapa incólume a quaisquer destas ilações.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
The Story Of Art

E.H. Gombrich (2008). The Story Of Art. Londres: Phaidon.
The Gombrich Archive
Phaidon | The Story Of Art
Há uma tentação forte de ver a história da arte como uma sucessão de revoluções, em que os artistas de cada época rejeitam o legado dos seus antecessores na busca incessante de novas formas de expressão, visão essa que culmina na explosão de ismos que o século XX nos legou. A busca incessante de novas formas de expressão e representação é uma constante, mas a visão de rejeição é redutora face à linha contínua de desenvolvimento das artes. Gombrich mostra-nos, de forma encantadoramente simples mas com uma argumentação férra, que a história da arte é uma linha contínua de busca de soluções aos desafios da representação e expressão. Épocas que tradicionalmente são vistas como retrocessos (caso da idade média) são mostradas como vibrantes passos em frente.
Enquanto o papel do artista muda conforme a sociedade em que este se insere, a busca incessante por novas soluções faz evoluir a estética. Note-se que a imagem do artista como intelectual solitário que no seu atelier produz obras de cariz pessoal é muito recente. Ao longo da história o artista é essencialmente um artesão, considerado como tal, algo que só começou a mudar com o esforço que os artistas do renascimento em legitimizar a arte como uma ocupação com valor intelectual e que se cimentou num século XIX em que a invenção da fotografia retirou às restantes artes visuais a função de representação do real - ou antes, como Gombrich também demonstra, de uma visão necessariamente artificial e condicionada do que constitui o real.
A mais apaixonante conclusão de Gombrich, com a qual encerra esta imprescindível obra de divulgação, é a ideia que não existe tal coisa como Arte, mas sim homens e mulheres que, dotados da capacidade de equilibrar formas e cores, não se contentam com soluções simples e tentam sempre procurar formas sinceras de responder a um dos problemas que acompanha o homem desde a noite dos tempos, desde as primeiras mãos pintadas na rocha fria das cavernas.
terça-feira, 28 de abril de 2009
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Quatro?

Enki Bilal (2009). Quatro?. Lisboa: Asa
Wikipedia | Enki Bilal
Quatro? encerra a teratologia Hatzfeld, com que Bilal exorcizou fantasmas do colapos da Jugoeslávia. Obra densa, Quatro? não se presta a interpretações fáceis na sua visão distópica de um futuro de obscuro clericalismo onde os três orfãos da guerra acabam por se reunir, sob influência de uma enigmática personagem alienígena que oscila entre o bem e o mal.
Bilal continua igual a si próprio e este album de banda desenhada não desilude. O poderoso grafismo que oscila entre um concreto que se dilui em manchas nebulosas e as visões surreais transmite uma certa ideia de individualismo perdido entre forças ocultas que estruturam as sociedades que é característico da obra do autor. Fiel à tradição europeia do album de banda desenhada, produto artístico por mérito próprio, Bilal desenrolou a sua história ao longo de uma década, fugindo ao imediatismo do lado mais comercial da BD.
Quatro?, em conjunto com os restantes livros da tetralogia, misturam absurdo e distopia, obrigando-nos a recordar um dos momentos mais absurdos e distópicos da história da europa contemporânea, que nos legou Sarajevo como um monumento à crueldade e a implosão violenta de um país em facções separadas apenas por nuances culturais, algo que consideravamos impossível numa europa moderna e cada vez mais unida.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Leituras
The Dying Fall Segundo o Guardian, esta é a última história escrita por J. G. Ballard. Ou talvez não. De qualquer forma, é um bom memorial ao autor, recentemente falecido.
Asifa | Our Dreams Of The Future Ensaio sobre o fascínio das visões da cultura popular sobre o futuro. Para viciados em retrofuturismos.
A Vodafone está a lançar o HTC Magic, um telemóvel que corre o Android, a resposta da Google aliada à comunidade de software de fonte aberta ao iPhone em Espanha, e em Inglaterra. Os preços são muito competitivos. Será que chega a portugal e, mais importante, com preços acessíveis aos meus (vazios) bolsos?
Asifa | Our Dreams Of The Future Ensaio sobre o fascínio das visões da cultura popular sobre o futuro. Para viciados em retrofuturismos.
A Vodafone está a lançar o HTC Magic, um telemóvel que corre o Android, a resposta da Google aliada à comunidade de software de fonte aberta ao iPhone em Espanha, e em Inglaterra. Os preços são muito competitivos. Será que chega a portugal e, mais importante, com preços acessíveis aos meus (vazios) bolsos?
Les Mistons

IMDB | Les Mistons
Um dos aspectos que atrai no cinema de Truffaut é a sua visão pouco complacente da infância. Ao invés da inocência proverbial, o realizador mostra uma visão desapaixonada, em que a crianca surge como um ser incompleto, inquieto e por vezes implacável roçando a maldade. Truffaut aborda esta questão com a consciência da transiência que o crescimento traz, algo muito visível na série de filmes em que Antoine Doinel, que cresce de rapaz condenado ao reformatório pelos seus actos a homem maduro e escritor, sempre preso pela sua paixão pelas mulheres no arco fílmico que se inicia com Les 400 Coups.
Les Mistons é a primeira curta-metragem realizada por Truffaut e envolve as tropelias selvagens de cinco rapazes que, atraídos por uma rapariga mais velha, fazem a vida negra aos seus namoros. Como o narrador nos vai recordando ao longo do filme, a atracção pela rapariga é uma atracção inocente pelos mistérios do amor, extravasada em inúmeras tropelias e vandalismos. A maldade intrínseca da criança, utilizada para utrapassar os limites sociais e culturais no que é um passo importante para o crescimento da pessoa, é posta a nú pelo olhar clínico de Truffaut no retrato nostálgico destes cinco arruaceiros. Les Mistons pode ser visto no YouTube em duas partes: Les Mistons (1/2) e Les Mistons (2/2).
domingo, 26 de abril de 2009
IE 8
Grande erro. Decidi actualizar o Internet Explorer para a versão mais recente. Só utilizo o IE para editar graficamente a página da escola, porque o Chrome e o Opera não se dão bem com o TinyMCE, o editor de texto incorporado no moodle. A nova versão do Explorer, a 8, nem para isso me serve. Pior: não apresenta imagens em png, que é o meu formato favorito para imagens transparentes (o png não tem aquele aspecto pontilhado do gif), o que implica que metade das imagens do site da escola são apresentadas como uma cruzinha vermelha aos utilizadores do IE8. Quanto ao browser em si, pareceu-me mais rápido do que a versão anterior, tem algumas funções de privacidade e atalhos para a web 2.0 versão microsoft. Descarregar e instalar é uma experiência dolorosa - depois de 20 megabytes e uns trocos do instalador ainda há que ligar para descarregar as actualizações antes do processo de instalação. Lento e demorado.
Para resolver o meu problema do TinyMCE resolvi instalar o Firefox. Quanto ao IE 8, o meu conselho é que não percam tempo com a sua instalação. Pela minha parte, faz sempre jeito mais espaço no disco.
Para resolver o meu problema do TinyMCE resolvi instalar o Firefox. Quanto ao IE 8, o meu conselho é que não percam tempo com a sua instalação. Pela minha parte, faz sempre jeito mais espaço no disco.
sábado, 25 de abril de 2009
Voyage à Travers L'Impossible
Após o sucesso do clássico do cinema que foi Voyage Dans La Lune, Georges Meliès criou este mais ambicioso Voyage à travers l'impossible. Um dos primeiros filmes de ficção científica, disponível em três partes no You Tube: parte 1, parte 2 e parte 3
35 Anos
Parabéns, 25 de Abril, parabéns, Portugal. Recordemos o momento da história contemporânea em que o portugal dos pequeninos ousou acreditar que conseguia mudar. Um momento cujas lições merecem ser revisitadas, nesta época em que preferimos abandonar os deveres de cidadania e voltar a confiar no autoritarismo de pretensos salvadores da pátria, capazes de resolver os problemas do país.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
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O filme A Escolha, participação do Centro de Recursos Poeta José Fanha do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro no concurso Bibliofilmes ganhou o primeiro prémio na categoria de vídeo de comédia. Tenho a sensação que éramos os únicos a concurso...
Dia de trabalho: verificar as mensagens no mail, descarregar o novíssimo Jaunty Jackalope e descobrir que o truque para criar uma máquina virtual que funcionou com o Hardy Heron e o Ubuntu Studio falha redondamente, reparar mais um magalhães com erro no arranque do Caixa Mágica 12 Mag (resolvível com o fsck e como sou porreirinho descarreguei uns jogos para o aluno... há que investir no futuro... o miúdo há-de ser meu aluno mais ano menos ano), contar computadores, impressoras, telefones e software para um inquérito do GEPE (nota mental: desenvolver técnicas para que outros façam o meu trabalho, seguindo o exemplo do GEPE) e aproveitar a aula do dia para treinar a evacuação dos alunos em caso de catástrofe. Já fomos avisados que em breve haverá um incêndio/terramoto/ameaça de bomba na escola.
Agora, adeus interweb. Time to sleep. Não foi um dia de cão mas foi cansativo.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Leituras
Nepal firm to expand mobile coverage to Everest 'Tou xim? Aqui fala do cume do Everest! A Nepal Telecom planeia expandir a cobertura sobre a zona da montanha mais alta do mundo. Os alpinistas agradecem: sai mais barato um telemóvel do que um telefone de satélite.
Ubuntu 9.04 Fieis ao calendário de actualizações. A nova versão do Ubuntu já está cá fora. Imaginem o que vou fazer amanhã de manhã nas horas de coordenação TIC.
How to crack the account password on any OS Pode ser preciso um destes dias, quem sabe...
Ubuntu 9.04 Fieis ao calendário de actualizações. A nova versão do Ubuntu já está cá fora. Imaginem o que vou fazer amanhã de manhã nas horas de coordenação TIC.
How to crack the account password on any OS Pode ser preciso um destes dias, quem sabe...
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Apanhado em flagrante numa actividade do centro de recursos. Nerd cred: o livro é o Security Administrator Street Smarts.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
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High Tech
A notícia simpática da semana é o voo de treino de pilotos de combate em que um humilde F-5 abateu simuladamente um F-22. Parece pouca coisa, até se ver que o F-5 é um avião baratucho já semi-obsoleto e que o F-22 é o super-caça da actualidade, corolário das mais avançadas tecnologias de combate. Terá sido um piloto super-experiente ou estupidamente sortudo. A questão é que o F-22 foi concebido para fazer face aos mais avançados caças de 4ª geração... e é "abatido" por um caça concebido como produto fraquito para exportação. Não é que as coisas corram melhor com o F-35, outro super-projecto de avião de combate: parece que hackers chineses e russos foram capazes de penetrar nas redes do pentágono e roubar alguns dos segredos do JSF.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Ubuntronics
Fiquei fascinado por esta notícia sobre um projecto em que ondas cerebrais comandam máquinas, não tanto pelo projecto (se bem que interfaces neuronais são sempre fascinantes) nem pela concepção portuguesa do projecto (desenvolvido no Instituto de Sistemas e Robótica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra). O que mais me fascinou foi um relance visto na reportagem televisiva: o interface permite controlar um robot que é controlado por um portátil acer a correr... Ubuntu. Boa!
Rasgados elogios.
Expresso | Guru da tecnologia lança rasgados elogios ao magalhães
Para Don Tapscott, um dos autores do Wikinomics, livro optimista de cariz panglossiano sobre práticas colaborativas na ultracompetitiva economia de mercado, "o Programa Magalhães é a mais sofisticada e avançada implementação das tecnologias de informação em educação no mundo". Claramente ficou-se pela leitura da propaganda ministerial e por visitas pontuais de convidado ilustre a uma sala modelo ou outra. Fora das teorias, realidade a realidade é bem diferente, com a aplicação desorientada do projecto no terreno, com uma total falta de orientações pedagógicas, assimetrias nas entregas e a transformação de alguns professores em técnicos que prestam apoio informático gratuito em nome das empresas que fabricam e distribuem a maravilha azul, entre outras. O magalhães está a transformar-se em mais um projecto tipicamente à portuguesa: uma beleza no papel e um desastre na realidade (excepto para o balanço das empresas que o fabricam e o vendem sem precisar de prestar qualquer apoio técnico).
E é pena, porque a ideia tem potencial (isto digo eu, McLuhanista convicto).
Para Don Tapscott, um dos autores do Wikinomics, livro optimista de cariz panglossiano sobre práticas colaborativas na ultracompetitiva economia de mercado, "o Programa Magalhães é a mais sofisticada e avançada implementação das tecnologias de informação em educação no mundo". Claramente ficou-se pela leitura da propaganda ministerial e por visitas pontuais de convidado ilustre a uma sala modelo ou outra. Fora das teorias, realidade a realidade é bem diferente, com a aplicação desorientada do projecto no terreno, com uma total falta de orientações pedagógicas, assimetrias nas entregas e a transformação de alguns professores em técnicos que prestam apoio informático gratuito em nome das empresas que fabricam e distribuem a maravilha azul, entre outras. O magalhães está a transformar-se em mais um projecto tipicamente à portuguesa: uma beleza no papel e um desastre na realidade (excepto para o balanço das empresas que o fabricam e o vendem sem precisar de prestar qualquer apoio técnico).
E é pena, porque a ideia tem potencial (isto digo eu, McLuhanista convicto).
segunda-feira, 20 de abril de 2009
The Graveyard Book

The Graveyard Book
Neil Gaiman é um mestre da literatura fantástica que está no auge das suas capacidades. Encontrou a sua fórmula e explora-a, fascinando os seus leitores. Muitos são os escritores que encontram o seu nicho, mas são poucos os que o conseguem fazer com genialidade. Gaiman pertence a este reduzido grupo.
The Graveyard Book pega no velho tema de Gaiman, o da viagem enquanto processo de descoberta. Mas esta viagem passa-se toda num mesmo local. A verdadeira viagem é o crescimento do personagem. A obra passa-se num cemitério, que alberga uma colecção eclética de personagens falecidas e um muito especial, o jovem Nobody Owens, que se refugiou no cemitério quando ainda mal podia andar e foi adoptado pelos fantasmas que habitam por entre os túmulos e guardado por um guardião que nem está vivo nem morto. A família real de Nob, como o rapaz é conhecido, foi assassinada por um assassino misterioso. As mortes tiveram um objectivo: travar o nascimento de uma criança capaz de viver na fronteira entre a morte e a vida e que ameaçaria a existência de uma ordem tenebrosa e misteriosa. Num retoque típico de romance fantástico, é precisamente a acção levada a cabo para travar a ameaça que cria a ameaça que destroi aqueles que a temem. Os vilões nunca aprendem a ficar quietinhos.
É na prosa que Gaiman mais nos fascina. A história desenrola-se com uma certa previsibilidade, que é até esperada. É nas volutas, no estilismo do autor, que está o nosso fascínio, e Gaiman não desaponta. Com personagens que brincam com as convenções do género e uma facilidade na elegância da liguagem que faz parecer simples algo que é muito difícil de conseguir, The Graveyard Book é uma leitura que só se deixa terminar quando se vira a última página e se lê a última palavra, desapontado porque... terminou o mergulho em mais um mundo fantástico criado pelo maior escritor contemporâneo de fantasia.
Concurso Bibliofilmes
Já está aberto o voto popular do concurso Bibliofilmes, no qual o Centro de Recursos Poeta José Fanha participou com a curta A Escolha. Para votar, vão à página do Bibliofilmes 2009 e escolham os filmes que preferirem. A votação encerra no dia 23.
PS: Não votem só na Escolha :-)... há nos filmes a concurso umas agradáveis surpresas em stop-motion.
PS: Não votem só na Escolha :-)... há nos filmes a concurso umas agradáveis surpresas em stop-motion.
domingo, 19 de abril de 2009
Memória Ballardiana.
A BBC reportou o falecimento do escritor inglês J. G. Ballard. Criador de pérolas do conto de ficção científica e voz literária da modernidade urbana, Ballard deu o salto da FC para o mainstream literário sem nunca perder a sua precisão linguística, visão surreal e instinto para as reais implicações da modernidade tecnológica no espírito humano. A distopia das utopias, a geometria da arquitectura e a fragmentação da vida intensificada pelos media eram alguns dos seus grandes temas. Para a história ficam obras como Highrise, The Atrocity Exhibition, Crash, Hello America ou Concrete Island.
A minha peça favorita de Ballard é o pequeno conto Chronopolis, às voltas com o totalitarismo do cronógrafo. Com a partida de Ballard um dos meus heróis desvaneceu-se na longa noite do tempo. Sic transit mundi.
A minha peça favorita de Ballard é o pequeno conto Chronopolis, às voltas com o totalitarismo do cronógrafo. Com a partida de Ballard um dos meus heróis desvaneceu-se na longa noite do tempo. Sic transit mundi.
sábado, 18 de abril de 2009
Password de root
Magalhães root password - palavra-passe de raiz, obrigatória para tarefas administrativas, também a palavra-passe do su (superutilizador ou super-user), o administrador com permissões totais em linux:
pte2010 ou magalhaes (depende das versões).
A segunda password desbloqueia o Caixa Mágica Mag que tenho virtualizado neo meu pc, distribuído pela Caixa Mágica e que corresponde aos primeiros Magalhães. Normalmente os magalhães entregues aos alunos desbloqueiam com a primeira password, necessária para fazer operações delicadas ao sistema ou instalar software através do Synaptic. É isso mesmo, miúdos: se querem instalar mais jogos no vosso Magalhães liguem-se à net e corram o Synaptic, que encontram no Menu K se clicarem no Instalador de Pacotes. E já que estão em instalações instalem o Cinelerra, o Synfig ou o Open Movie Editor, mas não abusem dos videos que o Magalhães não aguenta muita coisa.
Confesso que o caixa mágica está a ser uma excelente surpresa. Um destes dias elaboro. Este post é uma resposta directa aos termos de pesquisa dos utilizadores que acedem a este recanto da internet.
pte2010 ou magalhaes (depende das versões).
A segunda password desbloqueia o Caixa Mágica Mag que tenho virtualizado neo meu pc, distribuído pela Caixa Mágica e que corresponde aos primeiros Magalhães. Normalmente os magalhães entregues aos alunos desbloqueiam com a primeira password, necessária para fazer operações delicadas ao sistema ou instalar software através do Synaptic. É isso mesmo, miúdos: se querem instalar mais jogos no vosso Magalhães liguem-se à net e corram o Synaptic, que encontram no Menu K se clicarem no Instalador de Pacotes. E já que estão em instalações instalem o Cinelerra, o Synfig ou o Open Movie Editor, mas não abusem dos videos que o Magalhães não aguenta muita coisa.
Confesso que o caixa mágica está a ser uma excelente surpresa. Um destes dias elaboro. Este post é uma resposta directa aos termos de pesquisa dos utilizadores que acedem a este recanto da internet.
Somos donos do que compramos?
Somos donos daquilo que adquirimos? Em princípio sim, mas a conjugação da propriedade intelectual com o mundo digital começa a apontar noutro sentido. A inclusão de DRM (gestão digital de direitos) nos ficheiros digitais que adquirimos permite segurança para o vendedor e honestidade para o comprador. Um produto digital com DRM garante que quem cria ou produz recebe a devida compensação pelo seu trabalho. Pelo menos em teoria. Na prática, a inclusão de DRM abriu a porta a micromonopólios e a formas inéditas de sacar impunemente dinheiro aos consumidores. Como exemplos, temos a questão do iPod e do iTunes: se mudar o seu sistema operativo para Linux, o iPod e as canções que adquiriu deixam de funcionar. Não vale a pena reclamar. O dinheiro já está pago. O que me dá mais razão na minha eterna fuga à Apple. Fazem computadores e gadgets muito bem desenhados, mas totalmente fechados. O espírito da coisa pode ser comparada a um culto religioso fundamentalista.
A mais recente notícia de práticas restritivas de DRM vem no nascente mercado de livros electrónicos. A Amazon, a maior das lojas online, lançou o Kindle, um leitor de ebooks direccionado para a aquisição e leitura de livros digitais através do seu site. Também permite ler formatos mais abertos (como Txt ou pdf com restrições). O problema está nos ex-clientes da Amazon: se um utilizador anular a sua conta com a loja digital, ou esta for suspensa, os ebooks que legalmente adquiriu deixam de ser acessíveis no kindle. O equivalente físico seria ser proibido de entrar numa livraria e os funcionários virem a casa buscar os livros que foram comprados sem devolver o dinheiro gasto na aquisição. Uma noção ridícula, mas pelos vistos perfeitamente aceitável na economia digital. Quando é que não somos donos do que adquirimos? Quando se compra um ficheiro digital (música, filme, livro, programa) protegido com esquemas de DRM deste género.
Estas brincadeiras não são novas, em que um produtor/comerciante online, após elevados discursos sobre propriedade intelectual/protecção dos direitos dos autores/fazer crescer uma nova economia, mostra as suas reais intenções como mero caça níqueis contente por nos forçar a adoptar esquemas de protecção que obrigam o consumidor a adquirir o mesmo produto vezes sem conta. É o que se passa quando grandes lojas ou editoras musicais perdem interesse nas suas muito badaladas lojas de música online (porque não tiveram o retorno esperado em curto espaço de tempo) e as fecham. Quem lhes comprou música depressa descobre que a música perdeu a validade, sendo incapaz de a voltar a ouvir.
A questão dos direitos de autor é complexa. O direito de quem cria e produz ser devidamente compensado pelo seu esforço é inalienável. Quantos de nós trabalhariam de graça no seu emprego? Por outro lado, os excessos mercantilistas de quem visa maximizar os lucros a curto prazo forçando a adaptação de políticas restritivas são altamente prejudiciais. A extensão excessiva do período de vigência dos direitos de autor coloca potencialmente milhões de obras no esquecimento - porque os detentores dos seus direitos preferem publicitar as obras mais lucrativas a curto prazo, deixando esquecidos os trabalhos que apelam a nichos mais reduzidos. Mas ai de quem vier re-publicar trabalhos esquecidos online. Leva logo com um processo. Por isso é que há livros antigos no Projecto Gutenberg que não estão disponíveis no site norte-americano mas descarregáveis no site australiano, devido às diferenças das respectivas leis de propriedade intelectual. Note-se que não estamos a falar da cultura pop comercial, mas sim do património cultural da humanidade. Quanto à perda de validade de ficheiros com DRM, no mundo físico há um nome para isso: extorsão.
A mais recente notícia de práticas restritivas de DRM vem no nascente mercado de livros electrónicos. A Amazon, a maior das lojas online, lançou o Kindle, um leitor de ebooks direccionado para a aquisição e leitura de livros digitais através do seu site. Também permite ler formatos mais abertos (como Txt ou pdf com restrições). O problema está nos ex-clientes da Amazon: se um utilizador anular a sua conta com a loja digital, ou esta for suspensa, os ebooks que legalmente adquiriu deixam de ser acessíveis no kindle. O equivalente físico seria ser proibido de entrar numa livraria e os funcionários virem a casa buscar os livros que foram comprados sem devolver o dinheiro gasto na aquisição. Uma noção ridícula, mas pelos vistos perfeitamente aceitável na economia digital. Quando é que não somos donos do que adquirimos? Quando se compra um ficheiro digital (música, filme, livro, programa) protegido com esquemas de DRM deste género.
Estas brincadeiras não são novas, em que um produtor/comerciante online, após elevados discursos sobre propriedade intelectual/protecção dos direitos dos autores/fazer crescer uma nova economia, mostra as suas reais intenções como mero caça níqueis contente por nos forçar a adoptar esquemas de protecção que obrigam o consumidor a adquirir o mesmo produto vezes sem conta. É o que se passa quando grandes lojas ou editoras musicais perdem interesse nas suas muito badaladas lojas de música online (porque não tiveram o retorno esperado em curto espaço de tempo) e as fecham. Quem lhes comprou música depressa descobre que a música perdeu a validade, sendo incapaz de a voltar a ouvir.
A questão dos direitos de autor é complexa. O direito de quem cria e produz ser devidamente compensado pelo seu esforço é inalienável. Quantos de nós trabalhariam de graça no seu emprego? Por outro lado, os excessos mercantilistas de quem visa maximizar os lucros a curto prazo forçando a adaptação de políticas restritivas são altamente prejudiciais. A extensão excessiva do período de vigência dos direitos de autor coloca potencialmente milhões de obras no esquecimento - porque os detentores dos seus direitos preferem publicitar as obras mais lucrativas a curto prazo, deixando esquecidos os trabalhos que apelam a nichos mais reduzidos. Mas ai de quem vier re-publicar trabalhos esquecidos online. Leva logo com um processo. Por isso é que há livros antigos no Projecto Gutenberg que não estão disponíveis no site norte-americano mas descarregáveis no site australiano, devido às diferenças das respectivas leis de propriedade intelectual. Note-se que não estamos a falar da cultura pop comercial, mas sim do património cultural da humanidade. Quanto à perda de validade de ficheiros com DRM, no mundo físico há um nome para isso: extorsão.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
?
Uma curiosa novidade à volta do magalhães: chegou às escolas um questionário onde se pergunta que justificação foi dada para a não adesão ao projecto. Houve pais e encarregados de educação que optaram por não aderir ao programa e-escolinhas - por razões económicas, por discordarem do projecto, por terem já disponibilizado às crianças máquinas similares ou mais potentes, ou qualquer outra razão que é legítima devido ao carácter inerente ao conceito de encarregado de educação. Estão no seu direito, até porque a utilização pedagógica da máquina ainda vem longe. Por enquanto o programa magalhães é na prática uma dádiva de máquinas de jogo a baixo custo. Agora, as escolas estão a ter de justificar a decisão dos encarregados de educação de cada aluno que não aderiu ao computador magalhães. Os questionários são nominativos - para cada aluno identificado como não tendo magalhães tem de existir uma justificação.
Confesso que não percebo bem para que é que é isto. Excesso de zelo investigativo? Análise de potenciais dissidências políticas? Um vamos lá a saber quem é que não está conosco e porquê? Porque num estado de direito não é suposto que os cidadãos justifiquem as suas acções perante o estado, excepto se estas violarem as leis, e para isso serve o sistema judiciário. Será que a não adesão ao magalhães se tornará crime contra a criança? Estou a exagerar, é certo, mas a desconfiança face a medidas destas é grande. Longe dos olhares públicos os responsáveis da tutela saem-se com medidas suspeitosamente orwellianas.
Confesso que não percebo bem para que é que é isto. Excesso de zelo investigativo? Análise de potenciais dissidências políticas? Um vamos lá a saber quem é que não está conosco e porquê? Porque num estado de direito não é suposto que os cidadãos justifiquem as suas acções perante o estado, excepto se estas violarem as leis, e para isso serve o sistema judiciário. Será que a não adesão ao magalhães se tornará crime contra a criança? Estou a exagerar, é certo, mas a desconfiança face a medidas destas é grande. Longe dos olhares públicos os responsáveis da tutela saem-se com medidas suspeitosamente orwellianas.
Ballet Mechanique
IMDB | Ballet Mechanique
Criado em 1924 por Fernand Léger, pintor cubista com uma obra vibrante de cor. Le Ballet Mechanique adapta a nova linguagem do cinema à visão cubista, procurando traduzir no ritmo do tempo e movimento cinemáticos a vontade cubista de traduzir no espaço da tela múltiplos pontos de vista em simultâneo. Mais do que um veículo para contar histórias, este é um filme que traduz uma visão de cinema como criadora de objectos artísticos, o que o coloca como precursor do cinema de autor e da instalação audiovisual.
Este filme, inovador e inspirador, tem também hoje eco popular na estética entrecortada e próxima do surreal que associamos ao videoclip musical. Não deixa de ser um incessante fascínio quando as mais arrojadas experiências estéticas se encontram em dois pólos quase simétricos da cultura - a bleeding edge erudita experimental e o melhor da cultura comercial popular de massas.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Projectores
Não é precisamente rocket science, mas quem precisar de ajuda para trabalhar com projectores Epson 1715 (modelos que estão a ser colocados nas escolas básicas e secundárias) pode sempre tirar umas dúvidas com este vídeo.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Leituras
Amazon.com Banishes Queer SF Writers to a Null Dimension Os responsáveis da Amazon chamam-lhe um erro técnico, mas as comunidades de escritores estão genuinamente preocupadas: repentinamente e sem aviso, centenas de títulos desapareceram das prateleiras virtuais da Amazon. O ponto comum? Todas as obras abordavam a homossexualidade, quer do ponto de vista ficcional quer do ponto de vista investigativo. Aparentemente o problema técnico deveu-se a uma iniciativa interna da maior livraria online para "limpar" as prateleiras de material mais... adulto, mas só afectou livros contendo referências à homossexualidade. Problema técnico ou não, da suspeita de tentativa de censura a Amazon tão cedo não se livra.
A World Whitout Black Swans 10 iniciativas listadas por Nassim Nicholas Taleb que podem minorar as consequências de cisnes negros - definidas pelo autor como acontecimentos catastróficos previsíveis após o facto. São dez propostas que fazem toda a lógica no rescaldo do corrente meltdown económico.
A World Whitout Black Swans 10 iniciativas listadas por Nassim Nicholas Taleb que podem minorar as consequências de cisnes negros - definidas pelo autor como acontecimentos catastróficos previsíveis após o facto. São dez propostas que fazem toda a lógica no rescaldo do corrente meltdown económico.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
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If you want a vision of the future, imagine a boot stamping on a human face - forever, escreveu George Orwell a finalizar 1984. Igreja... 2000 anos a esmagar o conhecimento, escreveria eu se ainda estivesse na minha fase anticlericalista profunda de teor dadaísta. Entretanto cresci, e aprendi que a história e as coisas humanas raramente se prestam a interpretações preto no branco. A coisa tem mais nuances. Se o papel da igreja (das igrejas e das religiões em geral) na repressão de conhecimentos é conhecido o seu legado cultural é inegável. Milhares de anos depois, faz parte do que somos, mesmo que não acreditemos em dogmas religiosos. A Missa em Si Menor e as fogueiras da inquisição são dois lados deste legado de Janus. Tal como a 5ª sinfonia de Shostakovich e os gulags são legados de outro dogma libertador. Ou o trompete de Miles Davis e a especulação financeira desregrada.. Afinal, as fraquezas da alma humana são mais que muitas, e ainda está para nascer a filosofia social perfeita com aplicação perfeita.
A Escolha
O concurso Bibliofilmes destina-se a divulgar o livro e a leitura através da criação de filmes curtos filmados por alunos de escolas básicas e secundárias. Este ano, o Centro de Recursos Poeta José Fanha, do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro, participou com esta Escolha, às voltas com o que se pode encontrar na biblioteca de uma escola e de um poema de José Fanha.
domingo, 12 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
Ignition City

Ignition City
Avatar Press
Nova série de BD, a seguir com atenção. Com argumento do mestre Warren Ellis e ilustração - fabulosa - de Gianluca Pagliarani. Num passado futurista, com a exploração espacial a ser proibida nos anos 50, os heróis do espaço refugiam-se na
decaída Ignition City, único porto espacial livre. O primeiro número abriu o apetite.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
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Leituras
Io9 | A field of light sabers, powered by ambient electricity Projecto artístico assustador do momento: um artista britânico, pertencente ao departamento de física da universidade de Bristol, criou uma instalação que tira partido da electricidade ambiental gerada por linhas de alta-tensão. Colocou mil e trezentas lâmpadas fluorescentes alinhadas verticalmente num campo, debaixo de uma linha de alta tensão. O campo eléctrico gerado pelas linhas excita as partículas fluorescentes das lâmpadas, que brilham sem estar directamente ligadas a qualquer fonte de electricidade.
The Independent | The Dark Side of Dubai Conhecido pelos seus megalómanos projectos de arquitectura futurista, o Dubai parece um país de sonho: próspero, que procura sobreviver à dependência do petróleo tornando-se um centro financeiro e comercial internacional, uma urbe pós-industrial de afinada arquitectura contemporânea artificialmente plantada no médio oriente. Recreio dos super-ricos, projecto de arquitectura em constante evolução e paraíso oriental para uma classe profissional que faz do globo o seu escritório. Mas a realidade do país, dissecada neste brilhante artigo, é bem diferente: uma euforia construtiva, uma sociedade alicerçada em trabalho escravo, cegueira face à crise económica e total desrespeito pelas duras condições ambientais do deserto, conjugadas com um regime repressivo que amordaça as críticas e investe tudo numa imagem falsa de paraíso liberal oriental. Numa frase: Dubai is Market Fundamentalist Globalisation in One City.
The Independent | The Dark Side of Dubai Conhecido pelos seus megalómanos projectos de arquitectura futurista, o Dubai parece um país de sonho: próspero, que procura sobreviver à dependência do petróleo tornando-se um centro financeiro e comercial internacional, uma urbe pós-industrial de afinada arquitectura contemporânea artificialmente plantada no médio oriente. Recreio dos super-ricos, projecto de arquitectura em constante evolução e paraíso oriental para uma classe profissional que faz do globo o seu escritório. Mas a realidade do país, dissecada neste brilhante artigo, é bem diferente: uma euforia construtiva, uma sociedade alicerçada em trabalho escravo, cegueira face à crise económica e total desrespeito pelas duras condições ambientais do deserto, conjugadas com um regime repressivo que amordaça as críticas e investe tudo numa imagem falsa de paraíso liberal oriental. Numa frase: Dubai is Market Fundamentalist Globalisation in One City.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Pausa
Finalmente em pausa. Stand by. Durante 96 horas nem quero ouvir falar em projectores, planos, regulamentos, actualizações e administrações. Já que os dias estão solarengos mas fresquinhos, vou aproveitar para dormir.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
FSCK
Chegou-me às mãos esta semana um Magalhães com erro no arranque em Caixa Mágica Mag. O erro, fatal, apontava inconsistências na drive /dev/hda7 e deixa o computador em linha de comandos. Como fazer para recuperar o sistema?
Para reiniciar o computador basta carregar nas teclas Ctrl + D.
Para reparar o erro, tem de se seguir a indicação dada no arranque: correr o fsck em modo manual. O fsck é um utilitário que verifica inconsistências no sistema de ficheiros, permitindo reparar erros.
Como correr o fsck:
Primeiro, responder ao pedido do computador Give root password for maintenance. A password de root é a do superutilizador linux, com controlo total do computador. Nos Magalhães, a password de root do Caixa Mágica é pte2010 ou magalhaes, a menos que o utilizador tenha definido outra. Esta password também é necessária para alterar as configurações do Caixa Mágica, bloquear ou desbloquear o controlo parental e procurar e instalar software através do Synaptic.
Introduzir a password e carregar na tecla Enter. Ao introduzir a password de root não aparece nada no ecrã. É normal.
Em seguida aparecem duas linhas no ecrã: Chmod: mudando permissões de 'root/tmp/usr e na linha abaixo (Reparar sistemas de ficheiros) #1. Aqui, escrever fsck e carregar na tecla Enter.
O fsck irá correr. Sempre que detectar inconsistências, pergunta se deseja ignorar erro e forçar reescrita. Responder sim (yes) carregando na tecla Y.
Quando o fsck termina a reparação do sistema de ficheiros, carregar nas teclas Ctrl D para reiniciar o computador. O sistema operativo Caixa Mágica Mag deverá carregar normalmente.
Mais informações: FSCK e os seus comandos, reparação de ficheiros com o fsck, resolvendo erro unexpected inconsistency, Caixa Mágica Magalhães não arranca, problemas ao inciar CM12 Mag.
Para reiniciar o computador basta carregar nas teclas Ctrl + D.
Para reparar o erro, tem de se seguir a indicação dada no arranque: correr o fsck em modo manual. O fsck é um utilitário que verifica inconsistências no sistema de ficheiros, permitindo reparar erros.
Como correr o fsck:
Primeiro, responder ao pedido do computador Give root password for maintenance. A password de root é a do superutilizador linux, com controlo total do computador. Nos Magalhães, a password de root do Caixa Mágica é pte2010 ou magalhaes, a menos que o utilizador tenha definido outra. Esta password também é necessária para alterar as configurações do Caixa Mágica, bloquear ou desbloquear o controlo parental e procurar e instalar software através do Synaptic.
Introduzir a password e carregar na tecla Enter. Ao introduzir a password de root não aparece nada no ecrã. É normal.
Em seguida aparecem duas linhas no ecrã: Chmod: mudando permissões de 'root/tmp/usr e na linha abaixo (Reparar sistemas de ficheiros) #1. Aqui, escrever fsck e carregar na tecla Enter.
O fsck irá correr. Sempre que detectar inconsistências, pergunta se deseja ignorar erro e forçar reescrita. Responder sim (yes) carregando na tecla Y.
Quando o fsck termina a reparação do sistema de ficheiros, carregar nas teclas Ctrl D para reiniciar o computador. O sistema operativo Caixa Mágica Mag deverá carregar normalmente.
Mais informações: FSCK e os seus comandos, reparação de ficheiros com o fsck, resolvendo erro unexpected inconsistency, Caixa Mágica Magalhães não arranca, problemas ao inciar CM12 Mag.
On The Air

On The Air
On The Air
Sobejamente conhecido pelas suas visões cinematográficas experimentais, David Lynch foi também responsável por uma viciante série de televisão que equilibrava o registo televisivo com a iconografia obsessiva do realizador de culto. Twin Peaks depressa atingiu estatuto de culto, mas não foi a única experiência de Lynch em televisão. Provada a sua capacidade de atrair espectadores no convencionalista medium televisivo, foi dado a Lynch um novo desafio: mexer no mais estereotipado dos géneros televisivos, a inimitável sitcom americana.
O resultado foi o brilhante On The Air. Lynch misturou todos os paradigmas da sitcom numa mistura subsersiva, que parodiava o próprio sistema de produção televisiva. A série passava-se num estúdio de televisão dos anos 50, povoado por personagens curiosas, caricaturas dos estereótipos da comédia e da vida televisiva: o actor pós-famoso que vê na televisão uma forma de manter a sua fama desvanecida, o realizador europeu de sotaque compreensível apenas pela sua fiel e eficaz secretária, o duro executivo de ameaça sempre pronta, o produtor cafeinómano nervoso, a beldade loura de inteligência questionável e, entre outras personagens secundárias bizarras, o técnico de som que sofre de uma doença rara que o torna capaz de ver 25,5% mais do que uma pessoa normal.
Os episódios de On The Air eram um crescendo de situações não muito divertidas que culminavam em momentos de pura comédia caótica e surreal. Após a exploração das intrigas e caricaturas das personagens, o grande final de cada episódio era uma explosão em que tudo o que podia correr mal corria ainda pior do que o esperado. Era impossível não rir com o absurdo grand guignol das tramóias de Lynch.
Combinando o estereótipo televisivo com a estética de Lynch e um corrosivo humor surreal, On The Air foi uma série de curta vida, demasiado ousada para o padrão vigente na televisão. O primeiro episódio está disponível em quatro partes no YouTube, gravadas a partir de uma cassete de video (toque de nostalgia: o ruído visual da banda magnética): On The Air 1, On The Air 2, On The Air 3 e On The Air 4. A ver, antes que a polícia dos direitos de autor se abata sobre estes videos e volte a remeter esta pérola da televisão ao esquecimento.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Dans Le Noir Du Temps
O filme começa com uma simples questão: porque é a noite escura. Talvez, sugere-se, porque houve um tempo em que o mundo era jovem e cheio de brilho, tal como a voz da criança que questiona. Mas o mundo envelheceu, e a luz desvaneceu-se.
Não vivemos no final dos tempos, mas vivemos num constante limiar que é o final do processo histórico da humanidade. Um final sempre adiável, mas que para quem vive o momento presente sente sempre como um final. Godard explora nesta curta metragem o final violento da nossa história, desde a violência banal do assassínio à violência estatizada do assassínio de massas. No final dos nossos tempos é a escuridão da violência que se abate sobre nós. Recorrendo a uma estética não-linear de colagem de imagens, filmagens históricas e filmes noticiosos, Godard traça um panorama obscuro do horror da inescapável violência. As luzes ausentam-se, e por luzes podemos entender a luz do iluminismo, deitada fora em sacadas de livros enclausurados em sacos de lixo.
Esta curta metragem realizada por Jean-Luc Godard em 2001 pode ser vista no Dailymotion.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Férias
... ou nem por isso. Enquanto o mundo da educação fica suspenso na pausa lectiva (e bem necessária é, que isto ao fim de seis semanas contínuas de aulas os miudos já trepam pelas paredes e estas pausas são um balão de oxigénio que retempera os professores e particularmente os alunos) eis-me a acompanhar a montagem de uma parcela do plano tecnológico. Três longos dias, a arrastar-se para quatro e temo que chegue aos cinco. Vale ao menos sexta-feira, que é feriado, e quinta, meia ponte para serviços não essenciais. Algo me diz que vou começar o terceiro período sem energias reparadas. O tempo de monitorização é aproveitado para fazer a revisão aos computadores da escola, trabalho ingrato de manutenção, limpeza de vírus e lixo digital acumulado que só me dá vontade de mudar a tralha toda para ubuntu. Limpar o computador? Insere cd de instalação. Sem partições. Ir fumar um cigarro. Voltar e actualizar o Synaptic. Pronto. PC como novo. Melhor do que actualiza e corre antivírus, corre a (lenta) limpeza do sistema, caça aos programas instalados em excesso, correr o (lento) desfragmentador. Trabalho particularmente ingrato dado a avançada idade dos computadores e pequenas chatices como passwords de BIOS que ninguém sabe. Quando chegarem os novos pcs via PTE, já decidi (caso seja eu a dar conta do caso): trancar os cds de reposição no cofre, ou gravar imagens do sistema e trancá-las no cofre. De três em três meses... repor.
domingo, 5 de abril de 2009
La Ricotta

Wikipedia | La Ricotta
Filmchat | La Ricotta
La Ricotta
Uma curta metragem interessante para ver nos dias finais da quaresma cristã. As filmagens de um filme sobre a paixão de cristo são ensombradas pela morte de um dos actores, um mendigo esfomeado que aceita o papel de ladrão na crucificação para poder comer.
Este filme é uma profunda meditação sobre valores, necessariamente cristãos mas essencialmente humanistas. Pasolini explora uma dualidade entre a representação icónica da paixão e o olhar de piedade que nos desperta compaixão. As cenas da paixão, clinicamente filmadas com uma visão profundamente influenciada pela estética barroca recriando Rosso Fiorentino, são nulificadas no seu sentido pelas atitudes dos actores que brincam e tiram macacos do nariz enquanto a banda sonora nos faz ouvir rumbas e os gritos do assistente de realizador para mudar a música para algo mais apropriado à cena. A mensagem e o media estão dissociados. A piedade e seriedade expressada pela representação, procurada por quem visiona, não está presente no espírito de quem representa.
Piedade é o que nos desperta a personagem de Strachi, pobre mendigo esfomeado que vive num buraco perto do local de filmagens. Strachi insinua-se nas filmagens para obter comida para saciar o seu estômago vazio. A pura necessidade primária leva o personagem a fazer tudo para comer, a suportar tudo, particularmente o nítido desprezo dos participantes do filme, que o elegem como um . Eventualmente ganha lugar como extra, participando como um dos ladrões na crucificação. Numa cena particularmente chocante, Stracchi é amarrado à cruz, e suplica por comida, que lhe é dada e retirada por um assistente de produção num acto óbvio de sadismo.
No final do filme, o local de filmagens é visitado pela nata da sociedade, que vem ver o trabalho do mestre cinematográfico representado sobriamente por Orson Welles. O realizador grita acção, várias vezes, mas nada acontece. Um dos actores, o mendigo Stracchi, morreu na cruz. É nesta linha de narração que se centra a discussão dos valores da paixão cristã e da compaixão perante o próximo. Ao filmar o suplício do mendigo, Pasolini parece querer mostrar que nada mudou após dois mil anos de cristandade, mesmo perante o ideal social representado nos ícones cerimoniais. Dois mil anos após a primeira paixão, após o suplício de quem morreu por nós, continuamos a agir com indiferença perante a miséria dos menos afortunados.
Este tipo de visões não costuma ser vista com bons olhos por hierarquias e pessoas de bem. Pasolini foi processado e condenado a uns dias de prisão por desrespeito aos valores religiosos. Afinal, que veleidade é essa de apregoar uma mensagem que os valores, religiosos ou não, devem ser expressos por acções e não por prostação oca perante ícones? La Ricotta pode ser visto em duas partes no Dailymotion: La Ricotta 1 e La Ricotta 2.
sábado, 4 de abril de 2009
Les Astronautes
Chris Marker
Um pequeno delírio astronáutico. De jornais e ripas de madeira se constroi uma naves espacial, que leva um intrépido astronauta numa viagem surreal por terras de sonho. Realizado em 1959 por Chris Marker, o mesmo realizador responsável por La Jetée, Les Astronautes é um delirante exemplo de utilização do stop motion enquanto técnica fílmica. Entre a animação e o filme, esta curta metragem mergulha-nos num mundo único de fantasia, algures entre o universo fantástico e a collage avant-garde dadaísta ou situacionista. Para visionar no Dailymotion
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Coasting
Longo dia a monitorizar montagem de projectores. Sexta, último dia de uma semana pesada. Preferi passar o dia em embalagem do que em acelaração. Depois de uma semana de reuniões, fortes actualizações ao site da escola, combates a vírus e cavalos de tróia (o AVG anda muito fraco), optei por passar o dia a meio gás. Mesmo assim já testei os projectores montados até agora, e... belíssimos. Epsons 1715, com uma imagem excelente. Com o PTE, as escolas ficam finalmente bem apetrechadas, isto caso a coisa corra bem. Só é pena estar tudo a acontecer agora. Já se podia ter avançado em anos anteriores da legislatura, mas isso seria contrariar o espírito eleitoralista da classe política portuguesa. No meu caso, depois de dois anos a manter vivo material em avançado estado de decomposição, vejo finalmente luz ao fundo do túnel. E muito trabalho antes de chegar ao fundo do túnel. Sobra sempre para alguém...
A crise
The Crisis of Credit Visualized from Jonathan Jarvis on Vimeo.
... muito, mas mesmo muito bem explicadinha. Brilhante.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
PTEs
De plantão na escola a monitorizar a montagem de projectores do PTE. Luxos eleitoralistas. O tão necessário reequipar das escolas está a decorrer à pressão, pronto para ficar pronto até às eleições que se avizinham. Para já, entregam projectores Epson topo de gama, à razão de vinte por escola (sensivelmente). Entretanto fazem tabula rasa das redes existentes e, cortesia da PT Prime, montam-se novas redes com cablagem de fibra óptica e routers, switchs e APs Cisco. O melhor do mercado, segundo os técnicos. Os computadores e quadros interactivos vêem a caminho. É o plano tecnológico em fase de sprint após três anos a arrastar-se de promessa em promessa.
Nestas coisas há sempre quem se trame. No caso, sou eu que vou passar a pausa lectiva alegremente a ir à escola para monitorizar as instalações. Mas tudo bem, tenho umas infecções virais no sistema para me distrair...
Nestas coisas há sempre quem se trame. No caso, sou eu que vou passar a pausa lectiva alegremente a ir à escola para monitorizar as instalações. Mas tudo bem, tenho umas infecções virais no sistema para me distrair...
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Ricotta
Uma prenda com um sorriso maroto para o Bereshit. Extraído da curta La Ricotta de Pasolini. Não é Bach nem Vivaldi, mas tem o seu quê de ironia.
Avaliação do 2º Período
As pautas de avaliação do 2º período do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro estão disponíveis para consulta na página de Pautas de Avaliação.
(ainda não estão totalmente disponíveis. amanhã de manhãzinha ficam visíveis. sed lex...)
(ainda não estão totalmente disponíveis. amanhã de manhãzinha ficam visíveis. sed lex...)
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A minha tarde passada a caçar vírus não envolveu a famosa ameaça do dia de hoje, o W32/Downandup mais conhecido como Conficker. Essa foi uma ameaça que se ficou pela ameaça, quer porque os profissionais de segurança combateram eficazmente os perigos do W32 quer porque, enfim, se todos estão a olhar para nós não é boa ideia fazer trapaça. Andei a caçar o Generic!atr (praga das pens) e o irritante MS Antivirus, que detectei há uns dias num dos portáteis que alguém reformatou e se esqueceu de actualizar o antivírus (tinha sido um longo dia) e que resolvi re-reformatando. Se a máquina não tem informações e aplicações muito específicas dá menos chatice repor o SO do que limpar os virus e malware. 20 minutos a repor, 15 a restaurar contas, impressoras e acesso à rede. Mais rápido do que uma verificação de vírus. Infelizmente o pc onde apareceu não é daqueles que se pode resolver formatando e claro que surgiu precisamente quando me preparava para ir embora da escola e gozar um bocadinho da tarde com o luxo de um livro à beira mar. O AntiMalware limpou a coisa mas a tarde livre foi ao ar. Grrr. Só dá vontade de ir buscar a caçadeira e resolver os problemas informáticos à chumbada. Olhem que num destes dias perco a paciência...
Une Histoire d'Eau
Wikipedia | A Story of Water
IMDB | Une Histoire d'Eau
Enquanto os arredores de Paris se parecem afundar sob um dilúvio, uma jovem coquette encontra um amor fugaz numa viagem em tom de odisseia até à grande cidade. Realizada em 1961 por Jean Luc Godard e François Truffaut, esta curta metragem vive da justaposição das imagens quase noticiosas da tragédia e as imagens intimistas do namoro de dois jovens. Um contraste agudizado pela banda sonora ritmada e selvagem que acompanha as imagens da destruição, em directa oposição às sonoridades do namoro idílico. São estes dualismos entre o maravilhoso e o trágico que conferem encanto a este pequeno filme de dois grandes mestres do cinema francês.
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