terça-feira, 31 de março de 2009

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La jetée.

The Big Shave



IMDB | The Big Shave
Wikipedia | The Big Shave

Um homem barbeia-se, numa casa de banho fria. Os planos da lâmina a cortar através da espuma de barbear começam a revelar uma estratégia de automutilação. Fios de sangue escorrem pelo queixo do actor. Essa sensação horrenda, o cortar enquanto se faz a barba, é multiplicada ao extremo. Ao ver o filme a pele repele-se com o imaginar da sensação do corte da lâmina na face. A sensação de realismo é opressiva.

Nenhum homem conseguirá ver este filme sem sentir arrepios, calafrios e uma sensação de profunda revulsão na boca do estômago. The Big Shave é uma curta metragem minimalista realizada em 1967 por Martin Scorsese. O filme assenta numa estética fria mas intimista, centrado numa casa de banho vista ao pormenor e num acto, o acto de barbear, íntimo ritual da vida de todos os homens. A banda sonora sublinha o absurdo com um jazz popular de Bunny Berigan, I Can't Get Started que agudiza o carácter de impotência do filme. Esta é uma curta metragem perfeita, que em cinco minutos nos mergulha no universo pessoal de Scorsese. Quanto ao tema, sublinhado pelo seu título alternativo (Viet'67) os críticos vêem no acto de mutilação ritual ao barbear uma crítica ao envolvimento americano no Vietname, em certo sentido um acto de automutilação nacional. O filme pode ser visto no DailyMotion, pelos de estômago mais forte.

segunda-feira, 30 de março de 2009

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Inclinações.

The Bloody Ground



Bernard Cornwell (1997). The Bloody Ground. Londres: Harper Collins

The Bloody Ground é o quarto e último livro da saga de Nathaniel Starbuck, yanquee ao serviço dos rebeldes sulistas. Comparando com o primeiro, os personagens estão mais maduros, melhor delineados e endurecidos pelas violentas aventuras da guerra. O pomposo amadorismo que sustinha o tom de Rebel, primeiro romance da série, é agora substituído por nepotismos, cobardia, corrupção e traição. Starbuck, o jovem sem ideais do primeiro romance, é agora um endurecido oficial, anti-herói rude e angustiado, capaz da mais atroz violência para salvar os seus homens. O colapso sangrento dá-se na batalha de Antietam, ponto de viragem na guerra da secessão.

The Bloody Ground mostra-nos Cornwell no seu melhor, nas descrições pormenorizadas de batalhas que oscilam entre o narrador histórico apoiado nos registos e relatos e o narrador presente. A visão do leitor salta com mestria por entre a descrição histórica das batalhas, das estratégias e das decisões dos combatentes e a aventura violenta do campo de batalha. O poder de descrição de Cornwell é assinalável, fazendo-nos sentir a adrenalina e o horror da batalha.

Desconheço se o personagem de Cornwell continuou as suas aventuras pela guerra da secessão. Seria interessante ver que tratamento o autor lhe daria nos momentos finais da confederação sulista.

domingo, 29 de março de 2009

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Em verde.

Razões da Arte

"Actually i do not think that there are any wrong reasons for liking a statue or a picture. Somenone may like a landscape painting because it reminds him of home, or a portrait because it reminds him of a friend. There is nothing wrong with that. All of us, when we see a painting, are bound to be reminded of a hundred-and-one things wich influence our likes and dislikes. As long as these memories help us to enjoy what we see, we need not worry. It is only when some irrelevant memory makes us prejudiced, whe we instintively turn away from a magnificent picture of an alpine scene because we dislike climbing, that we should search our mind for the reason for the aversion wich spoils a pleasure we might otherewise have had. There are wrong reasons for dislinking a work of art."

E. H. Gombrich, The Story Of Art

sábado, 28 de março de 2009

Leituras

Urbeingrecorded | Dematerialize Tempos houve em que um filme, uma música ou um livro eram objectos tácteis. A prevalência da economia online e do digital como forma de divulgação de conteúdos desmaterializou os produtos culturais. A relação psicológica entre objectos de desejo e conteúdos de desejo foi irremediavelmente quebrada.

Schneier on Security | Security fears drive Iran to Linux Na terra dos mullahs, onde a microsoft também prevalece, o impulso para mudar é conduzido por uma dupla paranoia de segurança - a que todos sentimos (vírus, trojans e companhia), e uma sensação de espionagem típica de estados totalitários.

Next Big Future | Sorry Collapsitarians Os tempos de crise parece justificar as predições dos profetas do colapso, mas a combinação de tecnologia, criatividade, empreendedorismo não governamental e iniciativas públicas está a alterar (lentamente) o panorama de desastre económico e ambiental que é o possível colapso que nos é mais próximo. Mesmo assim nada nos garante que não sejamos invadidos por hordes alienígenas sanguinárias.

sexta-feira, 27 de março de 2009

La Jetée



Wikipedia | La Jetée

Uma criança cresce com a imagem de uma mulher na sua memória, gravada na mente num momento de visita ao terminal do aeroporto de Orly em que testemunha a morte violenta de um homem. Anos mais tarde, na rede subterrâneas de esgotos de uma Paris pós-apocalíptica, arrasada pelas bombas nucleares, o homem que foi criança é um prisioneiro sujeito a experiências científicas. Num presente desesperado, os cientistas procuram o segredo das viagens no tempo em busca de ajuda no passado ou no futuro. As experiências terminam na loucura ou na morte, mas a fixação do homem pela imagem da mulher torna-o resistente. Viaja pelo tempo, em sucessivas vagas, encontrado-se com a mulher dos seus sonhos. Ao ser enviado ao futuro é primeiro rejeitado pelos homens do futuro, mas estes acabam por o recompensar quando o sucesso da experiência dita a inutilidade do indivíduo. Encarando a execução como destino, podendo fugir para o futuro, o homem escolhe regressar ao passado, e encontra-se com a mulher no terminal do aeroporto de Orly, onde é assassinado sob o olhar de uma criança. O espaço e o tempo, passado e futuro tornam-se numa viagem pelo espaço psicológico, que termina num anel condenado à repetição.



Filme que influenciou o excêntrico 12 Monkeys de Terry Gilliam, La Jetée foi realizado em 1962 por Chris Marker. Filme de culto, aposta numa estratégia cinematográfica radical. La Jetée é um filme de imagens fixas, de diálogos esparsos e sussurrados, onde a narração é constante. A persistência da visão a vinte e quatro fotogramas por segundo é substituída pela persistência da narração a um fotograma por segundo. O filme assemelha-se a uma projecção de slides, constituído por fotografias cujos enquadramentos equilibrados contrastam uma estética de pausa com a estétca de movimento que esperamos do cinema.

Fortemente experimental, este é um dos mais curiosos filmes de ficção científica filmados no século XX. Pode ser visto no YouTube e no Dailymotion

Inteligência Emocional



Mais trabalhos do projecto Inteligência Emocional desenvolvido em EVT pelos alunos do 6º D. Acrílicos e telas, depois de exploração de geometria, collage e técnicas de pintura. Cliquem na galeria para visualizar os trabalhos dos alunos.

quinta-feira, 26 de março de 2009

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Na praia. Onde não estou. Dia todo à volta de cabos de fibra óptica, video digital e antevisão de switchs, routers e APs Cisco. São os milagres sazonais lusitanos: em véspera de eleições as coisas começam a mexer...

A vida...



Vídeo desenvolvido por alunos do 6º F em Área de Projecto, com o tema desenvolvimento do ser humano. Parabéns aos alunos por um excelente trabalho! Em particular porque graças às agruras de coordenação TIC em época de plano tecnológico estes grupo teve de trabalhar de forma quase totalmente autónoma.

quarta-feira, 25 de março de 2009

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Les bleus.

Leituras

Freakonomics | Workers of the World Dance! A nova China capitalocomunista: um teatro de Xangai vai levar ao palco uma adaptação musical de O Capital de Karl Marx. Estou cansado. Consigo ver inúmeras possibilidades para uma boa piada a seguir a esta notícia mas os meus neurónios recusam-se a seguir caminho (influencias trotskystas, talvez).

Colourlovers | How colour influences consumer behavior O Colourlovers analisa superficialmente a relação entre as cores e consumo. O post vale mesmo é por esta tabela de cores.

Bibliodyssey | Edo Monsters O sempre fascinante blog bibliográfico mostra-nos monstros japoneses em gravura. São os avózinhos do j-horror.

terça-feira, 24 de março de 2009

Leituras

MAKE | Lost Knowledge: Airships Na inexorável marcha das tecnologias, os saberes inadiáveis de hoje poderão tornar-se nas competências esquecidas de amanhã.

Gizmodo | Unmanned Warbots of WWi and WWII Com o livro Wired for War, sobre robótica militar letal, a fazer as delícias da blogoesfera tecnofetishista, o Gizmodo revisita os avós e bisavós dos Predators armados com mísseis da actualidade.

IntoMobile | Mobile Browsers Stump Hackers Se o Chrome se aguentou ao fim de um dia de ataques, outros browsers parecem ser impermeáveis ao hacking - os browsers para telemóveis e smartphones. A vastidão de versões e sistemas operativos, junto com a baixa capacidade destes dispositivos quando comparada com os computadores, são os factores que tornam estes browsers difíceis de quebrar.

Boing Boing | Free Stanford Videos about the Brain Seguindo o exemplo das conferências TED, a Universidade de Stanford colocou no YouTube videos de conferências sobre neurociência. A ver.

Futurismic | New found native life in the stratosphere Vida na estratoesfera? Investigadores do instituto indiano de pesquisa espacial descreveram três novas bactérias que proliferam... na estratosfera. Verdadeiramente vida nas nuvens.

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Azul, branco, ocre.

segunda-feira, 23 de março de 2009

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Pelas memórias. Constante no passado, presente e futuro.

Rebel



Bernard Cornwell | Rebel

Bernard Cornwell (1994). Rebel. Londres: Harper Collins.

Rebel coloca-nos nos primeiros meses da guerra da secessão americana. Um jovem nortenho, Nathaniel Starbuck, filho de pregadores e ex-estudante de teologia caído em desgraça, encontra refúgio junto da família de um amigo na Virgínia recém-secessionada. Aí encontra um imprevisível destino como soldado ao serviço da Confederação, ao alistar-se numa legião liderada e financiada por um patético coronel latifundiário com aspirações nobiliárias. O romance culmina na batalha de Bull Run, primeira das grandes conflagrações da guerra da secessão, onde Starbuck encontra a sua verdadeira vocação ao ser baptizado pelo fogo do combate.

Rebel é um livro com uma bem vincada divisão em duas partes. Na primeira, e mais longa, Cornwell monta o palco para a sua comédia. Detalha a chegada de Starbuck ao condado de Faulconer, cenário prototípico do velho sul, e retrata as figuras idiosincráticas do condado, que convergem na patética legião que representa as piores ilusões da política e da guerra. Por interessante que o autor tente tornar estas aventuras, e por importantes que sejam para o grande arco histórico do personagem, ler esta primeira parte é quase atravessar um lodaçal. Não é o que esperava de Cornwell depois do ritmo e mestria de Sharpe's Battle. Na segunda parte, o autor não desilude. O baptismo de fogo dos personagens, na batalha de Bull Run, é Cornwell no seu melhor, a descrever com precisão os movimentos, a excitação, o horror e o ambiente do campo de batalha. São cento e poucas páginas de leitura compulsiva, a contrastar com o esforço em ler a narrativa até este ponto crucial.

Apesar destes pontos fracos, Cornwell é um autor de sucessos que sabe o que faz e os momentos finais de Rebel dão imediatamente vontade de pegar nos próximos volumes da série. A história, essa, sabemos como termina. Está patente nos livros de história. Resta a curiosidade de saber onde vão parar as estórias entretecidas por Cornwell.

Respeitabilidades

(and now for something completely different)

O que me surpreende no fenómento toni carreira. O homem enche pavilhões atlânticos, vende cds à tonelada (e isso hoje é um milagre, com as quedas nas vendas de cds) e tem um clube de fãs que alista uma proporção substancial da população feminina portuguesa. É o cantor pimba mais bem sucedido de sempre. E está a ser tão bem sucedido que se tornou respeitável. Ao contrário dos restantes reis do pimba, não piadas sobre o toni carreira. Ninguém o goza, ninguém se ri com as palavras lamechas e as notas repetitivas. Imaginem um marco paulo, um emanuel ou um quim barreiros, indissociáveis como são do ar patético e apalhaçado que está arraigado a esta forma de música comercial portuguesa.

(e de onde vem esta minha cultura pimba? lembrem-se que trabalho numa escola dos arredores exurbanos de lisboa, onde a ruralidade convive com a suburbanidade. alguns dos meus alunos são fieis ao esppírito bailinho da paróquia.)

(back to our scheduled program)

domingo, 22 de março de 2009

Leituras

Twitter | Karl Schroeder Não sei quem é Karl Schroeder (uma googlada dá escritor de FC) mas estou a gostar das previsões para 2009. Particularmente das predições sobre ebooks.

Dose dupla de comics: o Grantbridge Street agraciou a blogoesfera com comics desenhados por Simon Bisley: Judge Dredd com doses saudáveis de ultraviolência e histórias curtas e cinicamente irónicas.

Chrome Is the Last Browser Standing at Pwn2Own Hacking Competition Boas notícias para os fãs do Chrome: o browser sobreviveu a um dia de ataques contínuos numa recente convenção de hackers. Um pouco melhor do que o Safari, que foi comprometido em cerca de 10 segundos (!!!).

Aces High

Aces High 01 Aces High 01 Artur Coelho #1 of legendary golden age comic, published originally by EC Comics.

Boa leitura para este fim de semana de enregelante primavera. Aces High é um lendário comic dos anos 50. Boa leitura.