quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Shenzhen: A Travelogue From China
Guy Delisle (2006). Shenzhen: A Travelogue From China. Montréal: Drawn & Quarterly.
Sombrio e desolador é o resultado de uma estadia de Guy Delisle em Shenzhen como realizador encarregado de orientar estúdios de animação que trabalham sob contrato para canais televisivos europeus e que, como habitual, o autor transforma num curioso album de banda desenhada de viagem. A experiência não é gratificante. Isolamento num hotel, distanciamento e incompreensão, uma barreira linguística intransponível e uma sensação desolada de vida numa enorme metrópole descaracterizada, sem pontos de interesse, vida cultural e com uma gastronomia intrigante. Os únicos momentos animados são quando Delisle consegue escapar por uns dias para a hipermoderna Hong Kong ou se delicia com os encantos chineses clássicos de Cantão. Logo nas primeiras páginas o autor afirma que enquanto tira as suas notas de viagem não vê como as organizar num livro que reflicta as suas experiências... porque sente que nem sequer está a ter. Longe da imagem da China exótica ou ultramoderna, Shenzhen: A Travelogue From China reflecte o inferno da vida urbana nas metrópoles asiáticas de crescimento acelerado.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Sinónimo
Coisas que aprendo com os meus alunos: "ó professor, tenho um sinónimo para si. Tablet é sinónimo de iPad. É a mesma coisa, não é?" Essencialmente. Sabedoria infantil. Nunca falha.
Witch Doctor
Brandon Seifert, Lucas Ketner (2011). Witch Doctor. Berkeley: Image Comics.
Se, como escreveu Arthur C. Clarke, a ciência avançada é indistinguível da magia, porque não o sobrenatural ser apenas uma forma avançada de patologia provocada por criaturas similares a vírus e bactérias ainda não medicamente reconhecidas mas combatíveis com terapuêticas não convencionais. É essa a premissa de Witch Doctor, um dos mais interessantes e totalmente insanos comics publicados este ano, escrito por Brandon Seifert e ilustrado com uma admirável e expressiva precisão num estilo reminiscente de Bolland e Alcalá por Lucas Ketner.
O mundo de Vincent Morrow, médico de sanidade mental discutível mas com terapias eficazes contra possessões, invasões de criaturas de além espaço e afins, pulula com uma visão diferente do terror, clínica e divertida, que vira ao contrário as premissas do género em aventuras onde os velhos clichès do terror são abordados com uma forte dose de humor negro. Morrow, acompanhado da sua fiel assistente Penny Dreadful, uma criatura útil para devorar criaturas do além, e do embasbacado paramédico ex-marine Eric Gast, aplica os mais esotéricos métodos científicos para combater as infecções da alma trazidas por criaturas que aterrorizam os sonhos.
Divertido, bem escrito e ilustrado, com um conceito inovador e intrigante, esta curta série de quatro edições foi bem sucedida e promete continuidade. Cá estaremos para ver que novas terapias o Dr. Morrow tem contra futuras infecções sobrenaturais.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Videopostais de Natal
Projecto de natal para os alunos das turmas 5º A, 5º C, 5º E e 6º B: criar postais de natal animados. Como fazer? Desenhar os elementos e fundos com meios de expressão tradicional. Passar os desenhos para o digital através de fotografia e scanner (um Galaxy Tab resolve o problema). Editar as imagens no Gimp para corrigir cores e atribuir canais alpha para gravar em PNG. Em seguida, montar e animar: ou no PowerPoint, utilizando movimentos definidos pelo utilizador e em seguida convertendo a apresentação para video, ou directamente no Sony Vegas Movie Studio manipulando o track motion de cada pista de vídeo. Em alternativa, gravar vídeo em stop motion. Resta adicionar mensagens gravando voz e escolher uma música de fundo. É o desafio para as próximas aulas. No vídeo, um teste aos processos de trabalho.
Locke & Key - Guide to Known Keys
Locke & Key - Guide to Known Keys Preview
Confesso que nunca consegui aderir à série Locke & Key publicada pela IDW com argumento de Joe Hill, mas este one shot pode ser o responsável por me capturar. Olhando para um tempo anterior
à continuidade da série, está ilustrado por Gabriel Rodriguez num estilo maravilhosamente reminiscente de Winsor McKay. E o argumento, puxando para os mecanismos que estão por detrás do palco do mundo, remetendo para os ideários mecanicistas que olhavam o universo como um mecanismo intricado de relógio oculto por detrás dos cenários do mundo.
domingo, 27 de novembro de 2011
Blake & Mortimer
O Professor Blake e o Sr. Mortimer partilham impressões antes (ou depois) de mais uma aventura. Na CoolPeople.
sábado, 26 de novembro de 2011
Starborn
Stan Lee, Chris Roberson, Khary Randolph (2011). Starborn. Los Angeles: Boom! Studios.
Com Starborn completa-se a tríade de novos personagens concebidos por Stan Lee para a Boom Studios. Se The Traveller nos remete para as convoluções temporais paradoxais e Soldier Zero é o conto clássico de homens e super-fatos, Starborn rebenta em pura space opera numa história em que o incauto protagonista é o herdeiro de uma dinastia estelar e depressa se vê mergulhado numa guerra em que os inimigos não são o que parecem. De ingénuo detentor de novos poderes, depressa se descobre herdeiro de um império totalitário de tal forma odiado pelas restantes espécies alienígenas que a própria existência da Terra fica ameaçada. Starborn é puro divertimento em space opera desbragada.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
...
Ontem, frente ao parlamento. Provavelmente um protesto inútil graças ao estado da vida política e económica portuguesa, mas moralmente muito útil.
De panisgas e efeminados
A rabiscar no quadro ideias e instruções para o desenho de lettering. De repente, a vozinha fininha de uma aluna vinda da primeira fila junto ao quadro: "professor, esse c é um bocado panisgas". Abro os olhos, estupefacto. Fico incapaz de controlar o riso durante uns minutos. E quando consigo recuperar algum auto-controlo, lá arranjo forças para dizer "olhe, minha querida, panisgas não. Efeminado. Diga as coisas com elegância..."
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
The End: The Defiance & Destruction of Hitler's Germany 1944-45
Ian Kershaw (2011). The End: The Defiance & Destruction of Hitler's Germany 1944-45. Londres: Penguin Press.
Por entre os momentos terríveis da II Guerra Mundial, o seu apocalíptico final destaca-se pelo volume inaudito de destruição à escala continental Particularmente na Europa, onde a Alemanha e outros territórios ficaram reduzidos a escombros, numa destruição total nunca vista em guerras anteriores. Pressionado entre as forças aliadas ocidentais em França e pelas hordes soviéticas a leste, em 1944 o regime nazi já se havia apercebido que perdera a guerra. Porquê, então, o arrastar, as mortes desnecessárias, a destruição quase total de um país arrastado para lá do abismo por um regime criminoso?
As explicações habituais prendem-se com uma certa visão apocalíptica do regime nazi e com a intransigência dos aliados, que fincaram pé numa rendição incondicional. Kershaw mergulha mais fundo, e mostra-nos que se estes são dois de muitos factores que condicionaram as decisões que arrastaram inutilmente a guerra e levaram à destruição total de um país. Para o autor, a figura de Hitler é incontornável. Centrando o poder em si e no seu carisma, impediu a possibilidade de alternativas dentro do próprio regime e cultivou uma cultura de obediência que os altos responsáveis do regime respeitaram até ao seu suicídio. Mas se isso explica a lealdade dos líderes nazis, não ajuda a compreender a aparente resignação do povo alemão e dos soldados da wermacht. Aqui, o fanatismo e preponderância das estruturas do partido nazi, que eliminaram qualquer possibilidade de alternativa política e mesmo nos últimos e desesperados momentos insistiram no reforçar de insanas políticas de obediência assassina é o que ajuda a explicar a resignação de um povo que ao fim de cinco anos de guerra se vê no limite da aniquilação. Há ainda mais um factor a contabilizar: a selvajaria da guerra na frente leste provocou nos soldados e responsáveis alemães a consciência que iriam sofrer represálias violentas pelas suas acções contra as populações do leste europeu. E ainda havia aquela questão judaica, segredo demasiado bem conhecido que provocou sentimentos de horror entre tropas endurecidas pelos duros combates na frente leste. Os líderes nazis, conscientes dos seus crimes e da falta de futuro do regime, não procuraram outra saída que não a destruição total, disfarçada sob crenças em armas milagrosas ou numa clivagem entre os aliados... que de facto veio a acontecer, durante a guerra fria, mas na época da II Guerra a prioridade era eliminar o odioso regime nazi.
O herói inaudito desta história, se é possível que existam heróis em regimes criminosos e assassinos, foi Albert Speer, arquitecto das utopias edificadas para Hitler e que como ministro dos armamentos conseguiu manter a produção industrial muito para lá do possível.
Kershaw analisa profundamente as razões que mantiveram o regime nazi em guerra para além do sensato e deram um novo significado à expressão guerra total. O resultado é um retrato aterrorizante de uma época que, esperemos, seja uma lição de história jamais esquecida.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
De profs e propaganda mal arrazoada
O Profblog é uma leitura curiosa. Escrito por um docente da Escola Superior de Educação de Santarém, poderia ser um espaço de debate sobre os problemas da educação enquanto sistema. Curiosamente, não é o caso. A prosa caracteriza-se por um sectarismo profundo de propaganda mal amanhada, traindo uma visão vitoriana de uma sociedade em que alguns deverão ter privilégios merecidos e os restantes uma resignação tipo deus, pátria e família às tristes sortes que lhes calharem. Revela um particular ódio por qualquer ideia de entreajuda social ou de aposta numa sociedade mais justa. É pena. Ler argumentos contrários ao que se pensa ou acredita é importante, em nome do debate e desenvolvimento de ideias, mas quando os argumentos se resumem ao papaguear de ideias baseadas em míseros ódios pessoais, qualquer debate torna-se impossível.
A estranheza dos argumentos atingiu-me quando escreveu sobre o modelo de avaliação de docentes, afirmando que este premeia show-offs e não trabalho meritório. Em poucas palavras, traiu uma visão da educação baseada na memorização para testes e desvalorizou qualquer trabalho pedagógico que ultrapasse essa especificidade e dê aos alunos experiências diferentes e inovadoras. Altamente ofensivo para aqueles que, como eu, procuram equilibrar as necessidades do currículo com o estimular nos alunos de aprendizagens diferentes, mostrando-lhes ferramentas contemporâneas e utilizando o digital como elemento de criatividade. Mas há mais pérolas: um perfeito estado de negação das consequências dos problemas ambientais, uma visceral visão da esquerda que não ficaria nada mal nos panfletos nacional-socialistas, e uma opinião paradoxal da parte de um docente de uma instituição pública que forma futuros professores para a escola pública que mostra uma crença na total inutilidade da escola pública valorizando apenas as instituições privadas para preparar bem as crianças. Da última pérola que li só apetece perguntar: de certeza que o alargamento até aos dezoito anos é inútil? Porque não acabar com essa estupidez que é o alargamento da escolaridade obrigatória até aos quinze anos? Útil seria que a grande massa do lumpen soubesse apenas ler e escrever, e que houvessem escolas específicas para preparar aqueles que têm mérito (pais com condições económicas) para se tornarem a elite do país.
O nível de cretinice saído destes e doutros posts é tão elevado que se fosse escrito como comédia não seria tão divertido. Por mim, que fale à vontade. Liberdade de expressão ainda não é daqueles direitos sociais que os mais troikistas que a troika estão a tentar abolir. Ainda...
A estranheza dos argumentos atingiu-me quando escreveu sobre o modelo de avaliação de docentes, afirmando que este premeia show-offs e não trabalho meritório. Em poucas palavras, traiu uma visão da educação baseada na memorização para testes e desvalorizou qualquer trabalho pedagógico que ultrapasse essa especificidade e dê aos alunos experiências diferentes e inovadoras. Altamente ofensivo para aqueles que, como eu, procuram equilibrar as necessidades do currículo com o estimular nos alunos de aprendizagens diferentes, mostrando-lhes ferramentas contemporâneas e utilizando o digital como elemento de criatividade. Mas há mais pérolas: um perfeito estado de negação das consequências dos problemas ambientais, uma visceral visão da esquerda que não ficaria nada mal nos panfletos nacional-socialistas, e uma opinião paradoxal da parte de um docente de uma instituição pública que forma futuros professores para a escola pública que mostra uma crença na total inutilidade da escola pública valorizando apenas as instituições privadas para preparar bem as crianças. Da última pérola que li só apetece perguntar: de certeza que o alargamento até aos dezoito anos é inútil? Porque não acabar com essa estupidez que é o alargamento da escolaridade obrigatória até aos quinze anos? Útil seria que a grande massa do lumpen soubesse apenas ler e escrever, e que houvessem escolas específicas para preparar aqueles que têm mérito (pais com condições económicas) para se tornarem a elite do país.
O nível de cretinice saído destes e doutros posts é tão elevado que se fosse escrito como comédia não seria tão divertido. Por mim, que fale à vontade. Liberdade de expressão ainda não é daqueles direitos sociais que os mais troikistas que a troika estão a tentar abolir. Ainda...
De renas e similares
Esta é daquelas pérolas que o incauto professor de EVT encontra de tempos a tempos na sala de aula. Gosto do ar feliz da rena. Deve estar a ter uma soberba prenda de natal. Quem diria que renas e pais natais teriam vidas tão interessantes...
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Hitler's Master of the Dark Arts
Bill Yenne (2010). Hitler's Master of the Dark Arts: Himmler's Black Knights and the Occult Origins of the SS. Zenith Press.
Para aqueles momentos de sobrecarga cognitiva não há como umas leituras sobre os aspectos mais insanos do regime de sanidade duvidosa que marcou indelevelmente a história europeia do século XX. Mas, apesar do título prometedor, este não é um livro que mergulha nas alucinações lendárias associadas ao lado mais esotérico do nazismo, a par com as especulações fantasistas delusionais de armas secretas, discos voadores e bombas nucleares. Antes, é um retrato de um oportunista apaixonado por uma amálgama de ideias esotéricas de carácter pouco são centradas na superioridade de uma idealista antiga raça germânica. Com base em ideários dúbios, Himmler tentou criar nas SS um culto de poder que, embora bem disfarçado com adereços e rituais temíveis, não passava de justificações para uma vontade de protagonismo e sede de poder absoluto. E todos sabemos no que resultou. Caos, morte e destruição.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Fórum Fantástico 2011
Irá decorrer de 18 a 20 de Novembro na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro a edição de 2011 do Fórum Fantástico, dedicado à literatura de ficção científica e fantasia. Podem consultar aqui o programa: Fórum Fantástico 2011. Três dias dedicados a livros, cinema e banda desenhada com divulgação de obras, conversa com autores e apresentações. Apareçam!
terça-feira, 15 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
É De Noite Que Faço As Perguntas
David Soares, et al (2011). É De Noite Que Faço As Perguntas. S. Pedro do Estoril: Saída de Emergência.
É sintomático que a abertura desta sinfonia gráfica lisboeta se inicie com icongruentes imagens televisivas de multidões a puxar uma enorme esfinge. Parece ter pouco a ver com o tema da obra - uma visita à Lisboa das primeiras décadas do século XX, entre o final da monarquia e primórdios do estado novo. Mas esta esfinge, ou antes, a multidão ululante que a carrega e aclama, é a chave de um livro fortemente crítico do impacto humano dos ismos políticos que alastraram pelo século XX e ainda hoje medram. Seguir cegamente ideais e líderes é caminho certo para a desumanização, e humanismo é o que transparece na narrativa do protagonista, que acompanha com algum idealismo, fatalismo e ingenuidade as convolutas voltas da política portuguesa, das revoltas anti-monárquicas às trincheiras da flandres, culminando na ascensão do estado novo. Como prefácio e posfácio, uma mensagem pessoal escrita sob protecção das trevas nocturnas, enquanto pelas ruas marcham legiões de seguidores de um qualquer ismo hipnotizador.
Escrito por David Soares, este álbum conta com ilustração de Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel da Silva e Richard Câmara, cujos expressivos estilos individuais conferem um carácter quase de mosaico que ilustra as múltiplas dimensões da narrativa.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Yes, you do
Infinite Vacation, um comic trippy às voltas com realidades paralelas de Nick Spencer e Christian Ward.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
A Última Obra Prima de Aaron Slobodj
José Carlos Fernandes (2004). A Última Obra Prima de Aaron Slobodj. Sra. da Hora: Devir
José Carlos Fernandes desenrola este livro como uma piada meta-ficcional muito erudita. Criando um artista fictício, com biografia e diferentes artigos onde o autor se apropria da linguagem muito própria da crítica de arte, desenrola uma obra não linear, onde a narrativa pode ser reconstruida míriades de vezes pelo leitor. O livro divide-se em duas partes, uma verosímil análise crítica à obra de um artista ficcional e o que pretende ser uma das suas obras, um conjunto de textos e desenhos intercambiáveis que levam ao extremo a relação semiótica entre texto e imagem na banda desenhada. Surreal, e divertido na sua piada metacrítica.
Prevenir
o apocalipse, com método científico. Do interessante e hilariante Witch Doctor escrito por Brandon Seifert e ilustrado por Lucas Ketner.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
The Traveler
Stan Lee, Mark Waid, Chad Hardin (2011). The Traveler Vol. 1. Los Angeles: Boom! Studios
Em conjunto com a Boom Studios Stan Lee, das suas veneráveis altitudes, criou novos personagens para comics que aliam o classicismo de um dos mentores da Marvel a uma novidade que não se baseia na exploração de violência e sexualização que caracteriza grande parte das "novidades" do mundo dos comics. Como aparte, note-se que Lady Death - essencialmente uma mulher albina bem proporcionada em fato de banho com aventuras cada vez mais infantis, voltou às estantes num comic feito para ser visto e certamente não lido. Por isso títulos como este The Traveler são refrescantes, sem serem avant-garde nem bleeding edge, mas pelo seu classicismo natural.
The Traveler é uma boa desculpa para Mark Waid, a quem Lee entregou os argumentos, escrever convolutos narrativas sobre coincidências e saltos no tempo que fazem as tiras de möbius parecer rectas tranquilas. Neste primeiro volume, o herói que curiosamente não inventa um nome para si próprio, corre pelo tempo e contra o tempo aparentemente para tentar evitar a sua própria criação, embora no curioso final se revele que tudo o que fez foi alterar levemente o decorrer dos acontecimentos para controlar a sua criação e poder vingar-se do responsável pelo acidente criminoso que o criou a si e matou a mulher que ama. Boa premissa para uma nova série que assenta sobre a viagem no tempo, um dos mais intrigantes conceitos da ficção científica.
domingo, 6 de novembro de 2011
Sem rede...
Ficamos despidos. Já hoje, em que o acesso à cloud não se faz com interfaces neuronais. Hotwire: Requiem for the Dead, de Warren Ellis e Steve Pugh.
Stop Motion
No arranque de experiências de aprendizagem que misturam meios de expressão digitais e tradicionais, estamos a começar a mexer com animação stop-motion. Os alunos criam bonecos articulados que serão filmados através de uma câmara controlada pelo Monkey Jam sob um fundo neutro, removido no Sony Vegas com as opções de chroma para inserção sobre cenários virtuais. O sistema de filmagem é um bocadinho rudimentar, mas funciona...
sábado, 5 de novembro de 2011
Digital retro
Ainda me recordo quando este grafismo digital era cutting edge. Pepe Moreno Batman: Digital Justice.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
My Robot Nation
Descobri este site muito por acaso, ao ler os feeds do tumblr The New Aesthetic. O conceito é interessante: quem quiser pode desenhar o seu robot personalizado e depois encomendar o objecto que é impresso em impressoras 3D. Mais interessante é a aplicação web que permite construir um modelo 3D de robot a partir de peças pré-criadas. É muito fácil montar, aplicar adereços, posicionar e colorir um robot na vista 3D. Só é pena que não exporte o ficheiro final. Era giro ter um DXF, WRL ou OBJ das nossas criações para aplicar em aplicações de modelação e animação 3D ou VRML. Mas o site serve para personalizar e encomendar, por isso até se percebe esta decisão. Mas vai dando para umas capturas de ecrã...
Vão brincar, que sabe bem: My Robot Nation.
Vão brincar, que sabe bem: My Robot Nation.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Kaos
... e pânico, é a reacção dos políticos e mercados à veleidade grega de querer efectuar um referendo. Sucedem-se antevisões de cenários catastróficos, receios de colapso total de sistemas (financeiros, note-se) e uma ameaça profunda à União Europeia. Sem querer entrar no que provocaria um não grego ao status quo - os procônsules do sistema financeiro estão claramente aterrorizados, esta nova tempestade sublinha um dos mais profundos paradoxos da construção europeia: tida como benéfica e democrática, assenta sobre decisões tomadas ao alto nível entre políticos e burocratas sem que as opiniões dos cidadãos dos países europeus sejam sequer ouvidas. E quando o são e as respostas não estão de acordo com o pretendido, há que refazer para que os meros cidadãos apoiem as decisões daqueles que sabem mais do que eles. O que aconteceu na adopção do tratado de Lisboa: a Irlanda efectuou dois referendos, porque o primeiro não teve a resposta esperada pelos líderes e a coisa teve que ir à segunda para que os ignorantes irlandeses vissem a sabedoria das decisões de Bruxelas. Aqueles que sabem mais do que nós acham que temos que dizer sim. E nem nos dão oportunidade de manifestar qualquer outra opinião. Chomsky, reflectindo sobre o NAFTA, observa que "the “agreements” are not agreements, at least if people are considered to be part of their societies: the treaties are generally opposed by the populations, and therefore have to be established mostly in secret, or under “fast track” provisions that provide the state executive with Kremlin-style controls, with Congress given the right to say yes (and in principle no, but without serious discussion or information), and with the public virtually or information), and with the public virtually excluded, thanks in part to media complicity". Por cá não é muito diferente. Troque-se congresso por parlamentos nacionais.
O que levanta a questão: é esta a Europa que queremos? Uma construção "democrática" imposta por elites rarefeitas e políticos de competência duvidosa reféns dos interesses financeiros que recusam as mais elementares expressões de cidadania por parte dos cidadãos que dizem representar? Esta nova fase da aventura da crise revela a sua real profundidade: esta não é uma crise económica, financeira ou institucional. É sistémica. O insustentável sistema interconectado, a teia global de legitimidades duvidosas, desregulamentação, mercados ditos livres e pura ganância está a colapsar sob as suas próprias incoerências e são os cidadãos comuns que são chamados a sacrificar-se para manter um status quo que lhe é prejudicial. Novamente, Chomsky: " neoliberalism as an enemy of democracy. While the evidence indicates that imposed liberalization has generally been harmful to development over history, causal relations can be debated even when there are striking correlations, because of limits of understanding and the complexity of factors. Much less so in the case of neoliberalism and democracy, however. Just about every element of the neoliberal package is an attack on democracy. In the case of privatization, that is true by definition: privatization transfers enterprises from the public to the private domain. In the public domain they are under some degree of public control, at least in principle; in more democratic societies, that could be a considerable degree, and in still more democratic societies, which barely yet exist, they would be under the direct control of “stakeholders”: workers and communities. But the private domain is virtually unaccountable to the public in principle, except by regulatory mechanisms that are typically quite weak thanks to the overwhelming influence of concentrated private capital on the state."
Talvez o sistema deva ruir. Porque o que temos não é justo e sustentável, e serve como um travão à cidadania, democracia, liberdades e direitos humanos fundamentais: financial liberalization therefore serves as an effective curb on democracy. Perhaps it is coincidence, perhaps not, but it is worth noticing that financial liberalization was introduced along with the growing concern of elites over what they called the “crisis of democracy” of the 1960s, when normally passive and obedient sectors of the society, often called the “special interests,” began to enter the public arena to put forward their concerns. The result was called “excessive democracy” that was too much of an overload for the state, which could not attend properly to the “national interest.”. Na corrente ideologia político-financeira a democracia é útil quando segue o caminho traçado pelos que zelam pelos ganhos a curto prazo de uma minoria em detrimento da sustentabilidade económica, social e ambiental.
Noam Chomsky (2010). Hopes and Prospects. Londres: Hamish Hamilton.
O que levanta a questão: é esta a Europa que queremos? Uma construção "democrática" imposta por elites rarefeitas e políticos de competência duvidosa reféns dos interesses financeiros que recusam as mais elementares expressões de cidadania por parte dos cidadãos que dizem representar? Esta nova fase da aventura da crise revela a sua real profundidade: esta não é uma crise económica, financeira ou institucional. É sistémica. O insustentável sistema interconectado, a teia global de legitimidades duvidosas, desregulamentação, mercados ditos livres e pura ganância está a colapsar sob as suas próprias incoerências e são os cidadãos comuns que são chamados a sacrificar-se para manter um status quo que lhe é prejudicial. Novamente, Chomsky: " neoliberalism as an enemy of democracy. While the evidence indicates that imposed liberalization has generally been harmful to development over history, causal relations can be debated even when there are striking correlations, because of limits of understanding and the complexity of factors. Much less so in the case of neoliberalism and democracy, however. Just about every element of the neoliberal package is an attack on democracy. In the case of privatization, that is true by definition: privatization transfers enterprises from the public to the private domain. In the public domain they are under some degree of public control, at least in principle; in more democratic societies, that could be a considerable degree, and in still more democratic societies, which barely yet exist, they would be under the direct control of “stakeholders”: workers and communities. But the private domain is virtually unaccountable to the public in principle, except by regulatory mechanisms that are typically quite weak thanks to the overwhelming influence of concentrated private capital on the state."
Talvez o sistema deva ruir. Porque o que temos não é justo e sustentável, e serve como um travão à cidadania, democracia, liberdades e direitos humanos fundamentais: financial liberalization therefore serves as an effective curb on democracy. Perhaps it is coincidence, perhaps not, but it is worth noticing that financial liberalization was introduced along with the growing concern of elites over what they called the “crisis of democracy” of the 1960s, when normally passive and obedient sectors of the society, often called the “special interests,” began to enter the public arena to put forward their concerns. The result was called “excessive democracy” that was too much of an overload for the state, which could not attend properly to the “national interest.”. Na corrente ideologia político-financeira a democracia é útil quando segue o caminho traçado pelos que zelam pelos ganhos a curto prazo de uma minoria em detrimento da sustentabilidade económica, social e ambiental.
Noam Chomsky (2010). Hopes and Prospects. Londres: Hamish Hamilton.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















































