terça-feira, 31 de maio de 2011

Experiências no Google Sketchup



O projecto em que neste momento os alunos da turma 4º AM da EB de S. Miguel do Milharado se encontram a desenvolver é o de uma visualização em VRML/X3D de um espaço da freguesia. Para representar mais realisticamente esse espaço estão a aprender a criar modelos arquitectónicos no Google Sketchup.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Plug & Pray



Exibido na iniciativa Realidades Virtuais do Goethe Institut em Lisboa, este documentário coloca em contraste duas visões opostas do futuro da computação, robótica e inteligência artificial. De um lado, o cepticismo humanista de Joseph Weizenbaum, uma das lendas da informática e precursor da inteligência artificial que se desencantou com o campo quando percebeu que as suas investigações alimentavam utopias profundamente desumanizantes. Em absoluto contraste, o ciber-utopismo extropiano de Ray Kurzweil, que não hesita em antever e procurar um futuro próximo onde o ser humano se fundirá com as máquinas que cria. Estas visões servem de baliza conceptual para uma observação de campos de tecnologia robótica de ponta: o projecto europeu de robot humanóide iCub, projectos alemães de veículos robóticos militares e, naqueles que são os momentos de puro uncanny valley do documentário, a investigação japonesa em robótica e os seus andróides realistas.

Enquanto o iCub é retratado como uma espécie de infância da robótica autónoma, aspecto reforçado pelo visual infantil dado ao robot, o retrato dos veículos autónomos alemães procura as questões éticas de linhas de pesquisa directamente relacionadas com militares. Do japão vem uma terceira visão, distante das dualidades ocidentais herdeiras da tradição maniqueista judaico-cristã. Numa nação cujo património religioso imbui de espíritos objectos inanimados, a mimetização mecânica da vida não é vista como um problema filosófico.

Kurzweil é neste documentário igual a si próprio, identificável por quem segue o seu blog, Kurzweil AI. Futurista extropiano, defensor da singularidade e um dos mais destacados proponentes da extensão da vida humana através da conjugação de áreas científicas que vão da inteligência artificial à biomedicina, Kurzweil defende os seus pontos de vista num quadro utópico onde o computador, a robótica, a medicina e a inteligência artificial potenciam um novo estado evolutivo da humanidade.

Mas Weizenbaum recorda-nos, através do seu cepticismo, que por interessantes e intrigantes que sejam as potencialidades da tecnologia, nela reside o perigo da desumanização. Descontente com as ciber-utopias, avisa-nos sobre a objectificação do ser humano reduzido a mais um elemento num futuro ecossistema biotecnológico. Parece futurismo, mas as sementes deste futuro potencial estão já a ser semeadas nos laboratórios e centros de pesquisa avançados. É pungente ver Weizenbaum a demolir o argumento que a robótica poderá ser um precioso auxílio para uma população envelhecida com um subtexto que questiona o tipo de pessoas seremos quando recusamos a nossa presença aos idosos e a trocamos por frios mecanismos biomiméticos.

O ciber-futuro, robótico e digital é inescapável. A internet embebeu-se totalmente nas nossas vidas e sociedade. Dos veículos que circulam na estrada aos sectores militares, a robótica já se entranhou no quotidiano. O impacto transformativo destas tecnologias levanta questões éticas sobre a sua utilização e filosóficas sobre o que significa ser humano num futuro hipertecnológico. Fascinandos pela tecnologia, estaremos a perder o sentido de humanismo?

Se Kurzweil desperta o interesse ao predizer que dentro de vinte anos os computadores mimetizarão a totalidade da inteligência humana, é o aviso de Weizenbaum sobre a objectificação do humano que leva a reflectir.

domingo, 29 de maio de 2011

Pina



É impressionante a precisão e elegância dos movimentos abstractos dos bailarinos captados pelo olhar de Wim Wenders neste filme que retrata a obra da coreógrafa Pina Bausch. A opção de utilizar o 3D estereoscópico confere uma carnalidade conseguida pela ilusão da percepção de profundidade. Wenders soube tirar partido desta técnica procurando contrastes entre as formas dançantes dos bailarinos em primeiro plano e os diferentes fundos numa eficaz ilusão tridimensional, ou gerando intensos close-ups que a técnica fílmica transforma em grupos escultóricos virtuais. O 3D estereoscópico não é uma técnica nova, mas falta-lhe uma estética própria que saiba tirar partido do seu carácter ilusório. Não é tarefa fácil adaptar regras de composição plástica concebidas para superfícies bidimensionais à ilusão de profundidade. Wenders escapou aos enquadramentos habituais deste género de filmes e procurou um sentido estético que deu uma nova dimensão à representação da dança no ecrã.

sábado, 28 de maio de 2011

Violência Urbana

É interessante notar algo que está ausente da cobertura do caso das jovens que agrediram outra com o acto filmado e colocado online. Anteriores casos similares evocavam sempre de jornalistas ou comentadores observações sobre como a internet seria um agente potencial destes acontecimentos. Desta vez, nada se ouviu, o que implica alguma maturidade e melhor conhecimento do mundo online por quem anda pelas redacções. O caso está a ser retratado pelo que realmente é - um lamentável acto criminal de violência, perpetrado por jovens incapazes de ter sequer o discernimento para perceber que é má ideia filmarem-se num acto criminoso e depois publicá-lo na internet para todos verem.

Ao contrário do que se diz por aí, o vídeo em questão está online e no portuguessímo Sapo. Num cenário suburbano estranhamente reminiscente de A Clockwork Orange.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sketchup


Um exemplo das coisas fantásticas que se conseguem quando se deixam crianças à solta com computadores e ferramentas digitais avançadas de complexidade média. Conseguido hoje por um aluno da EB 1 do Milharado.

Viagem de um Glóbulo Vermelho


Este é um projecto de criação de um mundo virtual elaborado por alunos das turmas 6º C e 9º A do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro. Criado para participação na iniciativa Ciência na Escola da Fundação Ilídio Pinho, desenvolveu-se em diferentes fases: actividades experimentais nas aulas de Ciências da Natureza (6º ano) e Ciências Naturais (8º) de observação de orgãos do sistema cárdio-respiratório, aprendizagem de processos de trabalho em aplicações de modelação tridimensional (Google Sketchup, Doga L3, Vivaty Studio, CB Model Pro), pesquisa de informação (texto e imagem) sobre o sistema cárdio-respiratório, modelação tridimensional dos elementos constituintes de células, vasos sanguíneos, artérias,
corrente sanguínea, orgãos do sistema cárdio-respiratório, e elementos decorativos, e integração com animação e interactividade em Vivaty Studio. 
Não acompanhei as actividades experimentais, por serem específicas a uma área disciplinar. O meu trabalho prendeu-se com as fases seguintes: aprender modelação 3D e construir os diferentes objectos tridimensionais necessários ao projecto. No Vimeo encontra-se um vídeo que mostra alguns resultados da descoberta do CB Model Pro para modelação orgânica.

A fase de pesquisa é essencial para estruturar ideias e procurar formas de representar os elementos que irão ser recriados virtualmente. Num projecto digital, a fase do papel - registar, rabiscar, rascunhar ideias, é um momento fundamental. 

Esta fase é intercalada com a aprendizagem do 3D. Não usámos equipamento muito potente - uns humildes netbooks Eee 1100. O ecrã pequeno dificulta a criação de modelos complexos, mas serve bem para criar diferentes elementos individuais que depois podem ser integrados num modelo complexo. Na imagem, um exercício livre de modelação por extrusão em torno de um eixo e em NURBS. 

A cada grupo de alunos coube a tarefa de modelar um elemento individual de cada modelo constituínte do mundo virtual. Definimos que este reuniria casa criadas em Sketchup, para albergar os modelos biomórficos e imagens das actividades experimentais, um boneco animado para a entrada no espaço criado no Doga e animado em Vivaty Studio, e modelos de veias, pulmões, coração, células e seus constituintes criados nas aplicações que mais se prestassem para a tarefa. Por exemplo, membranas celulares, glóbulos vermelhos e objectos similares foram modelados organicamente no CB Model Pro gerando objectos low poly. Formas mais regulares foram criadas em Doga e Vivaty Studio. Usaram-se diferentes tipos de modelação: extrusão, ponto forte do Sketchup, operações booleanas (gerando objectos ocos pela combinação de dois objectos) e  orgânica, muito facilitada no CB Model. Na  imagem, a criação de um modelo virtual de célula a partir da importação de diferentes objectos previamente criados pelos alunos.


O resultado é um modelo virtual em X3D - formato mais recente da linguagem VRML. Parece complicado, mas não é. Esta célula é constituida por sensivelmente cinco ou seis objectos tridimensionais, que foram repetidos utilizando um recurso muito elegante da linguagem VRML/X3D, a referência. Similar às operações copiar - colar e duplicar, ao invés destas não gera um novo modelo mas sim uma referência ao modelo original, que pode ser rodada e reposicionada. Com isto podemos obter modelos de elevada complexidade mas de tamanho leve. Apesar de complexo, e cheio de formas 3D, o modelo na imagem pesa uns meros 137 kb em X3D. A imagem foi renderizada em tempo real no BS Contact e o modelo permite rotação para visualização global das formas representadas.

A criação de um mundo virtual, ou modelo complexo, é um processo iterativo. Começamos com pequenos objectos individuais que são montados em modelos detalhados. Estes, por sua vez, são montados no modelo final. Aqui as coisas tornam-se mais difíceis pelo tamanho do espaço e quantidade de ficheiros envolvidos. É fundamental organizar os nós (objectos e formas em VRML) e grupos para saber exactamente onde está o que compõe o modelo virtual. Facilita o trabalho de posicionamento correcto dos modelos. Aqui é o momento em que termina o trabalho dos alunos e se intensifica o meu. Nas horas disponíveis para o projecto (45 minutos semanais para o 9º ano e 90 minutos para o 6º) não é possível treinar a utilização do Vivaty Studio de forma aprofundada. Seria, talvez, se todo o tempo fosse dedicado a isso e não à exploração de outras aplicações, pesquisa  e criação de modelos.

Este é um exemplo de outro dos objectos complexos utilizados: o modelo de uma veia, renderizado em wireframe nesta imagem para se poder ver os elementos interiores, constituintes do fluxo sanguíneo. No mundo virtual é um modelo texturizado que pode ser rodado pelo utilizador para inspeccionar os diversos elementos.

Outro exemplo, a estrutura interna de um osso. O exterior foi modelado em CB Model Pro em baixa resolução e o interior modelado e texturizado no Vivaty Studio.

Aqui, um dos muitos aspectos do mundo virtual onde podemos observar e interagir com os modelos dos elementos constituintes do sistema cárdio-vascular. A informação recolhida e tratada pelos alunos é mostrada em painéis.

Ao longo deste projecto os alunos participantes puderam visualizar o interior das estruturas do sistema cárdio-respiratório, aprender trabalho em laboratório, dominar progressivamente o computador e diferentes aplicações e explorar o potencial criativo da tecnologia digital. Exploraram experimentalmente os conteúdos curriculares e transferiram aprendizagens através da recriação de sistemas biológicos em modelação tridimensional e aprofundaram as TIC de forma criativa numa perspectiva construtivista.

O resultado final deste projecto é um ambiente de realidade virtual não imersiva em VRML/X3D. Pode ser visualizado num computador com aplicações de visualização de VRML ou visitado na internet em ambiente multiutilizador.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

The Land That Time Forgot


Edgar Rice Burroughs, The Land That Time Forgot

Pura aventura no estilo clássico de Edgar Rice Burroughs passada numa ilha desconhecida à beira-antártida cujos penhascos escondem uma terra de mistérios habita por fauna pré-história e estranhas tribos humanóides. Um clássico literário que nos mergulha em tempos primevos. Leitura gratuita em epub que pode ser descarregada no EPUB Books.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mistério

Nunca percebi isto. Se a página está em branco, porque é que deixam lá esta frase? Assim não deixa de estar em branco?


Projecto Aeolos



Trabalho em progresso dos alunos das turmas 5º A, 5º B e 5º H. O objectivo é que cada turma crie um espaço virtual em VRML/X3D que modele um sistema de energia eólica. No vídeo, alguns dos modelos 3D criados para o projecto.

Viagem de um Glóbulo Vermelho (III)

O espaço virtual Viagem de um Glóbulo Vermelho está online no endereço web VRMLWorld.net | Viagem de um Glóbulo Vermelho. Para visitar e interagir no espaço 3D é necessário utilizar o Internet Explorer com Flash actualizado e um plugin de visualização VRML/X3D. Recomendamos o BS Contact.

terça-feira, 24 de maio de 2011

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Viagem de um Glóbulo Vermelho (II)



O mundo virtual Viagem de um Glóbulo Vermelho estará em breve online na plataforma VRMLWorld. Até lá, fica aqui um vídeo que mostra alguns aspectos do espaço virtual.

Simulador, anos 40


É literalmente um dos avôs dos modernos jogos de computador, Realidade Virtual e simuladores avançados: um sistema analógico de simulação construído no final dos anos 40 do século XX para treinar operadores de radar. Um primeiro passo na direcção dos sistemas imersivos de hoje. Mais aqui e aqui.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Hello

Tenho uma running joke com os meus alunos: detesto a hello kitty. Na verdade não me chateia muito, mas é bom motivo para umas brincadeiras que desanuviam o ambiente da aula. E se apanhamos alunos com sentido de humor... há prendas como esta, detectada quando avaliava um diário gráfico.  Não, não dei negativa ao aluno. Mas soltei uma bela gargalhada. 


Otherworld


Otherworld remete-nos para uma história sobre a dualidade entre a mitologia e a ciência, aqui vista como uma guerra para onde são arrastados alguns desprevenidos humanos. Sem ser particularmente interessante, vale pela qualidade das ilustrações, que oscilam entre visões do fantástico e uma estética cyberpunk arrojada.

domingo, 22 de maio de 2011

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Nebulas

É impressão minha, mas os Nebulas deste ano são um bocadinho conservadores. Muitos nomes novos nomeados, mas nos vencedores... Harlan Ellison, Connie Willis e até Terry Pratchet. Prata da casa, suspeitos do costume? E o prémio Ray Bradbury para o filme Inception? Tirando a premissa e umas cenas em CGI, o filme mal é suportável.

Serious Gaming

Na passada segunda feira decorreu no Goethe Institut uma interessante palestra de Arne Kaiser sobre serious gaming. Kaiser é um dos responsáveis pela Forty Games, empresa alemã que se dedica à concepção de jogos como ambientes de aprendizagem e partilhou um conjunto de ideias interessantes sobre o campo. Traçando um paralelo entre o acto de jogar e o acto de aprender, mostrou como o jogo pode ser um elemento de aprendizagem em dois níveis - aprender sobre o jogo, e aprender com o jogo. Nesta segunda óptica, onde se insere o campo dos jogos enquanto ambientes digitais de aprendizagem, falou do conceito de stealth learning - essencialmente, aprender sem sentir que se está a aprender. A imersão na mecânica do jogo leva à produção de aprendizagens, mas o jogo é jogado por si, como algo divertido, embora tendo em mente os objectivos de aprendizagem. Por detrás de perspectivas que traem uma visão construtivista, sublinhando conceitos como o fluxo de Csikszentmihalyi e os estilos de aprendizagem.

Um dos pontos mais fascinantes das tecnologias usadas está numa matriz que permite identificar tipos de aprendizagem e géneros de jogos mais adequados. Não se trata aqui de jogos educativos clássicos do género drill and practice, mas de ambientes 3D criados em motores de jogo (utilizando o Unity) multi-plataformas (pc, web, iOS) à volta de um conteúdo a aprender. O target da empresa é o mercado empresarial desenvolvendo jogos que se adequam às necessidades dos clientes.

É refrescante ouvir alguém que não é professor a falar do que é essencialmente um problema de aprendizagem. Foge-se aos lugares-comuns e fala-se sem os preconceitos de quem está espartilhado por programas de ensino industrial que não reconhecem, pelo seu necessário carácter transversal a uma população, a individualidade dos percursos de aprendizagem. Jogar como forma de aprender não substitui a aprendizagem, mas renova o campo com uma ferramenta muito potente, particularmente no domínio dos saberes procedimentais. Há anos que os ambientes virtuais e de jogo, particularmente de simulação, são utilizados na formação e ensino. Mas no meio em que trabalho todos os dias o quadro interactivo, mais uma ferramenta de demonstração, é o que é visto o novo supra-sumo que vai estimular aprendizagens. E ai de quem pensar o contrário.

Para saber mais sobre os jogos e a educação podem consultar o mais recente relatório do Futurelab sobre o tema.

sábado, 21 de maio de 2011

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Darwinia


Robert Charles Wilson (2009). Darwinia: um romance sobre um século XX muito diferente. Parede: Saída de Emergência.

Poderemos julgar um livro pela sua capa? Foi o que fiz com este Darwinia. A capa, e a premissa de uma Europa selvagem, despertaram a curiosidade e levaram à leitura desta obra singular.

O livro assenta sobre uma ideia surreal: em 1912 um estranho acontecimento modifica a Europa. De um dia para o outro, o continente transforma-se de local civilizado para uma selva primeva. Tudo desaparece e é misteriosamente substituído por uma terra selvagem cheia de estranhas criaturas e novas plantas. À partida, parece um romance de história alternativa em que esperamos aventuras clássicas à Edgar Rice Burroughs por desconhecidas terras selvagens pontilhada por histórias de uma história que nunca aconteceu sobre as disputas territoriais das antigas nações europeias que sobrevivem através das administrações coloniais. E o autor dá-nos isso, com uma história sobre uma expedição aos recessos interiores de um continente desconhecido. Mas, a páginas tantas, Robert Wilson muda todo o jogo e transforma Darwinia num romance de pura Hard SF e Cyberpunk passada, literalmente, no fim dos tempos. Sem querer desvelar a ponta do véu, digamos que a Terra do romance é uma terra virtual, constructo digital e parte integrante de um vasto arquivo criado pelas envelhecidas civilizações para tentar manter uma semente do seu universo num final dos tempos em que a entropia leva o universo a colapsar numa singularidade. O arquivo é corrompido por entidades digitais sentientes que têm de ser combatidas mas ao mesmo tempo preservadas por serem parte integrante do universo arquivado.

Romance surpreendente, Darwinia oferece-nos aventura clássica em terras selvagens, uma sólida construção de mundos e um fascinante toque cibernético de realidades virtuais sólidas para quem nelas habita. Verdadeiramente merecedor do prémio Philip K. Dick, escritor cuja obra se baseia num constante questionar da verdadeira realidade do real que percepcionamos.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

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Percursos

Numa palestra recente sobre serious gaming, foi sublinhado o potencial pedagógico de jogos criados de raiz para estimularem aprendizagens, particularmente no campo das simulações e na aprendizagem de procedimentos. O que leva a reflectir que o trabalho desenvolvido no 3D Alpha segue o percurso diametralmente oposto. Em vez de colocar nas mãos dos alunos um produto final para estimular aprendizagens, trata-se de colocar nas mãos das crianças ferramentas que lhes permitam criar produtos - e no processo estimular aprendizagens no domínio das TIC e áreas disciplinares. Podemos construir uma simulação para ensinar aos alunos um processo físico, por exemplo, ou integrar as aprendizagens dos alunos sobre um sistema na criação de uma simulação. É o que esperamos conseguir com o projecto "A Viagem da Gotinha": colocar os alunos a modelar objectos 3D para construir um espaço virtual que simule o ciclo da água em VRML/X3D. Uma educação para o século XXI exige novas metodologias e estratégias.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

VRML/X3D

Onde se resmunga sobre as constantes alusões às potencialidades pedagógicas dos mundos virtuais em Second Life / Open Sim e o esquecimento a que é votado o VRML/X3D.

Já ando há uns tempos de volta da tecnologia VRML/X3D e sempre me perguntei porque é que apesar de ser flexível, configurável, livre e fácil de trabalhar - desde editores dedicados como o vivaty studio a módulos de exportação/conversão do 3DS Max, Sketchup, Meshlab, entre outros, não tem a visibilidade e a popularidade de ambientes de mundos virtuais como o Second Life ou o Open Sim. O que parece estranho. O VRML/X3D também pode - e é, utilizado para criar mundos virtuais. Ao contrário dos mais famosos, não depende de clientes pesados (25 mb para o cliente SL, sempre a ser actualizado) e não gera grande tráfego de dados durante a interacção. Os ficheiros VRML/X3D descarregam-se para a cache do browser, enquanto o SL depende de actualização contínua... e é ver o tráfego a disparar, e ai da belas paisagens virtuais se a largura de banda não for suficiente para apresentar eficazmente o conteúdo 3D. Para visualizar e interagir em VRML/X3D basta um plugin levezinho, e os browsers de nova geração (leia-se as últimas iterações do Chrome e do Firefox) renderizam X3D nativamente em HTML5. Criar conteúdo 3D em VRML/X3D é fácil, com inúmeros programas a permitir exportar conteúdo neste formato. Ao invés, trabalhar com os prims do Second Life é dose. Posto isto, porquê a impopularidade de um formato já bem estudado e conhecido?

Hoje andava de volta de uns apontamentos sobre o OpenSim e percebi. Falta-lhe a componente social. Pode-se criar um belíssimo mundo virtual em VRML/X3D, e há muitos. Mas tudo o que o visitante pode fazer é estar dentro do espaço, interagir com outros utilizadores ou algum conteúdo dinâmico. Não pode criar o seu conteúdo e colocá-lo num espaço virtual tridimensional partilhado. Cada espaço virtual em VRML/X3D é essencialmente fechado, enquanto mundos como o Second Life são na sua forma mais elementar espaços abertos à espera das criações dos seus utilizadores. A introdução de novo conteúdo obriga à reconstrução do espaço virtual.

Também há um certo factor de visibilidade. O Second Life é muito bem promovido, e o VRML é quase desconhecido fora de contextos académicos. E é muito frustrante ver e ouvir falar de exemplos de utilização educacional dos mundos virtuais centrados no Second Life / Open Sim e ficar totalmente esquecida discussão similar com VRML/X3D, que é bem mais fácil de utilizar e com a vantagem que é relativamente simples colocar nas mãos dos alunos ferramentas para eles próprios criarem o seu conteúdo tridimensional e construírem aplicações educacionais.

É estranho, e frustrante. Até porque o VRML é uma tecnologia já antiga, com muitas iterações de desenvolvimento (a primeira especificação de Pesce e Parisi data mais ou menos da era em que Berners-Lee andava a criar o protocolo WWW) e cheia de potencialidade.

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Estilos

Quando o Slate se perguntou como podia o director do FMI sustentar hotéis de luxo e voos transatlânticos em 1ª classe, a resposta encontrava-se nos regulamentos da organização, que estipula despesas de representação de acordo com o estilo de vida adequado a um elemento de tão grande importância. O que implica que uma instituição conhecida pelos seus conselhos de contenções e racionalizações não olha a despesas quando se trata de se autopromover. Despesas que incluem voos em primeira classe a dez mil dólares por bilhete ou suites de hotel a três mil por noite. É mais um clássico caso de faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

terça-feira, 17 de maio de 2011

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Palácio

Na turma 3B da EB 1 da Venda do Pinheiro o desafio é criar uma animação em 3D a partir de uma história elaborada pela turma. É uma tentativa de trabalho interdisciplinar.  Pedi aos alunos esboços dos personagens e cenários em desenho, e este foi um deles... difícil de acreditar que foi desenhado por uma aluna de oito anos.


domingo, 15 de maio de 2011

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Quartier Lointain


Jirô Taniguchi (2010). Quartier Lointain. Paris: Casterman

Não podemos reverter o curso do rio da vida. Mas, se por algum estranho milagre, se regressasse a um tempo anterior em que éramos mais jovens embora com as memórias do futuro? Hiroshi, o protagonista deste encantador Quartier Lointain, é um homem de meia idade prestes a deixar a sua família que, de repente, regressa aos seus catorze anos, revivendo-os com a memória do futuro e sob o peso do imimente abandono do seu pai. O passado não se altera, mas revisitá-lo dá a Hiroshi um novo fôlego para o seu próprio futuro. Estilisticamente ilustrado sob as convenções gráficas do manga, tem um pormenor curioso: um contraste arquitectónico entre a verticalidade do Japão moderno e a horizontalidade de uma era mais antiga, desaparecida nas águas do tempo.

sábado, 14 de maio de 2011

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Oops.

A demonstrar a traçagem de segmentos de recta no Google Sketchup aos alunos de 5º ano, mostrando como a cor das linhas se altera de acordo com o paralelismo com os eixos cartesianos. Verde para o eixo X, vermelho para o eixo Z, azul para o eixo vertical Y. E a linha preta...

- Verde é bom, está paralelo ao eixo, e vermelho também. Se for vertical fica azul. Assim certificamo-nos que as linhas geram superfícies às quais podemos aplicar extrusões. Agora estão a ver esta linha preta?
- Sim...
- Se é preto não é bom. ... ... Ooops. Porque, porque... está fora dos eixos e não controlamos a superfície - lá gaguejo eu.

Ooops. Malvada língua portuguesa. Ao fundo da sala a minha par pedagógica disfarçava mal uma gargalhada.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Power


Mike Carey a roçar o anarquismo inteligente no The Unwritten #25. Se os comics são para putos, vão crescer mais inteligentes a ler pérolas destas.

Bolas

- Ó stor,  agora que o jogador está pronto falta o quê? 
- A bola. Qual é que achas que é a forma tridimensional que melhor representa a bola?

O aluno fica com um certo ar indeciso. Não resisto. 

- Talvez o cilindro? Ou o cubo? 
- O cilindro...
- De certeza? 
- Então é o cubo.
- Está-se mesmo a ver os relatos de futebol.  Ronaldo remata o cubo e a aresta vai à trave!

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quarta-feira, 11 de maio de 2011

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Equilíbrios precários no porto de S. Martinho do Porto.

Macedonia


Harvey Pekar, Heather Roberson, Ed Piskor (2007). Macedonia. Nova Iorque: Villard Books

Estaremos condenados a não conseguir evitar guerras? Quando os interesses étnicos ou políticos colidem nas exíguas fronteiras de um país, estaremos condenados a repetir os ciclos históricos de derramamento de sangue? A personagem principal deste livro atípico de Pekar pensa que não. Para defender a sua tese, desloca-se à Macedónia, ex-república Jugo-eslava que apesar da intensidade do caldeirão étnico pareceu evitar o mergulho na guerra civil com auxilio das instituições internacionais. Baseada nas experiências da activista Heather Roberson, Macedonia mergulha-nos numa zona de tensão permanente, onde as experiências individuais diferem do propagandeado nos media num país que tem possivelmente os taxistas mais rudes do planeta. Apesar do tema interessante, o livro não resiste a enormes infodumps que cortam a emotividade do argumento.

Roxo

- Ó stor, como é que se faz roxo?
- Bem, é fácil. Apanhas a carreira até Lisboa e depois vais de autocarro até ao aeroporto da Portela. Lá compras um bilhete para o voo semanal da RoxAir até Roxia, capital da Roxolândia. É um país que fica entre o Burundi e o antigo Alto Volta, hoje Burkina Faso, cuja capital é Ougadogou. E se alguma vez nevar em Ougadogou estamos tramados. Quer dizer que as galinhas têm dentes. Quando aterrares em Roxia hospeda-te num hotel - recomendo o RoxSavoy pelos quartos em madeira roxa, e a seguir dirige-te ao ministério da agricultura e caça grossa. Precisas de pedir uma licença de caça aos Roxos, uns bichinhos grandinhos que vivem nas selvas da Roxolândia. Depois de obteres uma licença precisas de arranjar um jipe, umas espingardas de calibre 50 e um guia. Os melhores guias são os da tribo dos Arroxios, que conhecem como a palma das mãos todas as florestas selvagens da Roxia. Quando estiveres pronto, dirige-te às selvas. Procura uma manada de Roxos, mas cuidado com os seus dentes afiados. Caça um número razoável, senão as criaturas ainda se extinguem. Depois, com uma bem afiada faca de caça tens de lhes arrancar a pele, é útil para fazer peúgas e chapéus, e esventrar os cadáveres. A carne podes aproveitar para uma churrascada. O que te interessa são as entranhas e intestinos, que depois de secos e desfeitos em pó fazem um belíssimo tom de roxo.
- Ó, ó stor...
- Ou então podes misturar as cores dos tubos de guache magenta e azul cyan. Vê lá o que é que é mais fácil.

terça-feira, 10 de maio de 2011

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Outposts


Simon Winchester (2003). Outposts: Journeys to the Surviving Relics of the British Empire. Londres: HarperCollins.

Ao dealbar do século XX, o sol não se punha nos vastos domínios do império britânico. No final do mesmo século, com Hong Kong prestes a ser devolvida à China, ainda é legítimo dizer o mesmo, embora das vastas extensões territoriais americanas, africanas e asiáticas apenas reste uma enorme lista de pequenos territórios na sua maior parte desabitados, símbolos de um poderio desvanecido. É uma busca destes vestígios imperiais que Winchester se propõe neste livro encantador, com uma regra: de fora ficam as centenas de rochedos e ilhotas desabitadas que fazem parte dos domínios de sua majestade. O autor propõe-se apenas visitar as colónias britânicas ainda habitadas.

Não é uma jornada fácil. Os acidentes geopolíticos e as distâncias envolvidas tornaram esta viagem numa epopeia de anos. Se alguns locais são de acesso fácil, alguns dos mais remotos territórios governados por Londres são acessíveis com periodicidade anual. Ao longo deste livro Winchester encontra-se numa Hong Kong em transição de governantes, nas Falklands invadidas pela Argentina e numa Gibraltar pré-espaço schengen, que obriga a um pulo a Tânger para percorrer os poucos quilómetros que separam Algeciras do Rochedo.

Winchester atira-se à tarefa procurando uma certa nostalgia colonial de plácidos governadores, símbolos antiquados e uma certa decadência elegante. A realidade revela-lhe uma diversidade díspare, desde os modernos prédios do paraíso fiscal das Ilhas Caimão, passando pelo turimo massificado das Bahamas, a anglicidade atlântica de Tristão da Cunha, Ascenção, Santa Helena e as Falkland, o isolamento das Pitcairn e as bizarrias geopolíticas das Ilhas Virgens, Anguilla e Gibraltar. Embora procure uma voz distante, nota-se no autor um certo fascínio pelas colónias atlânticas, que descreve como literais extensões de uma inglaterra desaparecida nos rochedos do oceano, e assume uma voz crítica perante as incongruências governativas das colónias caribenhas. Nota-se uma empatia perante populações que se sentem historicamente britânicas mas que são quase esquecidas pelos governos londrinos. Mas o foco de indignação vai para o anacrónico BIOT, o território britânico do oceano índico, cuja população foi deportada para as ilhas mauricias para que a marinha americana tivesse ao seu dispor uma base aeronaval na ilha de Diego Garcia.

Misturando jornalismo com opinião e literatura de viagem, Outposts olha com nostalgia para as relíquias de um império desvanecido mantendo uma visão crítica sobe a legitimidade do conceito de colónias num mundo decididamente pós-colonial, retratando até que ponto antigos donos de impérios são capazes de ir para manter alguns parcos vestígios que asseguram uma certa simbologia.

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

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Coração de Arame


José Carlos Fernandes (2001). Coração de Arame. Lisboa: Devir.

Ilustrado num estilo muito pessoal de registo suave preto e branco, o autor mergulha-nos num poema sem rima sobre amor, desespero perante a morte enquanto extinção do ser e abnegação. Com anjos sem asas e gatos demasiado curiosos à mistura.

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domingo, 8 de maio de 2011

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Algures na lagoa de Óbidos.

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Portugalnomics...?



Desculpem lá se não abano a bandeirinha nacional com este vídeo mas se há uma coisa que os finlandeses - ou qualquer outro povo com meio neurónio que veja este filme, aprendem sobre portugal é: vivemos no passado e temos uma mentalidade tacanha. Sim, tivemos uma longa história com feitos grandiosos. Já passou. É motivo de orgulho, mas já passou. E ainda temos a arrogância de o esfregar nos narizes dos outros. Isso é mentalidade pequena. É o pobretanas a lamentar-se ao rico que não tem dinheiro mas já foi melhor que ele. E se querem mesmo ser fieis à história portuguesa... então e os navegadores analfabetos que por serem iletrados não cartografaram as vastas expansões que descobriram? A fortaleza da Mina, esse grande entreposto de comércio... de escravos. O domínio português sobre Macau sempre foi ténue. Para adoçar a coisa, o filme ainda tem erros factuais. Vivemos a primeira metade do século XIX num estado permanente de guerra civil que só terminou quando os soldados se fartaram de revoltas. Introduzimos a inquisição em todo o seu esplendor com o contributo óbvio para o avanço nulo das ciências portuguesas, com autos da fé à mistura (outra expressão legada pelos portuguesas ao mundo... esqueceram-se desta). Inaugurámos as ditaduras caudilhistas europeias com Sidónio Pais em 1917. Vivemos décadas debaixo do jugo de uma ditadura fascista que fazia da pequenez portuguesa um ponto de honra. Enfim, portugueses somos. Apesar dos grandes avanços que demos nos últimos anos e das interessantes experiências dos nossos sectores de ponta, preferimos é continuar a tocar o fado do saudosismo histórico quando projectamos a nossa imagem no mundo. Orgulho-me de ser cidadão de um país com história, mas não me orgulho de ser cidadão de um país que vive na nostalgia de um passado que não regressará. Por mais vídeos que façamos.

Um Catálogo de Sonhos


José Carlos Fernandes (2004). Um Catálogo de Sonhos. Matosinhos: Devir.

Reafirmando o estatuto de José Carlos Fernandes como um dos mais interessantes e líricos autores de banda desenhada portuguesas da actualidade, esta metáfora subversiva mergulha-nos num mundo onde o onirismo legalmente proibido encontra formas de escorrer para a realidade. Um ser saído dos sonhos cruza-se com polícias oníricas e conspiradores secretos, todos em busca da posse do catálogo de sonhos, um livro de páginas brancas que de noite se vai preenchendo com as narrativas que de desenrolam nos cérebros adormecidos da humanidade.

sábado, 7 de maio de 2011

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Irresponsabilidades


Não é boa ideia ir até à feira do livro para desanuviar depois de um longo dia de trabalho. Cometem-se alguns excessos. Vale é que fui apontadinho aos meus interesses: comics e FC e Fantasia. Mas não deixei de dar uma vista de olhos ao interessante pavilhão da editora Babel, muito bem desenhado embora sendo fechado quebre com a tradição de abertura da feira do livro, e às colecções de ensaio da Assírio e Alvim, sempre com boas anfetaminas para os neurónios.

Mas não escapou do stand da Devir uma edição de luxo dos clássicos Tales From The Crypt, horror EC no seu melhor, um pacote de José Carlos Fernandes contendo Um Catálogo de Sonhos, Coração de Arame e A Última Obra-Prima de Aaron Slobodj, e a edição portuguesa de Arkham Asylum para doar à biblioteca da escola onde trabalho, onde ainda abundam asterixs e rareiam coisas mais contemporâneas. Esta obra inimitável de Grant Morrison e Dave McKean foi uma das marcas da minha iniciação aos comics, por isso uma dosezinha de evangelização não fica mal.

Da outra paragem obrigatória, o stand da Saída de Emergência, vieram o Darwinia, cuja imagem surreal de uma europa literalmente selvagem me seduziu, e Lisboa Triunfante do mais coerente e interessante autor português contemporâneo de terror e fantástico, David Soares. A editora tinha uma promoção gira, adquira dois livros e leve três, o que explica o Pátria de R. A. Salvatore. Não sou particularmente fã de high fantasy e confesso hereticamente que apesar de admirar o génio de Tolkien tive uma certa dificuldade em ultrapassar o Senhor dos Anéis. É mais uma oferta para a biblioteca.

Contas feitas, mesmo com descontos deixei lá uma quantia que faria o senhor presidente cavaco olhar para mim com ar reprovador e dizer-me, naquela voz melífula, que me portei muito mal que neste momento de crise e oportunidades há que ser responsável com os meus dinheiros, que fazem mais jeito para pagar as dívidas do país do que para me dar alguma qualidade de vida. Mas que se dane, eu, irresponsável me assumo.

Motivações


Encontrado algures na internet. E sim, é vero e bene trovato.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

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Alimárias

- Eh pá, vocês não pensam...!
- Ó professor, a pensar morreu o burro...
- Pois. E olhem, se morreu a pensar, já fez mais do que muitos de vós. Pensou. Usou a mioleira.