segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quaternion



A brincar com o Mandelbulb 3D.

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Buddha, not barred



Se ao deambularem por entre os vinhedos e pomares de peras ao redor do Bombarral e depararem com umas estranhas estátuas de aspecto chinês, não, não tropeçaram num buraco no espaço-tempo e aterraram algures entre Beijing e Shangai. Encontram-se no jardim Buddha Eden, curiosa excentricidade de Joe Berardo plantada no meio das suaves colinas do oeste.

Lá dentro, não podia deixar de pensar na Quinta da Regaleira, também ela uma excentricidade construída por um milionário que homenageia uma tradição milenar - no caso, o conhecimento gnóstico e alquímico. E perguntei-me se o sentimento de obra derivativa e crua seria uma dissonância cognitiva similar à dos contemporâneos da construção dos ornatos elaborados da Quinta da Regaleira. É surreal olhar para budas gigantes numa antiga herdade do Bombarral.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

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A brincar com o Autodesk Sketcher para android.

Storm Front



Jim Butcher (2000). Storm Front. Nova Yorque: ROC.

Aproximei-me deste livro com alguma curiosidade, o primeiro de uma longa série conhecida como Dresden Files. Deparei-me com uma obra facilmente legível, descontraída e pouco densa, que gere muito bem elementos de diferentes géneros literários num enredo que nos mantém agarrados à página. Embora pouco profundo, é entretenimento escapista muito delicioso.

Como definir Storm Front? Policial? Fantástico? É uma mistura inteligente de ambos os géneros. O herói da série, Harry Dresden, é um feiticeiro que pratica a sua arte às claras, funcionando como detective privado de casos ligados ao sobrenatural. Dresden tem problemas com a restante comunidade de feiticeiros, graças a histórias do seu passado, e encarna o prototípico detective privado cujo cinismo é aqui metamorfoseado em humor negro, isolado, sempre com problemas financeiros e cujos casos o levam envolver-se com mulheres lindas e perigosas. Sem esquecer a relação de amor-ódio com as autoridades, que desconfiam dele mas solicitam-no sempre que se deparam com casos fora do espectro do normal. Dresden é Sam Spade com uma varinha no lugar do revólver de calibre 38 especial.

A narrativa focaliza-se nos elementos de policial, com uma história convoluta onde um desaparecimento e um crime aparentemente sem ligação mergulham Dresden num conflito envolvendo mafiosos, polícias e feiticeiros assassinos. Uma leitura rápida e agradável para uma daquelas tardes de indolência.

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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sardinhas



As minhas turmas andam atarefadas a desenhar para o concurso Desenha a Tua Sardinha promovido pela CML e Festas de Lisboa. E, como sempre, a surpreender-me com pérolas deste género...

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Howl



Allen Ginsberg, Eric Drooker (2010). Howl. Londres: Penguin.

Não sendo um apaixonado por poesia, conhecia a fama de Allen Ginsberg mas nunca havia lido nada da sua obra. Howl é uma das obras seminais do movimento beat, que desconhecia apesar de ser fã confesso de William S. Burroughs e de On The Road de Kerouac.

Esta adaptação não é precisamente uma obra pensada como uma sinergia entre palavras e ilustração. É uma reciclagem desavergonhada de fotogramas da curiosa animação que integra o filme homónimo, ainda por estrear, que aborda Ginsberg e o momento de criação do poema. O que nao significa que esta graphic novel seja desinteressante. A estética está a cargo do ilustrador Eric Drooker, colaborador assíduo do poeta, que evoca uma iconografia surreal poderosa a complementar as palavras reminiscentes.

Coligindo fotogramas de uma animação 3D, esta obra tem uma estética limpa que contrasta com as palavras que pedem uma abordagem mais expressiva. Na era da internet, a animação já escorregou para o YouTube e vale a pena conhecer: Howl Animation Part 1.

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

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The Rattler



O encanto fascinante dos filmes de terror nipónicos depende muito de um certo carácter aleatório e incompreensível. Parte da reacção do espectador envolve a procura de um porquê, de uma justificação para o horror. E normalmente o horror japonês não o fornece. O macabro não faz sentido, o terror é aleatório, nada é justificável. Talvez seja uma consequência dos mitos de um país que não foi afectado pela pervasiva dualidade que caracteriza as mitologias de raiz mesopotâmica. Para além disso, os cineastas de terror japoneses são mestres na criação de monstros muito simples mas perfeitamente horríficos, capazes de gerar arrepios na espinha dos mais insensíveis fãs do género.

The Rattler é muito eficaz nestes aspectos. Parte de uma antologia de terror, envolve-nos num delírio que não tem fim, onde uma pacata jovem é assombrada por um espírito que busca o terror puro. Em cenas de horror gelado, parece levar-nos a uma explicação para todos os acontecimentos, mas o final traz um volte-face assinalável, em que a criatura demoníaca se assume como um monstro aleatório, que assombra porque... o pode fazer.

No YouTube podemos encontrar The Rattler em duas partes: Unholy Woman - The Rattler (1) e Unholy Woman - The Rattler (2). Recomendo vivamente.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

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The 3rd Letter



O argumento deste filme não é particularmente supreendente. A história é bastante banal e repete linhas narrativas muito batidas da FC. Mas a qualidade da imagem de síntese é excepcional. Passamos boa parte do tempo a tentar perceber o que é real e o que é efeito digital. A integração da imagem digital com a imagem real está muito boa e o visual industrial decadente muito bem conseguido.

Notificar

Oito e tal da noite, toca o telefone. Do outro lado, uma voz simpática.
- Estou sim, boa noite?
- Boa noite. Aqui fala da seguradora XXX. É para o informar que na sequência da sua participação ao seguro irá receber uma carta.
O que eu já sabia, depois de conversar com os peritos da seguradora.
- Pronto, ok, e... ?
- Muito obrigado e foi um prazer falar consigo. Boa noite!

A chamada é desligada.

Possíveis variações: "boa noite, estou a ligar para informar que está a receber um telefonema"; "boa noite, estou a ligar para o informar que irá ser informado". Ou outras do género.

Yes, really.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

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Estigmas



Lorenzo Mattotti, Claudio Piersanti (2000). Estigmas. Coimbra: Witloof Edições

O que é um estigma? O anti-herói desta obra ilustrada por Lorenzo Mattotti sob argumento de Claudio Piersanti sofre um duplo estigma. Numa vertente mais onírica, as suas mãos sangram constantemente. Mas o seu real estigma é a solidão, a inadaptação, a incapacidade de encontrar um lugar para si no mundo. O carácter expressionista da ilustração de Mattotti, aqui longe do registo abstracto/futurista baseado nos pintores italianos dos primórdios do século XX que utilizou em obras anteriores, sublinha a fortíssima angústia que assola esta obra.

É muito bela a forma como termina: com um fade to white, um conjunto de vinhetas que da negrura vão até à brancura, invertendo o processo habitual de conclusão de uma história.

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Apropriado



Os livros são armas nas guerras de ideias. Daqui: Literature on the Frontlines.

Imagem mental...

para terminar o dia: imaginar-me gordo e bronzeado a bordo do meu iate, almofadado por um harém de louraças bem proporcionadas e avantajadas com ou sem silicone, com um bigode respeitável a saborear os prazeres de um saudável charuto e um delicioso brandy. Sob o sol do mar Egeu, à beira de uma qualquer ilha grega de nome exótico.

Ain't gonna happen. Não passo de um mísero sararyman.

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A Disease Of Language



Alan Moore, Eddie Campbell (2010). A Disease Of Language. Londres: Knockabout.

A Disease Of Language

Alan Moore tem uma visão muito própria da magia, seguindo um esoterismo indivual alicerçado em conhecimentos arcanos e na sua interpretação pessoal. Obras como A Luz do Fogo estão imbuídas desse espírito, e o autor deixa transparecer essa veia em comics mais esotéricos como Promethea, 1969 e From Hell.

Mais do que um album de banda desenhada, A Disease Of Language é a ilustração de divagações, saídas de performances de Moore em Northampton. Na primeira, The Birth Caul, traça-se o percurso inverso de uma vida, pegando nas memórias do autor sobre a sua família e um objecto encontrado entre os pertences de uma avó falecida. Percorrendo o caminho em marcha-atrás, a linguagem vai-se tornando cada vez mais incoerente à medida que o narrador se aproxima da infância. Na segunda performance ilustrada, Snakes and Ladders, as coincidências histórico-geográficas, a prevalência de duplas espirais e o gosto pela dualidade são o pretexto para uma reflexão sobre as hipotéticas maquinarias que se escondem por detrás dos véus do mundo. O livro termina com uma longa conversa entre Moore e o ilustrador Eddie Campbell, em que a filosofia pessoal do autor se mescla com reminiscências e conceitos técnicos de trabalho.

Levemente surreal e fortemente pessoal, com uma ilustração sólida e expressiva, A Disease Of Language explora a mitologia pessoal de um dos mais marcantes autores de comics da actualidade.

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

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Tendências

Parece haver no mundo dos comics uma nova tendência de recuperar e actualizar personagens clássicas, marcos da banda desenhada e da ficção científica e fantasia. A Dynamite recuperou o clássico Buck Rogers, o campy Green Hornet e o literário John Carter Warlord Of Mars. A DC Comics apostou forte no lendário The Spirit e no pulp Doc Savage, mantendo os BlackHawk e Justice, Inc. nas linhas laterais em First Wave. Também recuperou personagens clássicos da Golden Age e incorporou-os nas linhas de continuidade actuais, criando novos títulos. Agora descobri o novíssimo Flash Gordon da Ardden Entertainment, num esitlo revivalista com toque de manga.

Alguns personagens, caso de Buck Rogers ou Green Hornet, sofreram um redesign completo. Outros recontam as velhas aventuras com novos ilustradores e argumentistas, como no caso de John Carter. A DC trouxe argumentistas do calibre de Brian Azzarello para recuperar Doc Savage e mostra um cuidado estilístico muito interessante num novo Spirit que mistura o actual e o clássico. A tendência parece ter vindo para ficar, dando uma nova vida a personagens clássicos e cativando novas gerações de leitores.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

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The...



... fun: criar e animar animais em X3D no Milharado enquanto introduzia o workflow do Doga L3 aos alunos da turma da EB1 que participa no meu pet project.



... grind: terminar o dia de trabalho a actualizar aplicações de backoffice, sempre a rezar a todos os deuses para que o instalador não desse cabo das notoriamente sensíveis bases de dados da aplicação, que num rasgo retro ainda não têm nada a ver com SQL.

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Inspirado num comic de FC dos anos 50. Golden Age...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Latidos

Como é agradável chegar a casa e dar de caras com um canzarrão simpático que insiste em entrar dentro do prédio. Animal gigântico, de raça indeterminada, que engraçou comigo e queria entrar em casa. Ainda mais agradável é vir passear a minha cadela e deparar com o cão deitado à porta do prédio. É giro passear à chuva com uma cadela notóriamente anti-social a latir desalmadamente ao colo enquanto um canzarrão lhe cheira o rabo e me dá encontrões. O bicho ainda está lá embaixo à porta...

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Verão Azul

(Aviso à navegação: boring post com toque autobiográfico.)

Sempre que a televisão mostra imagens da mítica série infantil dos anos oitenta sou recordado do meu certo desvio à mediana. Todos referem o quanto gostavam da série e recordam-se de personagens e algumas das suas aventuras. Por mim, nunca gostei. Nunca lhe achei piada. A ideia de ficar uma hora a ver as aventuras sacarinas de miúdos e bicicletas numa mitificada cidadezinha costeira espanhola nunca me fascinou. Mas tenho boas memórias do Galactica e do Espaço 1999, por pueris que essas séries hoje me pareçam. Não sonhava com passeios de bicicleta por entre as serranias, mas combatia o tédio das viagens de metro transformando o bilhete num laser que na minha imaginação era igual ao do comandante Koening. Velhos tempos, aqueles em que para se viajar de metro se picava um rectângulo amarelo e não havia risco de ficar entalado no portal de entrada ou saída. Já me aconteceu. É doloroso.

Suponho que a culpa desta minha certa alienação é da minha saudosa vóvó, irmã da minha madrinha de baptismo e antiga preceptora que ensinou crianças de boas famílias em Lisboa e Paris antes de se reformar para levar uma vida dedicada aos livros, à religião e às memórias numa transversal da Avenida de Roma. Foi ela que me ensinou a ler, na pouco pedagógica idade de cinco anos, e me transmitiu o gosto pela leitura. Mergulhando em mundos construídos de palavras, que a minha imaginação transformava em imagens, cedo adquiri um gosto pelo que ultrapassa o banal e o normal. E um saudável desdém pelo lado mais acessível da cultura mediática de massas.

Ainda me recordo de aprender a ler, do fascínio de sentir que os símbolos no papel se transformavam em imagens na mente, com a cartilha maternal de João de Deus ao colo da minah vóvó na saleta de estar decorada com um certo gosto fin-de-siécle com um enorme armário cheio de livros. Fechado. Se ela era mais liberal, a minha madrinha tinha uma visão mais restrita do que seria pernicioso ou não para uma mente infantil. Pensava, por exemplo, que o Huckleberry Finn era uma má influência para a mente juvenil e foi uma luta para me deixar ler o Pinóquio. Estranhamente, dava-me liberdade para ler uns antigos romances de capa azul de Colette, os quais felizmente já esqueci.

É também por isto que sou um bocadinho desconfiado das iniciativas estilo Plano Nacional de Leitura, apesar de reconhecer o mérito dos professores que se dedicam a espalhar o o bichinho dos livros. Nem todas as crianças tiveram a sorte que eu tive, de ter alguém que no aconchego do lar tivesse paciência para ensinar as primeiras letras e o gosto pelas palavras. Isso e um certo anarquismo que desconfia saudavelmente de listas estatais de livros que representam o bom gosto. Não sou fã da ideia de que um ministério dite aquilo que devemos ler e não ler. Influências de 1984, Fahrenheit 451 e Admirável Mundo Novo.

Depois de me ensinar a ler a minha vóvó quis-me pôr a aprender francês. Aí falhou redondamente.

The Strain



Guillermo Del Toro, Chuck Hogan (2009). The Strain. Nova Iorque: HarperCollins

Reagindo à tendência da moda para representar vampiros como seres românticos e torturados, Del Toro e Hogan atiraram-se a esta obra que procura reinventar a imagem da criatura mais mediática do género de horror. O resultado é... intrigante.

O tratamento dado pelos autores às criaturas revisita a violência do Drácula de Stoker, a visceralidade dos vampiros de Necroscope de Lumley e o maquiavelismo de Lord Ruthven de Polidori, misturado com uma saudável dose de pseudo-ciência que os revisita como epidemias virais. Infelizmente, o lado interessante do livro fica-se por aqui. O resto é uma narrativa repetitiva onde dois médicos ligados ao centro de controlo de doenças americano, um caçador de vampiros fortemente inspirado em Van Helsing (o original, não a imitação holliwoodesca) e um exterminador de ratos se unem para combater uma pandemia vampírica que assola Nova Iorque.

O estilo literário oscila entre o thriller e a linguagem cinematográfica, com a obra a construir-se a partir de múltiplas vinhetas representativas dos diversos pontos de vista de muitas personagens. O enredo arrasta-se, com algumas inconsistências e linhas narrativas que não vão dar a lado nenhum, e o final do livro é demasiado abrupto. The Strain vale essencialmente pela novidade do conceito.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Teste



Test render para uma ideia com que ando a brincar. Composição nula, apenas amálgama de diferentes objectos.

Ícone

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Turing

Questão do dia: se me visse frente a um teste de Turing, será que seria reconhecido como humano? Lembrei-me que o prémio Loebner, que mantém viva a chama do desafio de Turing, não atribui apenas o galardão à máquina que atingir o graal da inteligência artificial e convencer o painel que está a falar com uma pessoa. Também atribui prémios às IA que mais se aproximarem do objectivo final, e estranhamente prémios ao mais humano e ao menos humano dos participantes humanos no concurso anual.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

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Watson

É melhor não antever muito no desempenho da inteligência artificial Watson num concurso televisivo. As IA são muito boas em ambientes controlados com conjuntos de regras bem definidas. Para além disso, um concurso televisivo não é precisamente um ponto alto da inteligência. Não deixa de ser um feito fascinante, mas há uma enorme diferença entre ser capaz de distinguir e responder a partir de uma base de dados fechada e a flexibilidade e capacidade cognitiva advinda de aprendizagem em tempo real que caracteriza a inteligência. Maior capacidade de processamento não implica flexibilidade. Chomsky acertou em cheio: I’m not impressed by a bigger steamroller.

3D Alpha (II)


Teias e aranhas...



Colmeias...



... e um castelo na distância. Três cenas do filme 3D que está a ser feito com uma das turmas de 1º Ciclo que participa no 3D Alpha. Apenas os objectos inseridos, falta criar a ambiência, completar os cenários e animar. O final desta fase já esteve mais longe.

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Falhar

Quando estamos a inovar, temos de saber aceitar o falhanço. Se inovarmos e não falharmos, das duas uma: ou somos muito muito muito bons, ou então não estamos realmente a inovar, estamos apenas a repetir o que já foi feito. Ou então estamos cegos perante as evidências. Aprende-se errando, falhando catastroficamente. Se se reflectir, percebe-se o que se fez bem e o que se fez mal, criando-se condições para tentar novamente.

Mappa Mundi



Não existe um lá, lá. Ou aqui há dragões. Quando era pequeno, consultava obsessivamente um atlas na biblioteca lá de casa. Passava horas a contemplar os contornos das massas territoriais e a fascinar-me com os nomes de cidades exóticas. Foi esse fascínio que revisitei na exposição Mappa Mundi, uma desconstrução do conceito de mapa e do sonho de cartografar a mutável geografia da deriva humana.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bottle



E porque hoje é um daqueles dias de comemoração de data convencional apropriada pelo espírito comercial desta era de triunfo do capitalismo... uma curta história amorosa, sublimemente animada, que dá novo fôlego à velhinha ideia de mensagem numa garrafa.

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Uma ideia para o dia dos namorados. Aplicável com um machado afiado.

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

XXX



À entrada do CCB.

This Alien Shore



C.S. Friedman (1999). This Alien Shore. Nova Iorque: DAW.

Durante esta leitura passei o tempo a pensar "onde é que já li isto?". Uma mistura de space opera com cyberpunk, This Alien Shore é uma espécie de conto policial onde hackers e corporações perseguem vírus misteriosos e uma rapariga com um sério caso de múltiplas personalidades cuja existência é um perigo para a organização que detém o monopólio das viagens hiperespaciais, num fundo onde a humanidade se espalhou pelas estrelas mas a Terra é xenófoba em relação aos colonos geneticamente modificados. Poderia ser interessante, se não fosse tão decalcado de muitas obras seminais de ficção científica.

Ora vejamos: uma guilda de pilotos que navegam no hiper-espaço? Dune. Um vírus assassino que contamina a mente? Snow Crash. Interfaces directos entre o ciberespaço e o cérebro humano? Neuromancer e boa parte das obras de William Gibson. Uma humanidade que ao espalhar-se pelo espaço se transforma genéticamente? Shismatrix, de Bruce Sterling... e leitores mais atentos e conhecedores do corpus da literatura de ficção científica encontraram mais referências óbvias.

Não deixaria de ser um interessante romance curto, se a prosa não se arrastasse tanto. E apesar das óbvias referências, a construção de mundos imaginários é sólida e intrigante.

Detalhes

17:36: ao subir a escadaria espiralada do CCB olho para o mobile de Calder. Sobre o jogo de luz e sombras está a claraboia que ilumina o espaço. Sob o céu azul uma gaivota entretem-se a roer um osso.

20:17: no nó da Crel com a A8. Enquanto o.carro gira nas curvas da via de acesso, a minha visão periférica capta um movimento rápido no céu. Uma luz branca rasga a escuridão. Talvez um cometa, ou um satélite desgovernado.

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