sexta-feira, 31 de julho de 2009
Leituras
Boing Boing | One Terabuck Visualized Mais dinheiro do que o que se pode contar nesta visualização do que são um trilião (ou mil biliões) de dólares.
Gizmodo | Foxconn Employee Describes His Oppressed Life from Inside the Factories Na sequência da notícia do funcionário de uma empresa chinesa que constroi iPhones que se suicidou depois de perder um protótipo de um telemóvel, vem este relato de como é a vida de um funcionário desta indústria. São verdadeiros avanços nas leis laborais, que certamente muitos estão desejosos de colocar em prática cá pelos nossos lados. Como exemplos, aponta-se a obrigatoriedade de fazer horas extraordinárias, a obrigação de cumprir metas diárias de produção que caso não sejam cumpridas obrigam a horas extraordinárias não pagas até a meta diária ser atingida, multas por não se comer todo o arroz colocado no prato no refeitório, creditar um cartão atribuído ao funcionário com o subsídio de refeição semanal mas se no final da semana sobrar algum dinheiro este reverter automaticamente a favor da empresa. Eficácia laborar no seu melhor, numa fábrica que constroi telemóveis a preços reduzidos mas que chegam ao consumidor final a preços elevadíssimos. Não há aqui um contra-senso algures?
Ecogeek | MIT Electric Car Claims 10 Minute Charge Time Um dos problemas com veículos eléctricos é o tempo que demoram a recarregar as baterias. Tempos na ordem das horas não são muito eficazes no terreno, mas avanços como o descrito no artigo apontam para um futuro risonho dos veículos eléctricos.
Kottke | Cheating on the Rorschach test Para quem sempre se perguntou como eram os famosos borrões dos Testes de Rorschach, mantidos altamente secretos pelos psicólogos, pode sempre ir à Wikipedia para conhecer os borrões e o seu significado.
Next Big Future | Future Fuel Efficient Airplanes Piores do que os automóveis em eficácia energética são os aviões, mas os projectos para melhorar o consumo dos motores a jacto e dminiuir o seu impacto ambiental estão a avançar, aliando aerodinâmica revolucionária a afinações à tecnologia existente.
Kottke | No faith in science É sempre bom ler histórias como esta, em que uma criança morre de diabetes porque os pais acreditam que as doenças são causadas pelo pecado, são curadas por deus, levar uma criança ao médico é uma total ofensa à crença e basta rezar para que uma doença se cure. Isto, com respeito aos que acreditam em religões, é pura cretinice.
Schneier on security | Risks of Cloud Computing Ter todos os nossos dados (músicas, videos, textos, fotos, documentos) disponíveis online em qualquer momento e em qualquer dispositivo que acede à internet é a maior promessa da computação em núvem. Mas também tem os seus perigos: o que é que acontece aos nossos dados se a empresa que os aloja vai à falência, ou perde interesse no mercado? As preocupações de segurança e privacidade também são muitas.
JG3D | Making of the "Milk - Sad princess" advert by Florian Witzel/Psyop Dois vídeos espantosos sobre animação de água em Maya.
Peopleware | Venezuela – Magalhães nas escolas mas com Linux! Afinal o magalhães sempre será vendido na Venezuela mas sem nada dessas tretas de windows xp. A versão venezuelana, incialmente montada em Portugal mas prevendo-se a construção de uma fábrica local, irá correr apenas linux. Desconhece-se se será o Caixa Mágica ou uma distro local de Linux.
(Curiosamente na página onde li esta notícia deparei com um banner que anunciava a resolução de todos os problemas com o magalhães. Vai dar à misterPC, uma empresa de reparação de material informático que já percebeu que tem mercado, porque: problemas de software são remetidos para as escolas, que legitimamente não estão viradas para reparar computadores; e problemas de hardware são quase impossíveis de resolver dada a quase inexistência de apoio técnico por parte da construtora do magalhães. O apoio de acordo com a garantia até pode existir, mas raros são os encarregados de educação que aguentam as longas horas de odisseia à espera de atendimento na linha de apoio ao magalhães.)
Gizmodo | Foxconn Employee Describes His Oppressed Life from Inside the Factories Na sequência da notícia do funcionário de uma empresa chinesa que constroi iPhones que se suicidou depois de perder um protótipo de um telemóvel, vem este relato de como é a vida de um funcionário desta indústria. São verdadeiros avanços nas leis laborais, que certamente muitos estão desejosos de colocar em prática cá pelos nossos lados. Como exemplos, aponta-se a obrigatoriedade de fazer horas extraordinárias, a obrigação de cumprir metas diárias de produção que caso não sejam cumpridas obrigam a horas extraordinárias não pagas até a meta diária ser atingida, multas por não se comer todo o arroz colocado no prato no refeitório, creditar um cartão atribuído ao funcionário com o subsídio de refeição semanal mas se no final da semana sobrar algum dinheiro este reverter automaticamente a favor da empresa. Eficácia laborar no seu melhor, numa fábrica que constroi telemóveis a preços reduzidos mas que chegam ao consumidor final a preços elevadíssimos. Não há aqui um contra-senso algures?
Ecogeek | MIT Electric Car Claims 10 Minute Charge Time Um dos problemas com veículos eléctricos é o tempo que demoram a recarregar as baterias. Tempos na ordem das horas não são muito eficazes no terreno, mas avanços como o descrito no artigo apontam para um futuro risonho dos veículos eléctricos.
Kottke | Cheating on the Rorschach test Para quem sempre se perguntou como eram os famosos borrões dos Testes de Rorschach, mantidos altamente secretos pelos psicólogos, pode sempre ir à Wikipedia para conhecer os borrões e o seu significado.
Next Big Future | Future Fuel Efficient Airplanes Piores do que os automóveis em eficácia energética são os aviões, mas os projectos para melhorar o consumo dos motores a jacto e dminiuir o seu impacto ambiental estão a avançar, aliando aerodinâmica revolucionária a afinações à tecnologia existente.
Kottke | No faith in science É sempre bom ler histórias como esta, em que uma criança morre de diabetes porque os pais acreditam que as doenças são causadas pelo pecado, são curadas por deus, levar uma criança ao médico é uma total ofensa à crença e basta rezar para que uma doença se cure. Isto, com respeito aos que acreditam em religões, é pura cretinice.
Schneier on security | Risks of Cloud Computing Ter todos os nossos dados (músicas, videos, textos, fotos, documentos) disponíveis online em qualquer momento e em qualquer dispositivo que acede à internet é a maior promessa da computação em núvem. Mas também tem os seus perigos: o que é que acontece aos nossos dados se a empresa que os aloja vai à falência, ou perde interesse no mercado? As preocupações de segurança e privacidade também são muitas.
JG3D | Making of the "Milk - Sad princess" advert by Florian Witzel/Psyop Dois vídeos espantosos sobre animação de água em Maya.
Peopleware | Venezuela – Magalhães nas escolas mas com Linux! Afinal o magalhães sempre será vendido na Venezuela mas sem nada dessas tretas de windows xp. A versão venezuelana, incialmente montada em Portugal mas prevendo-se a construção de uma fábrica local, irá correr apenas linux. Desconhece-se se será o Caixa Mágica ou uma distro local de Linux.
(Curiosamente na página onde li esta notícia deparei com um banner que anunciava a resolução de todos os problemas com o magalhães. Vai dar à misterPC, uma empresa de reparação de material informático que já percebeu que tem mercado, porque: problemas de software são remetidos para as escolas, que legitimamente não estão viradas para reparar computadores; e problemas de hardware são quase impossíveis de resolver dada a quase inexistência de apoio técnico por parte da construtora do magalhães. O apoio de acordo com a garantia até pode existir, mas raros são os encarregados de educação que aguentam as longas horas de odisseia à espera de atendimento na linha de apoio ao magalhães.)
quinta-feira, 30 de julho de 2009
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Férias? Bem, cinquenta e dois pcs PTE mais dezanove portáteis montados, configurados e reformatados já fazem merecer um descanso. Escola, nem vê-la até dia 1 de setembro... às nove horas, porque tenho secretariado de exames. Tenho saudades dos meus tempos de apenas professor, quando as semanas de julho eram férias não oficiais. Este ano, foi todo o mês a trabalhar na escola ou para a escola. O ministério não me paga para isto.
Férias? O meu orientador de mestrado desorientou-me a proposta tese: de mera aplicação do Bryce 3D na sala de aula fui levado para os mundos virtuais em vrml. Também confesso que já estou farto de pôr os miúdos a fazer paisagens virtuais. Sai sempre a arvorezinha em cima do monte... de lava. E o conceito de mundos virtuais alia muitas coisas que gosto - tecnologias colaborativas na web, 3D, mundos fantásticos. Para já o desafio é construir qualquer coisa em vrml para inserir no VRMLWorld (só funciona em Internet Explorer e com o plugin VS Contact). Pode-se criar um mundo no 3D/game editor favorito e exportar para vrml. Fácil, pensei. Uma paisagem bem espaçosa no Bryce, inserir alguns objectos booleanos, atribuir atmosferas e já está. Infelizmente o Bryce é muito limitado na exportação. Só grava em formato nativo e mais nenhum editor 3D o lê. Quanto a conversões para vrml... a coisa anda desastrosa.
Grrr. Mas hei-de dar a volta.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Coisas ouvidas...
... de manhã na rádio:
Santana Lopes a rebater acusações feitas no debate de ontem sobre despesismo, afirmando que António Costa tinha tido acesso a programas de apoio para pagar as extensas dívidas da autarquia e que ele, mesmo que as quisesse pagar, não teve acesso nos tempos em que foi presidente da câmara de Lisboa. Repetindo, porque sabe bem: mesmo que as quisesse pagar.
E um reality show alemão que coloca casais de adolescentes fechados numa casa a tratar de bebés vigiados continuamente por câmaras. A celeuma levantada chegou aos tribunais, que aprovaram a continuação do programa de televisão uma vez que as crianças têm acompanhamento psicológico e os pais nas proximidades. Surpreende-me que haja pessoas dispostas a participar nisto, e não falo dos adolescentes, mas dos pais dos bebés envolvidos no programa. Já não me surpreende muito que haja pessoas, na indústria da televisão, pagas para desenvolver ideias com estes níveis de cretinice abismal. Até porque parece que o público gosta de ver estas coisas, factor que retira muita fé na espécie humana.
Santana Lopes a rebater acusações feitas no debate de ontem sobre despesismo, afirmando que António Costa tinha tido acesso a programas de apoio para pagar as extensas dívidas da autarquia e que ele, mesmo que as quisesse pagar, não teve acesso nos tempos em que foi presidente da câmara de Lisboa. Repetindo, porque sabe bem: mesmo que as quisesse pagar.
E um reality show alemão que coloca casais de adolescentes fechados numa casa a tratar de bebés vigiados continuamente por câmaras. A celeuma levantada chegou aos tribunais, que aprovaram a continuação do programa de televisão uma vez que as crianças têm acompanhamento psicológico e os pais nas proximidades. Surpreende-me que haja pessoas dispostas a participar nisto, e não falo dos adolescentes, mas dos pais dos bebés envolvidos no programa. Já não me surpreende muito que haja pessoas, na indústria da televisão, pagas para desenvolver ideias com estes níveis de cretinice abismal. Até porque parece que o público gosta de ver estas coisas, factor que retira muita fé na espécie humana.
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Férias
Começa a cheirar a férias quando... de manhã a estrada para a Ericeira tem mais veículos a entrar na vila do que a sair, a escola tem mais funcionários administrativos do que professores a trabalhar, a rede da escola funciona mesmo a 100 mbps (porque só estão um punhado de pcs ligados), as estradas estão semi-desertas ao meio da tarde, a caixa de correio decresce de largas dezenas de emails para um punhado que mal ultrapassa dois dígitos, e quase todos para apagar por irrelevância, e... todos os amigos estão de férias excepto eu. Mas dia 31 já começo... finalmente.
domingo, 26 de julho de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
Bichinho do Conto

Uma boa surpresa. A poucos quilómetros de Óbidos, no lugar dos Casais Brancos, uma antiga escola primária foi reconvertida num local que tem muito para dar às crianças. No meio de uma paisagem admirável podemos visitar a livraria O Bichinho do Conto, um espaço totalmente dedicado à literatura infantil. A qualidade gráfica e literária é o mote deste espaço agradável, que se dedica à promoção da literatura infantil através de exposições, sessões de animação e outras actividades que podem ser consultadas no seu site. É uma livraria onde não encontramos livros banais. O cuidado colocado na divulgação de obras com grafismo cuidado e obras mais arredadas das prateleiras de outras livrarias mais visitadas é enorme. Explora, e muito bem, o nicho da literatura infantil de alta qualidade aliado a um forte papel de divulgação. Fica um pouquinho fora de mão, mas é uma boa desculpa para dar um pulinho a Óbidos.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
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Leituras
Internet Evolution | Beyond Censorware: Teaching Web Literacy Será que bloquear conteúdos online e limitar usos da internet é a melhor forma de ensinar os nossos alunos a utilizar a internet? O que é melhor, optar pela solução fácil de adoptar tecnologias de bloqueio e vigilância, ou insistir na consciencialização sobre ética e perigos online?
Make: | Your CPU Came From Sand Fotografias do ciclo de produção do microchip, a começar pela humilde areia.
IntoMobile | More Sony Ericsson Xperia X2 images leak, she is one yummy looking smartphone O Xperia x2 promete ser um daqueles telemóveis que está mesmo no limiar entre telemóvel, pda e computador. O X1 quase lá chega. Para lá do processador a 1Ghz, temos um teclado de meter respeito, similar ao de um computador. E quem usa um Xperia X1 sabe que o teclado é um dos seus pontos mais fracos.
Make: | Chia keyboard Tenho que aprender a fazer isto: usando o velho truque da escola primária de embeber algodão em água com umas sementes consegue-se fazer crescer ervas num teclado de computador. Um destes dias assusto alguém no meu local de trabalho...
Boing Boing | PowerPoint considered militarily harmful Mais uma vez, o problema não está no PowerPoint em si, está na forma por vezes absurda como é mal utilizado. Francamente, quem pensa que uma boa forma de apresentar e comunicar eficazmente informação é pespegar parágrafos de texto nos slides e depois lê-los para o público devia ser banido para muito longe de computadores em geral.
Read Write Web | Seven e-Learning and Teaching Resources Tenho pena que em português não se encontrem recursos tão vastos como estes sete apontados no artigo e muitos mais. Para os amantes dos questionários não posso deixar de apontar o ESL Video, que permite criar questionários a partir de videos online. E como o poder da web está na colaboração, visitem também as sugestões de leitores. É por estas coisas que eu tremo de fúria sempre que apontam tecnologias fechadas como os quadros interactivos como supra-sumo da educação nesta incipiente era digital. Também é útil, mas o poder da web colaborativa é o elemento fundamental da educação na era digital.
Film Studies For Free | Ten Favourite Full-Length Films Online For Free Dez filmes online, legais, no Google Video, Internet Archive e YouTube Screening Room (a zona do YouTube destinada a longas metragens). Gostei particularmente de descobrir que os primeiros filmes de Jean Vigo - incluindo o fabuloso Zero em Comportamento estão livres de direitos de autor no Internet Archive. Quando ao blog, colige ensaios sobre cinema no formato Open Access, uma iniciativa de instituições universitárias que visa disponibilizar e partilhar recursos académicos online de forma gratuita.
SF Signal | MIND MELD: Memorable Short Stories to Add to Your Reading List (Part 1 of 2) O SF Signal pergunta a alguns escritores quais os seus contos curtos favoritos, boa parte deles disponíveis na internet. E como uma coisa boa melhora quando vem aos pares, cá fica a segunda parte: MIND MELD: Memorable Short Stories to Add to Your Reading List (Part 2 of 2)
WebUrbanist | The Revealing Art of Self-Portraits O blog de eye candy mostra-nos alguns exemplos fascinantes de auto-retratos, a começar em Dürer e a terminar em ... Adolph Hitler, que francamente devia ter-se ficado pelas aguarelas. Mais valia um mau aguarelista do que um bem sucedido ditador torcionário.
Make: | Your CPU Came From Sand Fotografias do ciclo de produção do microchip, a começar pela humilde areia.
IntoMobile | More Sony Ericsson Xperia X2 images leak, she is one yummy looking smartphone O Xperia x2 promete ser um daqueles telemóveis que está mesmo no limiar entre telemóvel, pda e computador. O X1 quase lá chega. Para lá do processador a 1Ghz, temos um teclado de meter respeito, similar ao de um computador. E quem usa um Xperia X1 sabe que o teclado é um dos seus pontos mais fracos.
Make: | Chia keyboard Tenho que aprender a fazer isto: usando o velho truque da escola primária de embeber algodão em água com umas sementes consegue-se fazer crescer ervas num teclado de computador. Um destes dias assusto alguém no meu local de trabalho...
Boing Boing | PowerPoint considered militarily harmful Mais uma vez, o problema não está no PowerPoint em si, está na forma por vezes absurda como é mal utilizado. Francamente, quem pensa que uma boa forma de apresentar e comunicar eficazmente informação é pespegar parágrafos de texto nos slides e depois lê-los para o público devia ser banido para muito longe de computadores em geral.
Read Write Web | Seven e-Learning and Teaching Resources Tenho pena que em português não se encontrem recursos tão vastos como estes sete apontados no artigo e muitos mais. Para os amantes dos questionários não posso deixar de apontar o ESL Video, que permite criar questionários a partir de videos online. E como o poder da web está na colaboração, visitem também as sugestões de leitores. É por estas coisas que eu tremo de fúria sempre que apontam tecnologias fechadas como os quadros interactivos como supra-sumo da educação nesta incipiente era digital. Também é útil, mas o poder da web colaborativa é o elemento fundamental da educação na era digital.
Film Studies For Free | Ten Favourite Full-Length Films Online For Free Dez filmes online, legais, no Google Video, Internet Archive e YouTube Screening Room (a zona do YouTube destinada a longas metragens). Gostei particularmente de descobrir que os primeiros filmes de Jean Vigo - incluindo o fabuloso Zero em Comportamento estão livres de direitos de autor no Internet Archive. Quando ao blog, colige ensaios sobre cinema no formato Open Access, uma iniciativa de instituições universitárias que visa disponibilizar e partilhar recursos académicos online de forma gratuita.
SF Signal | MIND MELD: Memorable Short Stories to Add to Your Reading List (Part 1 of 2) O SF Signal pergunta a alguns escritores quais os seus contos curtos favoritos, boa parte deles disponíveis na internet. E como uma coisa boa melhora quando vem aos pares, cá fica a segunda parte: MIND MELD: Memorable Short Stories to Add to Your Reading List (Part 2 of 2)
WebUrbanist | The Revealing Art of Self-Portraits O blog de eye candy mostra-nos alguns exemplos fascinantes de auto-retratos, a começar em Dürer e a terminar em ... Adolph Hitler, que francamente devia ter-se ficado pelas aguarelas. Mais valia um mau aguarelista do que um bem sucedido ditador torcionário.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
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belíssimo dia de inverno, o de hoje. cinzento, chuvoso e fresquinho. até sabem bem, estas pausas no verão. e francamente adoro a tranquilidade de uma tarde cinzenta e chuvosa.
Respostas (menos fáceis)
Esta ia como resposta aos comentários do meu último resmungo sobre quadros interactivos, mas como as questões são pertinentes e os comentários alguns (mais do que o habitual neste recanto de bits empoeirados) opto por mais um post. Até porque, pelos vistos, ando a ficar conotado com ant-quadros interactivos, quando é bem ao contrário. Recordo-me bem da primeira vez que tomei contacto com um QI. A pergunta que logo me veio à cabeça - e que coloquei a quem fazia a demonstração, era se o quadro permitia controlar o computador. Pareceu-me um sonho tornado realidade - um interface alargado que permitia uma fisicalidade inaudita na utilização do computador. Utilizando um exemplo, utilizar um QI pode ser comparado à diferença entre desenhar num bloco de notas ou numa tela de tamanho razoável: amplia enormemente o que se pode fazer.
Começo pelo primeiro comentário, de JCerca: quanto às possibilidades pedagógicas dos QIs, estas resumem-se num conceito simples: permite uma interacção física com objectos digitais. Por interacção física entenda-se uma experiência mais rica do que a fornecida pelo rato e teclado, meios tradicionais de interacção. Manipular um quadro interactivo, quer com o dedo quer com caneta específica, aproxima-se mais da nossa experiência real e é um passo intermédio para interfaces mais avançados - os de ecrãs multitoque, já aí ao virar da esquina, e interfaces 3D, ainda muito incipientes. O potencial pedagógico desta nova ferramenta é enorme. Tudo que podemos fazer encerrados no espaço fechado do ecrã do computador abre-se à sala, socializando a interacção. Limitar esta utilização a uma ou duas ferramentas (que funcionam muito bem para um estilo de ensino mais expositivo, com interacção drill and practice para facilitar a aquisição e memorização de conhecimentos) é fechar o horizonte de possibilidades.
Note-se que escrevi utilização das ferramentas ditas pedagógicas que vêm embrulhadas nos quadros. Não estou a colocar em causa o QI como ferramenta pedagógica, antes um sistema de formação que se centra na utilização de uma aplicação específica e proprietária, não explorando outras vertentes de utilização dos QI. E uma das razões porque estou a bater nesta tecla é precisamente o risco de mais "inovação" pedagógica baseada em powerpoint, agora com outro nome e criado noutra aplicação.
Um leitor anónimo observa que dezasseis horas de formação não chegam para um conhecimento aprofundado do software específico. Bem, se dezasseis horas intensivas não são suficientes, isso poder-se-ia dever ao facto do software ser complexo ao nível de um Maya ou Corel Draw (não é o caso) ou a falha do formador (o que também não é o caso, esta foi a formação mais profunda e rigorosa sobre uma aplicação a que assisti). Certamente que não fiquei um guru no ActivInspire, mas estou bem preparado como utilizador que terá que o mostrar aos professores da escola onde lecciono. Só que optarei por mostrar o software como uma alternativa entre outras. Penso que os professores devem ter liberdade para trabalhar com as aplicações que melhor se adequam aos seus processos de pensamento e formas de leccionar.
Que alternativas? As próprias aplicações habituais. O flash, excelente forma de criar recursos realmente interactivos, que tem como grandes problemas ser aplicação proprietária e uma longa curva de aprendizagem. Estes podem ser torneados recorrendo ao PowerPoint e ao iSpring, que converte os ubíquos ficheiros em objectos flash (lidos em qualquer computador que tenha browser). O eXe e o CourseLab, potentes aplicações que conjugam html e flash para construir recursos e que têm conformidade com as normas SCORM e IMS (coisa que o ActiveInspire não me parece ter, o que reduz enormemente o espectro de disseminação de conteúdos). Ferramentas de video e audio, que colocam nas mãos dos alunos meios para construir trabalhos vastamente mais interessantes do que as aplicações office normalmente utilizadas - e aí sim, obtemos verdadeira interactividade de aprendizagens numa perspectiva construtivista. Os mundos virtuais. As aplicações web, um campo de possibilidades cada vez mais vasto. E certamente que muitas outras possibilidades haverá. Incluindo os próprios softwares que vêm acoplados ao hardware dos QIs. Também podem ser úteis. Não nos centremos apenas numa aplicação e num modo de leccionar. Os programas de computador são um pouco como as roupas: cada qual usa aqueles em que se sente melhor.
Não posso deixar de partilhar este blog de referência sobre o uso de tecnologia na sala de aula e um vídeo que mostra as potencialidades de tecnologias que vão mais além do quadro interactivo (e desenvolvidas numa aplicação proprietária desenvolvida por uma das empresas especializadas nestes quadros.
Finalmente, a mais pertinente das questões, colocada por Margarida Graça: tempo útil para preparar os materiais da excelência. O sistema de ensino em que trabalhamos está pensado para ritmos da era industrial. A sala de aula é concebida como um espaço fechado de tempos rígidos. As novas tecnologias, em particular as baseadas na web, estilhaçam essa noção de tempo. Mas as metodologias e os horários não se adaptaram. Irão, necessariamente e gradualmente fazê-lo. O que levanta a questão: como se contabiliza o tempo utilizado em preparação de recursos digitais? E, questão mais complexa, como se contabiliza o tempo passado a gerir interacções digitais? As tecnologias permitem poupar tempo, mas parte desse tempo é transferido para tempos e espaços que estão fora de horários rígidos de trabalho. Esta também não é uma questão de resposta simples.
Começo pelo primeiro comentário, de JCerca: quanto às possibilidades pedagógicas dos QIs, estas resumem-se num conceito simples: permite uma interacção física com objectos digitais. Por interacção física entenda-se uma experiência mais rica do que a fornecida pelo rato e teclado, meios tradicionais de interacção. Manipular um quadro interactivo, quer com o dedo quer com caneta específica, aproxima-se mais da nossa experiência real e é um passo intermédio para interfaces mais avançados - os de ecrãs multitoque, já aí ao virar da esquina, e interfaces 3D, ainda muito incipientes. O potencial pedagógico desta nova ferramenta é enorme. Tudo que podemos fazer encerrados no espaço fechado do ecrã do computador abre-se à sala, socializando a interacção. Limitar esta utilização a uma ou duas ferramentas (que funcionam muito bem para um estilo de ensino mais expositivo, com interacção drill and practice para facilitar a aquisição e memorização de conhecimentos) é fechar o horizonte de possibilidades.
Note-se que escrevi utilização das ferramentas ditas pedagógicas que vêm embrulhadas nos quadros. Não estou a colocar em causa o QI como ferramenta pedagógica, antes um sistema de formação que se centra na utilização de uma aplicação específica e proprietária, não explorando outras vertentes de utilização dos QI. E uma das razões porque estou a bater nesta tecla é precisamente o risco de mais "inovação" pedagógica baseada em powerpoint, agora com outro nome e criado noutra aplicação.
Um leitor anónimo observa que dezasseis horas de formação não chegam para um conhecimento aprofundado do software específico. Bem, se dezasseis horas intensivas não são suficientes, isso poder-se-ia dever ao facto do software ser complexo ao nível de um Maya ou Corel Draw (não é o caso) ou a falha do formador (o que também não é o caso, esta foi a formação mais profunda e rigorosa sobre uma aplicação a que assisti). Certamente que não fiquei um guru no ActivInspire, mas estou bem preparado como utilizador que terá que o mostrar aos professores da escola onde lecciono. Só que optarei por mostrar o software como uma alternativa entre outras. Penso que os professores devem ter liberdade para trabalhar com as aplicações que melhor se adequam aos seus processos de pensamento e formas de leccionar.
Que alternativas? As próprias aplicações habituais. O flash, excelente forma de criar recursos realmente interactivos, que tem como grandes problemas ser aplicação proprietária e uma longa curva de aprendizagem. Estes podem ser torneados recorrendo ao PowerPoint e ao iSpring, que converte os ubíquos ficheiros em objectos flash (lidos em qualquer computador que tenha browser). O eXe e o CourseLab, potentes aplicações que conjugam html e flash para construir recursos e que têm conformidade com as normas SCORM e IMS (coisa que o ActiveInspire não me parece ter, o que reduz enormemente o espectro de disseminação de conteúdos). Ferramentas de video e audio, que colocam nas mãos dos alunos meios para construir trabalhos vastamente mais interessantes do que as aplicações office normalmente utilizadas - e aí sim, obtemos verdadeira interactividade de aprendizagens numa perspectiva construtivista. Os mundos virtuais. As aplicações web, um campo de possibilidades cada vez mais vasto. E certamente que muitas outras possibilidades haverá. Incluindo os próprios softwares que vêm acoplados ao hardware dos QIs. Também podem ser úteis. Não nos centremos apenas numa aplicação e num modo de leccionar. Os programas de computador são um pouco como as roupas: cada qual usa aqueles em que se sente melhor.
Não posso deixar de partilhar este blog de referência sobre o uso de tecnologia na sala de aula e um vídeo que mostra as potencialidades de tecnologias que vão mais além do quadro interactivo (e desenvolvidas numa aplicação proprietária desenvolvida por uma das empresas especializadas nestes quadros.
Finalmente, a mais pertinente das questões, colocada por Margarida Graça: tempo útil para preparar os materiais da excelência. O sistema de ensino em que trabalhamos está pensado para ritmos da era industrial. A sala de aula é concebida como um espaço fechado de tempos rígidos. As novas tecnologias, em particular as baseadas na web, estilhaçam essa noção de tempo. Mas as metodologias e os horários não se adaptaram. Irão, necessariamente e gradualmente fazê-lo. O que levanta a questão: como se contabiliza o tempo utilizado em preparação de recursos digitais? E, questão mais complexa, como se contabiliza o tempo passado a gerir interacções digitais? As tecnologias permitem poupar tempo, mas parte desse tempo é transferido para tempos e espaços que estão fora de horários rígidos de trabalho. Esta também não é uma questão de resposta simples.
Histórias em Verso para Meninos Perversos

Roald Dahl (1989). Histórias em Verso para Meninos Perversos. Lisboa: Teorema.
Roald Dahl
Irreverente e subversivo, este livro de rimas perversas desconstroi as mais clássicas das histórias que todos ouvimos na infância. O humor corrosivo do inultrapassável autor de literatura infantil subverte os cânones destes contos. O príncipe da Gata Borralheira é um sanguinário decapitador, o gigante livra João da irritante mãe nos topos do feijoeiro mágico, a Branca de Neve encontra um esquema infalível para se enriquecer com apostas nas corridas de cavalos sem esquecer os sete anões, a Menina das Tranças de Ouro é apontada como uma perigosa delinquente que vandaliza a família dos ursos, a menina do Capuchinho Vermelho troca o capuz por uma capa de pele de lobo, e o Lobo Mau, depois de devorar dois dos três porquinhos, acaba também como capa para a Capuchinho Vermelho vestir. Quanto ao terceiro porquinho, também não se safa. A sua pele dá uma bela mala para acompanhar a capa.
Este é o género de literatura infantil que mais assusta os tradicionalistas, mas é bem fiel ao espírito dos velhos contos imortalizados em inúmeras versões e diluídas ao infinito pelos estúdios Disney. Uma leitura para meninos e... para meninos crescidos que não se assustam com as perversidades da vida.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Reposta fácil
Terminei ontem mais oito horas de formação intensiva sobre quadros interactivos. Ao fim de dezasseis horas, posso dizer com confiança que conheço profundamente a aplicação ActivInspire. Escaparam poucos detalhes na exaustiva formação. Posto isto, será que estou mais capaz de tirar partido do quadro interactivo enquanto recurso educativo, de dar aulas mais eficazes e capaz de transmitir eficientemente aos meus colegas o como trabalhar com quadros interactivos?
Bem, não, não e não.
Talvez seja cegueira da minha parte, mas não vejo grandes vantagens na utilização das ferramentas ditas pedagógicas que vêm embrulhadas nos quadros. A larga maioria das actividades possíveis resolve-se com um powerpoint, que ainda beneficia da vantagem de ser um standard de facto (ao contrário destes softwares que produzem ficheiros proprietários). As mais interactivas resolvem-se controlando directamente outras aplicações no computador, usando o quadro como um ecrã e o dedo/"caneta" transdutora como rato. É essa a grande vantagem pedagógica do quadro interactivo. Até agora não estive em nenhuma formação que realmente explorasse essa vertente. Resumem-se todas a aprende a controlar o SmartBoard Notebook/eBeam Notebook/Promethean ActivInspire. Redutor, muito redutor.
É que não consigo ver mesmo qual a vantagem de usar um quadro interactivo para mais drill and practice, para mais actividades de memorização cuja vantagem face ao giz é serem mais coloridas e manipuláveis. Introduzir tecnologia na sala de aula implica alterar radicalmente metodologias de trabalho. E para isso não há respostas fáceis.
Bem, não, não e não.
Talvez seja cegueira da minha parte, mas não vejo grandes vantagens na utilização das ferramentas ditas pedagógicas que vêm embrulhadas nos quadros. A larga maioria das actividades possíveis resolve-se com um powerpoint, que ainda beneficia da vantagem de ser um standard de facto (ao contrário destes softwares que produzem ficheiros proprietários). As mais interactivas resolvem-se controlando directamente outras aplicações no computador, usando o quadro como um ecrã e o dedo/"caneta" transdutora como rato. É essa a grande vantagem pedagógica do quadro interactivo. Até agora não estive em nenhuma formação que realmente explorasse essa vertente. Resumem-se todas a aprende a controlar o SmartBoard Notebook/eBeam Notebook/Promethean ActivInspire. Redutor, muito redutor.
É que não consigo ver mesmo qual a vantagem de usar um quadro interactivo para mais drill and practice, para mais actividades de memorização cuja vantagem face ao giz é serem mais coloridas e manipuláveis. Introduzir tecnologia na sala de aula implica alterar radicalmente metodologias de trabalho. E para isso não há respostas fáceis.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Sunrise on the Moon

Hergè
“Thirty-five!—thirty-six!—thirty-seven!—thirty-eight!—thirty-nine!—forty! FIRE!!!”
Instantly Murchison pressed with his finger the key of the electric battery, restored the current of the fluid, and discharged the spark into the breech of the Columbiad.
An appalling unearthly report followed instantly, such as can be compared to nothing whatever known, not even to the roar of thunder, or the blast of volcanic explosions! No words can convey the slightest idea of the terrific sound! An immense spout of fire shot up from the bowels of the earth as from a crater. The earth heaved up, and with great difficulty some few spectators obtained a momentary glimpse of the projectile victoriously cleaving the air in the midst of the fiery vapors!
Júlio Verne, Da Terra À Lua
"You are Grecians,"said he, "are you not?" We told him we were. "And how," added he, "got ye hither through the air?" We told him everything that had happened to us; and he, in return, related to us his own history, and informed us, that he also was a man, that his name was Endymion, {82b} that he had been taken away from our earth in his sleep, and brought to this place where he reigned as sovereign. That spot, {83a} he told us, which now looked like a moon to us, was the earth.
Luciano de Samosata, Uma História Verdadeira
As we saw it first it was the wildest and most desolate of scenes. We were in an enormous amphitheatre, a vast circular plain, the floor of the giant crater. Its cliff-like walls closed us in on every side. From the westward the light of the unseen sun fell upon them, reaching to the very foot of the cliff, and showed a disordered escarpment of drab and grayish rock, lined here and there with banks and crevices of snow. This was perhaps a dozen miles away, but at first no intervening atmosphere diminished in the slightest the minutely detailed brilliancy with which these things glared at us. They stood out clear and dazzling against a background of starry blackness that seemed to our earthly eyes rather a gloriously spangled velvet curtain than the spaciousness of the sky.
H.G. Wells, The First Men On The Moon
As a last resource, therefore, having got rid of my coat, hat, and boots, I cut loose from the balloon the car itself, which was of no inconsiderable weight, and thus, clinging with both hands to the net-work, I had barely time to observe that the whole country, as far as the eye could reach, was thickly interspersed with diminutive habitations, ere I tumbled headlong into the very heart of a fantastical-looking city, and into the middle of a vast crowd of ugly little people, who none of them uttered a single syllable, or gave themselves the least trouble to render me assistance, but stood, like a parcel of idiots, grinning in a ludicrous manner, and eyeing me and my balloon askant, with their arms set a-kimbo. I turned from them in contempt, and, gazing upward at the earth so lately left, and left perhaps for ever, beheld it like a huge, dull, copper shield, about two degrees in diameter, fixed immovably in the heavens overhead, and tipped on one of its edges with a crescent border of the most brilliant gold. No traces of land or water could be discovered, and the whole was clouded with variable spots, and belted with tropical and equatorial zones.
Edgar Allan Poe, The Balloon Hoax
(Podia arranjar mais mas estes estão no domínio público. Mais na inestimável wikipedia.
Let me sing among those stars

A pergunta que me vai na mente é e quando é que verei com os meus olhos um regresso do homem aos astros? Já nem peço Marte ou outros planetas e satélites do sistema solar. Bastava um regresso à Lua, desta vez para ficar. Gostaria de olhar para o céu nocturno e sentir esperança no futuro da humanidade. É paradoxal que nesta época em que parecemos viver o futuro, em que a ciência e a tecnologias nos maravilham e surpreendem diariamente, a Lua não passe da recordação de um feito único (repetido em mais missões até que o desinteresse se instalou). Esta imagem da pegada marcada no pó lunar ficou gravada na minha imaginação desde a infância, quando descobri que a exploração espacial era mais do que um sonho.
Os cientistas conseguiram cumprir os sonhos do Baltimore Gun Club, Professor Cavor e Professor Tournesol. Isto para não mencionar Luciano de Samosata, Cyrano ou Hans Pfall. Esse sonho é de vez em quando reanimado, mas parece-nos tão áquem do que poderia ser.
Comemorar o aniversário da primeira alunagem é uma boa desculpa para ver ou rever algumas das mais antigas representações da exploração espacial no cinema.
A trip to the moon - Georges Melies
Enviado por jedall. - Veja filmes em destaque e emissoras de televisão inteiras
La Voyage dans la Lune é uma fábula, inocente e infantil, é também obra seminal, que está na origem dos efeitos especiais e do cinema de ficção científica. Mais de cem anos passados sobre a sua estreia, ainda é uma obra que nos apaixona pela sua simplicidade e pelas visões feéricas que evoca.
Frau Im Mond é um filme de Fritz Lang que retrata uma viagem à lua com a grande novidade, em particular para a época em que foi filmado, de incluir uma mulher na tripulação de um foguetão que, diz-se, terá inspirado Von Braun. É também um dos primeiros filmes de Ficção Científica dura (embora cheio de imprecisões).
Avozinhas Perigosas

Quando falamos em pirataria o que vem à memória são os tipos de aspecto duvidoso que se aproximam de nós nas feiras para vender o dvd do cigano, os hackers sem vida social que passam os dias e as noites a crackar e carregar/descarregar gigabytes de software, ou a mais recente iteração da pirataria de alto mar vinda das costas do estado falhado da Somália.
Velhinhas simpáticas, artesãs de tempos livres, não são bem a ideia que temos da pirataria. No entanto, quando vendem artesanato criado manualmente que inclui imagens registadas por patentes de propriedade intelectual, é precisamente isso que são. Legalmente, claro. Vem isto a propósito de objectos que se encontram nas bancas de artesanato que estão na Avenida Eduardo Burnay na Ericeira, ao fim de semana, que muitas vezes utilizam imagens protegidas por direitos de autor - caso dos banquinhos, caixinhas e bolsinhas com a imagem da Hello Kitty que se vê na fotografia. Se perguntarem à artesã que as fez, tenho a certeza que pirataria intelectual era o que mais longe estava da sua mente. Simplesmente, pegou numa imagem que gostava e aplicou nos seus trabalhos. Sublinha bem as contradições das leis de propriedade intelectual, cada vez mais restritivas e adaptadas às necessidades expressas por empresas, não por criadores.
O caso da Hello Kitty é paradigmático. Ao contrário de imagens similares, esta imagem mundialmente famosa é marca pura. Não surgiu de livros ou desenhos animandos. É apenas uma imagem licenciada pela Sanrio, detentora da propriedade intelectual, para uso em milhares de produtos em todo o mundo. É o perfeito inverso de, por exemplo, imagens licenciadas pela Disney - personagens de banda desenhada e filme que são aplicadas em produtos de merchandising.
Se algum advogado mais rato em busca de dinheiro fácil, ou representante de alguma das detentoras de propriedade intelectual, der com estes objectos no seu passeio domingueiro, a coisa pode dar processo. E a simpática avozinha que ocupa os seus tempos livres a pintar caixinhas acaba por ser equiparada ao vendedor de dvds pirateados a cinc'éros.
domingo, 19 de julho de 2009
Nota
Um curioso efeito secundário das viaturas propulsionadas a óleo vegetal reciclado podia ser sentido hoje no Jogo da Bola. Quem este domingo se deslocou ao centro nevrálgico da Ericeira não deixou de reparar no belíssimo cheirinho, misto de frango assado com batatas a fritar, que pairava sob o largo. A sua proveniência? O motor de uma viatura alimentada a biodiesel que estava a ser demonstrada em conjunto com as iniciativas da Junta de Freguesia da Ericeira neste campo.
Sempre cheira melhor do que o Eixo Norte-Sul em hora de engarrafamento. E abre o apetite...
Sempre cheira melhor do que o Eixo Norte-Sul em hora de engarrafamento. E abre o apetite...
Nota
No princípio do século XXI vivemos sob um acumular de património cultural milenar que se encontra na cúspide de uma nova revolução baseada na tecnologia. Enquanto nos deslumbramos pelas possibilidades trazidas pelos novos media, temos de continuar a olhar para a longa tradição de investigação artística, um continuum de inquietude e questionamento que foi constantemente alargando as fronteiras da expressão artística.
Como professores das áreas artísticas, temos a difícil tarefa de equilibrar meios e técnicas. É necessário um saber profundo destas, e também da longa tradição cultural mundial. Transmitir aos alunos conhecimentos artísticos equilibra-se entre a técnica e o observar e descobrir o nosso valioso património artístico.
Como professores das áreas artísticas, temos a difícil tarefa de equilibrar meios e técnicas. É necessário um saber profundo destas, e também da longa tradição cultural mundial. Transmitir aos alunos conhecimentos artísticos equilibra-se entre a técnica e o observar e descobrir o nosso valioso património artístico.
sábado, 18 de julho de 2009
Cruz, Vermelha
No fresco A Ressurreição, Piero della Francesca pintou cristo ressuscitado dos mortos segurando uma flâmula branca com uma cruz vermelha. Essa flâmula é o símbolo do triunfo sobre a morte.
Séculos depois a Cruz Vermelha surgiu nos campos de batalha europeus para auxiliar os feridos sem distinção de nacionalidade. Adoptou como insígnia uma cruz vermelha. Triunfar sobre a morte com a ciência médica e a compaixão humana.
(Ligação feita graças ao excelente documentário da BBC A Vida Secreta de Uma Obra Prima. Resta a 2: como exemplo de verdadeiro serviço público. E não, não tenho tv cabo. Recuso-me.)
Séculos depois a Cruz Vermelha surgiu nos campos de batalha europeus para auxiliar os feridos sem distinção de nacionalidade. Adoptou como insígnia uma cruz vermelha. Triunfar sobre a morte com a ciência médica e a compaixão humana.
(Ligação feita graças ao excelente documentário da BBC A Vida Secreta de Uma Obra Prima. Resta a 2: como exemplo de verdadeiro serviço público. E não, não tenho tv cabo. Recuso-me.)
Livros à Beira-Mar
A feira do livro está de regresso à Ericeira. Não está muito boa para os amantes de alfarrábios mas está optima como livraria sazonal. Muitos e bons livros, a bom preço. E quem busca pode sempre ser recompensado com umas surpresas. A feira está situada nos jardins ao pé da Ermida de S. Sebastião.
Leituras
NASA | E se querem ver onde está a Apollo 11 hoje, vejam estas imagens transmitidas pela sonda Lunar Reconaissance Orbiter, que fotografou os locais de alunagem das missões apollo.
BBC | Wikipedia painting row escalates A direcção da Wikipedia e a National Portrait Gallery britânica estão em guerra aberta. O motivo? A wikipedia utiliza imagens de alta resolução de pinturas digitalizadas por um projecto da NPL, queixando-se estes que a sua disponibilização da enciclopédia digital os prejudica financeiramente. A questão fundamental é que a National Portrait Library é um museu público, financiado com dinheiros públicos. Se fosse uma galeria privada os direitos seriam outros, mas que razão legítima tem uma instituição pública para restringir o acesso a informação de domínio público reclamando que precisa de recuperar o investimento?
Ecogeek | Navy putting $33 M into hybrid destroyers A marinha norte-america planeia equipar todos os seus navios da classe DDG 51 com motorização híbrida. As poupanças de combustíveis fósseis esperadas rondam os doze mil barris de petróleo por ano e por navio (!).
Gizmodo | Big Brother Amazon Remotely Deletes Purchased Copies of 1984 and Animal Farm From Thousands of Kindles E tinha que acontecer com o 1984, com todos os livros possíveis. Por causa de uma simples decisão económica - a editora que detém os direitos de autor deixou de estar interessada em edições digitais, a Amazon apagou remotamente todas as cópias compradas legitimamente dos livros 1984 e Triunfo dos Porcos dos kindles, recompensando os leitores com créditos na sua loja online. O que parece ser pouco legítimo é uma editora e um fornecedor de conteúdos restringirem desta forma o acesso a conteúdos culturais. Parece coisa do ministério da verdade (leiam o 1984 e percebem a indirecta). Eu, que até queria um leitor de ebooks, já vi que os kindles são de evitar... permitem o equivalente digital dos empregados da Fnac virem a minha casa retirar livros que comprei porque a editora mudou de ideias em relação ao que edita.
Gizmodo | The Desperate Times Before Internet Porn Os putos de hoje são uns sortudos. Nos anos oitenta, antes da profusão de meninas despidas (e meninos, e meninos e meninas, e...) na internet, a vida de um rapaz era mais complicada. Um post que não é NSFW (not safe for work), é mais TIC (tongue in cheek).
Singularity Hub | Computer Learns Sign Language - Next Stop World Domination Utilizando processamento digital de imagem já é possível ensinar um computador a reconhecer língua gestual.
Boston Globe | Rememebering Apollo 11 Imperdível, esta galeria online de 40 imagens do projecto Apollo.
Drawn! | Invanding the Vintage Um projecto tecnicamente brilhante, divertido e que nos remete para a FC, filmes de série B e as visões bucólicas do postal de recordação. As imagens misturam paisagens de postais suíços com robots e outros ícones da FC.
Gizmodo | NYC Spending a $1m to Buy New Typewriters, Ensure Cops Stay Grumpy Na era do digital, o departamento de polícia de Nova Yorque decidiu substituir as velhas máquinas de escrever por... novas máquinas de escrever.
Next Big Future | SpaceX Successfully Delivers Their First Commercial Satellite Um marco na exploração espacial, com este lançamento privado de um foguetão orbital. A Space X desenvolveu o seu próprio foguetão e está a desenvolver veículos orbitais.
Boing Boing | Humans will hand render any image like a digital printer The Human Printing Project: pega-se numa imagem digital e reproduz-se no papel pontinho a pontinho, à mão e como se fosse uma impressora digital.
Boing Boing | Pope damns medical patents Não é só contra o preservativo. Numa recente encíclica, o papa pronunciou-se contra o zelo excessivo da propriedade intelectual, em particular quando aplicada à medicina. Esta sim, é uma posição moderna e actual. E pertinente e inconveniente. Podem ler online a encíclica Caritas in Veritate (e alguém avise os webmasters do vaticano que aqueles fundos de página com letra times new roman alinhada à esquerda já não se usam...)
The DEW Line | Boeing shows off sexy new fighter concept A Boeing está a desenvolver um novo caça de estilo futurista, pensado para substituir os F-18s.
Gizmodo | Killer 5th Generation Russian Stealth Superfighters Sabe-se que a russa Sukhoi anda a desenvolver o PAK-FA, a resposta russa aos caças de 5ª geração, mas ainda ninguém sabe muito bem como vai ser o aspecto final da aeronave. As imagens que estão publicadas nesta ligação são conceitos.
Read Write Web | The Google OS Becomes Reality: Google Announces the Google Chrome OS Já se espereva, e nos últimos dias a internet tem estado cheia de rumores sobre como será este novo sistema operativo. O que eu espero é um sistema operativo que faça a ponte entre os SOs tradicionais e o futuro da computação em núvem.
Boing Boing | Pez Candy Inc sues Museum of Pez Memorabilia for copyright infringement Um fã dedicado das caixinhas dos rebuçados PEZ criou um museu dedicado à vasta gama de caixinhas e... acabou processado por violação dos direitos de autor. Dá um sabor amargo aos rebuçados.
Efeitos Secundários Curioso ensaio de Luís Filipe Silva que desmonta o mito da importância da existência de uma FC internacional em oposição à FC anglo-saxónica. E no entanto ela existe.
Ars Technica | Afinal a história dos eLivros apagados pela Amazon tem outros contornos: foram editados por uma editora digital mas nos Estados Unidos ainda têm os direitos de autor detidos por outra editora (porque os direitos de autor andam válidos por 80 anos com tendência a dilatar). No entanto, o verdadeiramente preocupante mantém-se: uma fornecedora de conteúdos controlar totalmente o acesso dos seus clientes a conteúdos culturais reservando-se o direito de apagar conteúdos. É uma espécie de ditadura automatizada.
BBC | Wikipedia painting row escalates A direcção da Wikipedia e a National Portrait Gallery britânica estão em guerra aberta. O motivo? A wikipedia utiliza imagens de alta resolução de pinturas digitalizadas por um projecto da NPL, queixando-se estes que a sua disponibilização da enciclopédia digital os prejudica financeiramente. A questão fundamental é que a National Portrait Library é um museu público, financiado com dinheiros públicos. Se fosse uma galeria privada os direitos seriam outros, mas que razão legítima tem uma instituição pública para restringir o acesso a informação de domínio público reclamando que precisa de recuperar o investimento?
Ecogeek | Navy putting $33 M into hybrid destroyers A marinha norte-america planeia equipar todos os seus navios da classe DDG 51 com motorização híbrida. As poupanças de combustíveis fósseis esperadas rondam os doze mil barris de petróleo por ano e por navio (!).
Gizmodo | Big Brother Amazon Remotely Deletes Purchased Copies of 1984 and Animal Farm From Thousands of Kindles E tinha que acontecer com o 1984, com todos os livros possíveis. Por causa de uma simples decisão económica - a editora que detém os direitos de autor deixou de estar interessada em edições digitais, a Amazon apagou remotamente todas as cópias compradas legitimamente dos livros 1984 e Triunfo dos Porcos dos kindles, recompensando os leitores com créditos na sua loja online. O que parece ser pouco legítimo é uma editora e um fornecedor de conteúdos restringirem desta forma o acesso a conteúdos culturais. Parece coisa do ministério da verdade (leiam o 1984 e percebem a indirecta). Eu, que até queria um leitor de ebooks, já vi que os kindles são de evitar... permitem o equivalente digital dos empregados da Fnac virem a minha casa retirar livros que comprei porque a editora mudou de ideias em relação ao que edita.
Gizmodo | The Desperate Times Before Internet Porn Os putos de hoje são uns sortudos. Nos anos oitenta, antes da profusão de meninas despidas (e meninos, e meninos e meninas, e...) na internet, a vida de um rapaz era mais complicada. Um post que não é NSFW (not safe for work), é mais TIC (tongue in cheek).
Singularity Hub | Computer Learns Sign Language - Next Stop World Domination Utilizando processamento digital de imagem já é possível ensinar um computador a reconhecer língua gestual.
Boston Globe | Rememebering Apollo 11 Imperdível, esta galeria online de 40 imagens do projecto Apollo.
Drawn! | Invanding the Vintage Um projecto tecnicamente brilhante, divertido e que nos remete para a FC, filmes de série B e as visões bucólicas do postal de recordação. As imagens misturam paisagens de postais suíços com robots e outros ícones da FC.
Gizmodo | NYC Spending a $1m to Buy New Typewriters, Ensure Cops Stay Grumpy Na era do digital, o departamento de polícia de Nova Yorque decidiu substituir as velhas máquinas de escrever por... novas máquinas de escrever.
Next Big Future | SpaceX Successfully Delivers Their First Commercial Satellite Um marco na exploração espacial, com este lançamento privado de um foguetão orbital. A Space X desenvolveu o seu próprio foguetão e está a desenvolver veículos orbitais.
Boing Boing | Humans will hand render any image like a digital printer The Human Printing Project: pega-se numa imagem digital e reproduz-se no papel pontinho a pontinho, à mão e como se fosse uma impressora digital.
Boing Boing | Pope damns medical patents Não é só contra o preservativo. Numa recente encíclica, o papa pronunciou-se contra o zelo excessivo da propriedade intelectual, em particular quando aplicada à medicina. Esta sim, é uma posição moderna e actual. E pertinente e inconveniente. Podem ler online a encíclica Caritas in Veritate (e alguém avise os webmasters do vaticano que aqueles fundos de página com letra times new roman alinhada à esquerda já não se usam...)
The DEW Line | Boeing shows off sexy new fighter concept A Boeing está a desenvolver um novo caça de estilo futurista, pensado para substituir os F-18s.
Gizmodo | Killer 5th Generation Russian Stealth Superfighters Sabe-se que a russa Sukhoi anda a desenvolver o PAK-FA, a resposta russa aos caças de 5ª geração, mas ainda ninguém sabe muito bem como vai ser o aspecto final da aeronave. As imagens que estão publicadas nesta ligação são conceitos.
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Boing Boing | Pez Candy Inc sues Museum of Pez Memorabilia for copyright infringement Um fã dedicado das caixinhas dos rebuçados PEZ criou um museu dedicado à vasta gama de caixinhas e... acabou processado por violação dos direitos de autor. Dá um sabor amargo aos rebuçados.
Efeitos Secundários Curioso ensaio de Luís Filipe Silva que desmonta o mito da importância da existência de uma FC internacional em oposição à FC anglo-saxónica. E no entanto ela existe.
Ars Technica | Afinal a história dos eLivros apagados pela Amazon tem outros contornos: foram editados por uma editora digital mas nos Estados Unidos ainda têm os direitos de autor detidos por outra editora (porque os direitos de autor andam válidos por 80 anos com tendência a dilatar). No entanto, o verdadeiramente preocupante mantém-se: uma fornecedora de conteúdos controlar totalmente o acesso dos seus clientes a conteúdos culturais reservando-se o direito de apagar conteúdos. É uma espécie de ditadura automatizada.
PTE no seu melhor
Esta passou-se numa escola pública portuguesa que pelos vistos já está bem avançada com a implementação do conjunto de pacotes de equipamento previsto no Plano Tecnológico da Educação (computadores, quadros interactivos, projectores e rede):
"Pergunta: Qual a largura de banda disponível na nossa escola por fibra óptica.
Resposta: Serão 64 mbts.
Pergunta: Então teremos 64 mbts de largura de banda para aceder à net?
Resposta: Não. Terão apenas 4 mbts que corresponde à velocidade que o ME contratou com a PT."
O diálogo é entre um coordenador TIC (responsável da escola pelos sistemas informáticos e o técnico da PT responsável pela ligação da fibra óptica à rede local.
(P.S.: não divulgo o nome da escola nem onde obtive esta informação, mas é legítima. E representa bem o caricato das situações que vão surgindo na implementação acelarada pré-eleitoral do PTE.)
"Pergunta: Qual a largura de banda disponível na nossa escola por fibra óptica.
Resposta: Serão 64 mbts.
Pergunta: Então teremos 64 mbts de largura de banda para aceder à net?
Resposta: Não. Terão apenas 4 mbts que corresponde à velocidade que o ME contratou com a PT."
O diálogo é entre um coordenador TIC (responsável da escola pelos sistemas informáticos e o técnico da PT responsável pela ligação da fibra óptica à rede local.
(P.S.: não divulgo o nome da escola nem onde obtive esta informação, mas é legítima. E representa bem o caricato das situações que vão surgindo na implementação acelarada pré-eleitoral do PTE.)
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Visão História

É um dos grandes pequenos prazeres do dia a dia: aproveitar um tempo livre para vir até às esplanadas da Ericeira para tomar um café, preguiçar na cadeira e ler qualquer coisa de interessante. É algo que não faço vezes suficientes.
Para este fim de semana recomenda-se a Visão História como leitura. A corrente edição celebra os 40 anos da missão Apollo 11 e reúne um conjunto de artigos profusamente ilustrados traçando uma história rápida da exploração espacial e das missões à lua. Nada de novo para quem já conhece estas coisas, mas mesmo assim uma boa leitura, de valor inestimável para recordar a um público alargado (ia escrever grande público mas trata-se da Visão História, não do Correio da Manhã ou outro pasquim do género) o cruzamento entre o rigor científico, a engenharia de precisão e a adrenalina da aventura.
Interactividades
Os quadros interactivos são a nova moda pedagógica. Começaram a alastrar há alguns anos atrás e agora, virtude das virtudes do PTE, chegaram em força a todas as escolas. Confesso que tenho alguma dúvidas em relação à utilidade real deste hardware, embora goste (e muito) de trabalhar com eles.
Antes de mais, um quadro interactivo é apenas uma superfície - normalmente construída para o efeito mas que nalguns casos pode ser qualquer superfície, na qual é projectada a imagem saída do computador. O interface de controlo varia com as tecnologias, indo do dedo a transdutores com variados graus de sofisticação. Permitem uma interacção física com o computador, em ecrã ampliado e visível a todos. Com os recentes avanços em tecnologias hapticas e ecrãs multitoque, já se percebe que os quadros interactivos de que agora dispomos são verdadeiros dinossauros - uma superfície multitoque, como as mesas com que a microsoft nos brindou, será o real futuro da aplicação desta tecnologia à educação. Mas como os professores não são normalmente muito versados nestes avanços, ficam com a ideia que estão a trabalhar com tecnologia de ponta.
Note-se que a líder deste mercado, a Smart Technologies, já investiga estas áreas. The writing is on the wall, como se costuma dizer.
O interessante deste tipo de equipamentos é o permitirem interagir com um computador. E permitem fazê-lo com todos os programas. Imaginem que utilizando um programa de desenho pudessem desenhar no quadro, ou pintar digitalmente... aqui, as possibilidades são fascinantes. Infelizmente, os quadros interactivos vêem com softwares de apresentação que limitam enormente o que se pode fazer com eles. A limitação não é tecnológica, é cognitiva. Cada quadro traz consigo um software proprietátio - o Activboard da Promethean (que estou agora a "aprender"), o Notebook da Smart e outros. Os professores são formados para utilizar essas aplicações como modo de dar aulas interactivas, mas na realidade a interacção é reduzida. Na prática, permitem diferentes formas de expor informação. E por aí se ficam.
Pior, para o ponto de vista de um professor: depois de elaborar recursos e materiais pedagógicos para as aplicações de uma marca, se tiver o azar de na escola onde trabalhar o quadro for de marca diferente descobre que todo o seu trabalho foi em vão, uma vez que os ficheiros são normalmente incompatíveis com as aplicações proprietárias. E se quiser copiar o programa onde desenvolveu o seu trabalho (porque, recordem-se, os quadros interactivos controlam todo o computador e não apenas uma ou duas aplicações) lá estão os avisos mostrando que é ilegal fazer isso. Imagine que para imprimir um texto numa impressora HP só podia utilizar um programa da HP para o escrever...e que depois não o conseguia imprimir em qualquer outra impressora de outras marcas, porque estas requeriam software próprio para elaborar o texto para impressão.
E não é preocupante pensar que com o emergir de tecnologias realmente interactivas, baseadas na web, se aponte o velho e tradicional ir ao quadro como exemplo de boa aplicação da tecnologia na sala de aula? Grande parte das aplicações que tenho visto resolviam-se com um simples powerpoint (o que demonstra o seu grau de interactividade). Outras, mais interactivas, baseiam-se no princípio do drill and practice, rotineiras e facilmente esgotadas. Mas essa é uma crítica que se pode aplicar a 99,9% do software educativo. É, realmente, muito limitado e pouco varia de uma versão moderna, cheia de efeitos e cores bonitas, do velho recitar da tabuada.
Uma educação interactiva pode ser criada através da partilha de documentos online (já experimentaram colocar um grupo de alunos a editar um texto no google docs?), da utilização de ferramentas colaborativas em tempo real, de fóruns, msns, skypes e video para interacção. Implica uma sala de aula que não se limita à sua geografia tradicional, com todos os problemas que isso traz. Num sistema pensado em função de horários fixos, as contradições são muitas: como gerir os tempos, como planear, como preparar, e até que ponto é legítimo esperar-se que um professor dê a sua aula a qualquer hora do dia ou da noite... mas é para aí que a interactividade aponta. Se criarem um fórum de discussão para trabalhar com alunos percebem estas contradições.
Mas não pensemos nisso. Atafulhados de computadores caídos do céu, com redes em construção, projectores e quadros interactivos, vamos mas é aprender a colocar botões e linhas em aplicações proprietárias que nos permitem dar aos alunos mais do mesmo.
Antes de mais, um quadro interactivo é apenas uma superfície - normalmente construída para o efeito mas que nalguns casos pode ser qualquer superfície, na qual é projectada a imagem saída do computador. O interface de controlo varia com as tecnologias, indo do dedo a transdutores com variados graus de sofisticação. Permitem uma interacção física com o computador, em ecrã ampliado e visível a todos. Com os recentes avanços em tecnologias hapticas e ecrãs multitoque, já se percebe que os quadros interactivos de que agora dispomos são verdadeiros dinossauros - uma superfície multitoque, como as mesas com que a microsoft nos brindou, será o real futuro da aplicação desta tecnologia à educação. Mas como os professores não são normalmente muito versados nestes avanços, ficam com a ideia que estão a trabalhar com tecnologia de ponta.
Note-se que a líder deste mercado, a Smart Technologies, já investiga estas áreas. The writing is on the wall, como se costuma dizer.
O interessante deste tipo de equipamentos é o permitirem interagir com um computador. E permitem fazê-lo com todos os programas. Imaginem que utilizando um programa de desenho pudessem desenhar no quadro, ou pintar digitalmente... aqui, as possibilidades são fascinantes. Infelizmente, os quadros interactivos vêem com softwares de apresentação que limitam enormente o que se pode fazer com eles. A limitação não é tecnológica, é cognitiva. Cada quadro traz consigo um software proprietátio - o Activboard da Promethean (que estou agora a "aprender"), o Notebook da Smart e outros. Os professores são formados para utilizar essas aplicações como modo de dar aulas interactivas, mas na realidade a interacção é reduzida. Na prática, permitem diferentes formas de expor informação. E por aí se ficam.
Pior, para o ponto de vista de um professor: depois de elaborar recursos e materiais pedagógicos para as aplicações de uma marca, se tiver o azar de na escola onde trabalhar o quadro for de marca diferente descobre que todo o seu trabalho foi em vão, uma vez que os ficheiros são normalmente incompatíveis com as aplicações proprietárias. E se quiser copiar o programa onde desenvolveu o seu trabalho (porque, recordem-se, os quadros interactivos controlam todo o computador e não apenas uma ou duas aplicações) lá estão os avisos mostrando que é ilegal fazer isso. Imagine que para imprimir um texto numa impressora HP só podia utilizar um programa da HP para o escrever...e que depois não o conseguia imprimir em qualquer outra impressora de outras marcas, porque estas requeriam software próprio para elaborar o texto para impressão.
E não é preocupante pensar que com o emergir de tecnologias realmente interactivas, baseadas na web, se aponte o velho e tradicional ir ao quadro como exemplo de boa aplicação da tecnologia na sala de aula? Grande parte das aplicações que tenho visto resolviam-se com um simples powerpoint (o que demonstra o seu grau de interactividade). Outras, mais interactivas, baseiam-se no princípio do drill and practice, rotineiras e facilmente esgotadas. Mas essa é uma crítica que se pode aplicar a 99,9% do software educativo. É, realmente, muito limitado e pouco varia de uma versão moderna, cheia de efeitos e cores bonitas, do velho recitar da tabuada.
Uma educação interactiva pode ser criada através da partilha de documentos online (já experimentaram colocar um grupo de alunos a editar um texto no google docs?), da utilização de ferramentas colaborativas em tempo real, de fóruns, msns, skypes e video para interacção. Implica uma sala de aula que não se limita à sua geografia tradicional, com todos os problemas que isso traz. Num sistema pensado em função de horários fixos, as contradições são muitas: como gerir os tempos, como planear, como preparar, e até que ponto é legítimo esperar-se que um professor dê a sua aula a qualquer hora do dia ou da noite... mas é para aí que a interactividade aponta. Se criarem um fórum de discussão para trabalhar com alunos percebem estas contradições.
Mas não pensemos nisso. Atafulhados de computadores caídos do céu, com redes em construção, projectores e quadros interactivos, vamos mas é aprender a colocar botões e linhas em aplicações proprietárias que nos permitem dar aos alunos mais do mesmo.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
...

O resultado lógico de oito horas de formação em software para os quadros interactivos Promethean. Não era disto que tratava a formação, mas como já conheço o bê-á-bá dos SmartBoards e dos eBeams e o destes não é muito diferente...
Pessoalmente classifico estas aplicações como bloatware, pesadas e demasiado específicas, e com um bónus agradável: como são proprietárias, é técnicamente ilegal tentar mostrar aos alunos um recurso educativo criado, por exemplo, para SmartBoard noutro tipo de quadro interactivo... para perceberem o ridículo da coisa, imaginem que as impressoras só aceitavam documentos criados no software específico de cada impressora.
Lift-off!
Nota
Yep, novamente em formação, desta vez para aprender o bê-á-bá do bloatware que passa por supra-sumo da criação de aulas interactivas. Uma coisa que nunca percebi nas formações sobre quadros interactivos é porque é que se limitam às ferramentas proprietárias amalgamadas ao hardware em vez de explorar a real mais valia de um quadro interactivo: controlar o computador a partir da tela de projecção (o tipo de tela varia de acordo com o quadro). E isso sim, tem potencialidades avassaladoras.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
E no entanto move-se

Mas afinal não o tinham morto? Ao longo destes dois anos as duas grandes editoras de comics americanas reinventaram as suas linhas de edição com grandes arcos que remexeram as linhas de história tradicionais e repescaram velhos personagens perdidos nas gavetas vindos dos tempos da Golden Age antes que os direitos de autor expirem (a DC, por exemplo, está a repescar os velhos heróis da Timely em nova roupagem). A Marvel teve a ousadia de matar o seu personagem mais icónico no arco Civil Wars e a DC não se ficou atrás: o final de Final Crisis envolve a morte de Batman, o mais popular dos personagens da editora.
Mas estamos no mundo dos comics, onde a morte é vencida por argumentistas com imaginação. Já não é a primeira vez que o Capitão América morre - nos anos 50, com a popularidade dos comics de heróis a descer, Stan Lee virou a Marvel para o mais lucrativo campo dos comics cor-de-rosa e deixou de publicar histórias do personagem. Na década seguinte, com o renascer do interesse no género, ressuscitou-o com o artifício de ter sido congelado num bloco de gelo no final da II Guerra Mundial e reanimando pelos Vingadores dos anos 60 (quando a armadura que o Homem de Ferro usava se parecia com uma lata de sardinhas com olhos, ao invés dos delírios high tech de hoje).
Agora, sob a pena de Ed Brubaker, a morte do Capitão está a ser recontada num argumento que envolve distorções temporais. Não, ele não morreu; anda à deriva no tempo, e os cinco volumes de Captain America Reborn vão trazê-lo de volta. Podem ler a pré-visão no site da Marvel. Inverosimilidade dos comics no seu melhor... mas é por isso que gostamos do género. Se fizesse sentido não teria tanta piada.
Quanto aos fãs de Bruce Wayne enquanto Batman, não desesperem: na complicação bizantina dos argumentos parece que afinal os rumores da sua morte também são exagerados e que o homem-morcego também anda à deriva no tempo. Notam um padrão?
(Esta metáfora da pena anda um pouquito desfasada nesta era de teclados.)
terça-feira, 14 de julho de 2009
Avaliações
Passei uma agradável tarde a preencher a ficha de auto-avaliação de docentes. Agradável entenda-se com ironia. E então, o que mudou depois de tanta luta, guerra e confusão? Bem, em vez de criar um texto em que digo que fiz refiz e sublinho que sou muito bom respondo a umas questões onde digo que fiz refiz e sublinho que sou muito bom.
Enquanto perco tempo com burocracias o trabalho real acumula-se. Mas se não o fizer, a tendência negativa do saldo da conta bancária prevê-se em continuação.
Enquanto perco tempo com burocracias o trabalho real acumula-se. Mas se não o fizer, a tendência negativa do saldo da conta bancária prevê-se em continuação.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
Heroes & Monsters

Jess Nevins (2006). Heroes & Monsters. Austin: Monkeybrain
A série Liga dos Cavalheiros Extraordinários, escrita por Alan Moore e ilustrada por Kevin O'Neill, tornou-se famosa pelo rebuscar de velhos personagens da literatura de aventuras clássica. Não só os mais famosos, os Dr. Jekyll, Capitão Nemo ou Allan Quatermain, mas também alguns dos mais obscuros, acessíveis apenas àqueles que tiverem um conhecimento enciclopédico de obras empoeiradas de autores esquecidos. Quer Moore quer O'Neill se esmeraram na criação de um universo ficcionado que mescla brilhantemente míriades de universos ficcionais.
Apanhar todas as referências deixadas no comic é um trabalho prazenteiro, mas hérculeo. Quando compreendemos uma referência mais obscura a um autor que conhecemos sentimos um toque de alegria. Jess Nevins e a comunidade online de fãs do comic deverão ter tido muitos paroxismos deste género. O resultado é este Heroes & Monsters, uma análise exaustiva, vinheta a vinheta, a todas as referências contidas nesta banda desenhada. Apesar de escrito por Nevins, força motriz por detrás do projecto, a comunidade online teve um importante papel na procura e cruzamento de referências, algo que o autor não esquece no prefácio do livro.
Heroes & Monsters é um livro enciclopédico, companheiro insperável daqueles curiosos obcecados que gostam de mergulhar profundamente nos universos ficcionais.
sábado, 11 de julho de 2009
Traições linguísticas
Frases memoráveis: Tulpanov was abetted by Dymshitz. Não é o que pensam. Os dois senhores, quer o primeiro quer o segundo cujo nome remete para pedaço de esterco com a inteligência de uma lâmpada fundida, eram comissários russos para a cultura na zona soviética da Alemanha nos meses seguintes ao final da II Guerra.
Não é só a língua portuguesa que é traiçoeira...
(in Giles McDonogh, After The Reich)
Não é só a língua portuguesa que é traiçoeira...
(in Giles McDonogh, After The Reich)
sexta-feira, 10 de julho de 2009
eEscolas/Magalhães
Eureka Tic Artur Coelho
View more presentations from Artur Coelho.
De regresso do Eureka TIC 2009. Amanhã ponho a minha apreciação do que vi e ouvi, por sinal com muito interesse. Por enquanto fica aqui a minha apresentação e o texto da comunicação que proferi: Magalhães na Escola: eEscolas/Magalhães.
Primeiro Olhar
E cá está, o trabalho pensado para a acção "Primeiro Olhar: Uma proposta pedagógica para o ensino das artes visuais. Foi divertido.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
A Rosa e a Cruz

Refugiado na biblioteca do convento de Mafra, deparei com esta preciosidade: um exemplar exposto do Mundus Subterraneus de Athanasius Kircher. Dei depois um pulo à loja de recordações e livraria, a ver se a gestão do palácio de Mafra se tinha lembrado de colocar à venda exemplares fac-similados desta preciosidade bibliográfica, mas nada. Apenas as habituais canecas e companhia e alguns livros de desinteresse garantido. Com o acervo da biblioteca recheado de preciosidades, seria boa ideia vender cópias de alguns dos mais famosos livros nas lojas de recordações. Não me teria importado nada de ter saído dali com uma cópia fac-similada do Mundo Subterrâneo.

Entre as curiosidades bibliográficas expostas, deparei-me com este frontispício. Sabem o que significa, espero.
Para mim a formação chegou ao fim. Falta ainda um dia de trabalho, mas eu estarei para os lados de Leiria no Eureka TIC 2009. O que lá vou fazer só revelo amanhã ou sábado, depende do cansaço. Entretanto resta-me fazer o trabalho final da formação, que está neste momento a renderizar: 25 segundos de animação 3D em Bryce que são um percurso por obras de arte num museu virtual. Não está muito mau para hora e meia de trabalho. Entretanto vou ganhando coragem para escrever qualquer coisa que justifique o vídeo num contexto de formação dedicado às visões mais tradicionais das artes aplicadas à pedagogia (pista: por isso é que é um museu virtual).
Visitas
Visita ao palácio de Mafra, sempre um privilégio. Fugi das explicações guiadas - nada que não se fique a saber lendo Gombrich ou os livrinhos de história de arte da Oxford. Refugiei-me na paradisíaca biblioteca. Fiquei a saber que há um belíssimo remédio para ataques venéreos, envolvendo "oleo de tartaro por deliquio se precipite, e finalmente se adoce com àgua destilada (...) admiravel achaques venereos, tinha, alporcas". Enfim, o resto da receita estava na página anterior.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Ideias brilhantes
Os concursos de colocação de professores todos os anos corriam mal, com atrasos, lapsos, problemas, desterramentos distantes e muitas reclamações. Como resolver o problema? Mudam-se os concursos de anuais para quadrianuais e pronto. Assim só há chatice de quatro em quatro anos.
Desculpe, mas...

... não pode.
Dia de formação. Manhã passada em visita ao parque dos poetas, em Oeiras, considerado uma mais valia do concelho. Não fiquei impressionado. Pelos padrões, o local era perfeito. Arquitectura cuidada, jardinagem judiciosa e escultura aprimorada. Mas fiquei com um terrível sentimento de esterilidade. O parque era bonito de uma forma planeada, e as esculturas dos poetas, ex-libris e mote do parque, obras artísticas de valor. Mas... talvez o ar aberto do espaço, talvez... não sei. Senti-me num espaço vazio de conteúdo, apesar das intenções, que mal disfarçava ser um buraco no meio de um subúrbio urbanizado e desorganizado. O pormenor mais interessante do parque era um edifício empresarial que estava no exterior.
Futuros historiadores de arte apelidarão grande parte da arte contemporânea de novo classicismo: um estilo deslavado, que se socorre das vanguardas do século XX para o seu estilismo mas que na prática funciona num formalismo rígido e estéril, sustentado por magotes de artistas menores que pretendem elevar a sua normalidade ao estatuto de grande arte. Curioso é o espírito de rebeldia institucionalizado que de rebelde tem muito pouco. O parque dos poetas glorifica, vive dessa atitude pretensiosa. Talvez por isso me teixa deixado tão indiferente.
Almoço num simpático restaurante de Oeiras, bem regado e atestado com uma aguardente velha. Justifiquei o néctar com uma certa necessidade de dèrive situacionista.
Tarde numa exposição de obra gráfica de Dali, na galeria municipal de Oeiras. Edifício com um restauro admirável. Fiquei mais fascinado pela construção do que pela exposição. Irrita esta sensação de antiguismo. Arte, para uma certa intelligentsia que se move na dinamização cultural, parece ter parado nos anos 20 do século passado. Fala-se em Dali ou Picasso, e os sorrisos abrem-se. Fala-se em Rauschenberg ou Hirst, e os olhares ficam vazios e a conversa é logo mudada de direcção. Ultrapassa-me como se podem dizer renovadores enquanto repetem fórmulas já a ficar centárias.
O momento caricato: fui apanhado em flagrante delito enquanto fotografava algumas das obras expostas. "Desculpe, mas não pode fotografar, são as ordens que temos". Mas esperem, estou numa galeria pública, construída com dinheiros públicos, a visitar uma exposição paga com dinheiros públicos, dinheiros esses que saíram do erário público, erário esse que se constroi com os nossos impostos, algo a que eu não me posso escapar. E sou proibido de fotografar dentro de um espaço destes para proteger direitos de autor... que já paguei, ao pagar os meus impostos. De manhã tinha falado aos meus colegas da ilegalidade de mostrar imagens, filmes e música aos nossos alunos, feita sempre sem permissão dos detentores dos direitos. Ninguém acreditou. À tarde alguns viram como são as coisas na realidade.
Mas quem me avisou não tem culpa destas parvoíces e estava apenas a fazer o seu trabalho. Para além disso era jovem e bonita, o que desarma qualquer homem que começa a ver a crise dos quarenta a ficar próxima. Virei-me para ela, com o meu sorriso mais engatatão, e disse-lhe "bem, vamos fingir que você não reparou e a partir de agora porto-me bem". Se fosse um gorila de uma qualquer empresa de segurança teria possivelmente menos sorte. A menos que o homem fosse amante de homens menos musculados, Aí talvez houvesse condescendência.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Lentes dos media
A morte como estratégia eficaz de regresso às luzes da ribalta. Por puro acaso apanhei parte da cerimónia comemorativa da memória de Michael Jackson e fiquei espantado. O espaço estava apinhado de pessoas que vinham lamentar o falecimento de um artista que estava semi-esquecido e falido, longe pelas luzes da ribalta. Surreal: líderes das comunidades afro-americanas a discursar em memória de um homem que se transformou cirurgicamente de afro-americano em caucasiano, alterando a forma do rosto, a cor da pele e o cabelo, apontando-o como um exemplo para as comunidades afro-americanas. Virtual: chamar artista a alguém que foi essencialmente cantor e dançarino, cabeça de uma enorme máquina de produção industrial de música. Certeza: morrer é uma excelente forma de regressar à fama. A figura do cantor, paradigma mediático do excêntrico absurdo, semi-esquecido excepto aquando de escândalos que acentuam a bizarria da figura, reinventou-se do dia para a noite como figura mítica de contornos trágicos.
(E porquê o meu interesse nisto? Este é um puro exemplo de krach viriliano. Um dos novos desastres da modernidade, ampliado e replicado em múltiplos ângulos pelas lentes dos media.)
(E porquê o meu interesse nisto? Este é um puro exemplo de krach viriliano. Um dos novos desastres da modernidade, ampliado e replicado em múltiplos ângulos pelas lentes dos media.)
Momento mágico

Estou correntemente a frequentar uma formação para professores ligada à arte e ao seu ensino. Decorre da forma típica da formação de professores neste país, superficial, desactualizada e centrada numa pequenez assustadora numa classe que tem como missão abrir a mente às gerações futuras. De vez em quando deixo cair umas bombas com "pois, mas aqui nestas estátuas da basílica de Mafra há que ver a sua componente simbólica no contexto da mitologia cristã, essas formas que de falam são apenas os atributos dos santos representados" e depois aponto os atributos e ainda refiro o Signs and Symbols in Christian Art. Ou falo em coisas elementares como o conceito de horror vacui, ou vacua, latim não é o meu forte, subjacente ao barroco. Sou recebido com uns olhares vazios e uma expressão de pois, pois, cala-te lá que 'tamos aqui é para fazer o crédito não para ficar a saber coisas que não interessam. Penso ter selado o meu destino (e a minha fama de "cromo") quando partilhei a citação de Gombrich em que concluía que arte e artistas, tal coisa não existe, existe sim pessoas com aptidão para manipular linhas, formas e cores e que se deixam levar pela inquietude de tentar procurar ir sempre mais para além do horizonte.
Nunca mais aprendo que entre professores não convém mostrar sapiência.
De qualquer maneira, a formação vale pela oportunidade de discutir conceitos que no dia a dia de trabalho passam longe (e no meu caso, com as tic a apertar, a distância começa a ser demasiado grande). E por momentos mágicos como o de esta manhã, na Basílica de Mafra. Enquanto o grupo seguia o formador que ia apontando a volumetria da estatuária, deixei-me derivar (o situacionismo é por demais influente) até começar a ouvir o organista que, numa sessão de ensaio, brindou todos os presentes com um concerto improvisado no orgão da basílica. Ali, debaixo do esplendor barroco, o orgão soltou notas de música composta quando os mármores do convento ainda estavam a ser assentados. São pequenos momentos como este que dão sabor à vida.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Sandman Mistery Theatre

Matt Wagner, Steven Seagle, Guy Davis, Vince Locke (2007). Sandman Mistery Theatre: Dr. Death and The Night Of The Butcher. Nova Yorque: DC Comics.
Wikipedia |The Sandman Mistery Theatre
Originalmente uma personagem clássica publicada nos anos 30 pela incipiente DC Comics, The Sandman foi recuperado após a revisão do personagem Às mãos de Neil Gaiman. O Sandman clássico era um herói ao estilo de The Shadow, elegante caçador de criminosos que se socorria de uma máscara anti-gás para se proteger da sua arma, uma pistola de vapores suporíferos. A revisão do personagem criou a potente mitologia dos infinitos, encarnações de conceitos base da humanidade, e o Sandman original foi recriado como um comum mortal que se apropriou acidentalmente de artefactos criados pela encarnação do mito do sonho. Esta revisão abriu caminho a um renascer do The Sandman original, sob argumento de Matt Wagner (autor de Grendel e debaixo da chancela da Vertigo, marca da DC para comics mais complexos e elaborados.
Wagner recriou o personagem na Nova Yorque dos anos 30, sublinhado o seu carácter de herói sem poderes especiais caracterizando-o como Wesley Dodds, um tímido e frágil mas inquieto cavalheiro de alta sociedade cujos pesadelos e capacidades de detective o obrigam a mascarar-se e a combater o crime auxiliado pelo seu discreto mordomo e pela mulher por quem se apaixonou e com quem vive uma relação atribulada. O ambiente das aventuras de Dodd recria o espírito dos pulps dos anos 30 com toques de Agatha Christie e P.G. Wodehouse na caracterização de uma alta sociedade elegante ao estilo britânico imortalizado nos romances policiais e satirizado por Wodehouse.
Em Dr. Death and The Night Of The Butcher Dodds combate um assassino psicótico que se especializa em assassinar celebridades envelhecidas que passaram o seu auge, para em seguida caçar um carniceiro canibal que se esconde nos esgotos de Nova Yorque. Apesar do heroísmo, Dodds é um homem frágil que se ressente dos subterfúgios da sua relação com a amada Dion, se socorre do New York Times para comunicar com o médico legista da polícia, aliado inesperado na sua luta contra o crime, e é espancado pela polícia, que o vê como uma perigosa ameaça.
Sandman Mistery Theatre reinventa um personagem clássico com naturalidade, envelhecendo-o num arco de histórias que se inicia na Nova Yorque dos anos 30 e terminará no Afeganistão, com os octogenários Dodds e Dion a colocar um ponto final na carreira de combate ao crime.
Finalmente!
Já saíram os resultados do concurso de professores. Boa sorte nas colocações: DGRHE - Concursos 2009.
domingo, 5 de julho de 2009
...?
WTF? A malta já sabia que o miguel sousa tavares era um bocado idiota, mas tiradas destas atestam a pura cretinice. Ou cretinice, ou aquele sentimento arrepiante do dinossauro que se sente ameaçado pelo cometa internet...
Leituras
Web Urbanist | Your Future Is Calling: 15 Cool Cell Phone Concepts O telemóvel foi uma daquelas tecnologias que nos tomou de surpresa, mas agora que se institucionalizou é uma das maiorse forças de inovação. 15 conceitos, entre o bizarro, o possível a curto prazo e a antevisão de tecnologias que estão ainda em fase conceptual.
Into Mobile | Survey: Most Americans choose mobile phone over alcohol, dumbfounded by smartphones Se obrigado a escolher entre dois vícios, qual ganharia? Entre o telemóvel e a bebida, uma parte significativa de inquiridos colocou o telemóvel acima de tudo.
io9 | What Happened To Russia's "Flying Car" Program? Não eram carros voadores no sentido literal. Antes, tratava-se de construir uma rede de carris aéreos onde circulariam veículos adaptados para o efeito. Pelas imagens recolhidas no io9, o porjecto passou da fase conceptual à fase de protótipo. É inquietante ver fotografias de monolíticos camiões russos periclitantemente equilibrados sobre carris aéreos...
Bruce Schneier | The Insecurity of Secrecy Uma análise ao caso do bombista falhado que escondeu a bomba no sapato, cujas repercussões incluem uma obrigatoriedade inútil de vistoria aos sapatos dos milhões de passageiros que voam todos os anos nos estados unidos. O artigo compara o terrorismo a reacções alérgicas: reagindo ao horror pontual do ataque terrorista, as autoridades suspendem por prazo indeterminado liberdades e direitos individuais sem protesto pelos cidadãos. A psicologia do medo requer um falso sentimento de segurança. Como observa o artigo original, The Staggering Cost of Playing It Safe, "our response to problems can often result in far more damage than the problem itself. It's not the terrorists that do the real damage -- it's how you respond to the terrorists".
Into Mobile | Rumor: Sony Ericsson Rachael: 1 GHz, 8.1 megapixel, Android powered monster A acreditar nos rumores, o próximo Xperia, denominado de "Rachael", vai ser um maquinão: Android OS 2.0, processador de 1 Ghz, câmara de 8 megapíxeis, ecrã generoso e teclado a condizer. Bolas, e eu que acabei de adquirir um Xperia X1...
Boing Boing | Luggable 75 lb "laptop" from 1968 Um portátil de 1968, bem, não exactamente um computador mas uma teleimpressora capaz de ser levada à mão para onde se quisesse. A pesar uns meros 34 kilos. Uma em cada mão e uma pequena deslocação já contaria como sessão de musculação...
io9 | There Is No Happily Ever After In Fallen Princesses ... e foram felizes para sempre são as últimas palavras dos contos de encantar. Mas... o que é realmente o para sempre? Uma série de fotografias de Diana Goldstein explora o mito da felicidade de fantasia com o realismo da solidão, desencanto e violência da vida contemporânea. A série de fotografias pode ser vista em Fallen Princesses
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