sábado, 31 de janeiro de 2009

Leituras



Boing Boing | Gadget Tribes A bíblia da web lançou uma competição sobre o que caracteriza as tribos digitais. A minha tribo anda lá perto. Com o vaio + nokia n80 + archos 405 estou algures entre o blogger (versão windows), o simplicity (o portátil não é básico mas o cabelo é comprido) e o art kid (sem tablets nem nada mas muito gimp e corel). No fundo sou um gadget hound sem cashflow suficiente para os gadgets maravilhosos de hoje em dia (hmmm... aquele vaio P... o android g1... um archos 705...). Pura tétrade mcluhanista.

Seed |2009 Will Be A Year Of Panic Bruce Sterling em sobrerotação, em busca de tudo o que pode correr horrivelmente pior do que já corre nestes tempos difíceis. Uma leitura em nota de esperança no futuro.

The House By The Cemetery



Lucio Fulci é um dos nomes maiores de um género menor, o cinema de terror gore. Filme com a sua assinatura é filme que garantidamente contém cenas capazes de deixar o estômago aos pinotes.

The House By The Cemetery é um filme que opta por criar uma atmosfera soturna que culmina nos obrigatórios momentos sangrentos. Abandona a lógica linear para criar ambiências opressivas numa história que repete os elementos estilísticos do cinema de terror. Neste filme, um jovem investigador e a sua família mudam-se para uma cidadezinha da Nova Inglaterra. O investigador segue os passos do seu professor, que se suicidou durante as suas investigações. Ficam a residir numa sombria casa cujo jardim é um cemitério, e que oculta nas suas caves um tenebroso segredo, uma monstruosa criatura que necessita de células vivas para manter a sua antinatural longevidade. O jovem filho do casal é avisado pelo fantasma da filha do monstro, que quem se torna amigo, mas na clássica tradição dos filmes de terror todos os avisos são ignorados para terminar em paroxismos sangrentos.

Sem ser uma obra prima, The House By The Cemetery é um filme que mistura com mestria os elementos estilísticos do cinema de terror gore/slasher, reminiscente de outros filmes do género como The Shining (uma criança presciente dos horrores que se aproximam) ou Friday the 13th (facas de lâmina brilhante e suas feridas resultantes). O filme esteve disponível por alguns dias no Internet Archive.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

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Gasping - dying - but somehow still alive
This is the final stand of all I am

Sexta...

... final da semana. O dia inicia-se na EB1, onde vou prestar apoio informático. Não é uma obrigação - as EB1s estão sob alçada municipal e há um técnico de informática que as visita regularmente, mas como coordenador tic de um agrupamento quero fazer sentir a minha presença junto das outras escolas, para lá da sede de agrupamento. Não vou lá arranjar computadores, não posso nem devo pela questão da divisão de competências, mas vou ajudar presencialmente para responder a questões e instalar aplicações de utilidade pedagógica que normalmente escapam ao radar dos técnicos de informática - jogos educativos, multimédia, aplicações gráficas e o open office 3, uma vez que até outubro a escola estava a funcionar com o open office 1. O plano era instalar um conjunto de aplicações nas quinze máquinas da sala de informática, mas como é normal mal consegui passar das cinco. Não por lentidão mas porque surgem sempre outros pedidos e pequenos problemas a resolver. Também instalei o pacote pedagógico (GCompris, Sebran, VLC, Inkscape, Gimp, OpenOffice 3, Childsplay, TuxPaint, SuperTuxCart, SuperTux, TORCS e ArtRage) em pcs "novos" doados por encarregados de educação. Uma delícia, instalar aplicações em pcs pentium a correr o Windows 2000. Dá para colocar leituras em dia. Mas a coisa está nos eixos: ao chegar à EB1, fui saudado por uma professora que, entusiasmada, me relatou que instalou algumas das aplicações que deixei nos pcs da escola noutros computadores. Para quem está de fora pode parecer um pormenor pouco significativo, mas uma grande maioria dos professores sofre de um grande temor face à tecnologia. É recompensador ver os medos a desaparecer.

Tenho uma posição ambivalente no que respeita à doação de computadores para as escolas. Por um lado, é uma boa forma de equipar as escolas e representa um sinal muito positivo de envolvimento da comunidade (encarregados de educação e empresas) na escola que é de aplaudir. Por outro, representa uma forte dor de cabeça a muito curto prazo, pois são máquinas antigas e desactualizadas que correm com dificuldade aplicações mais recentes, com maior risco de falha de hardware a curto prazo. Como gestor de um parque informático envelhecido, conheço bem as chatices que máquinas com muitos anos de uso dão. Pessoalmente, prefiro esperar, embora sentado, pela chuva de máquinas prometida pelo Plano Tecnológico. Como este é um ano de eleições, algo me diz que muito em breve as escolas começarão a receber novos equipamentos. Mas longe de mim desdenhar as máquinas doadas, por respeito aos doadores e consciência de que são uma forma de dar mais oportunidades de uso das TI às crianças. No caso da EB1, gosto particularmente do facto destas máquinas terem sido colocadas em locais de acesso directo pelas crianças.

Regressar à sede de agrupamento para a hora de tutoria. Atrasei-me porque o projector da sala TIC teimava em não desligar. Compreende-se: sobreaqueceu, devido à acumulação de pó no filtro. Problema resolvido, como muitos espirros. O aluno da tutoria tem um trabalho de pesquisa para realizar, que para grande surpresa minha realizou com colegas. Pelos vistos funciona, a minha estratégia suavizadora de socialização de uma criança com predisposição para descontrole que, percebi quando o meu trabalho deixou o âmbito de direcção de turma e se tornou de acompanhamento, é uma criança isolada e sem amigos da mesma idade. O meu trabalho não tem passado tanto por tarefas específicas, optei por falar e ouvir. Por vezes nós, professores, sofremos com a cegueira das aprendizagens medíveis por desempenhos. Mas será isso o que é realmente importante na formação de um ser humano?

Leve irritação com os alunos que frequentam o espaço dos computadores. Optei por permitir a utilização de jogos de computador (uma excelente forma de me manter actualizado) mas o gosto tornou-se febre, com alguns miudos a fazer fila à porta da sala e discussões sobre quem deve estar ou não nos computadores. Dava menos chatice proibir os jogos, mas há chatices que gosto de ter. Expliquei-lhes que jogar, ali, era um privilégio e não um direito, e que para o manterem tinham de cumprir as regras impostas. Senão... adeus jogos. Às vezes é preciso ser-se autoritário. Durante breves momentos libertei o engenheiro sócrates que há em mim.

Regressado do almoço, boas notícias: chegou um pacote da atinformática. Devem ter dado pelo erro crasso da pen de reposição do sistema operativo do magalhães que me enviaram novinha em folha, pronta a estrear e sem qualquer bit de sistema operativo. Não me enganei: nova pen, com os quatro virgula qualquer coisa gigas de reposição do magalhães. Fiquei contente. Não só tenho a reposição disponível, como poupei trinta longos minutos de chamada em espera para a linha de apoio.

A ultima aula promete ser um desastre. Esqueci-me de reservar portáteis e a sala TIC está ocupada. O que é que eu faço com a minha pior turma numa aula que é a última de sexta-feira num dia chuvoso (dias que qualquer professor sabe que não são fáceis)? Fui, literalmente, salvo pelo gongo. A dois minutos da aula começar noto que os portáteis requisitados pelos outros professores estavam a ser devolvidos.

À semelhança da outra turma, o trabalho a desenvolver é um video. Um dos grupos já tem o texto de pesquisa alinhavado e está com vontade de gravar a voz. Os restantes afinavam os textos e pesquisavam videos no YouTube (esta é daquelas que faço mesmo por pirraça, para mostrar que as visões convencionais sobre os perigos de certos sites, exacerbadas pelo jornalismo-choque das televisões, são infundadas). Um portátil, um microfone, o audacity e alguns pedidos estratégicos de silêncio (bem... berros, mas berros simpáticos e bem humorados). Sentei-me com o grupo e gravei com eles os primeiros clips de voz. Ao fim de três, levantei-me e disse-lhes para se desenrascarem com o resto da gravação. Afastei-me e fiquei a vê-los a manipular o audacity e a gravarem voz com todo o cuidado, exportando os ficheiros para wav. Nada mau. Em meia hora aprenderam a manipular a voz, a gravar audio no computador e a manipular os gráficos da onda sonora. Quando a aula terminou não queriam arrumar porque faltava gravar mais um clip de voz.

Quatro e vinte. A escola esvazia-se e silencia-se. Altura de ir tratar da actualização do site da escola. Quatro textos a compor, um dos quais me vai meter em sarilhos: o anuncio que a reposição do magalhães já está disponível. Estou a imaginar filas à porta da escola... avisei que a reposição é um ultimo recurso e que não nos reponsabilizamos por perda de dados (porque "reposição" é um nome pomposo para "reformatação"). Como não planeio tornar-me técnico pro bono ao serviço da JP Sá Couto, avisei também que a iniciativa se restringe à reposição, não envolve problemas com virus ou outras dores de cabeça digitais. Estou a cumprir uma das imposições da CRIE/ERTE sobre os coordenadores tic, a que muitos se recusam, e com razão. Mas não consigo deixar de pensar em servir a comunidade onde trabalho. (Hmm. Isto tem um som pomposo. Ignorem.)

Para não variar, a hora de saída da escola ultrapassou largamente a hora prevista no horário. Quando saio, a escuridão paira sobre a vila. Chove. Não há iluminação pública. Por razões que a minha própria razão desconhece, fujo à monotonia da A21 e regresso à Ericeira pela estrada nacional. Longa viagem pela escuridão da estrada, num silêncio entrecortado pelo ruído do motor e da chuva a bater nos vidros do carro. O auto-rádio fritou os fusiveis à umas semanas...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Um dia normal

Terminei o dia com uma inexprimível sensação de paranóia. A manhã começou tranquila com a primeira turma a trabalhar geometria e cor. Como já aprenderam a geometria elementar no ano anterior, estou a trabalhar aquilo que chamo de "geometria divertida" (um paradoxo, eu sei, tal como qualquer outro sobrevivente de geometria descritiva sabe). É um retrocesso programático - repescam-se variações estilísticas das construções geométricas muito em voga nos anos 50, 60 ou mesmo 20 e 30... do século passado. E funciona. Retira-se o estigma matemático da geometria com exercícios que obrigam os alunos a utilizar o que sabem para construir figuras decorativas rigorosas com aplicação imediata de cor. A segunda turma, daquelas que só se atura com muito bom humor e doses massivas de café, também aderiu bem a este trabalho. Manhã totalmente não digital, com interrupções para criar tutoriais de geometria no Corel Draw.

Seguiu-se o clube digital, que trabalha na sala TIC, que por vezes está tão caótica que quase tenho medo de lá entrar. Mas graças ao esforço da professora de tic, estava em excelentes condições, tirando os dois pcs com a fonte de alimentação estoirada e irreparável porque já não existem no mercado, os cabos de rede em falta e os ratos em vias de extinção. E os discos apinhados de bytes. Mesmo assim consegui com os alunos instalar o VideoSpin em quase todos os pcs da sala. Nota mental: aproveitar o carnaval ou a páscoa para uma limpeza profunda à sala TIC. Reformatar a coisa seria um bom princípio, mas se a coisa correr mal pode ir tudo ao ar. Vou optar pela eliminação de contas de utilizador, até porque a maior parte delas já data de há três ou quatro anos atrás. Isto numa estimativa conservadora. Não me surpreenderá encontrar documentos datados dos anos 90.

A tutoria prometia ser complicada. Esqueci-me da minha fiel pendrive algures numa sala também utilizada por alunos dos CEFs, ou seja, caso perdido. Nem vale a pena chatear-me. Nada de dados confidenciais perdidos, só a chatice de ter de voltar a coligir toda a gama de aplicações que instalo regularmente nos portáteis. O único dano está nos trabalhos do aluno de tutoria... só não se perderam os que estão dispersos por vários portáteis. E pior: perderam-se os savegames do jogo favorito do rapaz, que andava entretido a construir montanhas russas. Coisa chata, daquelas de ficar possesso. Eu ficaria. Mas ao contrário das expectativas, o aluno reagiu com um estóico pronto, agora vou ter de repetir os trabalhos. Nada mau para uma criança conhecida por ter acessos de extrema violência quando as coisas não lhe correm bem.

Sem necessidade de actualizar o site. Bem, há uns projectos ainda em beta relacionados com o e-escolas/magalhães que havia de afinar, mas estava sem paciência. Ainda estão em beta. Para inventar trabalho, andei às voltas com códigos de shoutbox para o site da associação de pais da EB 23. Não foi uma ideia brilhante, concluí depois de descobrir que o Google Sites recusa códigos html/java externos. Adoro meter-me em buracos... mas há de haver solução.

Por isto terminei o dia com uma sensação de paranóia. Não houve avarias. Dei aulas tranquilamente. Os SOS digitais resumiram-se a dicas simples sobre o Windows XP. A máquina de café deu-me sempre troco. O aluno de tutoria estava calmo, simpático e conversador. Não houve avarias. Sem stress. Um dia de trabalho demasiado... normal. Que estranho.

Geometrias



Demasiado preguiçoso para guardar as imagens como pngs transparentes. O slideshare não é fã das transparências do powerpoint.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

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O computador para todos como resposta a graves problemas sociais... um white man's burden em tom tongue in cheek saindo do blog do OLPC.

Mais um...

... dia na vida de Coordenador TIC (e também de vez em quando apenas professor).

Oito e meia. O dia prevê-se curto. O horário termina nominalmente por volta do meio dia e à tarde não estão previstas reuniões, por isso planeio esquecer a coordenação por hoje. Não faz parte do horário. De qualquer forma, o melhor é escapulir-me, senão algo avaria ou precisa de intervenção imediata.

Primeira aula: a expressão plástica digital dada a um grupo de alunos com fortes necessidades educativas especiais. Infelizmente esqueci-me de reservar computadores, o que significa que fico com duas máquinas para seis alunos. Vá lá que nominalmente alguns são do sétimo ano e costumam trazer os portáteis adquiridos no programa e-escolas. Já ajuda. Trabalho: realizar uma pintura digital em ArtRage. Findo o trabalho podem jogar (desde que sejam os jogos gratuitos, open-source e não violentos que instalei nos computadores da escola). É a estratégia possível para trabalhar um grupo de alunos altamente disruptivos. Um dos maiores sucessos passou-se com uma das alunas, com trissomia 21, que anda feliz porque já consegue jogar um dos jogos dos outros miudos "normais" - o Super Tux, clone open-source do clássico Super Mário. Parece prosaico, mas trata-se de uma criança cuja motricidade fina é muito reduzida, como dolorosamente comprovei com as arranhadelas e cortes com que fiquei sempre que a pus a trabalhar com tesouras.

Dez e vinte, segunda aula do dia. Área de Projecto, na sala TIC. O objectivo é ambicioso - o trabalho proposto à turma é um trabalho de pesquisa cujo resultado final não é um texto impresso ou um powerpoint, mas sim um video, implicando organização de ideias, tratamento de audio e edição de video, possível graças ao YouTube (que serve para algo mais do que ver videos sobre patifarias nas salas de aula) e ao precioso keepvid (que descobri graças a um aluno). Acabo por passar boa parte da aula a organizar os computadores da sala. Ver a quais é que desapareceu o cabo de rede. Arrumar os computadores para evitar maus contactos nos cabos. Trocar ratos porque as portas ps/2 começam a estar danificadas de tanto safanão que levam. Retirar as colunas porque têm uma ligação manhosa à corrente que já fritou algumas fontes de alimentação. Trabalho ingrato, porque já sei que mal haja uma aula de substituição na sala TIC aquilo fica tudo novamente desarrumado, com material desmontado e danificado. Percalços à parte, a coisa correu bem. Todos os grupos de trabalho conseguiram enviar para o email a tarefa da aula.

Meio dia. Hora de me escapulir, antes que alguém note. Mas antes, ver o site da escola, actualizar informações e verificar o problema com a inscrição de alguns alunos. Já que estou com a mão na massa, verificar lista de utilizadores em busca de fantasmas ou ex-alunos e ex-profesores. Um dos meus alunos pede ajuda para um trabalho que deseja apresentar em Formação Cívica. É o tipo de trabalho que há dez anos seria feito num cartaz com desenhos e há dois num cartaz com imagens recortadas impressas após pesquisa na net. O aluno quer fazer o trabalho em video. Só pode ser meu aluno...

Duas e meia. Espera lá, eu não era para me escapulir ao meio dia, no término do horário de trabalho para as quartas-feiras?

Não sou...

professor de informática. Não, a sério, não sou. Mesmo. É verdade, não sou professor de informática. Repito: não sou professor de informática, não sou professor de informática, não sou professor de informática.

Sou professor de educação visual e tecnológica. Para mim, as ferramentas digitais são apenas mais um meio de expressão ao dispor do artista e dos alunos.

Por favor não me confundam.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Mais um dia...

... na vida de um coordenador TIC

Oito e meia: manhãzite aguda na primeira aula. Começa atrasada porque foi preciso preparar a sala de informática para uma apresentação da GNR/Escola segura. Aula analógica, de régua e esquadro em punho a brincar com variações geométricas sobre a divisão da circunferência em seis partes iguais.

Dez horas: intervalo. Verificação rápida ao mail e juntar-me ao grupo de pessoas que se concentra nestas horas pelas imediações da escola, de cigarro em punho.

Dez e meia: hora (e meia) de tutoria. Aluno a trabalhar no inkscape, que mal deu para acompanhar, graças a interrupções devidas a variados problemas técnicos. É bom que o PTE se despache, o material informático está em desagregação acelarada.

Meio dia: alunos do clube digital dispensados devido à ocupação da sala TIC. Boas notícias: a pen de reposição do sistema operativo e aplicações do Magalhães já chegou. Já posso informar a comunidade escolar que a reposição do SO está disponível. Já me surgiram pedidos. Fiquei surpreendido pela celeridade - solicitei-a na sexta-feira passada a uma empresa sub-sub-subcontratada pela JP Sá Couto para apoio técnico. Dentro de uma embalagem protegida, vinham as instruções para repor o sistema operativo e uma pendrive de 8Gb. Estranhamente, a pen está guardada dentro de um invólucro perfeitamente selado. Até parece que nunca foi utilizada. Sendo a reposição de disco do Magalhães, não é boa ideia manter apenas uma pen com todos os dados. Colocar a pen no meu computador para fazer backups locais e para o servidor. Mas... estranhamente, a pen parece estar vazia. Aliás, está mesmo vazia. 0 bytes de dados. Parece que a empresa de apoio técnico decidiu oferecer-me uma pendrive de 8 gigas. Só falta a imagem de disco do Magalhães. Um pequeno pormenor.

Duas da tarde: avaliação de equipamento pedagógico digital. Bolas que os quadros interactivos são caros. Mesmo com preços especiais para educação.

Três da tarde: mais uma aula, com a minha turma mais agitada, que a esta hora só pensa em ir para casa. A produtividade nestas horas geralmente é baixa. Investir em tarefas rotineiras. Desenho geométrico, pintura. Novas aprendizagens ficam para horas mais produtivas. Para aprender é preciso ter a cabeça no lugar.

Quatro e vinte: terminou o dia? A escola começa a esvaziar-se. Aproveitar para actualizar o site da escola. Nada de muito profundo, mas destacando uma simpática iniciativa da junta de freguesia do Milharado de organizar um ciclo de debates/divulgação de temas educativos a horas acessíveis a todos.

Já são seis horas? Afinal mexer no site e verificar os cartões dos alunos demorou mais do que eu pensava.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

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Mar de tempestade. Bom tempo para ler peças de Shakespeare. The Tempest, particularmente.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Leituras

BLDBLG | Planet Harddrive O BLDBLG surpreende novamente com esta ideia fugaz: tornar o planeta num gigante disco rígido geológico, onde retro-escavadoras fariam as vezes das cabeças de leitura/escrita, arquivando a consciência colectiva da humanidade na rocha planetária. Dos terabytes aos... "terrabytes".

Grantbridge Street | Ghost World Um dos mais intrigantes blogs de comics republica mais uma curta do precioso Ghost World, escrito e ilustrado por Daniel Clowes.

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Curva da estrada, Freixial em direcção a Aldeia Galega.

sábado, 24 de janeiro de 2009

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Para comemorar os 25 anos do Mac, um olhar para o eterno rival: o Windows em 1983.

Leituras

International Herald Tribune | What's free and printed and has blogs all over? Anos atrás, a moda era transformar blogs em livros. Começaram a surgir nos escaparates livros que encadernavam postagens coligidas. Felizmente passou. Agora, uma empresa de Chicago lançou um novo conceito: criar um jornal gratuito com conteúdo totalmente constituído por postagens de blogs. Isso mesmo. A leitura no espaço virtual da internet a extravasar para o espaço real. Não deixa de ser um conceito interessante.

Slashdot | A Teacher Asking Students To Destroy Notes Os utilizadores do Slashdot desenterram estra curiosa história que reflecte bem a problemática contemporânea sobre a propriedade intelectual. Aparentemente, uma professora exigiu aos seus alunos que lhe entregassem os apontamentos feitos na aula, considerando que estes violavam a sua propriedade intelectual. A ser verdade, este caso levanta fortes questões sobre o papel do professor face à propriedade intelectual. Será legítimo proteger com direitos de autoro conteúdo de uma aula, a essência da transmissão de saber? E quanto aos materiais elaborados pelos professores (normalmente liberto os meus no Scribd/Slideshare com algumas restrições)? Até que ponto é que será legítimo para um professor recorrer à propriedade intelectual quando grande parte do que transmite se baseia em conhecimento produzido por outros? E quantos professores não estarão, conscientemente ou não, a violar leis de propriedade intelectual ao utilizar com os seus alunos recursos bibliográficos, multimédia, audio e video?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Movimento


Um dia na vida de um coordenador TIC:

7 da manhã: Abrir os olhos. Ligar o computador. Acordar.

9 da manhã: Chegar à escola do primeiro ciclo. Plano de trabalhos: verificar antivírus, instalar OpenOffice 3 e software gráfico e didáctico open source. Conversa rápida com os professores indica mais trabalho pela frente. Mas mal passa do primeiro computador porque...

10 da manhã: regresso urgente à sede de agrupamento de cigarro numa mão e volante na outra. Rede em baixo, impossibilitando aquisição de senhas de refeição, gestão de refeitório e papelaria. Diagnóstico em ritmo acelarado: parte da rede da escola funciona perfeitamente (não é problema do servidor), rede sem fios também (não é o router e os switchs principais), computadores a andar. Só não há sinal de rede. Procurar causas físicas, cabos desligados ou outras avarias. Switch da zona com mau contacto na fonte de alimentação. Voltar a ligar e contemplar a beleza dos IPs dinâmicos a fazer o trabalho todo.

11 da manhã: actualizar o site da escola. Ooops... o moodle não se adapta ao Chrome. Enfim, o IE sempre há de servir para algo mais do que ocupar espaço no disco.

Meio dia: momento pedagógico, hora da tutoria. Trabalhar a integração social de um aluno problemático. Portou-se bem ao longo da semana, controlou as emoções e os impulsos violentos. Merece recompensa.

Uma da tarde: não seria má ideia ir almoçar. Planear mentalmente actualizações ao site da escola.

Duas da tarde: ligar à JP SáCouto para solicitar o envio da famosa pen de reposição do magalhães. Passar trinta minutos a ouvir a mensagem "a sua chamada será atendida dentro de cinco minutos". Quando finalmente fui atendido quase me esqueci do que tinha para dizer.

Três da tarde: quase me esquecia.... tenho de ir dar uma aula. Pegar nos portáteis e ir para a sala de aula. Actividade pensada: pesquisa de vídeos para o trabalho de edição vídeo. Problemas de acesso à web. Bizarramente, a conta de alunos dos portáteis liga a todas as redes sem fios menos à da escola. Muda-se para administrador... e fica tudo bem. Bolas, que o preguiçoso do coordenador tic ainda não deu conta disto.

Cinco da tarde: a escola começa a esvaziar-se. Tempo para um cigarro e um capuccino. Bolas, a máquina de café não deu troco. Pela enésima vez. Enquanto a escola se vai silenciando, tempo para actualizar profundamente o site da escola, contactar empresas de material informático e pesquisar software educativo. E já que estou nisso, pesquisar outros CMS, que o moodle dá muitas dores de cabeça.

Seis e meia. Cai a noite e as funcionárias começam a dar sinais subtis que talvez esteja na hora de sair... sob pena de ficar fechado na escola.

Sete e meia: chegar a casa, acordar o computador. Hora de navegação pessoal. Ler os feeds do GReader. Ver o mail. Dar um pulinho ao site da escola. Grande erro: passa-se alguma coisa com o moodle. E quando é que não se passa alguma coisa com o moodle? Erro na disciplina. Utilizadores fantasma. Permissões que se metamorfoseiam sem qualquer intervenção humana. Ou seja, dores de cabeça.

Dez da noite. Jantar parece ser boa ideia. Já que estou ligado porque não terminar aquele recurso para o moodle? A ministra não me paga para isto. Mas já que estou aqui...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

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Dia cinzento.

Primeiro Parágrafo

The Shockwave Rider

The man in the bare steel chair was as naked as the room's white walls. They had shaved his head and body completely; only his eyelashes remained. Tiny adhesive pads held sensors in position at a dozen places on his scalp, on his temples close to the corners of his eyes, at each side of his mouth, on his throat, over his heart and over his solar plexus and at every major ganglion down to his ankles.

The Crucible of Time

Now the sun was down, the barq was growing tired. The current opposing her was swift, and there was a real risk she might be driven against the rocks that beset the channel and puncture her gas-bladders. After countless attempts to sting her into more vigorous activity, the steersman laid by his goad and grumpily tipped into her maw the last barrelful of the fermented fish and seaweed which served to nourish boat, crew and passengers alike. Waiting for the belch that would signal its digestion, he noticed Jing watching from her saddle of lashed planks, as anxious as though his weather-sense were predicting storms, and laughed.

A Stand on Zanzibar

Stock cue SOUND: "Presenting SCANALYZER, Engrelay Satelserv's unique thrice-per-day study of the big big Scene, the INdepth INdependent INmediate INterface between you and your world!"
Stock cue VISUAL: cliptage, splitscreen, cut in bridge-melder, Mr. & Mrs. Everywhere depthunder (today MAMP, Mid-Atlantic Mining Project), spaceover (today freefly-suiting), transiting (today Simplon Acceleratube), digging (today as every day homimage with autoshout).
Autoshout cue: "It's happening it's happening! SCANALYZER SCANALYZER SCANALYZER SCANALYZER SCANALYZER SCANALYZER - "
Stock cue VISUAL: cliptage, wholescreen, planet Earth turning jerk-jerk-jerk and holding meridians for GMT, EST, PCT, Pacific Conflict Zone Time.
Live cue SOUND: "And it's six poppa-momma for the happening people keeping it straight and steady on that old Greenwich Mean Time - how mean can time get, you tell me, hm? Zee for zero, bee for base, counting down to one after ess ee eks - sorree - ess EYE eks! We know what's happening happening HAPPENING but that piece of the big big scene is strictly up to you, Mr. and Mrs. Everywhere - or Mr. and Miss, or Miss and Miss, or Mister and Mister, take your pick, hah-hah! Counting down to one after one poppa - momma for that good old Eastern Standard tie-yum, one after ten anti-matter for the Pacific Coast, and for all of you fighting the good fight in lonely midocean one after seven anti-matter - PIPS!"
Clock cue: 5Xl-sec. countdown pips on G in alt, minute signal on C in alt.
Plug cue: "No time like the present for things to happen in, no better way to keep time straight and steady than by the signal from General Technics' critonium clock, so accuright it serves to judge the stars."
Script cue VISUAL: cliptage, splitscreen, excerpts from day's news.
Live cue SOUND: "And no better way to keep abreast - pardon - than with SCANALYZER!"
Cut autoshout cue. (If they haven't made it by this time they've switched off.)
Plug cue: "SCANALYZER is the one single, the ONLY study of the news in depth that's processed by General Technics' famed computer Shalmaneser., who sees all, hears all, knows all save only that which YOU, Mr, and Mrs. Everywhere, wish to keep to yourselves."
Script cue: the happening world.

John Brunner

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

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Toscânia pessoal. Vinhedos entre o Freixial do Meio e Aldeia Galega, Mercena. Quando era pequeno anda de bicicleta por esta estrada fora, na altura ainda um caminho rural em macadame. Belos verões de infância...

Primeiro Parágrafo

A Fire Upon The Deep

How to explain? How to describe? Even the omniscient viewpoint quails. A singleton star, reddish and dim. A ragtag of asteroids, and a single planet, more like a moon. In this era the star hung near the galactic plane, just beyond the Beyond. The structures on the surface were gone from normal view, pulverized into regolith across a span of aeons. The treasure was far underground, beneath a network of passages, in a single room filled with black. Information at the quantum density, undamaged. Maybe five billion years had passed since the archive was lost to the nets.

Rainbow's End

The first bit of dumb luck came disguised as a public embarrassment for the European Center for Defense Against Disease. On July 23, schoolchildren in Algiers claimed that a respiratory epidemic was spreading across the Mediterranean. The claim was based on clever analysis of antibody data from the mass-transit systems of Algiers and Naples.

Across Realtime

One hundred kilometers below and nearly two hundred away, the shore of the Beaufort Sea didn't look much like the common image of the arctic:
Summer was far advanced in the Northern Hemisphere, and a pale green spread across the land, shading here and there to the darker tones of grass. Life
had a tenacious hold, leaving only an occasional peninsula or mountain range gray and bone.

Vernor Vinge

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Primeiro Parágrafo

Someone comes to town someone leaves town

Alan sanded the house on Wales Avenue. It took six months, and the whole time it was the smell of the sawdust, ancient and sweet, and the reek of chemical stripper and the damp smell of rusting steel wool.

Down and Out in the Magic Kingdom

I lived long enough to see the cure for death; to see the rise of the Bitchun Society, to learn ten languages; to compose three symphonies; to realize my boyhood dream of taking up residence in Disney World; to see the death of the workplace and of work.

Eastern Standard Tribe

I once had a Tai Chi instructor who explained the difference between Chinese and Western medicine thus: "Western medicine is based on corpses, things that you discover by cutting up dead bodies and pulling them apart. Chinese medicine is based on living flesh, things observed from vital, moving humans."

Cory Doctorow

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Memória



Quando eu era menino a minha avó disse-me que um dia iria crescer, deixaria de ir à aldeia passar temporadas com ela e a iria esquecer. Disse-lhe que não, que nunca iria deixar de gostar de ir ter com ela à aldeia, onde podia brincar livremente por entre as videiras. Ouvi essas palavras numa quente manhã de agosto, há mais de vinte anos, no quartinho cuja janela dava para o laranjal.

Entretanto, a vida aconteceu. Por questões de família, deixei de visitar os meus avós na aldeia no vale rodeado de vinhedos. E fui, segui, vivi e trilhei os meus caminhos. Passaram anos. Quanto às palavras, quase as esqueci. Só hoje regressei, para dizer adeus. Sic transit mundi.

(Adelaide Gaio, 1918-2009. Requiem aeternam dona eis.)

domingo, 18 de janeiro de 2009

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Arquitectura vernacular com retoques high tech.

Usabilidades



Para os fãs do Gimp que estão a planear actualizar para a versão mais recente, um conselho: não o façam. Fiquei fã incondicional do Gimp com a versão 2.6 e larguei o Photoshop. Estou até a planificar umas evangelizações de uso do Gimp como ferramenta pedagógica. Infelizmente, a última versão do Gimp, a 2.6.4, vem com um incrível erro de usabilidade: não é possível minimizar barras de ferramentas, o que é complicado numa aplicação em que as barras de ferramentas são independentes da janela de trabalho.

e-Cursos




O trabalhinho que isto deu... e ainda está a dar, para ficar com as arestas limadas. Apesar da resolução de 320x240, o flash é navegável. Um destes dias arranjo um hosting e ponho a coisa online a 100%. Por enquanto fica inacessível na plataforma proprietária Formare da PT. Mais um desafiante trabalho de mestrado.

sábado, 17 de janeiro de 2009

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Apenas uma sensação de alívio... e essencialmente sono. Hora de arrancar para reparações. Regressamos em breve.

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Um novo recorde pessoal. Dezoito horas online, agarrado ao computador a trabalhar. Aproxima-se do irreal.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Realidade Virtual



Howard Rheingold (1997). Realidade Virtual. Lisboa: Vega

Howard Rheingold

A eterna promessa da realidade virtual, de criação de mundos digitais que se tornem mais reais do que o real, seduzindo-nos e hipnotizando-nos com visões de fantasia feérica, ainda está por cumprir. Apesar dos esforços dos cientistas e tecnólogos, a tecnologia que nos permite interagir com os mundos virtuais ainda está aquem dos nossos sonhos. Preferimos o Second Life, ou as comunidades virtuais dos jogos multijogador massivos. Aí, o interface com a virtualidade processa-se através do ecrã do computador e não através dos avançados mas ainda rudimentares interfaces de rV. Mas a promessa, ou antes, o fascínio, está lá. Atingir o realismo virtual é uma questão de tempo.

Esta obra de Horward Rheingold, teorizador das multidões inteligentes, é literalmente um périplo à volta do planeta, saltando entre laboratórios de alta tecnologia japoneses, centros de pesquisa franceses, empresas de entretenimento britânicas, e centros de pesquisa e empresas de alta tecnologia americana. Traça um minucioso panorama do desenvolvimento das tecnologias de realidade virtual, envolvendo as teorizações aplicadas do MIT Media Lab, a realidade virtual visual de Jaron Lanier, as visões electromencânicas dos anos 50 cristalizadas no sensorama de Morton Heilig, os programas de pesquisa dos laboratórios nipónicos da Fujitsu e do MITI, a genialidade mecânica da animatrónica da Spitting Image e os avanços franceses na representação táctil do sentido virtual.

A realidade virtual parece estar já ali à esquina. O volume de pesquisas e tecnologias desenvolvidos é massivo, embora não esteja ainda massificado. No entanto, Rheingold também traça um panorama das avançadas tecnologias que estão nos bastidores da RV - os desenvolvimentos em redes neuronais e computação avançada, a prostética mecânica, a simualação de sistemas complexos, a telepresença, teleoperação e robótica semi-autónoma, onde os conceitos e tecnologias que são desenvolvidos através das pesquisas sobre realidade virtual encontram importantes nichos de aplicação.

Realidade Virtual é uma obra de fôlego, um mapa detalhado do estado da arte da realidade virtual em meados dos anos 90. Uma leitura que aprofunda vislumbres sobre os ínvios caminhos da tecnologia.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

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Got the blues.

Primeiro Parágrafo

Pattern Recognition

Five hours' New York jet lag and Cayce Pollard wakes in Camden Town to the dire and ever-circling wolves of disrupted circadian rhythm.

Neuromancer
The sky above the port was the color of television, tuned to a dead channel.

All Tmorrow's Parties
THROUGH this evenings tide of faces unregistered, unrecognized, amid hurrying black shoes, furled umbrellas, the crowd descending like a single organism into the stations airless heart, comes Shinya Yamazaki, his notebook clasped beneath his arm like the egg case of some modest but moderately successful marine species.

Virtual Light
The courier presses his forehead against layers of glass, argon, high-impact plastic. He watches a gunship traverse the city's middle distance like a hunting wasp, death slung beneath its thorax in a smooth black pod.

Idoru
After Slitscan, Laney heard about another job from Rydell, the night
security man at the Chateau. Rydell was a big quiet Tennessean with a sad
shy grin, cheap sunglasses, and a walkie-talkie screwed permanently into one
ear.

William Gibson

domingo, 11 de janeiro de 2009

Cuidado com a Matemática



... e as Ciências. Nunca se sabe que maldades as partículas elementares são capazes de confabular. Das aventuras de Jack B. Quick, deliciosas paródias científicas escritas fabulosamente por Alan Moore.

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Tilt-shift: transformar uma foto real numa foto que aparenta ter sido tirada a modelos de escala minúscula. Podem ver como se faz (para Gimp) no Gimpology ou podem experimentar na web app Tilt Shift Maker. É só fazer upload da foto e ajustar os resultados.

Primeiro Parágrafo

Islands in the Net
The sea lay in simmering quiet, a slate-green gumbo seasoned with warm mud. Shrimp boats trawled the horizon. Pilings rose in clusters, like blackened fingers, yards out in the gentle surf. Once, Galveston beach homes had crouched on those tar-stained stilts. Now barnacles clustered there, gulls wheeled and screeched. It was a great breeder of hurricanes, this quiet Gulf of Mexico.

Heavy Weather
Smart machines lurked about the suite, their power lights in the shuttered dimness like the small red eyes of bats. The machines crouched in inches in white walls of Mexican stucco: an ionizer, a television, a smoke alarm, a squad of motion sensors. A vaporizer hissed and bubbled gently in the corner, emitting a potent reek of oil, ginseng, and eucalyptus.

Crystal Express
"I will miss your conversation during the rest of the voyage," the alien said.
Captain-Doctor Simon Afriel folded his jeweled hands over his gold-embroidered waistcoat. "I regret it also, ensign," he said in the alien's own hissing language. "Our talks together have been very useful to me. I would have paid to learn so much, but you gave it freely."

Taklamakan
A bone-dry frozen wind tore at the earth outside, its lethal howling cut to a muffled moan. Katrinko and Spider Pete were camped deep in a crevice in the rock, wrapped in furry darkness. Pete could hear Katrinko breathing, with a light rattle of chattering teeth. The neuter's yeasty armpits smelled like nutmeg.

Obras de Bruce Sterling.

sábado, 10 de janeiro de 2009

DTIC



Uma a menos. No caso, exame presencial de Didáctica das TIC, seguida da apresentação de trabalho de grupo que, ao invés do já tradicional powerpoint, optámos por apresentar em video. O tema era o SAFEM-D, sistema pedagógico de aprendizagem electrónica desenvolvido em Portugal pela DLC e envolve ideias sobre sociedade do conhecimento e e-aprendizagem. Como é o último trabalho do meu grupo de trabalho de mestrado... o video termina com os Doors a cantar The End. Agora já só resta, neste intenso final de ano e meio, construir um e-curso na Formare, a plataforma de e-Learning da PT, e acabar a proposta de tese, às voltas com arte, informática e ensino.

Mas por agora, descanso. E como me avisaram que Hergé fez hoje anos, ir ler banda desenhada parece-me uma boa forma de relaxar.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

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Em vez de estudar para o exame de amanhã estou a brincar com o DAZ Studio e o Bryce. Professores... são piores do que os maus alunos.

Nota-se que está fresquinho..

... quando de manhã o carro não pega porque o gasóleo congelou.
... o volante gela as mãos.
... os campos da Malveira e da Venda do Pinheiro estão brancos com geada.
... os automóveis na Venda estão cobertos por uma camada fina de gelo.
... não está calor ao pé do servidor.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

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Rabisco.

Sony Vaio P



Cai perfeitamente na definição de olha que bela prenda de natal (se bem que o natal já passou). O Vaio P não é bem um netbook, não é bem um PDA e não é bem um portátil. É mais pequeno do que os netbooks, corre vista a 2Ghz de RAM e vem com SSDs a 64 ou 128 Gb. Tem o típico ecrã de alta qualidade dos vaios, conectividade WiFi e 3G, e um belo bónus: um sistema de arranque rápido para acesso a imagens, multimédia e web, com opção para arranque completo do vista. Com disco SSD, a bateria deve durar valentes parede de hotas. Os preços variam entre os 900 e os 1500$, o que o coloca definitivamente fora da categoria dos netbooks e dentro da categoria vai sonhando, vai...

Nos velhos tempos em que usava PDAs uma máquina destas era o meu sonho. A capacidade computacional e de arquivo de dados de um computador, no bolso, acessível ao toque de um dedo (na altura, estilete). Isto nos anos idos de 1999. Agora, os OLPC de 2ª geração, o iPhone, os tablets da Nokia e a correr Android, o fenómeno dos netbooks e as brincadeiras com Asus EEEs e o sistema operativo Android mostram uma convergência rápida de forma e tecnologia em direcção a uma computação cada vez mais portável. Mas no caso deste Vaio Pocket, a estimar os 900€, dispenso. Faz o sobreestimado iPhone parecer baratucho. Até à famosa convergência, vou-me aguentando com os meus fieis N80 e Vaio SZ71.

(nota: os vaio são o meu fetiche computacional. os macs do mundo windows...)

Graffiti Creator



Fazer graffiti na net, sem riscos? Utilizem o Graffiti Creator, uma aplicação flash que vos permite desenhar graffitis, escolhendo letras e combinações de cores.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

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perchance to sleep.

eEscolas

Uma interessante entrevista sobre e-Learning que mostra que na Coreia do Sul existem programas abrangentes de e-Learning que incluem todos os alunos do ensino básico, em actividades extra-curriculares. A responsabilidade é das câmaras e a dinamização de conteúdos feita pelos professores... com ressalvas.

"Interviewer – Robert Frederick
So, the teachers teach a regular day at the classroom then they log on and help their
students further – that’s making a pretty long day for the teachers, isn’t it?
Interviewee – Dennis Normile
Yes. That seems to be one of the issues. Korea’s teachers are very dedicated, but that is an issue. At the moment, many of them are getting minimal additional compensation for the additional work that factors into setting up and running this e-learning classroom."


Levanta uma importantíssima questão. Estamos também a investir cada vez mais no digital em apoio às aulas físicas... no fundo, a trabalhar mais, a horas pouco habituais, sem que se veja forma de compensar este trabalho. A entrevista, e links para leituras que são de certeza interessantes mas obrigam a abrir a carteira, na Science

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

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Está quase, está quase a chegar o fim do sufoco.

Auscultar

Apesar de andar francamente irritado com o PS, graças à figura autoritária do Sr. Presidente do Conselho de Ministros e sequazes, não posso deixar de saudar a iniciativa que o PS de Mafra teve de colocar online um site para recolher as opiniões, desejos e vontades dos cidadãos que vivem na zona de Mafra. É uma daquelas iniciativas que mantém viva alguma fé na política portuguesa, saber que grupos de cidadãos tentam, mesmo enquadrados em partidos, desenvolver iniciativas junto das populações. Escutar os cidadãos é o passo fundamental na política, digo eu na minha inocência.

É certo que o site é um pouco rudimentar. O domínio abre para um mapa de imagem, com ligações a blogs e fóruns de discussão que, se forem bem sucedidos, serão um pesadelo para administrar (se têm domínio próprio, podem experimentar um CMS gratuito, criando um site mais profissional que agregue tudo o que necessitam, principalmente, fóruns de discussão e contacto, pelo que percebi da iniciativa). Por outro lado, o amadorismo e aspecto rudimentar encantam, porque revelam vontade real de intervir.

Mesmo que estejam possessos com o PS, visitem o site As Pessoas Primeiro. Esperemos que não seja demagogia, mas um dos envolvidos parece ser um político sensato, o que dá credibilidade ao projecto.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

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The Brain



Chalabi, A., Turner, M., Delamont, R. (2008). The Brain. Oxford: Oneworld Publications.
Oneworld | The Brain

É o mais insubstituível dos nossos orgãos. É através dele que percepcionamos a realidade, que pensamos, sentimos, desejamos, decidimos. Sem nos apercebermos, controla os aspectos mais minuciosos do nosso corpo. É grande e pesado, consome cerca de trinta por cento da energia de que o ser humano necessita. É frágil, protegido por um duro capacete e um líquido protector, mas incrivelmente resiliente face a danos físicos. Os seus múltiplos sistemas, localizados em áreas profundamente interligadas, controlam a nossa visão, percepção, audição e os orgãos que nos mantém vivos e a respirar. O poder das interconexões neuronais é o que nos permite aprender e apreciar a rica diversidade do mundo.

A complexidade do cérebro humano é tornada simples neste acessível livro. Escrito por três neurologistas, tem uma estrutura muito clara que delineia as perspectivas, funções e principais teorias sobre o cérebro humano. Se o cérebro fosse tão simples que o conseguissemos compreender, nós seriamos demasiado simples para compreender qualquer coisa, mas este livro transforma o mais complexo dos orgãos humanos em noções de fácil compreensão.

domingo, 4 de janeiro de 2009

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Brincadeiras no Corel, para quebrar a monotonia da didáctica das tic.

Evolução

Salon | Is the Web helping us evolve?

No impacto, krach viriliano, das tecnologias na sociedade e na mente humana, há duas visões contrastantes. Sinal da nossa paixão pela dualidade. Uma, conservadora, olha com apreensão para as mudanças sociais e cognitivas que a tecnologia cria. Outra, tecno-apaixonada, fortemente mcluhanista, aponta as rápidas mutações como um sinal de caminhada a passos largos para o futuro e suspira por tecnologias cada vez mais avançadas que acelerem mais o rápido progresso.

Como tudo na vida, recorda-nos David Brin, cientista e autor de ficção científica, a verdade está algures no meio. A visão conservadora representa o lado mais recente dos eternos resmungos sobre a mudança, velhos como a humanidade, e a visão tecno-utopista o seu oposto, a abertura sem reservas sobre as possíveis consequências.

Nem aniquilados pelos novos media, nem ultra-multitarefas capazes de viver em fluxos de informação. Resta a visão de que estamos em evolução acelarada em direcção a um futuro... diferente do que imaginamos.

sábado, 3 de janeiro de 2009

O Erro de Descartes



Damásio, A. (2005). O Erro de Descartes. Mem Martins: Publicações Europa-América.
O Erro de Descartes (excerto)

A origem neurofisiológica das emoções que sentimos encontra-se no cérebro, no sistema límbico. Papez (1930) descreveu pela primeira vez o circuito das emoções no cérebro, num modelo em que as emoções tinham origem no hipocampo, sendo enviadas através do tálamo para a região interior do córtex, o que nos permite sentir as emoções. O sistema límbico envolve a amígdala, o hipocampo, o núcleo septal (tálamo), o lobo temporal e o córtex orbifrontal. Estes órgãos do cérebro são responsáveis pela reacção aos estímulos que nos permitem sentir medo, angústia, interacção social, empatia, amor, reacção de luta ou fuga (Chalabi et al, 2006).

Reagimos, muitas vezes sem de tal nos apercebermos, primeiramente com as emoções e depois com o pensamento racional. Muitas reacções que nos parecem intuitivas são respostas emocionais dadas pelo cérebro aos estímulos que recebe, através do sistema límbico. A neurofisiologia contemporânea, com acesso a técnicas de imagiologia que permitem perscrutar o interior do cérebro em funcionamento, mostra-nos, em particular no trabalho de Damásio, a importância das emoções e sentimentos na integralidade do ser humano e a estreita ligação entre o cérebro e a mente. Este cientista mostra, através das suas investigações em casos muitas vezes dramáticos, a relação íntima entre os sentimentos e a razão. Postula, através da sua hipótese de marcador somático, que os sentimentos nos ajudam a tomar decisões racionais, reduzindo as opções de decisão a níveis aceitáveis facilitando a gestão de decisões mas sublinhando a necessidade de equilíbrio em que o excesso ou ausência de marcadores somáticos são prejudiciais à tomada de decisões, influenciado as mais minuciosas rotinas do dia-a-dia.

A nossa mente não é indissociada do cérebro e do corpo. Antes, os complexos e interligados sistemas cerebrais são o que nos dá a sensação de ser, dominando os sentimentos mais íntimos e as decisões que cremos serem perfeitamente racionais.

O erro de Descartes está na tradição de pensamento que coloca a razão e mente como elementos superiores, independentes da carnalidade. O trabalho de Damásio, e as descobertas da neurociência, alicerçadas sobre técnicas não invasivas que perscrutam os recantos mais profundos do cérebro, revolucionando as nossas noções sobre o sentido de ser e a nossa humanidade.

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Joaninhas. Apeteceu-me...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

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O telemóvel tem os seus limites fotográficos...

Inteligência Emocional



Goleman, D. (1996). Emotional Intelligence. Londres: Bloomsbury.
Daniel Goleman

A Inteligência Emocional é uma área de investigação psicológica que procura definir o desenvolvimento global do indivíduo inserido no seu ambiente, interagindo com outros. Valoriza as qualidades humanas e reflecte que o sucesso (pessoal, académico, profissional) passa muitas vezes pelas capacidades emocionais das pessoas do que pelas capacidades intelectuais. Somos, de facto, controlados pelas nossas emoções, e conhecer a Inteligência Emocional é encontrar formas de melhorar ou reconhecer a importância dos sentimentos e emoções.

Goleman (1996) define emoções como “sentimentos e os seus pensamentos distintos, estados biológicos e psicológicos, gama de propensões para agir.

Durante o século XX a teoria dominante da inteligência assentava no conceito de Quociente de Inteligência, herdeiro de uma visão de racionalidade pura de raiz iluminista que não descreve toda a gama da inteligência humana. Restringe-se a uma visão racionalista clássica que valoriza a lógica acima de outras componentes dinâmicas das capacidades humanas. Procurando um modelo mais abrangente de compreensão da inteligência, a Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner (Fernandes, 2004) inclui sete dimensões: linguística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésico-corporal, interpessoal e intrapessoal. As dimensões interpessoal – compreensão dos outros, e intrapessoal – capacidade de introspecção e compreensão de sentimentos estão directamente ligadas às emoções. Esta teoria é uma ponte para o conceito de Inteligência Emocional.

Goleman, partindo de Solovay e Mayer, primeiros proponentes do conceito de Inteligência Emocional, envolvendo a Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner, o desenvolvimento cognitivo de Piaget e o trabalho de Damásio, desenvolveu e popularizou o conceito de inteligência emocional. Exemplifica como um Quociente de Inteligência elevado não garante sucesso pessoal e profissional, mostrando que as pessoas bem sucedidas têm elevados níveis de Inteligência Emocional. De acordo com Goleman, esta envolve “sentimentos, consciência, motivação, entusiasmo, perseverança (…) que configuram traços de personalidade responsáveis por atitudes de autodisciplina, de compaixão e de altruísmo, indispensáveis a uma adequada e criativa adaptação social” (Fernandes, 2004).

A inteligência Emocional envolve cinco traços: conhecimento de si mesmo, envolvendo o reconhecimento dos sentimentos; gestão do humor, capacidade de controlar emoções e sentimentos de angústia, depressão ou ansiedade; motivação positiva, capacidade de automotivação para obtenção de objectivos; e controle de impulso, capacidade de resistência à gratificação imediata.

No quadro de referência de competências emocionais elaborado por Goleman, a Inteligência Emocional divide-se em cinco elementos básicos (Fernandes, 2004): autoconsciência (conhecimento e reconhecimento das próprias emoções; autocontrolo (conhecimento, adequação e controle das respostas emocionais); automotivação (motivação individual, perseverança e confiança); empatia (reconhecer emoções e sentimentos do outro) e aptidões sociais (controle de relações sociais).

Para Goleman, o indivíduo nasce com uma Inteligência Emocional geral, sendo os seus elementos sejam desenvolvidos através da interacção social (Brazelton). As competências emocionais podem ser estimuladas nas suas várias dimensões através de programas pedagógicos que ajudem a reconhecer e controlar as emoções e sentimentos.

Conhecer e saber trabalhar a inteligência emocional garante relações humanas mais ricas, melhor conhecimento de si e dos outros e capacidade de gerir as emoções, reconhecendo a sua base fisiológica.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

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Feliz 2009 a todos, cheio de sucessos profissionais, financeiros, pessoais e todos os outros que se lembrarem.

Agora, regresso ao trabalho. Sai um textinho sobre sociedade da informação, e-knowledge e e-learning?