sexta-feira, 30 de maio de 2008

Vida Digital



Editorial Caminho | Vida Digital

Nicholas Negroponte (1996). Ser Digital

Publicado há mais de uma década pelo agora director do Media Lab e mentor do projecto OLPC, Ser Digital continua a ser uma obra influente sobre os significados e implicações da revolução tecnológica baseada no computador. Escrito numa era em que a internet era incipiente, as ligações sem fios meros projectos e o poder computacional uma fracção do que é hoje, esta obra já nos fala em banda larga, aplicações de video e videoconferência, realidade virtual e o poder distributivo da web, que transforma todos os utilizadores em potenciais produtores de informação.

Se as predições da obra nos parecem hoje datadas, ou ainda longe do desejável, o conceito deste livro continua muito acutal. Negroponte identificou com toda a precisão a tendência de evolução dos sistemas computacionais em direcção a uma cada vez maior usabilidade, interactividade e portabilidade, e com isso o surgir de uma nova economia baseada não na produção e transporte de àtomos, mas sim de bits, onde a informação é o valor e base da economia.

Datado em alguns aspectos, Ser Digital é ainda uma obra essencial para compreender as tendências de evolução de uma sociedade contemporânea mediada pela tecnologia.

Slideware

quinta-feira, 29 de maio de 2008

The World Whitout Us



Alan Weisman (2007). The World Whitout Us. Londres: Virgin Books

The World Without Us

O impacto do homem sobre a natureza e o planeta é inegável. Ao longo da sua evolução e da construção das sociedades humanas, o homem transformou a paisagem que o rodeia e alterou, em alguns casos de forma irreversível, a natureza ao seu redor. Nos tempos contemporâneos, esse impacto faz-se sentir nos tremendos problemas que se colocam à humanidade que são as alterações climatéricas e o aquecimento global. Neste aspecto, a civilização humana encontra-se numa encruzilhada à escala global, de cuja resolução depende o destino do planeta e da humanidade.

Weisman observa o impacto do homem sobre os ecossistemas planetários colocando a questão ao contrário: em vez de pensar o impacto futuro da continuação das actividades humanas, tal como elas estão, porque não pensar no que aconteceria ao planeta se, de repente, toda a humanidade desaparecesse, extinta por um super-vírus ou raptada por alienígenas? Quanto tempo durariam as nossas obras e construções, o nosso legado ao futuro, quanto tempo demoraria a natureza a reclamar os nossos espaços, a desfazer as alterações humanas?

As respostas envolvem uma viagem global, analisando os impactos da transformação da natureza pelo homem (domesticação de animais e plantas e alterações geológicas), a durabilidade das obras humanas, os impactos da indústria, da poluição e das escolhas energéticas sobre os ecossistemas globais. Ao imaginar um mundo ao abandono, Weisman traça um relato apaixonante sobre a evolução dos impactos humanos, particularmente pertinente nesta era de encruzilhada, em que o impacto humano sobre o planeta nos está a literalmente levar à beira de um precipício que poderá aniquilar a civilização humana. Não de um dia para o outro, mas com uma gradualidade inexorável que já se faz sentir.

Recortes

To simulate one situation by means of another one, to turn the whole working environment into a small model, is a means of perception and control by means of public ritual. (169)

One thing about fish know exactly nothing is water, since they have no anti-environment wich would enable them to perceive the element they live in. (175)

All media or technologies, languages as much as weaponry, create new environments or habitats, wich become the milieux for new species or technologies. (190)

Por hoje só Marshall McLuhan, do livro War and Peace in the Global Village.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

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Leituras

Globe and Mail | Japan urges limits on children's cellphone use Responsáveis governamentais japoneses demonstram preocupação com a cada vez maior penetração do telemóvel entre as crianças. As preocupações prendem-se com vandalismo, cyber-bullying, adição à internet, controle de custos e pequenos furtos ligados aos telemóveis. Cada vez mais, os potentes telemóveis contemporâneos encontram lugar entre as mãos dos mais novos.

LA Times | Comfort food and complaints at a Cairo food stand Retrato do dia a dia de um país esmagado pela crise internacional associada à corrupção endémica, onde um salário médio não chega para um mínimo de necessidades básicas.

The Telegraph | The original Indiana Jones: Otto Rahn and the temple of doom Perfil de um idiosincrático arqueólogo alemão, cujo fascínio pela lenda do Graal (particularmente da tradição hermética de Parsifal) o levou a associar-se a Himmler, que pretendia encerrar o tesouro mítico num castelo bávaro especialmente restaurado.

Frog Concept: a digital escape Brilhante conceito. Num futuro próximo, a poluição e a destruição ambiental poderão obrigar ao uso de máscaras em ambientes ao ar livre. Mas se a máscara protege o utilizador do ambiente, porque não poderá ela própria criar o seu ambiente, através da projecção de paisagens virtuais que se sobrepõem à triste paisagem real? O virtual descarrila no real, neste conceito de design.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Tecnologia Humana



Lewis Mumford (2001). Arte e Técnica. Lisboa: Edições 70

Este é um texto já clássico, mas nem por isso desactualizado. Nos seis ensaios que constituem a obra Arte e Técnica, Lewis Mumford analisa o impacto da tecnologia sobre o sentido de ser humano. Coerente com a época onde viveu, Mumford analisa os impactos da tecnologia mecânica, dos processos industriais e do mecanicismo sobre a humanidade. A sua mensagem é clara: o progresso técnico modifica-nos, interfere com o nosso ser, altera não só a nossa realidade como a nossa percepção da realidade. O perigo do mecanicismo está no soterrar da alma humana debaixo do processo, da lógica e do mecanismo. Levanta-se o espectro dos pesadelos do homem enquanto peça de um imenso mecanismo social, reduzido ao papel de elemento na engrenagem.

Esta imagem faz pensar no filme Metropolis de Fritz Lang, com as suas imagens de homens totalmente subjugados à máquina, particularmente na imagem do homem cuja função, exasutiva, é a de mover os ponteiros de um imenso relógio. Um castigo de Sísifo da era industrial.

Apesar do seu repetido aviso sobre o perigo de desumanização perante o fascinio da tecnologia, Mumford não defende o regresso a uma mítica era pré-tecnológica de pureza humana. Tal já não é possível, tal nunca existiu, dependemos da nossa tecnologia. Importante é humanizar, não perder o sentido humano no meio dos mecanismos.

Décadas após a sua publicação, as ideias de Arte e Técnica continuam pertinentes. A sociedade industrial, mecanicista, evoluiu para o nosso corrente mundo pós-industrial e globalizado. O fascínio do digital substituiu o fascínio do mecanismo pelo fascínio do sistema. O perigo mantém-se. Poderemos mediar a nossa visão do mundo pela tecnologia sem que o processo se perca o que nos define como humanos?

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Petróleo

Talvez algo de bom se consiga destes tempos conturbados que vivemos. Atrevo-me a dizer que os altos preços do combustível poderão ser benéficos, embora a longo prazo.

A dependência do automóvel, alimentada pelos combustíveis baratos, habituou-nos a padrões de vida insustentáveis. As distâncias da rotina diária esticaram-se cada vez mais em modelo sociais, económicos e urbanísticos só tornados possíveis pela confluência das redes de estradas, que num ciclo vicioso vão estendendo os limites dos espaços urbanos para lá do razoável.

A deslocação casa-trabalho é cada vez mais longa em extensão, e só não em tempo graças aos constantes investimentos em vias rápidas. Os padrões de consumo centram-se em dois pólos, o centro comercial e o hipermercado, impensáveis sem uma estreita relação com o automóvel. Os tempos de lazer envolvem distância, percursos de estrada. Paradoxalmente, o local optimizou-se para acolher o distante. Ou, em muitos casos, extinguiu-se, esmagado pelo urbanismo galopante que descaracteriza os centros locais, rodeando-os de edifícios-dormitório e vias de acesso rápido que servem apenas para escoar trânsito congestionado.

Cada vez mais esmagados pelo preço da energia, que não dá sinais de baixar, seremos obrigados a modificar o nosso modo de vida. O modelo de urbanismo assente no subúrbio/exúrbio, via de comunição, centro urbano dedicado essencialmente ao trabalho e centros de lazer distantes não é exequível sem energia barata. E isso, mesmo que este corrente pico alivie, é coisa que o futuro não trará.

Paradoxalmente, a subida dos preços dos combustíveis poder-nos-á ser benéfica, redimensionando o espaço público, voltando a centrar a vida quotidiana no espaço local. A deslocação poderá ser substituida pela telepresença; as perversas leis do mercado podem a isso obrigar.

A era do petróleo está a entrar no seu canto de cisne. As energias alternativas ainda são uma tímida pedrada no charco, e num caso específico, dos biocombustíveis, estão a contribuir para agudizar crises.

Posto isto, olhar para os constantes aumentos não deixa de enfurecer. Particularmente se prestarmos atenção aos media internacionais, que traçam um retrato alarmante da corrente crise petrolífera: crescimento das necessidades energéticas dos dois gigantes asiáticos e estabilidade das dos países industrializados, apesar de anos de políticas de apoio a energias alternativas, mais cosméticas do que eficazes; esgotamento progressivo de recursos, ainda a longo prazo mas a aproximar-se; e, especialmente revoltante, a pura especulação financeira em mercados completamente desregulados, que apostam meramente no lucro a curto prazo.

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We are the.

Leituras

BBC | Web users getting more selfish Já lá vão os tempos do deslumbramento com as páginas web. Os utilizadores contemporâneos privilegiam a rapidez e precisão sobre o conteúdo. Usar a web entranhou-se no dia a dia.

BBC | Web worlds useful for children Os mundos virtuais permitem às crianças experimentar sem riscos, aprender através de simulações, e interagir de forma construtiva com a tecnologia.

BBC | Nokia responds to gamer's anger A Nokia tornou-se a última empresa a alinhar em esquemas de protecção de direitos de autor que provocam revolta nos utilizadores. Em causa está o sistema de DRM dos novos NGage, que liga irremediavelmente o jogo ao telemóvel. Em caso de avaria ou de troca de telemóvel, o jogo não pode ser reinstalado, tendo de ser novamente adquirido. Os fãs do sistema estão a levar a mal esta política de direitos de autor limitativa.

LA Times | Europe, and especially Germany, are banking on coal Sinais mistos vindos da Europa: o desinvestimento em centrais nucleares, em nome dos riscos ambientais, está a provocar um interesse renovado em centrais a carvão altamente poluentes. São os sinais mistos das necessidades energéticas. Enquanto se investe cada vez mais em energias alternativas, continua a dependência de fontes de energia fóssil, dependência essa que tão cedo não terá fim.

domingo, 25 de maio de 2008

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Visão Link



Revista Visão

Confesso que a primeira leitura desta nova publicação na área das tecnologias me deixou desiludido. A primeira edição da Visão Link abre com um artigo sobre a tecnologia de ronaldo, num artigo recheado de erros ortográficos que fala muito de futebol e pouco de tecnologia. Mau começo, mas o resto convenceu. Artigos traduzidos altamente interessantes, e artigos próprios que oscilavam entre o fascínio pelos gadgets, que atrai o olhar mas com profundidade nula, e perfis interessantíssimos da nova economia portuguesa (só por este artigo vale a pena ler a revista).

Espero que assim se mantenha. O mercado português de revistas ligadas à ciência e tecnologia não é particularmente brilhante. A aposta tem sido na divulgação superficial (caso da Superinteressante), no culto de modas (T3 e similares) e gadgets ou no olhar centrado sobre o hardware e software informático sem reflectir nas implicações reais da tecnologia. Fazia falta uma revista similar à mítica Wired, capaz de aliar a tecnoluxúria à análise crítica, estando a meio caminho entre a formalidade científica e a superficialidade populista.

sábado, 24 de maio de 2008

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Sanctus.

Recortes

O nosso mundo, em trinta breves anos, regressou já a um barbarismo que era impensável para todos, excepto para alguns amargos pessimistas do século XIX. E não digo isto para vos alarmar mais e levar-vos a conclusões spenglerianas ainda mais sinistras, mas sim para vos oferecer uma nova esperança, precisamente nessa base: porque, se ele pode regredir, devido à imoralidade, ao erro e à malvadez deliberada, pode igualmente avançar através de esforços humanos mais benignos e construtivos. (137) - Lewis Mumford, Arte e Técnica

One hundred thousand years hence, the intelectual development of whatever creature digs them up might be kicked abruptly to an higher evolutionary plane by the discovery of ready-made tools. Then again, lack of knowledge of how to duplicate them could be a demoralizing frustration - or an awe-arousing mistery that ignites religious consciences. - Alan Weisman, The World Whitout Us.

That is to say that the psychic and social impact of new technologies and their resulting environment will reverse all the characteristic psychic and social consequences of the old technology and its environments. (82) - Marshall McLuhan, War and Peace in the Global Village

Espelho Retrovisor

Confesso que raramente leio os boletins informativos do sindicato a que pertenço, para além de uma diagonal informativa. Pergunto-me para quê tanto papel, quando o conteúdo destes boletins poderia chegar aos professores associados através de correio electrónico. Mas enfim, as tradições são difíceis de quebrar.

Hoje não resisti a ler um artigo a atacar as iniciativas do Plano Tecnológico (das poucas coisas boas que este governo tem feito, e mesmo assim com reservas sobre a isenção de certas medidas, que parecem favorecer determinadas empresas). O artigo não atacava directamente o plano, antes insurgia-se contra recentes declarações de Carlos Zorrinho, coordenador do plano, que se mostra defensor de ambientes escolares multitarefas, capazes de acompanhar os ambientes cognitivos fragmentados mediados por ferramentas tecnológicas em que as crianças de hoje - cidadãos de amanhã, vivem.

Não há muito de novo nestas declarações de Zorrinho. Já McLuhan, nos anos 60, e Papert, nos anos 80, falavam desta necessidade de adaptar a instituição escola, ainda a funcionar em moldes apropriados ao século XIX, às necessidades reais de um ambiente social mediado pela tecnologia, em particular pelas tecnologias de informação e comunicação, que trouxeram consigo uma revolução perceptiva na nossa forma de ver o mundo e a sociedade. Castells, ao propor uma sociedade de conhecimento, fala do poder da rede e da necessidade de formar indivíduos cada vez mais capazes de desempenhar múltiplas tarefas, de lidarem e manipularem informação, o bem-chave da nova economia. A escola, com o seu ênfase em modos de pensamento sequenciais, herdeira da lógica iluminista (esta própria uma revolução perante os antigos métodos escolásticos), mostra sérias dificuldades em criar modos de trabalho que respondam às novas formas de pensamento geradas pelo impacto da tecnologia.

É verdade, e todos sabemos isto: temos uma escola sublimemente adaptada às necessidades do século XIX, às necessidades das sociedades industriais. Esta transição pós-industrial, em direcção ao digital que correntemente vivemos representa um enorme desafio conceptual à ideia de escola. As mudanças são inevitáveis. Mas estamos nos primeiros momentos de mudança de rumo numa lenta instituição. Estes primeiros momentos são sempre caracterizados por desconfiança, por medo (em particular, medo do que não se conhece), por um reforço quase fundamentalista nos antigos valores, considerados seguros.

Por outro lado, o atirar de cabeça não é muito boa ideia. Há que reflectir, sem medo de arriscar mas sabendo o que se está a fazer. Atirar tecnologia para a sala de aula não é uma boa ideia - junto com os equipamentos, têm de vir ideias e estratégias de uso. Idealmente, caberia aqui o trabalho do professor, e muitos já o fazem. Infelizmente, a desconfiança impera, ajudada por incidentes como o abuso mediatizado de ferramentas tecnológicas que tornaram impossível, a curto prazo, pensar sequer em falar do telemóvel como ferramenta educativa.

Este artigo, Zorrinho o disruptor, é um caso típico de olhar para o retrovisor: a famosa expressão de McLuhan que indica que avaliamos os impactos de novas tecnologias de acordo com os paradigmas de velhas tecnologias. Perante as declarações provocatórias (intencionalmente, certamente) de Zorrinho, o autor prefere desvalorizar tecnologias ao estatuto de gadgets inúteis que acusa sem comprovar de serem fomentadores de défices de concentração, levanta o fantasma do fim da leitura observando que os jovens lêem cada vez menos (é falso, lêem cada vez menos livros, mas manipulam cada vez mais informação que sem alfabetização seria impossível de manipular), e evoca o eterno espectro da indisciplina - porque, como bem se sabe, sem equipamentos electrónicos os alunos são disciplinados, porque uma folha de papel não serve para criar aviões ou passar bilhetes, porque uma caneta não serve para rabiscar ou desenhar enquanto o professor expõe, ou para escrever mensagens insultuosas. É a tecnologia que estraga tudo. Insurge-se também contra a ideia de que a escola forme cidadãos criadores de valor, regressando à ideia romântica de formação de carácter quando ambas são importantes. É de relembrar que o conhecimento tem tendência a florescer em sociedades prósperas, onde a criação de valor permite tempo para a reflexão e criação de conhecimento.

O fim da leitura é tema quente e ambíguo. Estamos, talvez, a viver tempos semelhantes aos que se viveram na transição das sociedades orais e restritamente literatas da idade média para a sociedade literata baseada na tecnologia de Gutenberg, que reestruturou modos de pensamento, legando-nos o modo de pensamento em que actualmente se baseia a escola, e que provocou enormes reaçcões sociais (um exemplo, a reforma/contra-reforma que cindiu a igreja, impossível sem um acesso a textos impressos). Vivemos hoje uma transição em direcção a um novo modo de organizar informação, apontado como hipertextual, baseado em nós de rede e saltos, que colige fragmentos em todos coerentes. Na verdade, a hiperligação é mais do que uma simples ligação entre documentos. É uma forma de pensar, e não tão nova ou revolucionária quanto isso. Sempre pensámos, intuitivamente, por associação. Dispomos finalmente de tecnologia que nos permite implantar esse modo de pensamento nos media à nossa disposição.

Da leitura deste artigo concluo que o autor revela um profundo desconhecimento (que é sistémico) dos reais impactos das tecnologias digitais na sociedade. Revela igualmente falta de reflexão em formas de utilizar tecnologias na sala de aula, sendo mais simples a opção pelo reforço de antigos conceitos de concentração e reflexão. Essencialmente, revela medo, medo decorrente da incompreensão das profundas mudanças que estão a ocorrer à nossa volta. Nem todas as mudanças são positivas, o que reforça a necessidade de intervenção - mas de intervenção informada, não de retrocesso.

O artigo termina com um reforço da ideia de "criar uma escola formativa, que eduque os estudantes para os valores da cidadania e da responsabilidade e valorize o trabalho, o esforço e o empenhamento". Ideias nobres, que também subscrevo. Falta, em conclusão, um como, ideias e estratégias que possibilitem agir de acordo com estes princípios. É defeito comum a grande parte do pensamento educativo português, sempre tão preocupado com os grandes conceitos mas muito estéril em ideias práticas.

Deixo aqui um link para uma versão digital do artigo. Em discussões é sempre bom ver os diferentes pontos de vista.

Veiguinha, Joaquim (2008). Zorrinho o disruptor. Escola Informação. nº 222, Abril/Maio de 2008. p:20. Lisboa: SPGL
Leituras de McLuhan (The Medium is The Message, War and Peace in the Global Village), Manuel Castells (A Galáxia Internet), Seymour Papert e Anthony Giddens (O Mundo na Era da Globalização).

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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Regras

As regras de composição são transversais à fotografia, desenho, pintura, banda desenhada e edição/crialão digital de imagem. Estas regras, truques visuais que em alguns casos são milenares (caso da proporção dourada) ajudam-nos a apurar a estética de uma imagem, a guiar o olhar do espectador e a focalizar um ponto de beleza num imenso mar de possibilidades pictóricas. Algumas regras, como a regra dos terços (focalizar o ponto de interesse sensívelmente a dois terço da imagem), peso visual (cores mais escuras ou formas mais pesadas nas partes inferiores da imagem) prendem-se com a nossa percepção visual e busca de equilíbrio sensorial da obra percepcionada. Outras, como a famosa proporção dourada (uma razão geométrica tida como a mais harmoniosa ao olhar, vastamente utilizada na arte desde o Parténon ao abstraccionismo modernista), são constructos elegantes que espelham a relação entre o homem e a arte. As mais interessantes são as regras de posicionamento no plano pictórico, que utilizando diagonais, espirais e círculos literalmente direccionam o olhar do espectador, transportando-o numa viagem visual pelo assunto do quadro. Os pintores barrocos eram especialistas nisto.

No fundo, toda a arte é abstracta. Por detrás das mais vibrantes e realistas obras clássicas está uma rígida estrutura geométrica. Os pintores clássicos escondiam a estrutura por detrás de um véu de formas e figuras, os pintores abstractos revelaram, puseram a nú e valorizaram o esqueleto geométrico de uma obra pictórica.

Para explorar um pouco mais sobre regras de composição e geometria:
Wally Wood's 22 panels that always work Dicas de um dos mestres da golden age dos comics sobre planos e pontos de vista.
Core Theory; General Guidelines in Painting Composition; Principles of Design Teoria artística de composição.
Visual Elements and Principles Elementos básicos da gramática visual.
Geometry in Art Arte e geometria.
Rules of photo composition e Composition: aplicar à máquina fotográfica os truques pictóricos.

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Permanência velocidade transiência.

Leituras

BBC | Naples faces 'disaster measures' O primeiro ministro italiano anunciou que iria destacar forças armadas para as lixeiras de Nápoles, numa surreal tentativa de resolver a crise do lixo na cidade.

BBC | Design revamp for '$100 laptop' O novo conceito para a segunda versão do OLPC está na bleeding edge do design e da tecnologia. A proposta revê o conceito de computador num formato de ecrã duplo táctil.

Salon | Little girls gone wild As pressões comerciais dos mercados hiper competitivos levam a estes anacronismos: roupa sexualizante para crianças. A pressão dos estereótipos, imposta em idades cada vez mais precoces, em nome de políticas corporativas.

Globe and Mail | Robot suit could usher in super-soldier era A utilização de exoesqueletos não é nova, mas os avanços na robótica estão a dar corpo aos sonhos do homem biónico. As aplicações militares são as mais óbvias, mas os exoesqueletos também têm aplicações industriais e geriátricas.

Los Angeles Times | Sacred surprise behind Israeli hospital No explosivo médio oriente, uma saudável incongruência: um monumento sagrado islâmico nos jardins de um hospital judaico.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

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Leituras

Network World | Schools, businesses must adapt to 'thumb generation,' study says Geração zap, geração web, geração teclas. Chamem o que quiserem: as novas gerações, que já cresceram com a vida no ecrã em ambientes multitarefas estão a chegar ao mercado de trabalho. Com elas vêm os novos ritmos entrecortados da vida digital.

Finantial Times | Oil price heads towards $130 A especulação sobre os preços do petróleo atinge novos níveis, com as apostas nos preços de futuros a atingirem níveis cada vez mais astronómicos. Onde terminará?

Globe and Mail | Britain mulls plan to store all e-mails, calls Panopticon já aqui ao lado. O governo britânico considera implementar um sistema de arquivo de mensagens electrónicas que ultrapassa largamente os requisitos da união europeia. As implicações para a privacidade e liberdade individual são enormes - com este sistema, é mais do que o registo das comunicações que fica arquivado, é o seu próprio conteúdo que fica ao dispor das autoridades.

terça-feira, 20 de maio de 2008

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Moo...

Recortes

Planet-wide piles of low bids that will come crashing down in a posthuman world. - Alan Weisman, The World Whitout Us.

The world is impermanent. Like our body, we must let go of it. The body is essential for enlightenment. We have an obligation to take care of ours. - Hyon Gak Sunim

A nossa civilização não pode continuar a seguir o mesmo rumo indefinitivamente. Como um maquinista embriagado que conduz um comboio aerodinâmico mergulhado nas trevas a cem milhas à hora, temos vindo a passar os sinais de perigo sem que nos apercebamos que a velocidade que levamos, derivada da nossa habilidade mecânica, apenas aumenta o perigo, tornando o acidente ainda mais fatal. - Lewis Mumford, Arte e Técnica

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Hubris

Cansado. Cansado de estrada, moído recompensador do trabalho. Farto de hipocrisias e de perder tempo com aqueles que usam a lei em proveito próprio.

Cheio de força. Aproxima-se longa noite de trabalho. O Ars Technica passou a seguir o meu feed do Twitter , o que quer dizer que sou uma de 2060 pessoas que escrevem alguma coisa interessante sobre tecnologia em 140 caracteres... se me permitirem a hubris.

Cansado, mas com força. s+4y kewl!

domingo, 18 de maio de 2008

H4X

3s2u-/\/\3 @ div3r+ir c0/\/\ 3s+3 +r4du2r d3 h4X0rsp34k. c0is4s d3 +4rd3 d3 d0/\/\ing0, 0 di4 /\/\4is d3pri/\/\3n+3 d4 s3/\/\4n4. é u/\/\ di4 qu3 zó dá s0n0.

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Luciferina.

Recortes

‘If place can be defined as relational, historical and concerned with identity, then a space which can not be defined as relational, or historical, or concerned with identity will be a non-place.’ - Marc Augé

“You could say that at the rush hour when the city streets are blocked by traffic, I can get to Italy more quickly than, say, to the Champs Elysees. I could almost commute; we are now close to a time when it will be possible to live in Europe as though it were one single city. At the same time, we are close to the time when no city will be able to be used as a city; you waste more time on short trips than on long journeys.” - Ítalo Calvino

A informática já não tem a ver com computadores. Tem a ter com a vida. O computador central gigante, o chamado mainframe, foi quase universalmente substituído pelos computadores pessoais. Vimos os computadores saírem de gigantescas salas com as condicionado para cubículos, passarem para as secretárias e, agora, para o nosso colo e para o nosso bolso. Mas ainda não chegámos ao fim. (14) - Nicholas Negroponte, Ser Digital

sábado, 17 de maio de 2008

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Tráfego pesado.

Recortes

This is the real tragedy of dropping out: Whether or not they put in the requisite number of years in the classroom, many (or even most) children emerge without the intellectual spark with which all are born. - Seymour Papert

The future of the internet and computing applications is not going to be in the home or at the office; it's going to be mobile. - Nigel Clifford, Symbian

It is an example of innovation at the frontier of the edge of the network (with apologies to the original author for butchering this phrase). - Jan Chipchase

!?

sabes que ainda pouco sabes sobre hipocrisia e maquiavelismo quando vês num canal de televisão um alto quadro de uma empresa petrolífera afirmar, contrito, que os elevados preços dos combustíveis prejudicam o seu negócio. O que me deixa cheio de pena pelas petrolíferas, cheias desse azar que é ter lucros chorudos, que anualmente batem novos recordes.

Nestes dias que correm, a rapacidade especulativa conhece poucos limites, e é justificada com os mais íntegros argumentos morais.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

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Arquitectura moderna é solitária.

Leituras

Business Week | Why Twitter matters O twitter é a grande nova moda na internet. Transformou o mobile blogging em algo massificado. Surgem aplicações que aproveitam os feeds do twitter para os mais variados usos. Os feeds via sms são viciantes. Mas, para que serve realmente o Twitter? E como é que a empresa que mantém o twitter sobrevive financeiramente?

LA Times | French connection to America's pastime França, país do vinho, da língua poética do queijo e do... basebol? Acontece...

BBC | Europe could get manned spaceship A EADS está a propôr uma versão tripulada do mais recente triunfo da tecnologia aeroespacial europeia, o ATV. Esta adaptação poderá abrir caminho à independência europeia no campo dos lançamentos espaciais tripulados.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

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Gato em espera.

Leituras

BBC | Estonian cyber defence hub setup A Estónia, talvez o primeiro país no mundo a reconhecer ter sofrido um ataque de guerra virtual, tornou-se o local escolhido para sediar a organização europeia destinada à defesa do espaço virtual europeu.

LA Times | Meet Anas, Iraq's proud pirate of software Por três dólares compram-se no Iraque dvds recheados das mais recentes versões de software. De certa forma, este tipo de iniciativa representa o sucesso americano no iraque: o fomento ao empreendedorismo é condição essencial ao desenvolvimento de um mercado livre.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

68

Sabes que vives num mundo deprimente quando vês que o Maio de 68 é comemorado com um espectáculo de música ligeira apresentado pelo Júlio Isidro. The revolution will be coopted. Bem, esta é uma excelente razão para desligar a televisão.

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Blues com gatos.

Leituras

Technology Review | Returning to the moon A NASA prepara o regresso à lua com o lançamento de missões robóticas que visam mapear rigorosamente a superfície lunar. O objectivo é o de obter um conhecimento aprofundado da tipologia e dos recursos da lua, para escolher os melhores locais para uma futura presença humana.

Globe and Mail | Hyperconnected invading the workplace Uma dor de cabeça para os técnicos responsáveis, uma necessidade para os restantes. A barreira casa/trabalho está, definitivamente, abolida. Os utilizadores esperam um fluxo contínuo nos seus acessos online, quer pessoais quer profissionais.

LA Times | Baghdad florist's business is wilting like a thirsty rose A vida no Iraque estabilizado e melhorado pela intervenção americana: o negócio de um florista baseia-se agora na venda de coroas fúnebres.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Adeus, Robert.



Foi com tristeza que recebi a notícia do falecimento de um dos meus heróis, o pintor norte-americano Robert Rauschenberg, um dos expoentes máximos da New York School, cuja mistura intrigante e estimulande de pop art, expressionismo abstracto e found objects influenciou inúmeros artistas. Para a memória ficam as suas obras, intemporais, que asseguram o lugar deste Titâ, como o New York Times o apelidou, na história da arte contemporânea.

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Hoje à tarde, à saída da Merceana.

Leituras

Worldchanging | What's no longer impossible Neste momento crucial para o destino da humanidade, em que o nosso futuro tanto pode evoluir para um destino calamitoso como para uma utopia tecnológica, vale a pena perguntar: o que é que já não é impossível?

LA Times | Kiev threatened by shadowy construction Uma cidade sob assalto de empreiteiros sem escrúpulos, que constroem a torto e a direito sem olhar à qualidade ou à segurança. Pois é... parece que os ucranianos aprenderam alguma coisa a trabalhar na construção civil portuguesa e agora estão a aplicar a lição.

Washington Post | For defense, crunching the numbers is half the battle Uma organização mastodôntica, com mais de três milhões de funcionários, presença em mais de cem países e um orçamento que se mede aos biliões. Falamos do departamento de defesa norte-americano, o cerne logístico do imperium.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

?!

Nota 17 em Metodologias de Investigação! Cadeirão difícil, que fiz a custo, com exame que senti que me correu mal e trabalhos literalmente arrancados a ferro!

(acho que mereço uma cerevejinha)

Estou incrédulo!

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Miau...?

Leituras

LA Times | Misunderstandings plague african adoptions O costume africano de deixar os filhos ir viver com parentes mais abastados, sem que isso signifique adopção formal, está a ser explorado por famílias europeias que procuram adoptar crianças. Porque, no mundo globalizado, todos os desejos encontram mercadoria para os satisfazer.

Celsias | The global food crisis O que está por detrás da crise alimentar global? O problema é complexo. Não é um factor que está em acção, antes uma conjugação mortífera de factores que estão a fazer disparar os preços dos bens alimentares. Preços altos do petróleo, desregulamentação dos mercados, investimento em biocombustíveis, seca e aquecimento global são os factores que estão a, literalmente, tirar o pão da boca de muitos seres humanos.

Rolling Stone | Jesus made me puke Apesar do título ofensivo, recomendo a leitura desta reportagem ao estilo jornalismo gonzo que mergulha nos bastidores de uma seita evangélica norte-americana. A descrição de como os problemas pessoais dos crentes são manipulados para provocar a completa suspensão da razão e do sentido crítico por parte dos pastores arrepia. É muito fácil, sob pressão de um grupo e isolado de estímulos exteriores, passar simplesmente a acreditar cegamente nos mais bizarros dogmas.

domingo, 11 de maio de 2008

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Luz fria do pôr-do-sol numa tarde de tempestade primaveril.

Leituras

Los Angeles Times | In Russia, nostalgia for Soviet era As recentes comemorações da vitória russa na II guerra mundial ressuscitaram o velho hábito soviético das paradas na praça vermelha com tanques e mísseis nucleares. Uns vêem nesta parada um reforço militarista do papel geopolítico da nova Rússia. Outros, uma certa nostalgia pelos tempos do auge do imperium soviético.

BBC | Why the future is in your hands Cada vez mais o telemóvel se está a impor como o futuro da computação. O conceito de telemóvel evoluiu de aparelho de telefone móvel para máquina multimedia de acesso à web, gestão de ficheiros e plataforma de jogos. Os próximos passos dependem de redes ubíquas de acesso à rede, aplicações de cloud computing, e desenvolvimento de telemóveis mais capazes do termos de processamento e autonomia.

BBC | Great tits cope well with warming Grande título... Mas não é o que pensam. Trata-se antes da adaptação de uma espécie de aves inglesa às alterações climatéricas. E ainda dizem que a língua portuguesa é traiçoeira... alguém se divertiu muito com este título. Só para referência, great tit significa Chapim Real em português...

Low Tech Magazine | Computing without electricity É sempre uma delícia ler o blog de Kris de Decker. O blog de um ludita que usa a internet para arengar sobre os malefícios da tecnologia moderna, baseando-se nas tecnologias de séculos passados. Vale pela profundidade com que recorda dead media e tecnologias obsoletas. Desta vez, um interessante post sobre computação mecânica.

sábado, 10 de maio de 2008

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Subúrbios de Lisboa.

Nuvens informacionais

Por vezes, particularmente quando estou preso no trânsito, tento imaginar o mundo como se visto através de um dispositivo de realidade aumenta - possivelmente uns óculos, ou lentes de contacto que sobrepusessem sobre a visão natural do mundo uma visão informacional, de dados puros e, ou, de dados formatados para optimizar o acesso à informação.

Olhando para as pessoas que passam, não me é difícil imaginar uma núvem de dados informacionais à sua volta, irradiando de um núcleo centrado na pessoa. Dados dos mais variados géneros: dados financeiros, médicos, respectivos aos equipamentos e vestuários, comunicações mediadas por interfaces tecnológicos, pesquisas na web, conteúdos produzidos (blogs, fotografias digitais, entre outros), biológicos, preferências pessoais, crenças, tendências. Enfim, todo aquele microcosmo de bits que nos define, enquanto pessoas e indivíduos.

Esta visão do indivíduo mediado pela tecnologia pode revoltar os amantes de definições mais tradicionalistas de indivíduo. Mas não temam. A tecnologia é uma extensão das nossas capacidades. Não nos desumaniza, pelo contrário, potencia a nossa humanidade. Um exemplo acabado disso é o telemóvel, tecnologia de enorme sucesso que serve principalmente para a mais humana das actividades: tagarelar.

Talvez, num futuro próximo, graças aos avanços na portabilidade computacional (quando os gadgets digitais deixarem de ser gadgets), com ubiquidade de acesso às redes (condição essencial, a rede é o lugar) e técnicas de cloud computing seja possível visualizar, acompanhando-nos permanentemente, dados que centrados na nossa pessoa correntemente se encontram disperso por míriades de bases de dados.

And now, for something completely different, o artigo da Wikipédia sobre Nanotecnologia contém esta pérola literária: There are traditional techniques developed during 20th century in Interface and Colloid Science for characterizing nanomaterials. Fascinante, esta ideia de técnicas tradicionais, clássicas e velhinhas, desenvolvidas nos tempos idos do longínquo século XX, para compreender e manupular a nanotecnologia, a tendência mais bleeding edge do progresso tecnológico.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

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Forever doesn't mean forever anymore
I said forever
But it doesn't look like I'm gonna be around much anymore

(Elvis Costello, Riot Act)

Leituras

Business Week | The (virtual) global office As grandes empresas estão a encontrar um novo uso para os mundos virtuais, tradicionalmente considerados jogos: interligar e socializar os seus funcionários, cada vez mais dispersos pelo mundo na nova economia globalizada.

Technology Review | Building the zero-emissions city Nos Emirados Àrabes Unidos enriquecidos pelos lucros do petróleo, constroi-se uma experiência urbana que limita ao máximo as emissões de CO2. Uma mini-cidade ecológica, com capacidade para 50000 pessoas, construída no meio do deserto com os lucros provenientes da venda do ouro negro, responsável pelo aumento das emissões de CO2 e consequente aquecimento global. Há aqui um elemento de ironia. Pelo menos investe-se em tecnologias limpas, ao contrário do Dubai, que investe em ilhas artificiais, ideia que faz todo o sentido se equacionada com a previsível subida do nível médio das àguas.

BBC | Fake media file snare pc users Vírus à solta ou vingança das editoras contra os piratas? Está a circular pelas redes P2P um ficheiro multimédia que se apresenta como filme ou música mas que depois de descarregado pede a instalação de um codec que é um ficheiro de malware, infectando o computador.

Celsias | A backgrounder on the food crisis: misery is profitable Por detrás da corrente crise alimentar está a rapacidade do mercado livre. Durante décadas, os governos dos países pobres foram forçados a liberalizar os seus mercados, imposições do FMI e Banco Mundial como condições para empréstimos e ajuda internacional. Com os mercados locais inundados de importações baratas, os produtores locais foram aniquilados. Com o aumento dos preços das importações e sem produtores locais para suprir as necessidades do mercado, as populações não têm dinheiro para adquirir géneros alimentares. As grandes empresas agrícolas lucram cada vez mais, graças às suas políticas restritivas, patentes sobre sementes e apelos ao cultivo de alimentos transgénicos como forma de aumentar a produtividade alimentar. Campos agrícolas destinam-se agora à produção de biocombustíveis, diminuindo a produção mundial de alimentos. O aumento dos preços do combustível encarece os produtos, acabando com as importações baratas de géneros alimentícios. Estaremos realmente a viver uma crise alimentar? Ou estaremos a viver uma crise económica, uma crise real motivada pela aplicação de teorias económicas cada vez mais desajustadas da realidade global? No papel, a desregulamentação, o mercado livre e a liberalização funcionam na perfeição. Na realidade, estas ideias traduzem-se na rapacidade da especulação bancária e financeira, no aniquilar de pequenos produtores considerados não competitivos mas que são o tecido económicos das regiões, e o mercado livre assemelha-se cada vez mais a uma desculpa para legitimar a ganância de alguns.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

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Leituras

Kevin Kelly | The cell phone platform Piscando um olho de inveja a Jan Chipchase, Kevin Kelly apercebe-se do poder do telemóvel enquanto plataforma de computação. Algo de inesperado, para quem concebe o poder da internet a partir do computador ou PDA.

BBC | Building digital life-lines O telemóvel como elemento essencial para a recuperação após desastres naturais. Ao permitir abrir linhas de comunicação entre sobreviventes e os seus familiares, o telemóvel torna-se uma verdadeira linha de vida.

CNET | Imagining the tech world in 2050 Alguns dos maiores especialistas mundiais em tecnologia imaginam as maravilhas tecnológicas que estão a caminho. A questão que se pode colocar é se, perante o aquecimento global e os possíveis colapsos económicos, a sociedade humana conseguirá aproveitar as futuras tecnologias.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Leituras

Washington Post | Disruptions in oil supply may extend price rise Uma conjugação perigosa. Tensões com o Irão, problemas na Nigéria, consumo de petróleo em alta e a rapacidade dos investidores, que vêem nos altos preços uma forma de garantirem ganhos rápidos. A desejável transição para economias pós-petróleo, motivada pelos problemas ambientais, está a ter ímpeto pelas piores razões.

Globe and Mail | Future of newspapers is free Algo impensável há poucos anos, fenómeno recente que se está a impor. Será que a gratuitidade do jornal, assente no custear de despesas pela publicidade, se tornará na viabilidade futura deste meio de comunicação?

Reuters | Greed behind food price rises O disparo nos preços dos bens alimentares básicos tem origem na conjuntura económica mundial, mas está a ser agravada pela especulação pura. A mão invisível do mercado é particularmente eficaz para agravar as desigualdades económicas.

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Oito da manhã. Entrar no carro, rodar a chave. Carro não pega. Verificar fusíveis e bateria. Tudo em bom estado. Coçar a cabeça e ligar a um amigo a pedir ajuda. Chamada terminada, carro dá sinal de vida e arranca.

Meio dia. Aula acabada mais cedo porque um aluno causou problemas que tive de ir desmontar. Uma hora a acalmar os ânimos e a tranquilizar os restantes alunos.

E o dia ainda vai a meio...

terça-feira, 6 de maio de 2008

Aproxima-se...



O Gizmodo noticiou hoje que o iPhone vai agraciar mais dez países, cortesia da Vodafone. Portugal é um deles, o que significa que o fabuloso interface táctil vai chegar ao mercado português. Para além do design de fazer crescer àgua na boca, o iPhone também trabalha em redes WiFi (melhor do que o meu N80, aposto). Se for mais barato do que o N800, significa que vai chegar a Portugal uma bela plataforma portátil de navegação na internet.

Gizmodo: Ten more countries to be blessed with iPhone.

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Hip.

Leituras

Adobe | The fake-space race A virtualidade e os sistemas de realidade virtual como forma de viajar sem movimento. Viagens no mundo virtual, que nos custam como alternativa ao mundo real, sensorial.

New Yorker | The countertraffickers Reportagem no mundo do tráfico de seres humanos, centrada num dos principais países fornecedores de mão de obra para a tenebrosa indústria sexual, a Moldávia. Relato daqueles que não poupam esforços para tentar salvar seres humanos desta insidiosa versão moderna do esclavagismo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

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As Minas de Salomão



H. Ridder Haggard (2008). As Minas de Salomão. Lisboa: QuidNovi

As Minas de Salomão

A nossa concepção contemporânea de aventura envolve a deslocação às zonas mais remotas do planeta, normalmente ajaezados com toneladas de equipamentos que nunca nos deixam muito longe das redes electrónicas e localizações por GPS. O sentido de aventura está vivo, mas seguro. Um acidente num local remoto do planeta não implica a morte do aventureiro, mas sim uma rápida missão de salvamento. No início deste século XXI, já não restam recantos no planeta por esquadrinhar. Não há àreas brancas no mapa. Os satélites, as câmaras, a multidão de exploradores que documentou cada recanto do planeta destruiu para sempre a sensação de estar a pôr os pés num local totalmente inexplorado. Pelo menos na Terra.

Tempos houve em que não era assim. Tempos houve em que os mapas, quando os havia, apresentavam enormes lacunas, terras desconhecidas, que estimulavam a imaginação. Que gentes, que maravilhas, que aventuras se poderiam viver naquelas terras que os mapas cobriam com um véu de mistério?

No século XIX, Àfrica era esse continente mítico, bem explorado na sua orla durante séculos por uma mistura de aventureiros que inclui oficiais egípcios dos tempos dos faraós, aventureiros fenícios, comerciantes àrabes e indianos, exploradores portugueses e colonialistas europeus. Mas o seu interior permanecia inexplorado, desconhecido. In darkest Africa era uma expressão que denotava os mistérios que se escondiam nas profundezas do continente negro, embora com um natural, para a época, desdém pelos africanos, algo que hoje consideramos racismo. Darkest Africa tem várias conotações.

Durante a segunda metade do século XIX, os interesses geopolíticos das potências europeias viraram-se para àfrica. A exploração tornou-se uma forma de conquista, e o continente depressa foi atravessado em múltiplas direcções por legiões de aventureiros que documentaram as terras e as gentes do coração de àfrica. Foi uma época de maravilhas, em que os relatos de Serpa Pinto, Caillè ou Stanley levantavam o véu de mistério sobre o continente, relatando périplos arriscados por entre selvas e savanas.

É este o fascínio que encontramos em As Minas de Salomão, escrito em 1886 por H. Ridder Haggard, autor britânico especializado em histórias de aventura e descoberta. Esta obra clássica contém todos os elementos de uma empolgante história de aventuras em Àfrica, com o estabelecimento de uma irmandade de exploradores (tema recorrente nestes géneros de ficção), a promessa de riquezas incomensuráveis, o contacto com as tribos exóticas, um certo toque de white man's burden de levar a civilização aos selvagens, estranhos ritos e costumes por entre as trevas da savana, e até o sobre-utilizado "milagre" do apagar do sol, quando um eclipse previsto pela ciência europeia espanta os negros selvagens, salvando os heróis de destinos piores do que a morte. Tudo contado pelo punho de um dos heróis ficcionais do século XIX, Alan Quartermain, explorador inglês em terras de Àfrica que H. Ridder Haggard fez viver em muitas aventuras. Ou Alão Quartelmar, na clássica tradução portuguesa de Eça de Queirós.

As Minas de Salomão transportam-nos para um tempo que já não é o nosso, um tempo em que tudo parecia possível, em que as aventuras exóticas aconteciam nos jornais. Uma obra clássica, a reler sempre. As gestas e as desventuras dos tempos de antanho ainda têm o poder de mesmerizar a nossa consciência contemporânea.

(O texto integral, da tradução portuguesa de Eça de Qeirós, encontra-se aqui: As Minas de Salomão.)

domingo, 4 de maio de 2008

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Cumprir o dever, estimular a economia, comparecer na catedral.

Leituras

BBC | Electronics "missing link" found Cientistas foram capazes de criar um tipo de componente electrónico até agora apenas previsto teoricamente. Os memoresistores têm a capacidade de "recordarem" a carga que por eles passa após serem desligados. A promessa destes componentes está em computadores que arrancam instantâneamente, portáteis que não perdem as sessões mesmo que a bateria se descarregue ou telemóveis que ficam semanas entre carregamentos de bateria.

Wahington Post | Slay the pesky ATM fees Por cá não temos que pagar taxas para utilizar o sistema Multibanco, embora regularmente as entidades bancárias, procurando mais uma fonte de lucro, reclamem que estas taxas são necessárias para sustentar o sistema. O caso americano surge como um exemplo do que nos poderia acontecer, caso as entidades bancárias (tão exímias a ir-nos ao bolso) levem a sua avante: as taxas de transação via multibanco podem chegar aos $5 por transacção... imagine que levanta 10€ e pelo privilégio tem de pagar 5€. Aquilo que os bancos não referem é que o uso do sistema multibanco é uma forma de poupar em custos de pessoal - ao levantar dinheiro na caixa mutibanco ao invés da agência, ao efectuar operações bancárias através do multibanco, não utilizamos funcionários do banco.

Mother Jones | Contractors gone wild Redes de prostituição, roubo descarado de material militar, desvio de provisões às tropas em combate, saque: são estas algumas das aventuras dos funcionários das empresas contratadas para trabalhos no Iraque. A corrupção é generalizada e impune. Normalmente, apenas os que se opõem a esta forma de trabalhar são castigados com afastamento ou despedimento.

sábado, 3 de maio de 2008

Nem...



Porque não sabem que comanda a vida.

Vamos jogar...?



Jogar... de graça?

Os jogos de computador são uma das maiores fontes de divertimento da actualidade. Os jogos, como indústria, movem milhões de euros, baseados na proliferação de jogos para todos os gostos e públicos-alvo. Neste universo encontramos de tudo, desde jogos moralmente questionáveis como o Grand Theft Auto, verdadeiros mundos virtuais como o Second Life (acessível apenas a maiores de doze anos), jogos educativos, jogos destinados ao público infantil, jogos massivos de estratégia, infinitas variações de jogos clássicos... listar todas as variedades seria um trabalho sem fim.

Jogar é um passatempo caro. Os jogos estão sempre na crista da onda da tecnologia digital, exigindo sempre os melhores recursos na busca de ambientes cada vez mais realistas (hiperreais, na verdade). As plataformas - PSP, PlayStation, XBox, Gameboy e um PC bem "artilhado" não são baratas, e os jogos originais têm preços elevados. Como fugir a estes gastos?

Normalmente, pirateia-se o jogo. Esta alternativa é errada: piratear é, para todos os efeitos, roubar. Embora os jogos sejam muito caros, a verdade é que movem enormes equipes de programadores, designers e artistas que devem ser justamente recompensados pelo seu trabalho. Piratear é uma solução éticamente irresponsável.

A solução ética passa pelo universo do Open Source, o software livre. Este tipo de software é publicado na internet, livre para todos. E, claro, os programadores que desenvolvem software livre também já olharam para os jogos.

Nesta página - Top 25 Linux Games encontram-se os melhores jogos livres publicados para linux. Têm em comum ser gratuitos, existirem em versões Windows, e surpreendem pelo seu grafismo e complexidade, que estão ao nível dos jogos comerciais. De todos os jogos, destaco alguns já experimentados: o TORCS - The Open Source Racing Car Simulator, cheio de pistas desafiantes e carros de sonho para experimentar; o Mania Drive, um jogo de corridas surpreendente que só peca por o carro ser um Clio e não um XAD, com uma física realista e banda sonora "a abrir"; e o AlienArena, jogo estilo Quake com cenários fantásticos e uma jogabilidade surpreendente. Todos estes jogos são gratuitos, e estão à distância de um download.

Experimentem estes jogos, e descubram como podem jogar sem gastar dinheiro... e sem piratear jogos comerciais. Se quiserem descobrir mais jogos gratuitos, a wikipédia tem uma lista de jogos open-source.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Meme

O meu enérgico colega e amigo José Vaz deixou no blog do Centro de Recursos Poeta José Fanha um belíssimo desafio em jeito de meme: referir cinco autores, ou livros, da nossa preferência, e um autor ou tomo que mereça apodrecer, bafiento, na prateleira.

Gostei do meme. Cá vão as minhas escolhas:
1 - Snow Crash - O ciberespaço, conceptualizado por Neal Stephenson num dos mais divertidos romances de FC cyberpunk. Depois da leitura deste livro, o Second Life soa a plágio e nunca mais olhamos para os Heróis Protagonistas com os mesmos olhos.
2 - A Galáxia Internet - O segundo volume da espantosa triologia de Manuel Castells sobre a internet e sociedade dá-nos as boas-vindas ao admirável mundo novo da sociedade em rede.
3 - Ulisses - Minuciosa descrição de um singelo dia na vida do senhor Leopold Bloom... um cânone fundamental do alto modernismo, pela mão de James Joyce.
4 - Ficções - o mergulho no irreal e surreal invocado pelas palavras oníricas do argentino Jorge Luís Borges. Desperta sonhos e fiapos de pensamentos dispersos.
5 - Cosmos - Talvez já não seja o mais actual dos livros de divulgação científica, mas foi um livro que me apaixonou pela ciência. Graças a este livro, e à série televisiva em que foi baseado, Carl Sagan tornou-se uma das principais influências do meu desenvolvimento pessoal. É uma obra que vou relendo, para não perder o espírito de fascínio pelas maravilhas da ciência.

6,7, e etc... enfim, a lista nunca mais acabaria...

Para apodrecer na estante? Cá por mim prefiro a mais ecológica solução de deixar o tomo no ponto verde. E aqui concordo com o indomável professor Vaz: O Código DaVinci, livro que me fez pensar "que grande treta" em quase todos os parágrafos.

Agora tranquilizem-se, não vou deixar aqui uma lista de blogs para passar a mensagem. Mas vão dizendo, caso aceitem o desafio, quais os vossos livros determinantes... e aquele que nem para servir de base à chávena de café querem.

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Espaço negativo. Vazio de um parque de estacionamento apinhado de automóveis. Espaço negativo, não espaço, espaço transiente da vida quotidiana. Espaços que se olham mas não se vêem, realmente.

Leituras

Tomgram | Chalmers Johnson, Teaching Imperialism 101 A RAND corporation, caricaturada por Kubrick no filme Dr. Strangelove, é um dos mais influentes think tanks norte-americanos, responsável pelas teorias que ditaram a guerra fria, técnicas de guerra nuclear, dominância global do império americano e conceptualização de uma rede de comunicações resistente a ataques nucleares, que mais tarde se desenvolveu na internet.

Globe and Mail | Creeping use of emoticons has me feeling :-( Praga linguística, aniquilador da gramática ou nova etapa na evolução das línguas? O uso de abreviaturas de escrita sms ou online está a alastrar para o mundo não virtual, facto que preocupa professores e linguistas. Estará a elegância da escrita a desaparecer nesta sociedade que vive a contra-relógio?

BBC | Luminaries look to the future web Faz quinze anos que os responsáveis do Cern libertaram a web, autorizando o seu uso gratuito. Quinze anos depois, qual o seu impacto? Com uma rede cada vez mais móvel, semântica e distribuída (cloud computing), qual será o seu futuro?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Ora bolas!

Acabei de descobrir que hoje, para além do 1º de Maio, também é a quinta feira da espiga. Lá se foi o feriado municipal... ora ora...

Tempo



Porque hoje é um bom dia para recordar Elois e Morlocks