segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz 2008

Aos meus amigos, aos meus inimigos, aos leitores causais e aos que visitam este espaço regularmente, deixo aqui os votos de um excelente 2008, desejando um novo ano muito produtivo (porque é importante chegar ao final de um ciclo e sentir que o esforço serviu para alguma coisa); muito lucrativo (enfim, o dinheiro não traz a felicidade, diz-se... mas adquire muitas coisas que nos fazem felizes); muito divertido (se não tiver piada não vale a pena) e, especialmente, muito criativo.

Um abraço festivo.

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Já estava com saudades de um vectorzinho.

300



IMDB | 300
Relatos de Heródoto sobre a Batalha das Termópilas

A história do Rei Léonidas, que com os seus trezentos soldados defendeu o desfiladeiro das Termópilas contra um esmagador exército persa, é um dos mais nobres capítulos da história humana, conto que galvaniza o espírito com a coragem indomitável e o sentido puro de dever. Sabemos que foi um momento decisivo nas guerras entre os povos da grécia e o poderio persa, talvez um momento decisivo para a história da humanidade. O sacrifício destes soldados, frente a um inimigo vastamente superior, permitiu à armada grega desbaratar a armada persa, e empurrou os exércitos de Xerxes de regresso à Pérsia. É um momento de nobreza, de abnegação total, de coragem levada ao limite, registado por Heródoto nas suas Histórias, que sublinha a lenda do rigor dos soldados espartanos, criados numa cidade que elevava as virtudes militaristas ao pináculo da sua civilização.

300 baseia-se no recontar desta milenar história por Frank Miller, mestre dos comics, senhor de uma estética muito própria baseada na estilização absoluta.

É difícil gostar deste filme. É também difícil não gostar dele. O ponto de vista, um arreigado nós contra eles, tem laivos desconfortáveis de fascismo, de conflito civilizacional entre o ocidente corajoso e o oriente decadente. Os homens que partem para uma guerra suicida, rindo-se do perigo, são um encarnar do ideial nietzschino de super-homem misturado com a spengleriana coragem decadente dos que defendem os portões da civilização contra as hordes bárbaras. Ideias que não andaram muito longe da mente dos responsáveis pelos períodos mais negros da história do século XX. 300, nesta nova ordem mundial de aventureirismos militares e guerras difusas, é um filme incómodo pela sua ideologia de apologia da violência como forma única de defender uma civilização. É difícil ver 300 sem pensar no Iraque, sem pensar na obscura guerra contra o terrorismo. O filme apoia-se claramente numa estética e numa filosofia de combate entre a luz e as trevas.

É essa visão de coragem absoluta em face dos mais incomensuráveis perigos o que torna 300 tão sedutor. Isso, e a beleza altamente estilizada das imagens do filme. A estética altamente cuidada, o bailado teatral de extrema violência física, a manipulação absoluta do ritmo, da luz e da imagem, são as marcas deste filme, que agarram o olhar no fascínio da glorificação da violência. Um prazer culpado, é certo...

Zack Snyder, o realizador, dificilmente ficará para a história do cinema como um criador de imponentes obras primas cinematográficas. No entanto, traz aos filmes que realiza um assinalável sentido estético, assente no perfeccionismo tecnicista. 300, filme estilisticamente perfeito, é um excelente exemplo de filme técnicamente perfeito, embora de ideologia duvidosa.

domingo, 30 de dezembro de 2007

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Realidade mais real do que o real.

Mais real do que a Realidade



Jean Baudrillard (1981), Simulacros e Simulação. Lisboa: Relógio D'Água

Wikipedia | Jean Baudrillard
Relógio D'Água | Simulacros e Simulação

O impacto dos media na sociedade humana e na psique do indivíduo leva-nos a preterir o real face à representação virtual. O mundo mediático de ideias, o mundo dos ecrãs, a omnipresença da imagem, cria uma visão da realidade que já não se alicerça no real tangível, mas sim na representação e na fantasia veículadas pelos media. A representação do real assume primazia sobre o real. Even better than the real thing, como reza a canção dos U2.

Baudrillard chama a esta tendência cultural que nos domina a cultura do simulacro e da simulação, a cultura do irreal que se sobrepõe ao real. Neste clássico conjunto de ensaios, Baudrillard explora da forma peculiarmente obscura que caracteriza o pensamento pós-moderno de origem francófona esta colisão entre o imaginário mediático e a percepção da realidade.

Baudrillard defende a emergência de uma hiper-realidade, a convergência entre a simulação mediática, a virtualidade, a saturação de imagens, a sobrecarga de informação e as necessidades do real. Originalmente escrito nos anos 80, este livro é um curioso percursor da ideia de primazia do virtual sobre o real, ideia que ganha cada vez mais força com o extravasar dos mundos virtuais baseados na internet para uma realidade cuja... simples realidade já não nos satisfaz.

Recortes

Não é preciso ter um doutouramento para perceber que muitos comportamentos radicais servem para chocar os pais, a sociedade em geral e todos os "simplórios" que restam entre nós. Contudo, os "simplórios" são cada vez mais raros. Formam um pequeno grupo que está a definhar, tendo sido substituídos por uma classe média em expansão, imune ao choque devido à sobreexposição. Os franceses utilizam a expressão épater le bourgeois - que significa "chocar a classe média". O que está diferente é que agora a classe média insulta-se a si mesma e ri-se ruidosamente desse facto.
Alvin Toffler, A Revolução da Riqueza

As a color scientist, I think of colors as perceptions, that is things that we see. Of course those perceptions are not just caused by our brain (except when we are dreaming); they are caused by how our eyes and brain respond to the world around us. For color it is the light and objects that we are responding to.
Mark Fairchild

Moving from the broadest assumptions of a modernist aesthetic view of a core (centered) Self to the more fragmented, yet fluid, postmodern view of fragmented (decentered) Selves.
Cynthia Haynes

sábado, 29 de dezembro de 2007

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You really got me!

Recortes

Ver uma nova civilização ganhar terreno a uma civilização antiga exige, inevitávelmente, uma comparação entre as duas. Aqueles que beneficiaram do passado ou se conformaram com ele criam uma onda de nostalgia, elogiando ou romantizando o passado e fazendo-o contrastar com o futuro ainda não formado e incompleto.
Alvin Toffler, A Revolução da Riqueza

(Stoop) if you are abcedminded,... in this allaphbed!
James Joyce, Finnegan's Wake

Estamos cada vez mais próximos de aceitar os valores pós-modernos da opacidade, da experimentação lúdica e da navegação à superfície como maneiras privilegiadas de alcançar o conhecimento.
Sherry Turkle, A Vida no Ecrã

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

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O olhar que tudo vê.

Leituras

Eyeescapes Eye candy, literalmente, do dia: uma série de fotografias de Rankin que retrata a íris. A sua justaposição é assombrosa.

New York Magazine | The porn myth Naomi Klein (No Logo, The Shock Doctrine) analisa as consequências do acesso fácil ao fruto proibido e chega a uma curiosa observação: sim, a pornografia é altamente degradante, mas o seu maior perigo para o género feminino não está aí. Ao expor a crueza mecânica dos actos sexuais através de representações altamente estilizadas de mulheres quase artificiais, a pornografia está de facto a alterar as percepções sobre o sexo. Longe já parecem ir os tempos em que a simples visão de um corpo nú era o mais potente dos afrodisíacos (não é por acaso que o nú é um dos mais potentes - passe a expressão, temas artísticos) e o erotismo se definia por vislumbres e mistérios. O fácil acesso à pornografia mecanizou o sexo, e criou nas mulheres uma sensação de inadequação com o seu corpo, alicerçada na sensação de que o corpo normal, com as suas perfeições e imperfeições, não pode competir com a perfeição mecânica dos corpos das actrizes da indústria pornográfica. Warren Ellis já havia feito uma observação semelhante, com a sua muito especial e visceral prosa, sobre a influência da pornografia na natureza do acto sexual.

Não deixa de ser curioso observar estas reacções psico-sociais a anos de libertação da sexualidade virtual, à exposição às imagens e videos que ninguém admite ver mas que são uma indústria altamente lucrativa.

CNN | One Laptop a hit in peruvian villages Já que falamos em revoluções sociais, uma vastamente mais positiva. Uma imperdível reportagem que observa o impacto social da introdução do OLPC numa remota aldeia do Peru. Entregue a crianças que frequentam a escola primária, o OLPC é assumido como uma dádiva maravilhosa pelos habitantes das zonas mais empobrecidas do planeta, gente cuja extrema pobreza lhes retira qualquer esperança num futuro para si ou para os seus filhos. Ler sobre crianças que vivem rotineiramente naquilo que a nossa sensibilidade eufemística definiu como exclusão social a utilizarem activamente as ferramentas da sociedade de informação, dentro de casebres iluminados à luz de vela nos arrabaldes da floresta amazónica, enche o coração de esperança num futuro mais justo para a humanidade.

É sempre bom sublinhar: o OLPC não é uma máquina perfeita. O seu valor está na sua visão de dar acesso a ferramentas de tecnologia àqueles que vivem no e abaixo do limiar da pobreza, nas zonas mais esquecidas do planeta.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Artefactos do futuro



A Wired tem uma secção mensal chamada Artefactos do Futuro, dedicada a bombas informacionais visuais sobre o futuro próximo, e este particularmente brilhante pára-brisas sobrecarregado de informação é um perfeito exemplo da ideia de realidade aumentada. O futuro apanha-se nos detalhes...

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Virtualidade real.

Recortes

If there was a genuine consensus about anything, it was that for the people escaping both left-wing and right-wing dictatorships, democracy meant finally having a say in all major decisions rather than having somebody else's ideology imposed unilaterally and with force. In other words, the universal principle that Fukuyama identified as "the sovereignty of the people" included the sovereignty of the people to choose how the wealth of their countries would be distributed, from the fate of state-owned companies to the level of funding for schools and hospitals. Around the world, citizens were ready to exercise their hard-won democratic powers to become the authors of their national destinies, at last.
Naomi Klein, The Shock Doctrine

Shift the pieces along an assembly line and the robot won't be able to build a bucket, let alone a Buick.
Gregory Mone, Wired

Raramente questionamos, de forma coerente, a verdadeira capacidade de uma autoridade. Em vez disso, confiamos na imagem de autoridade conferida por um título, por um diploma ou por uma qualquer instituição de acreditação. Em qualquer dos casos, inclinam-nos perante a autoridade que confere a certificação. Torna-se a autoridade em autoridade.
Alvin Toffler, A Revolução da Riqueza

Leituras

Washington Post | Indians trade health for jobs Algumas das maiores empresas indianas construíram o seu modelo de negócio com base no outsourcing de serviços de apoio técnico. As necessidades de uma economia global, a funcionar 24 horas por dia, implicam que muitos dos funcionários destas empresas tenham de exercer a sua profissão à noite, com consequentes sequelas nas relações sociais, saúde física e mental, Sem grande surpresa, são as mulheres, que para além das suas obrigações laborais também é esperado que cumpram obrigações familiares e domésticas, que sentem os efeitos mais graves deste factor.

Los Angeles Times | Poverty, lack of information fatal for chinese woman, baby Arrepiante reportagem do nível mais elementar da sociedade chinesa - a enorme massa de pessoas sem passado nem futuro, como diria Rilke, camponeses que abandonaram as suas aldeias em busca de uma melhor vida nas cidades, para apenas se depararem com exploração laboral brutal e uma total falta de serviços de apoio social e cuidados básicos de saúde. A China, no fim de contas, é conhecida pelos seus abusos dos direitos humanos e pela sua mão de obra barata, e não pela excelência dos seus sistemas de saúde.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

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Onda psicadélica.

Retrocessos

Eis-nos chegados ao século XXI, onde a humanidade vive uma era de prosperidade ímpar na história da humanidade. As desigualdades, fracturantes e angustiantes, ainda existem, mas a caminhada para a diminuição do fosso entre populações depende de um esforço que está a ser feito, apesar de não tão rápido como desejaríamos.

Nas sociedades mais desenvolvidas, as populações vivem com níveis de conforto inimagináveis há menos de meio século. A tecnologia transformou a nossa forma de viver. A educação universal transformou radicalmente as paisagens culturais - em vez de uma refinada cultura de elites em contraponto ao analfabetismo das brutas massas, temos um acesso igualitário às bases culturais que definem a essência da nossa civilização. E, no entanto...

Dizia-se que neste século XXI, o aliar de uma educação universal, que dissemina a bases da cultura científica pelas populações, com a tecnologia e os desenvolvimentos sociais retirariam finalmente a importância à ideia de religião. Útil em tempos antanhos como forma de controlo social e explicação obscurantista dos fenómentos naturais, a religião perderia a sua importância numa era capaz de transmitir a herança do iluminismo à escala global.

No entanto, parece que está a acontecer o preciso oposto. Cada vez mais a religião parece ganhar maior importância, particularmente no que diz respeito às suas interpretações mais literais. No debater dos impactos da modernidade sobre a humanidade, é habitual ver a importância dada às palavras daqueles que veículam sabedorias vindas directamente dos tempso mais obscuros da história da humanidade - veja-se, por exemplo, a importância dada aos líderes religiosos quando se fala de genética, o que equivale a levar em conta a opinião de um agricultor da idade média sobre a manufactura industrial com base em robots. E, particularmente após o 11 de setembro, a ideia de religião, aliada à ainda mais perigosa ideia de choque, ou guerra, entre civilizações, tornou-se incontornável nos media e no mundo das ideias.

Assistimos ao emergir de fundamentalismos, até nas sociedades mais avançadas. As seitas religiosas alastram, bem como a crença em "saberes" milenares tradicionais espelhada no gosto pelas astrologias ou "medicinas" alternativas.

Numa época que colhe os benefícios da ciência, porquê toda esta importância dada ao obscurantismo religios? Numa época em que o acesso à ciência está simplificado, porquê este aparente triunfo das crendices obscurantistas?

Uma possível resposta pode estar na essência das palavras que a seguir cito, um pouco fora do seu contexto original, da obra de Sherry Turkle intitulada A Vida no Ecrã.

"Na ausência dum princípio de coerência, o eu dispersa-se em todas as direcções. A multiplicidade não é viável se se implicar a alternância entre personalidades que não conseguem comunicar umas com as outras. A multiplicidade não é aceitável se implicar uma confusão mental que conduza à imobilidade. Como poderemos ser a um tempo múltiplos e coerentes? Em The Protean Self, Robert Jay Lifton tenta resolver esta aparente contradição. Ele começa por considerar que uma visão unitária do eu correspondia a uma cultura tradicional, com símbolos, instituições e relações estáveis. Ele acha que a velha noção unitária já não é viável, dado que a cultura tradicional entrou em colapso, e identifica uma gama de respostas possíveis. Uma consiste na insistência dogmática na unidade. Outra é o regresso a sistemas de crença, como os fundamentalismos, para impor a conformidade. Uma terceira é abraçar a ideia dum eu fragmentado. Lifton diz que esta é uma opção perigosa, que poderá mergulhar numa "fluidez desprovida de conteúdo moral e forma interior sustentável". Mas Lifton encara uma outra possibilidade, a dum eu multiforme saudável. Este, tal como Proteu, é capaz de sofrer transformações fluidas, mas assenta na coerência e numa perspectiva moral. É múltiplo mas integrado. Mesmo não possuindo uma identidade unitária, podemos ter consciência dessa identidade."

Deixei todas as palavras porque a perspectiva de Turkle é a do impacto da tecnologia digital na noção de Eu, que de individual e unitário está a evoluir para uma ideia de Eu multifacetado, um todo fragmentado coerente. Mas gostaria de sublinhar a ideia de retrocesso a sistemas de crença como forma de combater a inegável decadência da cultura tradicional. Está talvez aí a resposta para a questão da preponderância da religião.

A nova sociedade em que vivemos depende de um constante fluxo de transformações, cada vez mais rápidas. A estabilidade tradicional da civilização humana está a ser substituida pela ideia de acelaração, de fluidez, de movimento. Citando novamente Turkle: "Cada era constrói as suas própras metáforas, tendo em vista o bem-estar psicológico dos indivíduo. Há não muito tempo, a estabilidade era socialmente valorizada e culturalmente reforçada. Papéis rígidos atribuídos a cada um dos sexos, trabalho repetitivo, o desejo de ter o mesmo tipo de emprego ou permanecer na mesma cidade ao longo de toda a vida, tudo isto fazia da consistência um elemento central nas definições de saúde. No entanto, estes mundos sociais estáveis entraram em colapso. Nos nossos dias, a saúde é descrita em termos de fluidez, mais do que estabilidade. O que conta é a capacidade de mudar e adaptar-se - a novos empregos, novas perspectivas de carreira, novos papéis atribuídos a cada um dos sexos, novas tecnologias.

Estas transformações são angustiantes. O mundo contemporâneo, com as suas incertezas, com as suas contínuas transformções, é angustiante, particularmente para aqueles que cresceram no seio de culturas que valorizavam a estabilidade e que agora se vêem numa cultura de acelaração baseada na tecnologia. A religião surge como bastião último de uma certa ideia tranquilizadora de certeza, onde os princípios milenares são imutáveis, para muitos, um oásis onde podem fugir à realidade, à nova e fascinante realidade da nossa cultura global.

Leituras

Newsweek | To treat the dead É uma cena clássica do cinema e da televisão: face à morte clínica, os médicos afadigam-se numa luta heróica para salvar a vida dos pacientes com aparatosas técnicas de reanimação. Mas pesquisas recentes sugerem que esta talvez não seja a melhor abordagem. Aparentemente, após o momento da morte, as células mantém-se vivas durante horas, excepto se o fluxo de oxigénio for restabelecido - que é precisamente a técnica convencional de reanimação. Notícia intrigante.

Associated Press | "Drilling up" into space for energy A órbita terrestre é o melhor local para se colocar painéis solares. Em órbita, as células fotovoltaicas recebem a energia solar sem nenhuma dissipação atmosférica. Teóricamente, poderiam ser enviados para o espaço satélites que seriam verdadeiras centrais solares orbitais. Resta resolver o problema de enviar a energia para a superfície, o que poderia ser feito através de feixes de microondas enviados de satélites em órbita geoestacionária para antenas na superfície. Ficção científica pura? Talvez já não. A ESA, o Pentágono e consórcios internacionais estão a demonstrar interesse por este conceito. E está a avançar numa ilha deserta do arquipélago de Palau um projecto de construção da que seria a primeira central de energia orbital do mundo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A Desilusão de Deus



Richard Dawkins, (2007). A Desilusão de Deus. Lisboa: Casa das Letras.

Entrevista a Richard Dawkins
A Desilusão de Deus

Avassalador é a palavra que melhor descreve este livro. Partindo de uma lógica irrepreensível, Dawkins desmonta um por um todos os argumentos a favor da ideia de religião. A lucidez desta obra é admirável, bem como a sua coragem. Não é fácil, nesta época que é o futuro dos tempos passados, nesta época onde a influência da lógica e da ciência nos trouxeram uma prosperidade ímpar na história humana, ir contra os véus mistificadores dos misticismos mitológicos das religiões.

A influência que a religião, nos seus vários credos e seitas, continua a ter sobre a nossa sociedade é enorme. Por um lado, esta permanência da influência de ideias elaboradas na noite dos tempos nos tempos contemporâneos deve-se à enorme força cultural, enraízada, ou melhor, entranhada, das religiões nas sociedades. Não é fácil ir contra milénios de obscurantismo, particularmente quando esse obscurantismo condicionou os costumes e as instituições sociais. Por outro lado, assiste-se a um perigoso renascer do impulso religioso na sua versão fundamentalista. É algo que é válido não só para os talibãs do islamismo, mas também para os talibãs do crucifixo, que começam a espalhar a sua influência (natural, numa sociedade democrática que depende de votos para eleger os seus líderes) pelos níveis de poder, manipulando a sua influência política para aplicar as suas agendas ideológicas na definição de políticas sociais e educativa.

Exemplo dessa influência é o debate entre evolucionismo e criacionismo, possivelmente uma das maiores perdas de tempo intelectual da era contemporânea, se não fosse pelo perigo real da contaminação de instuições educativas pelos partidários do fanatismo religioso baseado na interpretação literal de textos milenares. Este debate da ao livro um tom combativo; Dawkins, como biólogo que é, está muitas vezes na linha da frente do embate entre o método científico e as hordes de obscurantistas que gostariam que fazer com que os relógios andassem para trás e com que o tempo histórico retrocedesse aos gloriosos tempos de obscurantismo supersticioso.

A Desilusão de Deus não se resume a este aspecto. É um ensaio lúcido e organizado que desmonta, ponto por ponto, as falácias ideológicas da religião, e defende um ateismo actuante, passando por cima do relativismo multiculturalista que leva que aqueles que não acreditem em deuses tratem com condescendência aqueles que acreditam - cortesia que não é retribuída pelos crentes, ou, pelo menos, pelos crentes cegos que não se detém perante nada na sua luta incansável para salvar a humanidade da perdição, levando-a ao regaço de imaginárias criaturas todo-poderosas, cuja adoração é certamente o melhor caminho para a humanidade.

Por criaturas imaginárias todo-poderosas podem inserir o que quiserem... qualquer ídolo das tribos perdidas, deuses gregos, o deus judaico-cristão, o deus islamita, o budismo, e porque não, cthulhu ou o monstro de esparguete gigante. Absurdo por absurdo, qualquer um serve...

Uma nota final para a tradução, que por vezes parece um pouco atabalhoada. Nota-se particularmente no título da obra, claramente mal traduzido para chocar (e assim talvez vender mais uns livros a incautos leitores). A palavra desilusão não transmite o sentido do livro, uma vez que este não se debruça sobre a desilusão dos deuses, mas sim sobre a ilusão que estes representam.

Um bom livro para ler neste dia, enquanto o estômago repousa dos excessos culinários de mais uma noite dedicada a uma tradicional celebração de mitologias sem sentido.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

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Luce del mondo è...

(vão ouvir a ópera para descobrir)

Leituras

Article City | Science Fiction Writing - Ten Clichès to Avoid De uma forma muito liminar, os dez mais óbvios enredos de FC, interminávelmente utilizados no género.

Popular Mechanics | Under the hood with Knight Rider 2.0 Lembram-se do KITT, esse herói da nossa infância, o carro inteligente que era o principal protagonista da série lendária onde também pontuava o refinado canastrão que é David Hasselhoff? De certeza que grande parte das crianças desta geração dos anos oitenta ainda têm um certo fetiche por Pontiacs TransAm totalmente pretos com luzinhas vermelhas a piscar no capot e voz simpática. Pelos vistos, numa onda revivalista, a série vai voltar aos ecrãs, mas agora actualizada. O novo KITT agora baseia-se num Ford Mustang Shelby e, embora tenha um visual atractivo, não tem aquele ar especial que tinha o TransAm... por outro lado, um Mustang é sempre um Mustang.

Archinect | Delirious Moscow A revolução de Outubro foi um dos mais maravilhosos momentos da história da humanidade. Durante algum tempo, antes das forças da tirania se apropriarem da revolução - algo que começou a acontecer logo nos primeiros dias revolucionários - tudo estava em aberto. Esse espírito notou-se particularmente no campo das artes. No ambiente revolucionário, os artistas revolucionaram a arte. O ismo que surgiu nessa época é ainda hoje um dos movimentos mais vanguardistas da arte, ainda e sempre eternamente moderno: o construtivismo. Os construtivistas adaptaram a modernidade e a utopia a uma visão de construção do futuro. É nas artes visuais, com Lissitzky e Malevich, que mais recordamos esse influente movimento, mas no cinema temos como legado esse filme maravilhoso e quase impossível de conceber que é O Homem da Câmara de Filmar de Dziga Vertov, ainda hoje uma experiência visual radical. Mas foi na arquitectura que os sonhos futuristas do construtivismo melhor se realizaram. A arquitectura construtivista é radical nas suas propostas de pensar o futuro no presente (e isto nos anos 20 do século XX). Grande parte das suas visões não passaram do projecto, utopias consignadas ao papel, mas são visões de espanto, que nos fazem sonhar com um grande E SE...?

É de observar que de todos os ismos do século XX três foram particularmente decisivos para a construção mental da forma como hoje percebemos a realidade e conceptualizamos o mundo. Para além do futurismo sem limites do construtivismo, apontaria o Dadaísmo, cujas remisturas baseadas no absurdo (técnica da collage) tornaram possível, graças à potência do computador, a remix culture onde agora vivemos (ou, se preferirem, a cut and paste culture), onde as ideias, em vez de alinhavadas, são justapostas; e apontaria também o cubismo. A sua visão multplanar da realidade, tentando conjugar vários pontos de vista sobre a tela, foi à época uma visão totalmente revolucionária, que deitou abaixo o ponto de vista fixo da perspectiva rígida de raíz renascentista, ou, mais au point, fez explodir os pontos de vista na superfície da tela, e que na prática veio antever a nossa ideia contemporânea de sociedade e identidade, fragmentada em inúmeros pontos de vista, em que o todo que nos caracteriza já não é único e monolítico, mas sim fragmentado, embora não desconexo, criando uma unidade na sua globalidade.

My Mini City Uma coisa muito estranha: uma mistura de SimCity com site social; uma cidade que cresce apenas com as visitas dos utilizadores. Um brinquedo online muito curioso (e já agora cliquem, que preciso de habitantes na minha cidade...)

domingo, 23 de dezembro de 2007

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Há mais de uma semana que não desenho. A humanidade respira de alívio... Bloqueio criativo? Não, a culpa é dos ratos. Graças às longas horas que passo ao computador por causa de compromissos profissionais, estudantis, pessoais e criativos, consegui desenvolver síndroma de stress repetitivo no pulso. Eu não acreditava, mas é doloroso. Não mata, mas moi... e o que mais chateia é ver o Corel e o Bryce a empoeirarem-se... até a caneta no papel me custa. Enfim, repouso é o que é preciso, repouso tranquilizante e descansado.

Recortes

To organize the world’s information and make it universally accessible and useful.
Google stated mission

They go on in strange paradox, decided only to be undecided, resolved to be irresolute, adamant for drift, solid for fluidity, all powerful to be impotent.
Winston Churchill

The facts and techniques or whatever they teach you in class isn't going to be very useful in the real world, that's for sure.
Haruki Murakami

Leituras

Washington Post | A dinossaur with a future? Brinquedo ou mais um passo decisivo na adopção da robótica pelo mercado de consumo? Depois do lendário cão robot da Sony, o Aibo, surge o Pleo, um robot de aspecto simpático e completamente programável. Um dinossaurozinho robótico simpático que fará as delícias das crianças, até das mais crescidas. Sem quaisquer dúvidas sobre o existencialismo da vida artificial, as crianças personalizam imediatamente a máquina.

Guardian | Porn is screwing up young men's expectations of sex É curioso observar o real impacto social da pornografia. De coisa proibida, passou a ser coisa de fácil acesso via internet (apesar de continuar a ser coisa proibida). Ver pornografia na internet é daquelas coisas que todos fazem mas ninguém diz que faz. Qual é o real impacto na mentalidade daqueles que já cresceram com fácil acesso à pornografia, e cuja real educação sexual (não aquela coisa que não se aborda nas escolas) é baseada nos excessos da imagem pornográfica?

Guardian | Mould treathens Leonardo works O Codex Atlanticus está em risco: apesar de todas as precauções, foram encontrados vestígios de mofo que podem colocar em perigo os centenários manuscritos do maior génio do renascimento.

TSF | Vírus de baixa mortalidade detectado na Lourinhã e em Mafra Tom de pânico alarmista das cinco da manhã ou, como diria Warren Ellis, flupocalipse: foi detectada uma estirpe fraca do famoso vírus da gripe das aves em duas explorações destas zonas. Vou já desempoeirar o meu fato NBQ... e imagino Mafra num cenário inspirado no The Crazies de George Romero...

E mais uma vez, uma bomba informacional saída da mente de Warren Ellis: “Science fiction is a way of thinking about things.”

– Frederik Pohl

Which may seem like a small notion. But it’s possibly the best working definition of sf I’ve yet come across, insofar as it does the crucial business of inviting the body in front of you to consider sf as a tool with which to understand the contemporary world.

sábado, 22 de dezembro de 2007

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Profundamente exausto depois do estudo intenso e do exame. Agora precisava que não fosse natal, precisava de tempo livre e não da azáfama sem sentido de prendas e festas familiares que celebram o nascimento de deuses em que nem acredito.

Mas por hoje tudo pára. Vou dormir... talvez sonhar.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

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Para combater os dias sombrios.

Recortes

"I think it means," I say, "that chance encounters are what keep us going".
Haruki Murakami

They have an understanding, he said, using a phrase I'd encounter again and again: anmoku no ryokai, meaning essentially "unspoken, implicit agreement."
Daniel Pink

Having attained this absolute speed, we face the prospect in the twenty-first century of the invention of a perspective based on real time, replacing the spatial perspective, the perspective based on real space, discovered by Italian artists of the quattrocento.
Paul Virilio

Leituras

Washington Post | Synthetic DNA on the brink of yelding new life forms Um daqueles títulos que faz tremer com o seu puro futurismo e laivos de hubris frankesteiniana. Cientistas americanos construíram a primeira espiral de ADN completamente artificial (note-se a estranheza do uso da palavra construir associada à biologia) e, em seguida, esperam transplantá-la para uma célula, esperando que esta aja de acordo com a programação contida no ADN artificial.

BBC | Microsoft accused on web browser A Opera Software, empresa norueguesa por detrás do meu browser favorito, decidiu colocar junto da Comissão Europeia uma queixa contra a Microsoft, em duas vertentes - a tradicional do monopólio que a Microsoft tem sobre o mercado dos browsers ao oferecer o Internet Explorer como uma componente do Windows, e a vertente de acusar a Microsoft de não ligar às normas da internet, dificultando o desenvolvimento de sites e plataformas acessíveis por qualquer browser. Isto é algo que qualquer utilizador de browsers alternativos já sentiu - há sites que simplesmente só funcionam através do Internet Explorer. Num futuro que se adivinha de residência online de aplicações acessíveis através dos browsers, quem monopolizar os browsers monopolizará a e-economia.

BBC | Putin named "Person of the Year" O paladino russo da democracia recebeu a distinção de ser considerada Pessoa do Ano pela revista TIME. Junta-se assim a um rol invejável que inclui o Papa João Paulo II, Bill Gates, Bill Clinton, Estaline e Adolph Hitler. A TIME atribui anualmente honras de capa ao homem (desculpem, pessoa) que representa as mais poderosas forças que modelam o mundo. Não tem necessáriamente que ser uma força positiva.

BBC | Active glacier found on Mars Uma empolgante notícia vinda das excitantes explorações do Planeta Vermelho. A sonda europeia Mars Express detectou sinais da existência de um glaciar na região sul do planeta. A existência de glaciares em Marte não é novidade. A novidade está na idade deste glaciar - possívelmente cerca de 10000 anos, recentíssimo em termos geológicos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

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À maneira de Whistler. Para fazer esquecer o dia sombrio que está lá fora.

(curiosa coincidência: o primeiro post de hoje, causado pela insónia, saiu às 04:33... e os meus miolos deturpados fizeram logo a ligação com a 4'33'' de John Cage.)

Leituras

Globe and Mail | Palm swings to loss, misses target A Palm, empresa por detrás dos meus PDAs favoritos, está nitidamente a perder o comboio tecnológico. Incapaz de fazer jus à sua fama de excelência no mundo da computação móvel, foi completamente ultrapassada pela Apple e pelo hype à volta do iPhone. Avizinham-se momentos complicados para a empresa que inventou a computação móvel com o ubíquo Palm Pilot.

Washington Post | Thinking more globally, giving less locally Dos EUA vem um excelente exemplo do que acontece quando as instituições de solidariedade social dependem em larga medida da filantropia empresarial: A AOL, gigante da internet, é conhecida pela sua generosidade com instutiuções sociais e culturais na zona onde se situa o seu quartel. Recentemente, a AOL decidiu globalizar-se, investindo mais em mercados emergentes, e cortou os apoios a instituições locais. Já não precisava de boa publicidade local. A braços com dívidas ficaram escolas e instituições culturais. Um exemplo a apontar, não se dê o caso de alguém aqui na west coast of europe se lembrar de o aplicar...

BBC | Weblogs rack up a decade of posts E quem diria, a blogoesfera fez dez anos, desde o dia em que um utilizador criou o termo weblog para identificar a sua página pessoal cheia de links. Dez anos depois, os blogs passaram de um a setenta milhões, e em crescimento contínuo. De curiosidade digital, passaram a ser um media de direito próprio.

Paz

Sentir o silêncio da madrugada, ouvir a chuva que cai. Um raro momento de paz.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Stormy Weather

Lá fora o vento ruge e a escuridão da noite esconde as nuvens que ameaçam descarregar bátegas violentas. Finalmente, um pouco de tempestade para nos recordar os rigores do inverno.

Cá por mim, vou largar o computador e meter-me debaixo dos cobertores, acompanhado pelos meus fieis livros e pela minha fiel cadela. Vou alternar Kafka on the Shore com o marranço de Comunicação Multimédia. Em silêncio, sem interferências mediáticas, só a ouvir o vento rugir enquanto as palavras se elevam da página.

Recortes

Eles confrontam-se com um sistema de criação de riqueza que, dentro de poucas décadas, terá deixado de depender de recursos escassos para passar a um sistema onde o principal factor de crescimento, o conhecimento, é essencialmente inesgotável; que passará de inputs e outputs (entradas e saidas no sistema) concorrenciais para não-concorrenciais; de uma produção e distribuição predominantemente locais e nacionais predominantemente nacionais e globais; de exigências de baixa especialização para a necessidade de elevada especialização; da produção em massa - e homogénea - para a produção desmassificada e heterogénea.
Alvin Toffler

Esquecem-se do potencial impacto na produtividade decorrente da rápida transição de vários milhares de milhões de pessoas que estão actualmente a viver no limiar da subsistência para o mundo da economia da informação.
Jeffrey Eisenach

I was always aware that this whole Earth is on overload. I've been that way for 30 years. People used to think I was — you know, not exactly depressive, but dark. And I'd say, "It's not dark, mate, it's a fact. It's going to come and hit you on the head.
Ridley Scott

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Para dar ideias aos papás que ainda não sabem que brinquedo dar aos filhos...

(um aviãozinho espacial? não, um pc com o bryce e o doga l-1... e umas lições de desenho no computador.)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Recortes

As culturas que promovem o desejo e a procura de riqueza não o obtêm necessariamente. Por outro lado, as culturas que pregam as virtudes da pobreza normalmente obtêm precisamente aquilo que sonham conseguir.
Alvin Toffler

"The Future", whether you capitalize it or not, is always just an idea, a propos al, a scenario, a sketch for a mad contraption that may or may not work. "The Future" is a story we tell, a narrative of hope, dread or wonder.
Michael Chabon

Alternar entre diferentes teorias, por vezes contraditórias, tornou-se a nossa forma de pensar acerca das nossas mentes.
Sherry Turkle

Play a sound with the certainty that you have an infinite amount of time and space.
Karlheinz Stockhausen

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Early morning blues

domingo, 16 de dezembro de 2007

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Bolas que está frio. E eu estou finalmente a ver a luz depois do fundo do túnel. Finalmente consigo respirar, depois de duas semanas em que mais uma vez ultrapassei os meus limites.

Descansar? Ainda não é hora de baixar os braços. Ainda há muita estrada para trilhar.

Recortes

In other words, war now takes place in 'aero-electro-magnetic space'. It is equivalent to the birth of a new type of flotilla, a home fleet, of a new type of naval power, but in orbital space!
Paul Virilio

A new administration has some six to nine months in wich to achieve major changes; if it does not seize the oportunity to act decisively during that period, it will not have another such oportunity.
Milton Friedman

It is in these malleable moments, when we are psychologically unmoored and physically uprooted, that these artists of the real plunge in their hands and begin their work of remaking the world.
Naomi Klein

Emergir

Assistimos hoje ao emergir de uma verdadeira revolução: a Sociedade de Informação. Baseada e potenciada em redes informáticas globais, este conceito está a transformar as instituições, a economia, sociedade, a forma como pensamos, trabalhamos e vivemos.

O mundo informatizou-se, propiciando modelos de negócio, economias de escala e partilha de informação ao nível global de forma até há poucos anos inimaginável. O tempo das transformações mede-se hoje de forma acelerada. A rapidez propiciada pelas redes de comunicação à escala global é um dos factores de base da Sociedade de Informação.

Na economia, assiste-se ao surgir de um modelo económico onde a manipulação e produção de informação assumem preponderância face ao modelo de produção industrial. A propriedade intelectual e a informação digital geram maior riqueza do que a produção de objectos. O número de pessoas empregadas em funções ligadas à produção e manipulação de informação já ultrapassou, nos países mais desenvolvidos, o de pessoas em funções industriais. A nova economia gera novos lucros, modelos de negócio, tipos de trabalho e de organização empresarial.

Social e culturalmente, a Internet veio revolucionar a forma de acesso à informação. As paisagens mediáticas fragmentaram-se, temos na ponta dos nossos dedos vastas bibliotecas de informação. O papel dos media tradicionais, ainda influentes, está a ser erodido por uma verdadeira explosão de media individuais. As comunidades virtuais assumem cada vez maior importância na vida dos utilizadores. O virtual, nas palavras de Paul Virilio, invade o real. As instituições políticas e sociais lutam para se adaptar à nova realidade, enquanto são influenciadas pelas novas ideias geradas pela Sociedade de Informação.

Os factores fundamentais da Sociedade de Informação estão na aceleração, no descentramento e a anulação da geografia trazidas por redes globais de comunicação apoiadas em cabo, satélite, celular e meios de transporte rápidos que ligam qualquer ponto do planeta em limites temporais que vão das horas aos milissegundos. Daqui emerge uma nova forma de pensar e organizar a sociedade.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Recortes

A Internet, uma obscura tecnologia que tinha pouca aplicação para além do mundo exclusivo dos cientistas da informática, dos hackers e das comunidades contra-culturais, tornou-se a alavanca de transição para uma nova forma de sociedade: a sociedade em rede - e com ela para uma nova economia.
Manuel Castells

Existe uma erótica do novo, o antigo é sempre suspeito.
Roland Barthes

A inteligência humana libertou-se do peso da lembrança para se aplicar na inovação.
Derrick de Kerckhove

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Mundos de invenção.

Contra o frio da noite

bastam cobertores, mantas ou agasalhos? ou chegam ideias que galvanizam o espírito?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Weary

I am tired, i am weary, i could sleep for a thousand years...

Mas enfim, há que inventar energias e só parar quando chegado ao destino final. Quanto aos meus amigos que esta noite irão combater o frio nocturno, bebam um copo por mim, e desejem-me sorte nas minhas aventuras.

Dias mais calmos virão...

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O meu cérebro está mais ou menos assim.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

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These devilish shores...

Recortes

"In this way, with the progressive digitalization of audiovisual, tactile and olfactory information going hand in glove with the decline of immediate sensations, the analogue resemblance between what is close at hand and comparable would yield primacy to the numerical probability alone of things distant - of all things distant. And would in this way pollute our sensory ecology once and for all.
Paul Virilio

"Friend, did you bring me the silver, Friend, did you bring me the gold, What did you bring me my dear friend, To keep me from the gallow's pole.
Leadbelly, Shout On!

And you look at it and you say, “Wow, what a load of horseshit.”
John Scalzi

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Adeus, verão



Ray Bradbury, Farewell Summer, New York: Harper Collins, 2006

Ray Bradbury dispensa apresentações. Um dos grandes mestres da literatura do fantástico e ficção científica, mostrou ao longo da sua longa carreira um domínio muito especial sobre a magia das palavras, invocando de um modo muito próprio visões quase inocentes no seu deslumbramento.

Num dos seus primeiros romances, Dandelion Wine (traduzido para portugês na já defunta colecção azul da Caminho com o título As Maçãs Douradas do Sol), Bradbury revelou uma veia muito especial, ao retratar de uma forma que décadas mais tarde seria equacionada com o realismo mágico os tempos dourados e inocentes da infância. Inspirado num tempo quase mágico, imune às contradições da história, Brabury mitificou a vida nas pequenas cidades americanas do midwest nos anos 30. Essa magia era vivida pelos olhos de Douglas Spaulding, uma espécie de alter-ego do autor, que assim fixava em âmbar o tempo mágico da infância.

Farewell Summer, a mais recente obra de Bradbury, começa por ser uma sequela ao romance de 1957. Mas enquanto as palavras suaves e certeiras deste virtuoso contador de histórias nos deixam enlevar pelo regresso ao mundo fantástico da Cidade Verde, compreendemos que há algo mais a elevar-se desta história que, ostensivamente, é sobre o necessário crescer do rapaz que reside em todos os homens.

Farewell Summer é um adeus aos tempos dourados da infância, mas um adeus cheio de esperança e confiança nos futuros possíveis - após mais de cinco décadas de carreira, Bradbury não desistiu do seu optmismo. Mas, de certa forma, é também um adeus à magia. Nesta obra, a contraste entre o muito novo e o muito velho é gritante: o canto de cisne da infância de Doug dá-se com uma guerra sem quartel contra Mr. Quatermain, representativo do que há de mais fossilizado na velhice. Mas no final, os extremos tocam-se, e ambos os personagens percebem que têm de se deixar ir com o tempo.

É, talvez, um canto de cisne do próprio Bradbury, que no entanto não deixa neste livro transparecer o peso dos anos que lhe recaem sobre os ossos, continuando tão animado e cheio de esperança no futuro como quando, há cinquenta anos atrás, fixou no papel a sua visão inocente da nostalgia da infância.

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Levantando voo...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

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Paisagens de invenção.

Leituras

Globe and Mail | Syria blocks access to Facebook O governo sírio optou por bloquear o site social Facebook invocando... infiltração israelita das redes sociais sírias. Bem, o propósito das redes sociais é precisamente o de facilitar "infiltrações", mas enfim, quando a política medieval embate com o mundo digital temos saídas ridículas como esta.

BBC | Light to shrink computer clusters Um supercomputador na palma da mão? Talvez seja possível, de acordo com pesquisas levadas a cabo por cientistas da IBM que utilizam circuitos ópticos para diminuir o tamanho dos circuitos. A tecnologia poderá reduzir drásticamente o tamanho dos componentes dos clusters de supercomputadores.

Los Angeles Times | Redesigning two woman's lives Uma curiosa reportagem de Teerão, que mostra as contradições de um regime e a forma como os iranianos as contornam, a partir da vida de duas mulheres - uma antiga aristocrata e uma mulher do povo, estranhas aliadas na economia iraniana que construíram um império na àrea da indústria têxtil.

Guardian | Intelligence averts Iran action O relatório dos serviços secretos americanos que detalha que o programa nuclear iraniano caiu que nem uma bomba (nuclear) em Washington. Com a administração Bush a preparar a américa e o mundo para mais uma guerra santa pelo controle de recursos petrolíferos, aparecem dados que contrariam as pretensões presidenciais - num contraste à intervenção no Iraque, baseada em informações falsas e erradas fornecidas pelos serviços secretos. Diz-se que a vingança é um prato que se serve frio...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Recortes

"A sentimentalidade não é mais do que a forma infinitamente degradada da bestialidade."
Jean Baudrillard

"A nossa sociedade, incluindo o sector não-religioso, aceitou a ideia absurda de é normal e colar-lhes rótulos religiosos - 'criança católica', 'criança protestante', 'criança judia', 'criança muçulmana', etc. -, embora não o faça com outros rótulos comparáveis: não há crianças conservadoras, nem crianças liberais, nem republicanas ou democratas. Por favor, por favor, vamos despertar as nossas consciências a este respeito e vamos aos arames sempre que ouvirmos algo do género."
Richard Dawkins

"O que estamos a viver é a absorção de todos os modos de expressão virtuais no da publicidade. Todas as formas culturais originais, todas as linguagens determinadas absorvem-se neste porque não tem profundidade, é instantâneo e instantaneamente esquecido. Triunfo da forma superficial, mínimo denominador comum de todos os significados, grau zero do sentido, triunfo da entropia sobre todos os tropos possíveis. "
Jean Baudrillard

"It is earlier than we think"
Vannevar Bush

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Hoje dedico o rabisco ao Ouriço, uma vez que parece que hoje está mais crescido e com mais juízo. Um abraço e bom dia de aniversário.

The Information Bomb



Paul Virilio, The Information Bomb. Londres: Verso, 2005

Wikipedia | Paul Virilio
Verso | The Information Bomb
Google Books | The Information Bomb

Paul Virilio é um reconhecido intelectual francês que atingiu notoriedade graças aos seus estudos sobre a guerra, a acelaração e a tecnologia, patente em obras como Bunker Architecture.

The Information Bomb reúne um conjunto de ensaios onde Virilio disseca criticamente o conceito de Sociedade de Informação. De forma desapiedada, Virilio factoriza os desenvolvimentos tecnológicos e sociais, tentando encontrar a sua razão de ser, e no processo avisando-nos que nem todas as consequências da tecnologia são benéficas.

Quando surge o novo, o antigo perde-se, ideia que Virilio sublinha sem que no entanto defenda retrocessos. Os impactos da tecnologia sobre a nossa sociedade, sobre as nossas instituições, modos de vida, formas de organização, visões sociais, formas de trabalho, de educação e formação, até mesmo o conceito de ser humano, ainda estão por medir, mas já se fazem sentir. Virilio avisa-nos, numa das muitas frases seminais do livro, que "after the first bomb, the atom bomb, which was capable of using the energy of radioactivity to smash matter, the spectre of a second bomb is looming at the end of this millennium. This is the informatìon bomb, capable of using the interactivity of information to wreck the peace between nations."

A sociedade da informação é uma verdadeira bomba em explosão contínua, transformando o planeta num contínuo fluxo de revoluções. A humanidade luta por se adaptar às transformações, isto quando não está totalmente excluída deste admirável mundo novo. Factor inaudito na história humana é a velocidade: até agora, as revoluções tiveram o seu tempo, desenvolveram-se à escala da história. Agora, as revoluções sucedem-se num fluxo contínuo, o tempo acelarou. Conseguiremos aguentar a velocidade? Numa era de transformações contínuas, o que acontecerá ao ser humano, ser no sentido do que nos define como humanos?

Virilio é um cyber-céptico, embora não seja luddita. Ao contrário dos gurus da nova sociedade, com Toffler ou Kerckhove, que defendem a imersão total no mundo digital, Virilio obriga-nos a parar para pensar. Não está em causa a inevitabilidade das revoluções; simplesmente, Virilio prefere que marchemos com a consciência do impacto destas.

sábado, 8 de dezembro de 2007

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Agora que o mundo ocidental se prepara para o carnaval de consumo inspirado no lado mais delicodoce da decadente tradição judaico-cristã, é talvez bom momento de contrapor e celebrar o solstício de inverno que se aproxima invocando os velhos deuses, temerosas criaturas do além espaço que apenas obedecem a azatoth, cego e louco sultão negro dos vazios tenebrosos das enregeladas profundezas cósmicas.

Cthulhu Ftaghn! Ph'nglui mglw'nafh Chtulhu R'lyeh wgah-nagl ftaghn!

Recortes

"A História dispõe de infindáveis exemplos de "revoluções" que substituiram tecnologias antigas e mesmo governos, sem que se tenham alterado significativamente a própria sociedade e as pessoas no seu seio. Em contrapartida, as verdadeiras revoluções substituem tanto as instituições como as tecnologias. E fazem mais: fazem ruir e reorganizam aquilo que os sociólogos identificam como sendo o papel estruturante da sociedade."
Alvin Toffler

"Cabe-nos a nós voltarmos a ser os nómadas deste deserto, mas desligados da ilusão maquinal do valor. Viveremos neste mundo, que tem para nós toda a inquietante estranheza do deserto e do simulacro, com toda a veracidade dos fantasmas vivos, dos animais errantes e simuladores que o capital, que a morte do capital fez de nós - pois o deserto das cidades é igual ao deserto das areias, a selva dos signos é igual à das florestas, a vertigem dos simulacros é igual à da natureza - só subsiste a sedução vertiginosa de um sistema agonizante, onde o trabalho enterra o valor - deixando um espaço virgem, assombrado, sem trilhos, contínuo como queria Bataille, onde só o vento levanta a areia, onde só o vento vela pela areia."
Jean Baudrillard

"This precisely describes the endocolonization of a world without intimacy which we are seeing - a world which has become alien, entirely given over to information technologies and the over-exposure of detail."
Paul Virilio

"A ciência abre de par em par a estreita janela através da qual nos habituámos a olhar o espectro de possibilidades. O cálculo e a razão libertam-nos, para que possamos visitar regiões do possivel que antes tinham parecido interditas ou habitadas por dragões."
Richard Dawkins

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

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Divertimento.

Leituras

BBC | Microsoft trials XP on XO laptop Uma notícia curiosa: a microsoft anta a testar uma portação do sistema operativo Windows XP para OLPCs XO (O XO, caso se perguntem, é um altamente icónico símbolo de uma criança). É, talvez, um reconhecimento tácito da importância do projecto do MIT, algo que já estava a acontecer com o Classmate, um projecto similar, mas mais convencional, desenvolvido pela Microsoft e pela Intel assim que estas empresas perceberam que o OLPC tinha pernas para andar. No entanto, OLPCs a correrem XP é algo que não deverá acontecer com a 1ª geração dos portáteis do MIT. O XO é um sistema de memória flash, ainda bastante reduzida, o que cria dificuldades ao XP. É de sublinhar que se o OLPC XO é uma máquina revolucionária, ainda não é uma máquina excepcional... mas é também por isso que o XO ainda vai na 1ª geração.

Só por brincadeira, será que um OLPC a correr XP se chamaria OLPC XOP (chop = cortar às postas)?

Guardian | Kosovo independence inevitable, says UN envoy Neste momento, o que trava a independência do Kosovo é o ferido orgulho nacionalista sérvio, apoiado pela Rússia, e a timidez europeia, alicerçada nos votos negativos de países como Espanha, Grécia ou Chipre, que temem que a independência do Kosovo encoraje movimentos similares na Europa (pense-se no País Basco, na Catalunha, na FYROM/Macedónia, esse país sem nome, e na República Turca do Chipre, e percebe-se o porquê dos vetos destes países). Por outro lado, o Kosovo aproxima-se cada vez mais da declaração unilateral de independência, que poderia voltar a desestabilizar a região dos Balcãs.

Também poderíamos questionar se os Balcãs alguma vez foram estáveis...

Guardian | Leagues tables only do harm A prática dos rankings de escolas, por cá a iniciar-se, traduz-se apenas na publicação regular de resultados que sublinham o óbvio: que os alunos de melhores condições sociais obtém melhores resultados do que os alunos de piores condições sociais. Na verdade, quantos alunos provenientes de bairros sociais frequentam escolas privadas? Também poderíamos discutir o acesso a equipamentos e filosofia de ensino entre público e privado, mas a questão não passa tanto por aí. A questão fundamental é saber se queremos que o sistema de ensino prepare cidadãos cultos e activos para os desafios do futuro, ou que os prepare para medições periódicas de conhecimentos estatísticos (claro que a maneira como fraseei a questão revela logo o meu ponto de vista). No estudo de caso citado por este artigo, revela-se como nas escolas inglesas o domínio tirânico da estatística dos resultados está a fazer diminuir o nível das competências dos alunos, e eliminar actividades não quantificáveis como expressão artística, expressão dramática ou expressão músical para que haja melhor preparação para os exames de medição. Ou seja, sacrifica-se a cultura em nome da eficiência.

BBC | Chimps beat humans in memory test Esta eu não podia deixar escapar... mas não vou entrar pelo óbvio. Simplesmente, estes resultados não surpreendem. O que eles realmente mediram foi a capacidade da memória de curto prazo entre chimpazés e humanos. A memória de curto prazo é uma das componentes do modelo que actualmente melhor descreve a forma como o cérebro funciona nas questões de memória e aprendizagem e pode ser descrita como sendo mais ou menos similar à RAM dos computadores. A MCP é uma memória curta, de trabalho, em fluxo contínuo, que nos permite seguir e reagir aos estímulos decorrentes da nossa interacção com o ambiente. Grande parte dessa memória perde-se; apenas aquilo que nos é mais significativo fica guardado no nosso disco rígido mental, a chamada Memória de Longo Prazo. Porque é que haveria de surpreender decobrir que os chimpanzés, adaptados a um meio onde a reacção rápida a estímulos é essencial à sobrevivência, têm melhor desempenho do que humanos, que vivem num ambiente que sublinha o preciso oposto - a importância do conhecimento arquivado na memória?

Sky News | Disfigured tumour man José Mestre can save face with op É uma das mais lúgubres memórias da minha infância na baixa lisboeta: regressar da escola a pé, descendo a Avenida da Liberdade, atravessando o Rossio para ir ter com os meus pais ao Largo do Caldas. Ao chegar à zona do Rossio encontrava sempre uma visão aterradora: a de um homem completamente desfigurado, autêntico homem-elefante, cujo rosto era uma massa disforme de pústulas e abcessos. Visão gravada a ferros na minha memória (de longo prazo). Esse homem foi agora alvo de um documentário (um daqueles documentários de estilo gabinete de curiosidades ou freakshow), que deu um nome ao rosto, bem como a revelação que a sua monstruosidade facial se deve a razões religiosas: sendo jeová, Mestre sempre recusou operações por estas implicarem transfusões de sangue. Imagine-se, andar décadas como um monstro desfigurado, talvez com uma pontinha de orgulho por se sofrer suplícios de Job, apenas por motivos religiosos. Mais um indício a apontar para a profunda idiotice que é interpretar literalmente a religião.

E, em conclusão, será possível hoje a uma criança vir a pé da escola para casa atravessando parte de uma cidade? Só isto daria para uma bela discussão sobre a aversão de risco em que a nossa sociedade cada vez mais se baseia.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Arte Digital


Miguel Soares, >Hulk, 166x127cm, durst lambda print, edition of 3, mosaic series

Miguel Soares é um artista digital português que explora a animação 3D e os novos media como elementos de criação artística. Os seus videos, música e imagens digitais estão disponíveis no site migso.net.

Inovador e acutilante, este é um artista a descobrir.

Formação digital

O principal potencial de sistemas como os dos quadros interactivos está no deslocar o interface de utilização do computador da secretária para qualquer superfície – quer seja quadro, especificamente, ou uma superfície minimamente adequada. No entanto, com todo este poder interactivo na ponta dos dedos, a sua utilização limita-se a uma reconversão da apresentação clássica. As ferramentas básicas de software não ajudam. Estas são muito limitadas, com pouco potencial de desenvolvimento. O elemento interactivo limita-se a um reduzido manipular de blocos de informação.

Os princípios gráficos de construção de ecrãs normalmente não são referidos, bem como elementos de design que são fundamentais para uma comunicação interactiva eficiente. É um sintoma, diria, de cegueira profissional.

Para libertar o potencial das TI, futuras acções de formação poderiam centrar-se não sobre a produção de conteúdos em softwares limitados, mas sim na dotação dos docentes com ferramentas cognitivas essenciais para potenciarem a aprendizagem de competências de acção na sociedade de informação: concepção de Sistemas Tutoriais Inteligentes, programação, domínio conceptual de competências actuantes na sociedade de informação.

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Preferia estar a fazer disto, mas o trabalho obriga-me a outras tarefas...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Recortes

"And given the considerable growth in the demography of our planet in the twenty-first century, are we not right to suspect that experiments on the industralization of living matter will not be content merely to treat patients and assist infertile couples to have children, but will soon lead back to that old folly of the 'new man'? That is to say, the man who will deserve to survive (the superman), whereas the man whitout qualities, the primate of the new times, will have to disappear - just as the 'savage' had to disappear in the past to avoid cluttering up a small planet - and give way to the latet model of humanity, the transhuman, built on the lines of transgenic crops, which are so much better adapted to their environment than the natural products."
Paul Virilio

"A ciência abre de par em par a estreita janela através da qual nos habituámos a olhar o espectro de possibilidades. O cálculo e a razão libertam-nos, para que possamos visitar regiões do possivel que antes tinham parecido interditas ou habitadas por dragões."
Richard Dawkins

Idiotices

Quando se é esperto colhe-se os louros da esperteza. Quando se é parvo, tem que se assumir a idiotice.

E eu consigo ser muito parvo.

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Under the rainbow...

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Um Portátil Para Todos



One Laptop Per Child

Imaginem...

Imaginem que todos tinham o seu computador portátil. Imaginem que todos se podiam ligar à internet, sem fios, em qualquer local, desde que na vizinhança houvesse outro computador ligado à internet.

Imaginem que não precisavam de comprar software caro para poderem trabalhar com o vosso computador. Imaginem que tinham um computador que podiam levar para qualquer lado - o ecrã via-se tão bem na rua como em casa. Imaginem que podiam usar o computador para tirar fotografias, fazer desenhos, ler livros, escrever trabalhos, ver filmes, fazer filmes, navegar na internet. Não caberia no bolso - mas não era muito maior do que um bloco A4.

Imaginem que tinham um computador portátil que sempre que se acabasse a bateria, podiam, em vez de o ligar à corrente, aplicar uma manivela para recarregar a bateria.

Imaginem que todos os meninos em todo o mundo tinham um computador destes. Os meninos dos países ricos, os meninos de paises como o nosso, não muito ricos, e os meninos dos paises pobres.

Qual é o preço que pagavam por um computador destes?

100 dólares.



Este computador de sonho já existe. O sonho é dar um computador a todas as crianças do mundo, ou pelo menos a todos os meninos do terceiro mundo. Não é um sonho fácil de concretizar, mas a máquina - o OLPC XO, já existe. Não é uma bomba, mas é uma máquina resistente, que corre Linux como sistema operativo. E custará mais ou menos 100 dólares. Podem encontrar mais informações sobre este projecto fascinante no Wiki do OLPC em português.

Mas mais do que a máquina, o que é importante é a visão deste projecto, que, nas palavras de Nicholas Negroponte, director do MIT Media Lab e mentor do OLPC, "É um projeto de educação, não um projeto de laptop." É a grande virtude deste projecto: não se destina a produzir mais uma máquina para vender no mercado; está, sim, centrado naquilo que os utilizadores podem, e querem, fazer com as suas máquinas. O potencial deste projecto é revolucionário.

Nodoby's Business

There ain't nothing I can do, or nothing I can say,
Some folks will criticize me.
So I'm gonna do just what I want to anyway,
And don't care if you all despise me.

If I should take a notion
To jump into the ocean,
It ain't nobody's business if I do.

If I go to church on Sunday
And I shimmy down on Monday,
It ain't nobody's business if I do.

And if my friend ain't got no money
And I say, "All right, take all of mine honey,"
It ain't nobody's business if I do.

If I lend her my last nickel
And it leaves me in a pickle,
It ain't nobody's business if I do.

I would rather my gal would hit me
Than to haul right up and quit me.
It ain't nobody's business if I do.

I know that she won't call no copper
If she gets beat up by her poppa.
It ain't nobody's business if I do, Lord no.
Well, it ain't nobody's business if I do.


Claro, a ouvir na inimitável voz de Billie Holiday

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três pontinhos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Força

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo


Sérgio Godinho, Que Força É Essa?

Leituras

LA Times | New arms for a new iraqi army Vae victis, se não me falha o latim; O exército iraquiano está a reequipar-se... com as armas dos conquistadores americanos, abandonando a icónica ak-47 para empunhar a mais ianque de todas as armas, a M-16.

BBC | 50 years on: the Keeling Curve Legacy Está a fazer anos, a curva de Keeling, considerada por muitos um ícone da ciência comparável à fórmula E=MC2 ou à espiral do ADN. Mas que curva é essa, perguntam: trata-se da curva de crescimento exponencial de CO2 na atmosfera, o ominoso indicador de um futuro ambiental tenebroso.

Flixster | Science Fiction Babes Through Time Um olhar para as beldades que nos fazem gostar dos filmes de FC, mesmo que os ditos filmes não prestem para nada. Uma malandrice para terminar o dia...

Digital Tampering in the Media, Politics and Law Um artigo que cobre o hábito de adulterar fotografias por motivos políticos e económicos. Os suspeitos do costume estão presentes - como as famosas fotos de Estaline, que se iam esvaziando de correligionários à força de aerógrafo à medida que Estaline os ia eliminado à força de balas e julgamentos viciados. O que realmente arrepia é a cada vez maior quantidade de fotos adulteradas que por aí circulam. O photoshop, e a fotografia digital, quase que convidam à adulteração, e são muitas as imagems "arranjadas" que chegam aos media, enganando os editores (ou com a conivência destes) e enganando os receptores das mensagens mediáticas.

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Formas Cthulóides...

domingo, 2 de dezembro de 2007

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Panopticon?

Recortes

"Oxford physicist David Deutsch, one of the founding fathers of the exciting field of quantum computing, later proposed a variation on Everett's idea in which all possible universes already exist within a quantum multiverse. What we perceive as our reality is just a weaving through this vast shadowy multiple reality, creating our own version of events."
Jim Al-Khalili

"Você se calhar não sabe o que isto é, nem eu, portanto proíbe-se."
Censor da PIDE

"And given the considerable growth in the demography of our planet in the twenty-first century, are we not right to suspect that experiments on the industralization of living matter will not be content merely to treat patients and assist infertile couples to have children, but will soon lead back to that old folly of the 'new man'? That is to say, the man who will deserve to survive (the superman), whereas the man whitout qualities, the primate of the new times, will have to disappear - just as the 'savage' had to disappear in the past to avoid cluttering up a small planet - and give way to the latet model of humanity, the transhuman, built on the lines of transgenic crops, which are so much better adapted to their environment than the natural products."
Paul Virilio

Leituras

BBC | NASA outlines manned Mars mission O sonho continua vivo, pelo menos... a nova proposta da NASA de estratégias para uma missão a Marte soa estranhamente semelhante à que Von Braun delineou nos anos 50... àparte modernices como sistemas de apoio biológicos e telemedicina.

BBC | Dumb terminals provide smart solution Entre as várias tecnologias que permitem expandir a utilização do computador, esta talvez seja uma das mais adequadas para uma escola: os terminais "estúpidos". Em vez de se investir em máquinas poderosas, pode-se gastar o mesmo dinheiro num bom servidor e numa multidão de máquinas modulares que só são úteis ligadas a uma rede.

Guardian | In a parallel universe, this theory would make sense Uma das mais excitantes teorias que andam à volta da mecânica quântica é a dos universos paralelos, que no fundo são mais uma forma contra-intuitiva de entender as leis da natureza.