sábado, 31 de março de 2007

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Hoje prometo que me fico por aqui. Stop blogging and get a real life, pelo menos por hoje... hoje é dia de olhar as janelas pelo lado de fora.

Leituras

BBC | Japan mounts missile self defence Preocupado com as caqpacidades militares da Coreia do Norte, o governo japonês começou a instalar baterias de mísseis anti-míssil Patriot à volta de Tóquio. Uma das consequências menos observadas pelos media ocidentais é a reacção japonesa ao crescente poderio militar chinês e às capacidades nucleares norte-coreanas. O Japão rearma-se, investindo mais nas forças armadas de auto defesa, e começa já a pensar aquilo que no Japão é impensável - adquirir armas nucleares.

BBC | Solar boat makes atlantic crossing Talvez não substitua os grandes navios que flutuam no mar alto, mas a curto e a médio prazo pode ser uma alternativa aos inúmeros barcos de recreio e de pesca com os seus poluentes motores diesel. Uma equipe de cinco investigadores suíços atravessou o atlântico, simbólicamente utilizando a mesma rota que Cristovão Colombo, para demonstrar as capacidades de um barco movido a energia solar.

Guardian | A freeze on biofuels would be bordering on the luddite Terá George Monbiot, que citei aqui há dias, razão em desancar os biocombustíveis? Haverá alternativas, utilizando, por exemplo, fungos? A resposta não é simples, e é indicadora dos grandes desafios que nos esperam. O ambiente é um ecossistema altamente complexo, e não há soluções fáceis, tipo receita mágica, para resolver os problemas ambientais.

The New York Times | Video games conquer another world: retirees Papá, o avô não larga a minha consola! Sorrisos à parte, este artigo do Times aponta para o uso de videojogos pelo escalão demográfico da terceira idade como forma de manterem afinados os seus reflexos físicos e mentais. Estes velhos novos jogadores privilegiam aplicações de jogos tradicionais ou puzzles aos mais conhecidos jogos de estratégia, tiro neles ou RPG.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Sombras entre o Nevoeiro



IMDB | The Others
Wikipedia | The Others

O que é que é preciso para realizar um bom filme de terror? Sangue, tripas, efeitos especiais virtuais mais reais do que a realidade? Ou uma excelente ideia, com uma realização cuidada? A promoção mediática do cinema de terror aposta mais nas primeiras opções, mas há filmes que escapam à tirania do efeito especial e se impõem pela elegância da sua concepção, pela simplicidade do seu conceito. The Others é um desses filmes, em que o esplendor dos efeitos especiais cede lugar à atenção à atmosfera, ao cuidado com a iluminação e À mestria visual no contar da história.

The Others é um filme cheio de surpresas, que nos conduz deliberadamente em sentidos errados. Passado na ilha de Jersey, algures após o final da II guerra, numa mansão vitoriana onde vive uma mulher viúva com os seus dois filhos. Grace, a mulher, crê que os seus filhos são fotossensíveis, com uma fortíssima alergia à luz que lhes poderá causar a morte em caso de exposição à luz solar. Grace isolou-se do mundo numa casa onde as cortinas estão sempre corridas, e onde todas as portas estão fechadas à chave, à espera que o seu marido regresse da guerra, sempre rodeada por um omnipresente nevoeiro.

A inusitada chegada de três novos empregados vem alterar as rotinas instaladas na casa. Grace convence-se que a casa está assombrada - ouve ruídos, as crianças falam de presenças perto delas, as cortinas abrem-se, as portas abrem e fecham-se sem explicação aparente. Os empregados reagem a tudo isto com uma estranha calma, dando sempre a entender que sabem mais do que aquilo que demonstram. Num pormenor macababro, Grace descobre um album de fotografias onde todos os fotografados parecem estar a dormir. A estranha governanta informa-a que as fotografias são de pessoas mortas - um costume do século XIX, que consisitia em fixar uma última recordação dos defuntos através de uma chapa fotográfica onde eles pareciam dormir em paz.

As assombrações continuam, num crescendo de terror clássco. A casa, sempre rodeadada por uma cortina de nevoeiro cerrado, está isolada do mundo. Os mistérios adensam-se - o que provocará os estranhos ruídos? Quem são realmente os três circunspectos e misteriosos empregados? Quem são, realmente, as assombrações?

Os momentos finais do filme tudo revelam, numa série de impressionantes reviravoltas que tiram o tapete ao espectador. Todos os sentidos possíveis apontados pelo filme no seu final se revelam errados, o mais inesperado acontece.

A reviravolta na história, o plot twist, é um interessante artifício comum à FC e ao Horror. O retirar o tapete dos pés do leitor/espectador, surpreendendo-o, faz desde longa data parte do cânone destes géneros (se é que podemos falar em cânones de FC e Horror). Mas não chega para fazer um bom filme, ou uma obra literária memorável. Em The Others, associa-se ao brilhante plot twist do argumento uma direcção de actores muito cuidada e uma fotografia minuciosa que, só por si, dá ao filme todo o seu ambiente de trevas e horror.

Do conjunto de actores destaca-se Nicole Kidman, que dá ao seu papel uma dimensão trágica, vitoriana, resplandecendo nos trajes de época em contrastes absolutos de luz e sombra. Do resto do elenco aguardam-nos interpretações limpas, bem dentro dos moldes daquilo que se espera de um filme de terror que se alimenta do suspense que causa. A fotografia opta por grandes contrastes, tétricos jogos de luz e sombra, onde aquilo que vemos são pequenos detalhes rodeados por um negrume tenebroso. A falta de luz é uma constante em todo o filme. Desde as trevas da casa à luz difusa dos dias enevoados, o filme socorre-se das sombras para salientar o seu carácter tenebroso.

Filmado na Cantábria por Alejandro Aménabar, este é um filme que surpreende, que utiliza eficazmente todos os truques dos cânones do horror sem nunca cair em lugares comuns, sem nunca explorar os efeitos de choque, que depressa se desvanecem, dos muito glorificados efeitos especiais. The Others é um dos poucos filmes que consegue despertar calafrios, o que não é dizer pouco. Na nossa época mediática, em que tudo se banaliza, é especialmente raro e precioso ver como os métodos mais tradicionais, as histórias mais clássicas, ainda são capazes de despertar calafrios e fazer recordar aquele velho medo ancestral das sombras e da escuridão - algo em que os filmes-espectáculo, recheados de esplendorosos efeitos especiais que tudo revelam e nada deixam para a imaginação se soltar, falham redondamente.

Naqueles tempos é que era...

David Soares, talentoso escritor de tenebrosos contos de horror, está mesmo muito irritado com a história do Salazar como grande português. Isso, e mais uns pormenores recentes da vida política, como a busca do inenarrável PNR pelas luzes da ribalta através da afixação de cartazes ilegais. Mas em vez de se ficar pelas lamúrias ou pelos comentários, David Soares meteu mãos à obra, dedicando o seu blog a uma semana muito anti-fascista. Leiam os seus posts Cinco Minutos com Salazar, Nachlass e Mnémonica e... arrepiem-se.

Para os meus leitores que, como eu, são professores e lidam todos os dias com o resultado de cinco décadas de obscurantismo sob a forma de alunos e suas famílias que não têm a mínima noção da importância da aplicação nos estudos, deixo aqui estas citações que nos vai arrepiar, pois representa tudo aquilo contra qual lutamos, e que também nos fará perceber o quanto, em trinta anos, conseguimos avançar, tendo em conta que em 74 partimos de um ponto de partida que era menos do que o ponto zero.

"Saber ler para acreditar cegamente no que dizem certos jornais e certas publicações? Saber ler para fazer a cultura do ódio entre os homens e do ódio entre as classes? Saber ler para saber até que ponto vai a práctica e a ciência do mal? Pergunto: vale a pena saber ler para isto?"

"Ensinai aos vossos filhos o trabalho, ensinai às vossas filhas a modéstia, ensinai a todos a virtude da economia. E se não poderdes fazer deles santos, fazei ao menos deles cristãos."

"Se todos souberem ler, a instrução desvaloriza-se."

Tudo palavras daquele que os consumidores àvidos da televisão consideraram o maior português de todos os tempos, daquele de quem muitos ainda hoje ainda dizem "que nos tempos dele era tudo melhor". Palavras que já cheguei a ouvir da boca de pessoas da minha geração, o que é simplesmente aterrorizante.

É com ideias que se combatem ideias. É com a luz que se combate a trevas e o obscurantismo. Estes posts, e aqueles que certamente se seguirão, são uma leitura obrigatória para combater a desinformação complacente de um ambiente mediático subordinado às necessidades financeiras, um ambiente mediático que substituiu eficazmente a isenção pelo espectáculo. Os meus parabéns a David Soares por ousar fazer aquilo a que ninguém hoje se dá ao trabalho: combater fogo com fogo.

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1/2

Leituras

BBC | Russia, China aim for Red Planet A China anunciou recentemente um protocolo de cooperação corm a Rússia no espaço, que a curto prazo se vai traduzir numa missão conjunta a Marte. Uma pequena sonda chinesa fará parte da missão russa a Phobos, lua de Marte, com largada prevista para 2009.

Guardian | On the tide of culture shock Novamente a China, vista desta vez sobre outro prisma. A recente prosperidade chinesa está a permitir que muitos jovens chineses estudem no estrangeiro. Qual será o impacto dos valores ocidentais que absorveram durante as suas estadias no ocidente, e como é que isso vai transformar o país para onde irão regressar?

The New York Times | Intel plans faster chips that also save power A nova geração de chips aproxima-se a passos largos. Os processadores Penryn, que chegarão este ao mercado, e os processadores Nehalam, com chegada prevista para o próximo ano, prometem melhores performances sem acréscimo do consumo de energia. Os constantes avanços na tecnologia de impressão de chips - 45 nanometros e a diminuir - estão a permitir esticar a Lei de Moore para lá dos seus limites. Uma questão, no entanto, me atormenta. Penryn? Nehalam? Quem é que se lembra de nomes como estes?

quinta-feira, 29 de março de 2007

The Frankenstein Omnibus



Peter Haining, ed., The Frankenstein Omnibus, Bounty Books, 2003

Fantastic Fiction | The Frankenstein Omnibus

Não se pode dizer que este livro tenha tudo sobre o mais fabuloso monstro da história do cinema. Mas se não tem tudo, anda lá perto. The Frankenstein Omnibus colige uma série de contos e excertos de romances que, de uma forma ou de outra, estão ligados com o mito por detrás de Frankenstein. A selecção cuidada dos contos apresenta-nos uma série de percursores, contemporâneos, inspiradores, seguidores e variações, bem como os preciosos e impagáveis guiões dos filmes mais marcantes deste personagem.

A lista de contos e obras citadas é impressionante, atravessando três séculos de literatura fantástica. O livro divide-se em três partes - The Prototypes, onde o editor nos apresenta uma série de contos de precederam o marco que foi o filme Frankenstein; The Films, com uma cuidada selecção de guiões e adaptações literárias de várias interpretações de Frankenstein no cinema ou na televisão; e The Archetypes, contos onde o mito por detrás de Frankenstein - o de uma criatura inamimada que ganha vida através da intervenção de forças exteriores - é revisitado de formas inesperadas.

Na primeira parte podemos encontrar os seguintes contos:
The Creature Lives! Como não podia deixar de ser, o livro dá o mote ao tema através da citação da obra imortal de Mary Shelley
The Reanimated Man Mais uma vez, Mary Shelley com o conto de um inglês reanimado após um século preservado sob os gelos alpinos, um pouco ao estilo de Rip Van Winkle.
The Mummy Um excerto da obra ilegível (na minha opinião) de Jane Webb que consegue misturar o fantástico com a FC de uma forma perfeitamente ineficaz.
The New Frankenstein Numa excepção ao tom do livro, um conto satírico de William Maginn às voltas com as veleidades dos cientistas que querem criar vida nos seus laboratórios.
The Bell-Tower Conto de Herman Melville que nos leva à Itália renascentista e nos remete para Talos, lendário homem de bronze da antiguidade clássica, revisitado pelo génio dos inventores renascentistas.
The Vivisector Novamente em tom satírico, um conto de Ronald Ross cuja única ligação possível com Frankenstein tem a ver com as vivisecções do "herói" da obra.
The Future Eve Excerto do romance simbolista do autor francês Villiers de l’Isle-Adam que introduziu ao mundo o conceito de andróide. Há algo de estranhamente misógino nestas correntes literárias que descrevem tentativas de criar mulheres artificiais perfeitamente obedientes e submissas aos desejos dos homens.
The Incubated Girl Excerto de um romance moralista da autoria de Fred T. Jane onde, mais uma vez, a moralidade da criação de máquinas que mimetizam a vida é posta em questão com os mais banais argumentos.
The Surgeon’s Experiment Com este conto de W. C. Morrow entramos profundamente em território pulp. A história de um cientista que tenta reanimar um cadáver através de uma cabeça de metal é um prenúncio de delícias literárias vindouras.
Some Experiments With a Head Este conto aterrador de Dick Donovan não merece ser esquecido. Passado em França, detalha uma experiência horrífica em que dois cientistas mantéem viva a cabeça de um condenado à guilhotina para saber precisamente quanto tempo é que uma cabeça seria capaz de viver depois de separada do corpo.
The New Frankenstein Mais um exemplo de literatura misógina, em que dois apaixonados descobrem a aterradora verdade por detrás da sua simpática, submissa e silenciosa noiva, neste conto clássico de E. E. Kellett.
The Man Who Made a Man Mais um conto pulp, desta vez da autoria de Harle Oren Cummins, em que se estabelece a imagem do cientista enlouquecido que tenta dar a centelha da vida a uma criatura no meio de faiscantes aparelhos eléctricos.
Frankenstein II Alivia-se o tom trágico do mito num conto de Leonard Merrick em que a criatura é uma peça de teatro e Frankenstein o seu autor, desesperado e levado à ruína financeira ao tentar levar a sua criação ao palco.
The Composite Brain Mais um conto típicamente pulp, em que dois cientistas desprezados pela comunidade científica assassinam um respeitado cientista para usar o seu cérebro em experiêncas horríficas, da autoria de Robert Carr
Demons of the Film Colony Num conto apropriado para terminar esta primeira parte, Theodore Le Berthon conta-nos o terrível segredo por detrás das impressionantes interpretações de Boris Karloff e Bela Lugosi nos papéis que lhes deram fama...

A segunda parte da obra inclui as seguintes pérolas (escrevo isto sem qualquer ironia):
Frankenstein; or, The Man and the Monster Antes de chegar ao cinema, a obra de Mary Shelley já tinha sofrido várias adaptações para o teatro; este é o argumento daquela que o editor considera ser a primeira delas, encenada em 1823.
Frankenstein: The Man Who Made a Monster Para os amantes do filme seminal de James Whale, sem o qual o mito de Frankenstein não seria o que é, o livro inclui o argumento origial de Garrett Ford e Francis Faragoh para o filme de 1931, na adaptação única da obra de Mary Shelley. Foi com emoção que li a descrição da cena histórica em que Colin Clive, no papel de Victor Frankenstein, dá vida ao monstro interpretado por Boris Karloff, perante o olhar atónito de Edward Van Sloan no papel de Professor Waldman - a cena que ficou para a história do cinema, inspirando incontáveis cenas onde cientistas loucos libertam a força dos electrões numa tempestade de faíscas. It's alive! IT'S ALIVE!
The Bride of Frankenstein A noiva de Frankenstein, sequela ao primeiro filme, é considerada por muitos como muito melhor do que o Frankenstein original. O argumento de Guy Preston faz tentadoras sugestões aos cenários góticos filmados por James Whale nesta história onde Victor Frankenstein é obrigado a regressar às suas pesquisas malditas.
The Workshop of Filthy Creation Exagero grand guignol e mais clichés de terror por página do que em qualquer outro conto deste livro, na adaptação de Robert Muller para um argumento de uma série de televisão britânica.
The Dead Man A série televisiva Twilight Zone, criada por Rod Serling, despertou inúmeras imitações de variável qualidade ao longo dos tempos. Este tenebroso conto de Fritz Leiber foi a base de um episódio da série Night Gallery, criada também por Serling.
The Curse of Frankenstein E que seria um livro sobre o personagem sem algo que recordasse os famosos filmes de terror britânicos dos estúdios Hammer? Esta adaptação gótica e tenebrosa de Jimmy Sangster faz jus à fama dos filmes da Hammer. Não há heroismos, ou moralidades definidas; há apenas o olhar depravado sobre os horrores da alma humana.
Herbert West—Reanimator Possivelmente a pior obra escrita por H. P. Lovecraft, nem por isso deixou de inspirar um filme de culto de série B. Aqui, o mito de Frankenstein estende-se a partes de corpos horrívelmente reanimadas graças às injecções do fluido milagroso, fruto das abomináveis pesquisas do Dr. Herbert West. Pode não ser o melhor de Lovecraft, mas é sem dúvida um dos seus textos mais divertidos...
Transformation Para finalizar a segunda parte do livro, o editor publica mais um conto clássico de Mary Shelley, que esteve na base de um projecto pouco ortodoxo de adaptação de Frankenstein ao cinema pelos estúdios Hammer. O conto de Shelley, não um dos seus mais conhecidos, é uma poderosa alegoria da moralidade e do desespero.

A terminar os livro temos os arquétipos do homem que gerou um monstro. São obras onde a intervenção de forças exteriores - quer mágicas, quer científicas - dá vida a abominações que nunca deveriam ter maculado a face da terra.
The Golem O romance clássico de Gustav Meyrink, apresentado aqui num excerto, poderá ter sido uma das obras que inspirou Mary Shelley a escrever Frankenstein, or, the new prometheus.
Death of a Professor Este conto de Michael Hervey revisita o estranho caso de Andrew Crosse, um cientista inglês do século XVIII que publicou um artigo em que dizia ter criado vermes a partir de pedaços inanimados de matéria através da aplicação de electricidade. Mas as experiências de Crosse são aqui levadas até ao limite do horror.
Frankenstein—Unlimited Este conto de H. A. Highstone alimenta-se dos terrores provocados pela tecnologia num conto em que num futuro próximo, a humanidade está submetida ao domínio da máquina.
It Algo de sobrenatural anima uma criatura de gosma do pântano neste conto de Theodore Sturgeon.
Wednesday’s Child William Tenn revisitou neste conto o tema da mulher-andróide, neste caso máquina biológica que desperta o desejo do seu patrão, com as terríveis consequências esperadas neste género literário.
Dial “F” for Frankenstein Arthur C. Clarke a provar o seu génio neste conto de 1965 em que Clarke imagina o despertar de uma consciência artificial surgida da interligação das comunicações mundiais através da rede telefónica... anos antes da nossa contemporânea internet.
The Plot Is the Thing Robert Bloch, discípulo de Lovecraft, mergulha nas trevas da psique humana neste conto que mistura o amor ao cinema clássico de terror com a imaginação macabra do autor.
Fortitude Kurt Vonnegut é um escritor que está associado à ficção científica, embora tenha publicado obra noutros campos literários. Neste conto, narrado em jeito de peça de teatro ou argumento de episódio de série televisiva de causar arrepios, Vonnegutt revisita as ideias do cientista louco nesta história em que uma cabeça é mantida viva para lá do tempo normal de vida graças a um corpo mecânico artificial.
Summertime Was Nearly Over Brian Aldiss revisita o monstro de Frankenstein neste conto passado na moderna Suiça, onde no alto das montanhas o monstro ainda se refugia, oculto nas caverna sob os glaciares.
At Last, the True Story of Frankenstein A terminar em cheio esta colectânea, um conto de Harry Harrison com um final irónicamente perfeito, neste conto onde um incauto jornalista descobre, tarde demais, os verdadeiros segredos do Dr. Frankenstein, nos dias de hoje transformado em dono de uma macabra atracção circense.

Fôlego é o que é preciso para ler este volumoso tomo antológico às voltas com o monstro disforme favorito de tanta gente. Os contos clássicos, de autores já esquecidos, são uma das boas surpresas deste livro. Embora muitos dos contos sejam hoje ilegíveis, irremediávelmente datados, não deixam de ter interesse para aqueles que gostam de conhecer os contextos que deram origem aos mitos da cultura popular, não deixando de ser obscuras curiosidades culturais. Os guiões e as suas adaptações literárias deixam entrever a mística por detrás do ícone do monstro. A ficção pulp de terror está tão cheia de lugares comuns, de artifícios desenhados para provocar arrepios mas que em vez disso provocam gargalhadas, que acaba por ser mais pueril do que aterradora. É sempre encantador regressar a estes géneros de ficção.

Leituras

El Mundo | Traducen "conjuros" sumerios de hace 4.000 años contra la enfermedad Investigadores do CSIC, centro espanhol de pesquisa científica, estão a traduzir tabuinhas sumérias que contém encantamentos para curar doenças. À minha mente vêm os nam-shubs de Snow Crash...

SIC | EDP em destaque A aquisição pela EDP da Horizon, empresa americana especializada em projectos de energia eólica, permite à EDP aumentar a sua base de produção de energia de fontes renováveis, e deixa qualquer um menos sabedor dos ínvios corredores do mundo dos negócios embasbacado com a ideia de uma empresa portuguesa a comprar uma empresa americana - e não o contrário.

TSF | Sequestrador liberta 32 crianças após oito horas Um estranho crime nas Filipinas: um homem armado, director de um jardim de infância, manteve sob sequestro um autocarro cheio de crianças. As suas exigências? Alojamento e educação gratuitas para 145 crianças... por cá, espero que as medidas governamentais de "racionalização" dos recursos educativos não culminem em actos de desespero como este.

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Simetria abstracta 3D da manhã. Just because...

quarta-feira, 28 de março de 2007

The Phantom of the Opera



IMDB | Fantsma dell'Opera (1998)
1000 Bullets | Phantom of the Opera
Wikipedia | Dario Argento

O Fantasma da Ópera de Gaston Leroux já está definitivamente entronizado como um dos ícones do cinema, que atravessa géneros. Se associamos a bizarra história do fantasma que assombra a Ópera de Paris ao filme de terror, isso tem mais a ver com tradição iniciada por Lon Chaney na lendária adaptação dos tempos do cinema mudo em representar o fantasma como um monstro assustadoramente desfigurado. A história que deu origem a todos estes filmes e à mística do personagem está, num pormenor tão comum a outras histórias que deram origem a outros ícones cinematográficos (caso de Frankenstein, por exemplo) enterrada debaixo de inúmeras interpretações, feitas aos gostos da época e aos gostos dos produtores. O Fantasma da Ópera tem versões tão díspares como a monstruosa de Lon Chaney nos anos 20, a elegante de Claude Rains nos anos 40, ou a mais recente de Andrew Lloyd Weber, em ritmo de musical tragicómico. Esta adaptação, filmada no final dos anos 90, beneficia do estranho olhar do realizador único que é o italiano Dario Argento - um verdadeiro Fellini do terror.

Este The Phantom of the Opera não é um filme fácil. É, sem dúvida, um filme perturbador, por vezes bizarro, por vezes assustador, por vezes erótico, por vezes cómico, por vezes violento, mas sempre muito intenso e que não deixará nenhum espectador indiferente... deixará, até, muitos espectadores revoltos com a violência visual do filme.

Mais uma vez é contada a história do triângulo amoroso entre Christine, jovem cantora da Ópera de Paris de voz angelical, de Raoul, o seu pretendente, e de Erik, o fantasma que vive nas sombras das catacumbas e assombra os corredores da Ópera. Sendo um filme de Dario Argento, o filme não nos poupa a pormenores sangrentos e a olhares inquietantes.

O filme é visualmente claustrofóbico. Os espaços visuais são apertados, dando aos espectadores aquela desconfortável sensação de aperto irrespirável que se associa com os ambientes claustrofóbicos. Ajuda o filme ser largamente passado em grutas, camarins exíguos ou nas apertadas catacumbas que estão no mundo inferior do edifício da ópera, a fervilhar com a necessária actividade para que o mundo luxuoso lá de cima corra suavemente. Mas mesmo em cenas mais abertas, como os palcos da Ópera ou os cafés onde da sociedade da época se congrega, onde os espaços são mais amplos, a claustrofobia impera. Argento enche os espaços vazios de figurantes, criando assim uma sufocante mole humana que está sempre presente, nunca aliviando a sensação de sufoco. Noutras cenas, que por via da história são necessáriamente passadas em espaços amplos onde os únicos personagens são o Fantasma e Christine, a claustrofobia é assegurada por uma utilização apurada de cores escuras e ângulos de câmera inquietantes. Apesar disto, o filme é estranhamente desconexo, e a única ligação entre as cenas está na estética visual que assegura a coerência do filme. Esta desconexão torna o filme difícil de apreciar. Num momento podemos estar a assistir a um clássico momento de ópera, noutro a uma morte sangrenta e arrepiante, com a tónica assente no sangrento.

A estranheza do filme é sublinhada também pelo tratamento dado aos personagens principais. Raoul, o herói que salva Christine das garras do monstro, está retratado de forma muito pouco convicente. É uma personagem sem qualquer profundidade cuja cena mais intensa se passa num sensual banho turco, onde Raoul dá largas aos seus delírios por entre voluptuosos corpos nús. Christine é representada por Asia Argento, filha do realizador e uma das mais recentes scream queens do cinema fantástico. Asia é uma daquelas mulheres que é bela sem ser bonita, e o seu magnetismo confere ao papel de Christine uma dimensão trágica que remete para a pose das belezas que fenecem, tão ao gosto dos finais do século XIX, uma pose que fascina os amantes das trevas e do negrume gótico (pensem nos filmes de Tim Burton, ou numa referência musical, nos Evanescence). Asia consegue passar de uma atitude banal nos momentos menos assustadores do filme a picos esplendorosamente trágicos nas cenas chave do filme. Mas esta sensação talvez seja motivada pela dobragem - os actores italianos a falar em inglês é coisa que não soa bem, e que torna muitos bons desempenhos pouco convicentes.

Julian Sands, um actor que estranhamente abomino, representa fabulosamente o personagem de Erik. É na sua interpretação, e no olhar do filme sobre o fantasma, que reside a força deste filme. O fantasma não é um monstro desfigurado, figura trágica que causa repulsa mas ao mesmo tempo pena por conhecermos a sua história trágica. Nesta obra, o fantasma é belo, de uma forma assustadora, mas ao mesmo tempo atractiva. Não é de forma alguma um monstro desfigurado, cujo olhar provoca repulsa. A sua monstruosidade está no seu interior, no seu pouco saudável hábito de eliminar com requintes de sadismo aqueles que se atrevem a penetrar no seu reino das profundezas. A máscara de Erik, neste filme, a máscara que esconde a sua deformidade, é o seu próprio rosto, de olhar magnético e intenso. Mais do que um simples psicopata, Erik é uma criatura das profundezas, que vive no seu reino cavernoso comandando e protegendo uma legião de ratazanas, com as quais tem um elo muito próprio. O momento mais estranho do fime é uma visão de Erik, que sonha com homens aprisionados como ratazanas numa ratoeira, interrompida por uma visão de Christine em pose portentosa de trágica deusa, enquadrada em contra-luz e de cabelos soltos ao vento. É algo profundamente bizarro, o que neste filme (e na obra deste realizador) não é dizer pouco.

Um certo ar de decadência é prevalente no filme. Argento retrata a sociedade da Ópera de forma amoral, olhando com especial atenção para aqueles que fazem da Ópera a casa das suas obsessões - como Degas, com a sua saudável obsessão por desenhar as jovens bailarinas, ou para outros patronos frequentes da Ópera cujas intenções lúbricas para com as jovens bailarinas são representadas pela dádiva pouco inocente de chocolates. No entanto, o crime é sempre punido por castigos irónicamente apropriados.

Um ponto muito estranho do filme envolve as bizarrias de Ignatz, o caçador-chefe de ratazanas que colecciona as caudas das ratazanas que mata, e constroi um estranho veículo para tomar de assalto as ratazanas que assolam as caves e cavernas debaixo do edifício da ópera, com resultados previsívelmente sangrentos que envolvem cabeças decepadas. Ignatz, recorde-se, é o nome do rato criado por George Herriman na banda desenhada Krazy Kat, sempre a pregar partidas ao gato que supostamente o deveria caçar e a responder a tijolo às amorosas atenções da gata que está apaixonada por ele. É um símbolo das inúmeras referências que Argento colocou neste filme.

Qualquer fantasma da ópera que se preze tem de ter a cena climáctica do gigantesco candelabro que cai sobre a plateia. Argento não desilude, fazendo culminar o momento numa cena macabra e escatológica, a fazer jus à fama do realizador.

The Phantom of the Opera não é considerado pelos críticos como um dos melhores filmes de Argento, o que me surpreende. Se Argento é capaz de melhor do que este perturbador filme, imagine-se as visões de pesadelo que passou ao celulóide. Apesar de desconexo, com uma banda sonora de Ennio Morricone que remete mais para filme romântico do que para filme de terror, este The Phantom of the Opera é um filme que surprende, pela sua dimensão trágica, pela bizarria das suas visões, pela estranheza do seu olhar e pela beleza escatológica dos seus pormenores gore. Não é aconselhável a estômagos fracos.

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"I am a stranger and afraid, in a world I never made" - Robert Bloch, "The plot is the thing"

Leituras

BBC | Burma's new capital city unveiled A junta militar que governa a Birmânia - desculpem, Myanmar, digo eu na ponta da baioneta - está a construir uma nova capital de raiz, uma cidade-modelo torre de marfim no meio da floresta onde os generais se podem refugiar da pobreza do país que governam com punho de ferro. Se quiserem comparações, pensem na Birmânia como a Coreia do Norte semjuche nem armas nucleares, no meio da floresta tropical.

El Mundo | 'Lenin crucificado' y 'Cristo McDonalds' la arman en una exposición en Rusia Estranhamente, numa época cultural em que tudo é permitido e o mundo da arte banalizou o controverso e o revolucionário, ainda há notícias de obras que geram exclamações de horror - caso do Piss Christ de Andres Serrano ou desta exposição de arte russa que anda a chocar os ortodoxos. Podemos sempre contar com os religiosos para um escândalo artístico à moda antiga, agora que os políticos já não se atrevem a declarações do género entarte kunst...

Guardian | If we want to save the planet, we need a five-year freeze on biofuels Os combustíveis orgânicos como o etanol são um paradoxo ecológico. Por um lado, representam uma possibilidade de diminuir a dependência dos combustíveis fosséis e, consequentemente, a redução dos níveis de CO2 na atmosfera. Por outro lado, o uso da terra arável para cultivar as plantas utilizadas para a produção de biocombustíveis ameaça provocar crises alimentares, aumentar a desflorestação e a pressão sobre os habitats naturais. Como exemplo, temos os preços do milho cada vez mais elevados no mercado, que já este ano provocaram uma crise alimentar no México.

The New York Times | In the Lab: Robots That Slink and Squirm Biorobots? Novos materiais à base de silicone que reagem à aplicação de corrente eléctrica estão a dar origem a protótipos de robots com um comportamento quase animal. São os avanços da biomimética a surpreender os mais incautos.

terça-feira, 27 de março de 2007

Portugueses grandes

Em última análise, a história dos Grandes Portugueses é um fait-divers de pouca importância. No fim de contas, trata-se de um concurso televisivo, que cumpriu à risca os seus objectivos - atrair atenções para maximizar as rendas da publicidade. Não é tão importante como isso, embora o resultado final nos diga alguma coisa sobre o nosso carácter como nação. Não tanto sobre o nosso gosto por jugos, mas antes pelo nosso gosto por figuras que o imaginário popular elege como salvadores da pátria, homens decididos que querem, podem e mandam. É um carácter sublinhado nas últimas eleições presidenciais, onde ganhou o candidato que o New York Times apelidou certeiramente de Saint Cavaco. Não creio que seja uma boa ideia tornear as nossas apreciações sobre o carácter nacional a partir do resultado de concursos televisivos.

Mas mesmo assim não consigo deixar de tentar imaginar no que pensavam aqueles que votaram no concurso, e deram a inevitável vitória à figura mais aberrante possível. Leiam as linhas que se seguem com um grão de sal. Tentei imaginar qual seria a cultura do português médio, forjada na cabulice das aulas e nas prédicas dos púlpitos televisivos, e cá foi disto...

António de Oliveira Salazar - Este sim, o verdadeiro bom português. Durante as curtas décadas do seu longo regime o país viveu uma época ímpar. Esses foram os bons velhos tempos, quando os senhores ainda eram senhores e não havia os desmandos da ralé de hoje em dia. Podia-se andar na rua em paz, porque ninguém nos incomodava. E havia sempre trabalho honesto para quem o quisesse. Dinheiro não era muito, mas também não era preciso, não havia muita coisa para gastar e ia sempre dando para amealhar uns tostões. Um homem às direitas, que punha as mulheres no lugar, que punha qualquer um no lugar. Nos tempos dele não havia cá nada dessas modernices da educação. Só era preciso saber as letras, os rios, as capitais e as estações de comboio. Para quê aprender outras coisas? Antigamente aprendia-se era coisas úteis. Depois da primeira classe os putos iam era aprender um trabalho honesto, não faziam com hoje fazem, ficar em casa a jogar computadores e andar na rua a fazer poucas vergonhices. Nos tempos do Salazar é que era bom. E aqueles tipos que dizem o contrário, que falam naquelas tretas da censura ou do tarrafal, são uns mentirosos. Toda a gente sabe que os da Pide eram boa gente. Amaldiçoada seja a cadeira de onde caiu...

Álvaro Cunhal - É comuna. É preciso dizer mais? Os comunas comem bébés ao pequeno almoço. Os comunas chegam a um sítio e dizem que tudo pertence a todos, ou seja, que aquilo que é meu deixa de ser meu. Os comunas são maus, nem sei bem porquê, mas se me dizem que são é porque são.

Aristides de Sousa Mendes - Quem? Ah, o dos judeus. Pois, deve ter sido boa pessoa, mas o Salazar é que tinha razão. Ele e o amigo dele, aquele da alemanha...

D. Afonso Henriques - Ele é que foi o pai da nossa nação? O fundador do país? É por causa deste idiota que eu não hablo español e não ganho como os espanhóis?

Luís de Camões - Parece que foi poeta. O professor de história falava muito dele, e o de português também. Deve ser boa pessoa, o Salazar gostava muito dele, que era um português a sério que ficou zarolho a combater contra os àrabes. Talvez tenham passado algum tempo juntos. Até parece que tem uma estátua em Lisboa, no largo do Camões. Será que o nome do largo tem alguma coisa a ver com este tipo?

D. João II - Foi rei e isso é coisa boa. Se Portugal ainda tivesse reis é que era. Éramos como a Inglaterra, ou a Espanha, ou o Lesotho, que não se sabe muito bem onde é que fica. Tem nome de país da Àsia.

Infante D. Henrique - Sem bem me lembro das aulas de história, este tipo parece que fundou uma escola e obrigou os marinheiros a irem para o meio do mar.

Fernando Pessoa - Num país com uma taxa de analfabetismo operante a rondar os quase cem por cento seria de todo irreal esperar que um português que se dedicou a escrevinhar coisas que ninguém lê seja considerado um grande homem. Ainda por cima escrevia como se fosse várias pessoas, o que não cabe na cabeça de ninguém. Como é que permitem que um inútil que passava a vida a escrevinhar seja considerado um grande português? Aqui nesta lista devem estar só aqueles que trabalham! Ao menos podia ter escrito para telenovelas, já seria qualquer coisa.

Marquês de Pombal - Também parece que era um homem às direitas, parece que foi ele que fez o terramoto do marquês de pombal e construiu as casas de Lisboa. É um grande homem, mas já morreu.

Vasco da Gama - Este parece que andou na Índia às turras com os índios e os cowboys, de barco. Mas é estranho, porque os desenhos que se vêem dele não têm o chapeu de cowboy.

A esta lista só faltam os nomes dos verdadeiros grandes portugueses: Pinto da Costa, esse grande senhor, Valentim Loureiro, esse injustiçado, Cavaco silva, homem santo que salvou a nação. Se não estão cá é por causa dos complots contra eles.

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Dream landscape

Leituras

BBC | Hi-tech "threat" to private life Há medida que a tecnologia se torna mais ubíqua, também se torna mais intrusiva. Num cenário de pesadelo, as bombas do futuro poderiam ser detonadas de acordo com as características biométricas de indivíduos.

El Mundo | TIME anuncia el cierre de la revista Life para explotar la marca sólo en internet É um fim de uma revista que durante décadas foi uma referência do fotojornalismo. É também o fim de um arcaísmo que despertava memórias dos anos 40.

The New York Times | Slow down, brave multitasker, and don't read this in traffic Será que a capacidade de realizar muitas tarefas ao mesmo tempo se traduz em prestações mais eficientes, ou será que o nosso cérebro prefere um ritmo mais tranquilo para conseguir a concentração necessária para realizar bem todas as tarefas a que nos propomos?

segunda-feira, 26 de março de 2007

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I love the smell of simetry in the morning! Smells like... victory!

(bem sei que a expressão original do filme não usa esta palavra, mas enfim...)

Boa acção

Senti-me mesmo muito bem esta manhã quando parei na portagem da A21 e paguei os cinquenta e cinco cêntimos cobrados pelos parcos seis quilómetros de percurso entre Mafra e a Malveira. Senti-me bem, senti que fiz a minha boa acção do dia. Contribuí para um pouco mais de bem estar, ajudando ao magro salário do gestor da empresa pública que detém a concessão da A21. No fim de contas, nestes tempos em que vivemos em que ser funcionário público é o mesmo que ser considerado inimigo da nação, é sempre bom saber que há quem ganhe salários que pagariam o salário a sete ou oito quadros médios da função pública - daqueles que estão a ser eliminados dos ministérios em nome da eficiência financeira. E é muito melhor saber que este não é caso isolado, que este se repete, em perfeita normalidade, por todo o país. É este o país que temos, é este, no fundo, o país que queremos. Um país onde os seus cidadãos gostam de andar debiaxo das cangas. Elegem ditadores como heróis nacionais e assistem complacentes ao sorver de dinheiros públicos para os bolsos de alguns.

Má sorte minha ter nascido português. Pior sorte pensar em que poderia contribuir para um portugal melhor, para um país mais moderno e inteligente. Os meus concidadãos gostam é de jugos.

O Veterinário de Província



James Herriot, O Veterinário de Província, Livros Horizonte, 2002

Livros Horizonte | O Veterinário de Província
Wikipedia | James Herriot

Os grandes livros enfrentam sempre grandes temas. A literatura que parece ficar, a que ganha importância, aquela cuja simples menção desperta pensamentos de calma nobreza, anda sempre às voltas com as questões que dilaceram a alma humana. E o simples contar de histórias é muitas vezes relegado à condição de arte menor, divertimento de pouca importância, por muito que nos agrade a leitura. Se o tema não é portentoso, a obra não é considerada importante. Não é que toda a literatura tenha de ser automaticamente importante apenas por ser escrita, mas obras interessantes, escritas em tom leve, são muitas vezes depressa esquecidas.

O Veterinário de Província é um destes livros, que está firmemente no caminho para o esquecimento, o que é lamentável. James Herriot, pseudónimo de James Wight, passou uma vida a exercer medicina veterinária na Inglaterra profunda. Herriot viveu as mudanças da sociedade rural, apegado no entanto ao espírito simples de honestidade e labor que para ele caracterizavam a vida rural. E, ao longo da sua carreira, este observador atento do carácter humano ficou com inúmeras histórias para contar, histórias simples, humanas, sobre as idiosincrasias dos homens duros do campo, histórias eternecedoras de uma vida passada a tratar do bem estar dos animais. É esta a grande virtude de O Veterinário de Província, relembrar-nos do prazer das coisas simples da vida. O amor pelos animais é apenas uma das facetas desta obra

O Veterinário de Província é o primeiro de muitos volumes das memórias ficcionadas de Herriot. As suas personagens reúnem as características dos habitantes da região onde trabalhou, a cidade ficcional de Darrowby - na realidade, Thisk, no Yorkshire, e as suas pequenas histórias, às vezes curiosas, às vezes tristes, às vezes eternecedoras, às vezes divertidas reúnem as vinhetas de uma vida de experiências entre rudes criadores de gado e nobres locais. O título inglês, All Things Great and Small faz bem jus ao espírito da obra. Este é um livro simples, sobre coisas simples, apesar de muitas vezes parecerem complexas e assustadoras. É impossível ler esta obra e não sorrir com as peripécias do jovem veterinário no meio dos rudes homens do campo que se julgam mais sabedores do que o doutor da cidade; não sentir a ternura do homem que cuidadosamente, a meio de noites geladas e em condições muito pouco higiénicas se afadiga a ajudar vacas, éguas e carneiros a parirem, sorrindo sempre que finalmente vê a cria nas suas mãos. Junte-se a isto as aventuras de um patrão muito pouco convencional ou a descrição atenta dos mimos dados por uma viúva rica ao seu pequinês de estimação - e por extensão ao "tio" veterinário, e temos este livro leve, que nos restaura a fé na humanidade e nos deixa cheio de vontade de ler mais. Infelizmente, da obra do autor só dois volumes estão publicados em português, ambos há muito esquecidos pelo mercado. Talvez tenham sorte, e encontrem este O Veterinário de Província perdido, esquecido no fundo de alguma prateleira de livraria.

É um livro perfeito para ler confortávelmente, enquanto a nossa fera de estimação favorita se aconchega junto a nós no sofá e ressona tranquilamente, acordando de quando em vez para olhar para nós com aquele olhar que os cães só fazem aos donos. E talvez seja por isto que tanto gosto deste livro. Embora não me ocorra ser capaz de enfiar o braço dentro de uma vaca para ajudar ao parto de um bezerro, percebo perfeitamente o gosto pelo bem estar dos animais - e a minha fera também tem "tios"...

domingo, 25 de março de 2007

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Dont know why theres no sun up in the sky... Stormy weather...

A Comenda Secreta



Maria João Pardal/Ezequiel Marinho, A Comenda Secreta, Ésquilo, 2005

Ésquilo | A Comenda Secreta

À partida, o livro prometia. Única obra portuguesa nesta colecção dedicada às ficções imaginadas sobre segredos conspiratórios, A Comenda Secreta envolve segredos esotéricos, história de Portugal, percursos iniciáticos e a sempre intrigante arquitectura do convento de cristo em Tomar.

O trajecto do enredo acompanha um trio estranho, uma trindade, quase se diria, composta por Renato, um jovem que se prepara para uma vida como frade guerreiro da ordem templária, Abel, filho do rabi da Lisboa medieva e conhecedor dos caminhos ínvios do esoterismo, e Catarina, filha de um cavaleiro e de uma bruxa pagã que transporta consigo um segredo intemporal. Esta estranha trindade vê-se envolvida numa conspiração que decorre enquanto em Tomar se lançam as primeiras pedras do convento de cristo, destinado a albergar mais do que uma igreja: o segredo do convento envolve um fantástico tesouro e oculta uma entrada para um fabuloso mundo subterrâneo.

A verdade é que o livro promete, mas acaba por se afundar num mar de incoerências. A história arranca aos sobressaltos, e por vezes, entre parágrafos, consegue mesmo não fazer sentido. Há pormenores mal explicados, situações criadas que acabam por nem sequer se deslindar, enquanto outras situações parecem surgir do nada, sem qualquer explicação viável. Se algum cuidado foi colocado na descrição dos locais históricos - a Lisboa acabada de conquistar aos mouros, o Portugal selvagem dos tempos da reconquista - a caracterização das personagens deixa muito a desejar, com modos de pensar estranhamanete contemporâneos para homens medievais. Para piorar, o livro é uma obra de puro proselitismo esotérico, que tenta funcionar com vários níveis de sentido que se resolvem em infodumps esoteristas difíceis de enquadrar numa história que aparentemente se queria dinâmica.

A coisa começa a correr mal logo no prefácio, onde os autores se dispersam em direcção a vocações nacionalistas de cariz espiritual, afirmando a crença numa tradição espiritual, mariana e marítima (sic), à qual só apetece juntar as insignes tradições de deus, pátria e família. Um livro sobre os quintos impérios e os fulcrais conhecimentos ocultos a que só uma élite iluminada entre élites consegue ter acesso até poderia funcionar bem. Mas este livro leva-se demasiado a sério, e entre as peripécias inverosímeis de uma história que poderia ser melhor contada, perde-se em ruminações sobre percursos iniciáticos, agartha, cavernas ocultas sobre Tomar, sincretismos religiosos e tesouros fantásticos. Bem, mas que mais se pode dizer sobre um livro que intrepreta o nome portugal como porto do graal?

E assim se vai mais uma obra deste género de ficção que, até agora, se tem mostrado bem desapontadora. Por detrás de capas elegantes e com premissas fascinantes, capazes de despertar a curiosidade de qualquer leitor, encontram-se obras entediantes, em alguns casos escritas com bastantes falhas. Não consigo deixar de observar que falta groove à pulp fiction contemporânea.

Leituras

BBC | Monkeys' stone percussion studied Investigadores brasileiros estão a investigar um comportamento até agora nunca observado em primatas - grupos de macacos que batem em pedras para avisar o grupo de ameaças. Os macacos estão a disseminar este comportamento, aprendendo entre si e ensinando-o a macacos de outros grupos. E agora não resisto a duas piadas. Primeiro, para quando o cd com os ritmos alucinantes dos macacos percussionistas da Serra da Capivara? Segundo... até os macacos se apercebem da importância da educação. Só mesmo o nosso ministério da educação é que não se apercebe disso, o que me leva a concluir que estão a ser tutelados por criaturas de capacidade cerebral inferior a dos macacos.

Guardian | Wonders of the deep No nosso mundo iluminado, em que cada recanto já foi explorado, esqudrinhado, fotografado, visitado e implantado com um hotel ou um McDonalds para maior conveniência dos exploradores modernos, apenas dois locais ainda restam como últimos redutos dos mistérios geográficos, das regiões do mapa onde o desconhecido suscita sonhos de mistérios naturais e portentos inauditos. Apenas o espaço exterior e as profundas regiões abissais ainda parecem guardar os mistérios do tempo em que o mundo era jovem e os mapas exibiam vastas àreas de terras desconhecidas, onde se dizia que existiriam dragões, ladrões ou até mesmo leões. Ocasionalmente, a descoberta de lulas gigantes da espécie architeutis, desconhecidos gigantes dos mares profundos, recorda-nos as lendas dos velhos marinheiros que viam as suas frágeis embarcações engolidas pelos tentáculos de portentosos krakens. O pensamento é inevitável. Se as lulas gigantes existem, que outros mistérios se ocultam nas regiões abissais, onde os raios do sol não conseguem penetrar as brumas do manto oceânico?

Guardian | The European Union at 50 Sem grandes fanfarras, a União Europeia celebrou ontem cinco décadas. As comemorações seguiram o padrão de discrição a que a UE já nos habituou. As instituições europeias têm vindo a mudar discretamente a Europa. Sem grandes choques, sem revoluções, através de medidas aplicadas a médio e longo prazo, a UE tem trazido maior prosperidade ao continente europeu, bem como algo inédito na história europeia - a consciência a Europa como um bloco unitário, onde as barreiras étnicas, culturais e linguísticas são entendidas como elementos de um todo que é a identidade cultural europeia.

sábado, 24 de março de 2007

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Quisera eu aproveitar este fresquinho e luminoso dia de primavera para dar mais uso ao lápis. Talvez mesmo desempoeirar o bloco de apontamentos gráficos, que anda triste e negligenciado desde que chegou o portátil, dar um pulinho ali até ao forte e passar o dia a rabiscar, tal e qual como nos velhos tempos em que os computadores eram uns caixotes com processadores rapidíssimos de 20 mhz.

Alas... a vida de professor, que todos (menos os professores) acham que é muito boa, vai-me obrigar a ir contemplando o azul do mar e a frescura da brisa pela janela, enquanto me afadigo a terminar os inúmeros relatórios e apreciações com que um director de turma consciencio termina um período lectivo. A minha sorte é que lecciono uma disciplina práctica - se fosse teórica, andava agora a afadigar-me às voltas com a correcção de testes.

Well, whatever. Apesar de tudo o dia está bonito, o que até anima mais o trabalho. Pode ser que com o bom humor aqueles meus alunos cujas notas estejam mais para a descida do que para a subida tenham mais uma ajudinha, mais um empurrãozinho para ir em frente...

sexta-feira, 23 de março de 2007

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Dias longos me aguardam. Final do segundo período... hell and damnation!

quinta-feira, 22 de março de 2007

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Not so groovy...

In the Grip of Horror

The bitingly cold air stiffenned the nipples of agent Val's large and elegant breasts. The cold white plains of the Antarctic surrounded her. Fortunately, the high tech thermo-fabric of her scant uniform shielded her from the extreme cold, while exalting the slender soft curves of agent Val's sensual body.

So far the mission had been uneventful. London's orders were to investigate the rumors about an ultra-secret Nazi unit that had hidden under the icy wastes of Queen Maud's land after the Allied bombs turned the Nazis impenetrable fortresses to rubble in the german heartland.

Decades after WWII, strange secret reports of unexplained events and misterious disappearences came from the science teams on the Antarctic. One especially deranged scientist even claimed that he had seen the old fuerher, kept alive by the horrific biological experiments of the sadistic nazi scientists. He was biding his time, deep in an underground base, protected by deformed super-soldiers, abhorrent products of the Nazi's dark science, surrounded by powerful robotic weaponry far more advanced than our wildest dreams. All was in place for the Nazi revenge, the time of the Fourth Reich was near.

Under the cold blue sky, Val's well trained eyes detected movement. The white ice was cracking, ripped apart by tremendous forces. Suddenly, a white-hot flash followed by a thunderous explosion threw Val over the icy plains, ripping her uniform and exposing her tender skin to the freezing air. From the hole in the ice jumped hirsute primate creatures wielding machine guns, as well as a fearful robotic war machine wich immediately started firing powerfull lasers. The sky turned to crimson.

Despite being half-naked in a desperate situation, Val's hands clutched her ion pulse carbine. It was her last stand, and she knew it. Her quivering, exposed breasts trembled while she shot back at the horde of primitive creatures and the robotic war machines. Her beautiful body was clearly outlined against the background of laser fire and the hail of bullets. Val's swansong came in a spectacularly brief battle.

Val awoke to find herself strapped to a bed. Her eyes focused on the gaunt tall Nazi officer whose decayed face and evil expression filled her with an unspeakable dread. His eyes lingered apreciatively over her naked, volutptuous body. Captured and helpless, Val shuddered at the thoughts of the horrors she was to be subjected to in the dark Nazi dungeons.

Porquê? Because it's Groovy!!!

Leituras

BBC | Private rocket rides into space Foi lançado o foguete Falcon 1, financiado pelo dono do site eBay. O voo foi um sucesso, com o foguete a atingir 320 km de altitude.

Guardian | The pecs that saved greece A adaptação cinematográfica da obra 300 de Frank Miller está a fazer saltar algumas sobrancelhas. Hollywood conta novamente a heróica história dos trezentos espartanos que se sacrificaram frente aos exércitos persas, com muito sangue e músculo à mistura.

TSF | Trichet destaca criação de empregos O presidente do BCE, infame pelas suas ganas de aumentos de taxas de juro, prefere que olhemos para lá da nossa carteira cada vez mais vazia.

The New York Times | Inside Japan's puzzle palace Os adoráveis quebra-cabeças que fazem o sudoku parecer coisa fácil, brincadeira de crianças, têm um ponto de origem bem definido - a Nikoli, pequena empresa japonesa especializada na criação de puzzles matemáticos

quarta-feira, 21 de março de 2007

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Mais variações em tom de Bryce.

Leituras

BBC | Rivers run towards crisis points Alguns dos maiores rios do mundo estão em perigo graças à combinação assassina de factores como a navegação, a poluição, a construção de barragens e as mudanças climatéricas, o que coloca em perigo o fornecimento de àgua potável a um largo espectro da população mundial.

BBC | Virtual worlds are worth $1 bn A enorme popularidade dos jogos multijogador online traduz-se num valor económico igualmente elevado. Agora, a questão que fica é se estes jogos serão moda passageira, ou se a imersão nos mundos virtuais da ciberesfera pressagia algum salto evolutivo?

Guardian | Reason with yourself Porque é que temos um sentido de moralidade e ética? Porque é que os nossos modos de agir são determinados pela nossa intuição do certo e errado?

The New York Times | Airbus super jumbo takes a lap around America Um A380 da Lufthansa está a fazer um périplo pelos aeroportos americanos. A viagem não serve para vender o avião - a america é o quintal da Boeing, serve antes para demonstrar a tecnologia e testar os aeroportos americanos capazes de suportar o gigante dos ares europeu.

terça-feira, 20 de março de 2007

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Silverfish

A Sombra do Templário



Núria Masot, A Sombra do Templário, D. Quixote, 2005

Dom Quiixote | A Sombra do Templário

Desta vez não é o segredo obscuro que assegura o tom dominante do livro. O segredo está lá, fiel como esta obra é aos cânones deste género literário tão especialista em segredos ocultos, mas embora o livro gire à volta de um manuscrito que contém um segredo capaz de colocar em questão a origem da cristandade e as pedras basilares da igreja católica este não é o elemento mais importante da obra. Mais do que um livros sobre conspirações templárias, este A Sombra do Templário é um misto de policial com romance de espionagem. Chegado ao fim do livro, o segredo é diligentemente revelado, mas sem quaisquer ilações ou voos de imaginação. Mais do que uma história de segredos, esta é uma história de aventuras onde proto-espiões jogam os seus jogos obscuros na Barcelona medieval.

O tal pergaminho secreto serve como de mote a esta história onde um grupo de espiões templários, espiões ao serviço do papa e espiões ao serviço de um todo-poderoso senhor dos espiões que presta contas ao rei de França (a sombra do título) vão colidindo, com resultados sangrentos, nos becos e vielas de Barcelona. O livro centra-se essencialmente sobre a personagem de Guillem de Montclar, noviço da ordem do Templo e aprendiz de operações secretas que através desta aventura se transforma de tímido aprendiz em enérgico operativo. Pelo meio, observamos as maquinações de frades despeitados, de um médico judeu honrado que também esconde o seu segredo, e assistimos à vingança de um velho grupo de templários sobre a cabeça de alguém que foi um dos seus mas os traiu. A sombra de Bernard Guils, bondoso espião ao serviço da ordem, de lealdade inquestionável e sagacidade aguçada, mestre de Guillem e mesmo após a sua morte o némesis da Sombra, o ex-templário francês ao serviço do rei de França.

Quanto ao segredo do pergaminho, este não deixa de ser curioso: nas últimas páginas do livro o conteúdo dos pergaminhos é-nos revelado como um relato de uma excavação templária no monte do templo em Jerusalém, que teria revelado o túmulo contendo os ossos de Jesus - um segredo capaz de abalar uma igreja construída sob o signo da ressurreição do seu principal profeta.

A Sombra do Templário é uma leitura agradável, misto de Sherlock Holmes, O Nome da Rosa e nalgumas partes particularmente mais agitadas, de James Bond medievo. Incisivo e bem descrito, o livro vai gerando suspense suficiente para nos ir levando de capítulo em capítulo. Não é um clássico, nem uma obra imprescindível; antes, uma leitura agradável capaz de nos deixar a suave recordação de algumas horas prazenteiras.

segunda-feira, 19 de março de 2007

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Nada realmente a dizer.

Judas Unchained



Peter F. Hamilton, Judas Unchained, Pan Books, 2005

Wikipedia | Commonwealth Saga
SF Signal | Judas Unchained
Pandora's Star

O final de Pandora's Star foi quase insopurtável. No volumoso primeiro volume da saga da Commonwealth, Peter F. Hamilton pintou um diorama convicente de uma sociedade interestelar ameaçada por uma guerra à escala galáctica. Todos os fios condutores convergiram para um final em suspensão, um final desenhado para vincar que se estava apenas a meio da história. Judas Unchained é o resto, os capítulos que faltam, o concluir da história da guerra entre a humanidade e a entidade alienígena conhecida como Prime.

Por si só, o argumento de guerra interestelar não chega para caracterizar este livro. Grande parte da obra vai noutra direcção - numa caçada implacável para desmascarar os agentes de uma entidade obscura, o Starflyer, que manipula a humanidade na sua guerra contra o Prime, esperando sair vitorioso das ruínas de duas espécies destruídas. Durante mais de um século apenas uma organização desacreditada e considerdada terroristas luta contra esta estranha entidade e os seus sequazes, o instituto de pesquisas que investiga a nave alienígena descoberta no planeta mais longínquo da Commomwealth. É este o tema que dá o título, e o mote a Judas Unchained, a busca de provas de que o Starflyer é real, e o desmascarar dos seus agentes, insuspeitamente colocados nos postos mais importantes da civilização galáctica.

Tal como o primeiro livro, Judas Unchained segue os diferentes percursos de diversos personagens que acabam por se aliar há medida que a história se encaminha para o final. Paula Myo, a super-investigadora de Pandora's Star, prossegue a sua busca inexorável pelo Starflyer e seus agentes, ajudada pelos líderes da poderosa familia Burnelli. Nigel Sheldon, o super-industrialista, líder da mais poderosa dinastia da Commonwealth e um dos fundadores da sociedade interestelar, persegue várias vias na guerra contra os Prime - desenvolvendo novas armas e tecnologias avançadas de viagens translumínicas, enquanto manobra o conselho de guerra terrestre e, como contingência final, constroi uma frota que permite exilar os membros da sua dinastia caso o pior aconteça, e os Prime aniquilem a civilização humana. À parte de tudo isto, Ozzie Isaacs prossegue uma odesseia para além do espaço-tempo, caminhando por entre os caminhos da civilização alienígena dos Silfen, criaturas sardónicas avessas à tecnologia mas que deslocam a seu bel-prazer pela galáxia, seguindo os seus "caminhos", que são wormholes aparentemente dotados de vontade própria. Isaacs busca respostas aos grandes mistérios da galáxia - quem construiu a esfera de Dyson que conteve os Prime até à chegada da nave terrestre, e até onde levam os caminhos dos Silfen. Por entre estas duas grandes lutas, os jogos de poder sucedem-se, com uma míriade de personagens a intersectar-se neste gigantesco cenário galáctico. No final, tudo se conjuga, os velhos inimigos formam estranhas alianças, os traidores são descobertos, em muitos casos, tarde demais, nas posições mais insuspeitas. Tentar sumarizar a teia de fios condutores deste livro é quase impossível, pelo menos nos limites mais apertados de uma resenha que não se quer muito longa.

E tal como no primeiro livro, Peter Hamilton não nos poupa a descrições e a mergulhos no exotismo da sua sociedade futura, avançada mas não perfeita. Através das suas descrições Hamilton ofereçe-nos ideias deliciosas, que nos dão vontade de esperar por um futuro assim. A infinita variedade dos mundos da Commonwealth, ligados entre si pela rede de caminhos de ferro intersectada pelos wormholes que possibilitam a passagem instantânea entre mundos, a humanidade envelhecida mas sempre jovem, para todos os efeitos imortal graças às avançadas terapias de rejuvenescimento e, nos casos mais terminais, às maravilhas da clonagem e do implante de memórias. Mais uma vez Hamilton envolve-nos na estranheza das civilizações extraterrestres, explorando os mundos mágicos dos Silfen, produtos de uma tecnologia tão avançada que é indistinguível da magia (uma ideia profundamente reiterada por Arthur C. Clarke), as intricacias dos Raiel, a duplicidade da inteligência artificial incorporada na entidade planetária conhecida como SI, e esboçando melhor os Barsoomians, humanos adeptos da manipulação profunda do ADN que se afastaram radicalmente da humanidade (para os mais ferrenhos fãs de FC, fica a referência à Barsoom das aventuras marcianas de Edgar Rice Burroughs).

No entanto, houve um tema que ecoou na minha mente há medida que ia lendo esta obra: II Guerra Mundial. Encontrar este paralelo talvez seja culpa do meu fascínio por essa época histórica, mas ele está lá - toda a história da luta implacável da luta entre a humanidade e a entidade alienígena designada por Prime parece decalcada da história da II Guerra, com uma humanidade aliada a usar todos os seus recursos humanos, industriais e científicos para combater um inimigo que quando ataca, ataca de forma esmagadora e parece apenas interessado no genocídio da espécie humana - o que até se verifica, tendo em conta de Hamilton concebeu os Prime como a extensão mais lógica do paradigma da sobrevivência a todo o custo. Os Prime são no fundo uma única entidade, uma inteligência de colmeia dominada por uma única personalidade, incapaz de conhecer o livre-arbítrio e incapaz de conceptualizar a noção de indivíduo. A única forma de enfrentar a ameaça dos Prime parece ser o genocídio, tal como a forma de acabar com a guerra no mundo passou pelo arrasar da Alemanha e pelo bombardeamento atómico do Japão. Judas Unchained introduz uma poderosa arma final nas mãos da humanidade, uma bomba capaz de fazer explodir uma estrela, e parte dos enredos da obra giram precisamente à volta das decisões de usar esta arma final contra os Prime, sobrevivendo a humanidade ao seu genocídio cometendo ela própria genocídio. Felizmente, no final esta decisão é invalidada pela coragem de Ozzie Isaacs, que se lança numa missão quase suicida ao sistema dos Primes para tentar reactivar a esfera de Dyson e contê-los ao seu sistema solar.

Judas Unchained é um livro de leitura compulsiva, que nos obriga a ler sempre um bocadinho mais, sempre mais uma página, sempre mais um capítulo - o que no caso da prosa de Peter Hamilton é um pouquinho complicado - já li livros mais curtos do que o típico capítulo das obras deste autor. O sentido de acção é impecável, arrastando-nos pelas vielas do argumento até explosões catárticas onde tudo se coloca em jogo. Mesmo assim... o livro soa demasiado ao primeiro volume, e lê-se como um prolongamento demasiado longo. Por exemplo, o final estende-se por quatro ou cinco capítulos, o que começava a entediar - cheguei a temer que as peripécias da perseguição final ainda fossem prolongadas por mais uma traição ou contratempo. Mesmo assim, Judas Unchained é uma conclusão épica para a vasta saga da Commonwealth.

Leituras

BBC | Digital lock's rights and wrongs A internet e o formato mp3 vieram transformar radicalmente o negócio da venda de música. Escudando-se atrás da pirataria, as editoras atrasam deliberadamente o crescimento do mercado de música online vendendo ficheiros mp3 de qualidade duvidosa e bloqueados por software de gestão de direitos de autor altamente restritivo, em que o ficheiro comprado só é reproduzível num ou dois leitores devidamente autorizados, e não é possível qeuimá-lo para um cd para ouvir noutros suportes. Ao mesmo tempo vendem cds sem qualquer protecção e fácilmente convertíveis em mp3. Mesmo assim, há alternativas. As editoras independentes abraçaram a internet como um meio primordial para promover os seus artistas, e tentam fazê-lo indo encontro às vontades dos consumidores. Entre as experiências de comercialização online temos lojas que vendem mp3 sem quaisquer restrições, lojas que permitem o download gratuito em troca de espaço publicitário e sites que vendem mp3 com base no sucesso das canções - quanto maior for a procura, mais elevado o preço.

BBC | Vehicle warning system trialled Um projecto alemão pode vir a criar nas estradas uma rede informacional em que cada veículo emite dados sobre as condições da via, avisando os restantes veículos sobre possíveis perigos ou congestionamentos. O sistema, desenvolvido por um centro de pesquisas especializado em inteligência artificial com o apoio de vários construtores automóveis, é análogo a uma aplicação P2P.

SIC | Previsão de marés vivas mais fortes As condições do mar nestes próximos dias serão muito violentas, com as previsíveis consequências para uma orla costeira portuguesa especialmente susceptível aos efietos da erosão, graças a um conjunto explosivo de factores que incluem má gestão das zonas costeiras e a subida do nível médio das àguas graças ao aquecimento global. Será que o quebra-mar quebrado aqui da Ericeira ficará ainda mais danificado? Já há notícias de que os arranjos estarão finalmente para breve.

The New York Times | Look at me, world! Self-portraits morph into internet movies Aqueles que viram o fabuloso filme de Wayne wang com argumento de Paul Auster, Blue Smoke, recordam-se certamente do hábito diário que Augie, o personagem principal, tinha de todos os dias há mesma hora fotografar a rua onde se situava a tabacaria onde trabalhava. As máquinas digitais transformaram-nos todos em potenciais fotógrafos. Vivemos rodeados por lentes, quer no telemóvel, quer no computador, quer até na máquina fotográfica, e o impulso da fotografia, liberto dos constrangimentos da revelação dos rolos, é imediato. Um projecto pessoal de um fotógrafo ganhou fama e imitações pela vasta internet - durante seis anos, fotografou o seu auto-retrato, diáriamente. Depois, montou um video e largou-o nesse repositóro de efemera humana que é o You Tube. Sucesso instantâneo, a pedir reflexões sobre a nova estética da fotografia digital.

domingo, 18 de março de 2007

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Agora em 3d...

Leituras

El Mundo | Shanghai tendrá en 2010 un parque subterráneo con árboles, césped y flores A pressão urbanística sobre a mais mítica das metrópoles chinesas é tão grande gue resta pouco espaço livre para zonas verdes. A solução? Criar parques subterraneos, onde a luz solar chega através de cabos de fibra óptica.

Guardian | The wasteland - inside Mugabe's crumbling state Retrato aterrador de um Zimbabwe que vive o ocaso do regime de Robert Mugabe. Ainda há poucos anos um celeiro, o país está ameaçado pela fome. A inflacção cresce a milhares por cento e a moeda desvaloriza diáriamente. O governo já não tem dinheiro para manter a força aérea ou para comprar papel para imprimir passaportes. A classe média deixou de existir, e os que podem fogem do país em busca de trabalho. A ajuda humanitária é apropriada pelo governo e distribuida segundo critérios políticos - os habitantes de zonas que não apoiem o governo são deixadas à mercê da fome. Nos hospitais tudo falta, e a esperança média de vida caiu para os trinta e sete anos.

SIC | Todos os bens são iguais A China, bastião ideológico do comunismo mas onde a realidade difere muito da ideologia, aprovou leis que institucionalizam e legalizam a propriedade privada.

sábado, 17 de março de 2007

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Tutoriais, inspiração e a coisa própriamente dita, embora eu use a versão 5 que é gratuita. É o melhor programa de modelação 3d para quem nada percebe de modelação 3d...

Leituras

El Mundo | Bélgica reduce el limite de velocidad a 90 km/h por la baja calidad del aire Sinal dos tempos, medida que aponta para futuras medidas similares noutros países. O governo belga reduziu o limite máximo de velocidade nas auto-estradas para 90 km/h como medida de combate à poluição. Anteriormente, o limite de velocidade era de 120 km/h. A medida visa melhorar a qualidade do ar, diminuindo a quantidade de partículas nocivas em suspensão. Como curiosidade, o El Mundo regista que nos primeiros dias da entrada em vigor desta medida só cerca de 20% dos condutores não a respeitaram. A pergunta é inevitável: e em Portugal, como seria, gostando como gostamos de carregar no acelarador? Há meses foi sugerido que o limite de velocidade diminuisse dois ou três quilómetros, e logo se levantou um clamoroso coro de protestos.

Guardian | Sensations into symbols A percepção é algo que tomamos com tão adquirido que nos esquecemos de que a visão global do mundo depende de um consenso entre as visões particulares. Perguntas simples, como um simples "que azul é este", põem em confronto as nossas percepções do mundo. A mesma cor pode ser percepcionada de modos muito diferentes pelos olhares de cada um. Este confronto de percepções acontece regularmente, mas felizmente, o nosso cérebro não bloqueia e a vida continua. Em última análise, a realidade está contida no nosso cérebro. Sabemos perfeitamente que não é assim, mas como é que podemos mesmo saber, se a nossa noção de realidade é construida pelas nossas percepções...?

(lembram-se do filme Matrix?)

Mojo

Mr. Mojo Rising... agora, qual é a canção dos The Doors onde se ouve esta frase...? Ah, essa mesmo - L.A Woman. _A boa música é intemporal - e atrevo-em a colocar os Doors ao lado de Duke Ellington, Wagner ou Bach. Just because.

sexta-feira, 16 de março de 2007

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Truqes de simetria no Bryce.

O som do silêncio



Lisboa está cercada por vilas e aldeias em profunda transformação. A pressão urbanística de uma metrópole em crescimento acelarado arrasa espaços verdes e descaracteriza as velhas vilas, rodeadas por florestas de condomínios por entre os quais serpenteiam vias rápidas como lianas. O verde dos campos é substituído pelas cores garridas dos projectos imobiliários e pelo negrume do asfalto, a beleza desordenada da natureza é substituída pela fealdade da construção caótica.

Mas ainda resistem bolsas isoladas onde por uma razão ou outra o chamado desenvolvimento ainda não chegou. São zonas que devido a acidentes de geografia ou isolamento face aos grandes eixos rodoviários ainda não atraíram as atenções dos tubarões do imobiliário. São locais livres de betão, coisa rara nos tempos que correm nos arredores de uma grande cidade. Aqui mesmo ao lado, perto da Venda do Pinheiro, ainda subsistem muitos desses locais. Para os descobrir basta partir da Venda em direcção à Malveira, e virar na Venda do Valador em direcção a Santa Eulália. Depressa nos livramos do caos urbanístico desta zona, e entramos nas serranias da zona saloia.

É um prazer conduzir na estrada que liga a Avessada a Santo Estevão das Galés e a Santa Eulália, ladeada de suaves colinas verdejantes. E a verdadeira surpresa está a seguir a Santa Eulália, se se virar em direcção a Lousa. Aí penetramos nas profundezas das serranias saloias, onde a paisagem nos tira o fôlego. Parar o carro e desligar o motor é obrigatório, bem como sair e respirar fundo, ouvindo o profundo silêncio entrecortado pelo latido distante dos cães, pelo canto dos pássaros, pelo restolhar do vento nas àrvores e pelo marulhar da ribeira que corre lá em baixo, bem no fundo do vale. Foi, e é, assim em Monfirre, local onde tirei esta fotografia.

Nem sem muito bem onde administrativamente se situa Monfirre. Não sei de que concelho é este recanto esquecido; do concelho de Mafra, do de sintra ou do de Loures. Espero, apenas, que as piores forças do progresso, os paladinos do asfalto e do alcatrão, continuem a esquecer-se deste recanto único, onde o verde e o azul ainda são as cores dominantes.

quinta-feira, 15 de março de 2007

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Mais Bryce.

Leituras

BBC | Probe reveals seas on Saturn moon A sonda Cassini observou evidências da existência de mares de hidrocarbonetos em Titã.

Guardian | The legacy of Iraq is that the world stands by while Darfur burns Já se justificaram intervenções militares por razões menores. A catástrofe humanitária na região sudanesa do Darfur, orquestrada pelo governo sudanês, vai enchendo as notícias e fazendo desesperar os responsáveis pelas organizações internacionais que, no terreno, se vêem desapoiadas e incapazes de fazer face aos crimes contra a humanidade corriqueiramente cometidos pelas tropas sudanesas e as milícias suas aliadas. As grandes potências nada fazem, tolhidas pela falta de interesse em agir no terreno, pelos constrangimentos da realpolitik e pela pouca vontade em provocar o mundo islâmico com mais uma intervenção contra um governo islamista - embora o governo sudanês se tenha distinguido pela crueldade com que trata os seus cidadãos.

Guardian | No sex please, we're Japanese A vida laboral agressiva e exaustiva dos japoneses tiram-lhes a vontade de ter relações sexuais. A notícia pode parecer conversa jocosa de café, daquelas ao melhor estilo de engatatão de bairro, até nos lembrarmos que o Japão é uma nação envelhecida cuja população não se renova devido às baixas taxas de natalidade. E que os padrões de vida japoneses não estão assim tão desfasados do padrão de vida super-ocupado das modernas sociedades ocidentais.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Leituras

El Mundo | La ESA anuncia su intención de enviar una misión tripulada a Marte en 2025 A ESA está a definir as grandes linhas orientadoras para a exploração espacial e uma missão a Marte é um objectivo a médio prazo. No entanto, qualquer missão tripulada europeia a Marte só é possível em cooperação com a NASA e a agência espacial russa. 2025 seria uma data possível para o desfraldar da bandeira azul sob os céus marcianos.

SIC | Abrem clínicas privadas onde fecham hospitais públicos Onde o ministério vai fechando serviços de saúde e urgências em nome da racionalidade dos serviços, o sector privado abre clínicas. São cada vez menos as dúvidas sobre as reais intenções do ministério.

TSF | OCDE contra aumentos das taxas de juro A OCDE está a mostrar-se preocupada com os sucessivos aumentos das taxas de juro de referência, ecoando as preocupações de vários governos. Em questão está a real necessidade de subida das taxas para controlar a subida de preços numa altura em que a inflacção está controlada.

The New York Times | Study Says Computers Give Big Boosts to Productivity
Mais um estudo que demonstra que a utilização de computadores aumenta a produtividade - financiado por entidades tão independentes como a IBM, a Cisco Systems e a eBay. É preocupante ver estes "estudos científicos" financiados por empresas com interesse directo nos seus resultados apresentados como boa ciência. Mas este caso não é dos mais graves. Quando os media divulgam estudos a negar o aquecimento global ou a atribuir o aquecimento global a outros factores que não a actividade humana normalmente não referem que esses estudos são patrocinados por empresas petrolíferas ou indústrias pouco interessadas em implementar métodos de produção ambientalmente mais adequados.